Ubermensch by Debord

abrindo caminho com uma chave inglesa – ou, Bioshock my ass, motherfucker

Publicado em despise for humans por pedro em 04/14/2008

Começarei de maneira singela.

Há anos não me presto a ter um blog. Gasto minha raiva no trânsito xingando toda a incompetência humana, que é tão bem evidenciada pela incapacidade constante de aproximadamente 95% da população – pelo menos de Porto Alegre – de sequer dirigir em linha reta.

Por pressão direta do Coiote, me vejo aqui, novamente, escrevendo lixo pra ninguém ler. Mas também é por um pouco de pressão dos meus colegas da cadeira que estou fazendo na Fabico, Interação Mediada por Computador. Todo mundo tem blog e sabe tudo sobre ‘bloggar por aí’.

Eu, particularmente, considero que a troca livre de idéias se perdeu em algum momento da história recente. Talvez na primavera de 1968. Mas como eu, graças a Deus, não tava lá pra ver, não posso ter certeza. E digo graças a Deus porque sou uma pessoa altamente atormentada pela frustração, e acho que maio de 68 seja, nos dias de 2008, 40 anos depois, uma grande frustração. Poucos ainda tem muito, muitos não tem nada, e a maior parte esmagadora da população que importa – aqueles que tem dinheiro, que fazem a roda dos interesses do mundo girar – estão tão absurdamente afogados no maquinismo, no objetivismo, que simplesmente esqueceram que nenhum exército do mundo pode protegê-los quando a povo resolver que quer as suas cabeças.

Demorei alguns dias pra escolher o nome do meu blog e acho que escolhi um nome bastante pragmático, apesar de eu não ser nada pragmático. Ubermensch by Debord. Acredito que seja um nome bastante impactante e que denote exatamente o que quero passar aqui:

SOMOS TODOS UNS MERDAS. O Super-Homem do Nietzsche anda usando as cuecas ao contrário desde 1938.

Ontem discutia com meu pai sobre a Disney. A conversa acabou no pragmatismo paterno de sempre: as pessoas que se organizam e buscam seus objetivos os conseguem. Tudo bem. Mas vamos combinar que com o suporte dos nazistas – milhões de dólares – é fácil construir um império da diversão. E o pragmatismo paterno não acabou na obviedade objetiva, meu pai se recusa determinantemente a deixar o positivismo para trás. Causa e Conseqüência. Causa e Conseqüência. Eu devia forçá-lo a ler Edgar Morin. Nosso mundo é muito complexo, e boa parte das ciências mais aplicadas e menos laboratoriais – nas quais o positivismo será sempre imperante – já deixaram esse conceito para trás. No momento que tu tem um approach freudiano o positivismo se torna cada vez mais opaco. Somos frutos de considerações e desejos, e eles não figuram ali. Somos complexos, e nada no mundo não é humano. Se não é humano é porque ainda não foi descoberto. No momento que for, deixa de ser inumano. No supracitado pragmatismo, também figurou um “ode a weber”; meu pai babando o ovo dos protestantes e sua impecável ética economicista. Too much work, no play. Incrivelmente, o contrário total da minha filosofia de vida que é uma filosofia muita utilizada nos dias de hoje: A LEI DO MENOR ESFORÇO. Qualidade de vida não pode nem nunca será trabalhar 12 horas. Daí tu entra no círculo que o mundo desenhou para os homens de maio de 68: tente se matar trabalhando que a gente pega a tua grana e te deixa morgar com uma intravenosa de morfina até o finalzinho. Ou: o fruto do teu trabalho só será devorado pelo sistema médico. Estresse = morte precoce. Daí que não entendo a pretensão das pessoas em ocuparem cargos de alto estresse; vocês são loucos?

Bom, amo meu pai demais. Mais negativamente do que de forma positiva meu pai me ensinou tudo que eu sei. Eu explico. Eu não aprendi o que ele me ensinava. Me esforcei pra aprender o contrário. Tenho orgulho dele. É um cara que se matou trabalhando pra dar pra nós tudo que nós queríamos materialmente, mas perdeu a chance de nos dar tudo aquilo que nós queríamos que não era material. E hoje, aos 50 e tantos anos, minha mãe vem e diz que ele tá carente. Eu estive carente a vida inteira. Carente de pai. Carente de que ele me ensinasse a andar de bicicleta, a amarrar os tênis, a jogar videogame comigo. Mas ele sempre se preocupou mais em me dar a bicicleta, os tênis e o videogame. Eu aceitei. Acreditanto sempre que esta fosse a forma dele de dar amor. E por mais piegas e clichê que isso seja, até por ser um conceito amplamente infantil, e talvez por isso mesmo, todos precisamos de amor, de carinho, de proximidade. Somos seres sociais. Queremos as coisas materiais, mas as queremos por motivos não materiais. Queremos dividir as coisas. Não tem graça jogar Winning Eleven sem alguém junto pra torcer, ou pra simplesmente jogar junto contigo.

Essa é a lição de maio de 68?

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3 Respostas

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  1. c. dubreau said, on 04/14/2008 at 3:46 pm

    ainda não consegui cair no objetivismo que toda instituição exige – parte de mim pede isso, mas a parte, talvez fruto pós-adolescente, que se importa comigo parece preferir morrer de fome do que me entregar por alguns segundos à necessidade e exigência do mundo.

    enfim, adorei e, porra, fiquei honrado pela menção!

  2. coiote said, on 04/14/2008 at 5:27 pm

    só pra incomodar ;P

  3. Débora said, on 04/15/2008 at 10:04 pm

    é o bom é comer o doce e não poder comprá-lo


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