Deixem a América para os Americanos
Então que hoje, chafurdando blogs e afins, me deparo com o sempre divertido blog da Gisele H. Este post linkado aí é ótimo.
A gente não esquece as gafes de Bush e outros ao indicarem Buenos Aires como capital do Brasil e outras demonstrações claras da total ignorância dos norte-americanos. Este vídeo, porém, que vou colocar no fim do post, é simplesmente revoltante.
Venho falando do Senador Azeredo e sua ignorância em relação a Internet e fica a pergunta:
É possível legislar ou decidir sobre assuntos e temas os quais desconhecemos totalmente?
A maior nação do mundo (segundo eles mesmos) não possui nem conhecimento sobre sua própria nação. Um dos entrevistas aponta a California e outros estados americanos como tendo feito parte do Eixo do Mal. Um senhor, já bem idoso, aponta que foram três guerras mundiais e que Hiroshima e Nagasaki são conhecidas por seus lutadores de judô. Num mundo crescentemente conectado que auto-declarada vivendo a ‘era do conhecimento’, a mais cega ignorância persevera em todos os fronts da vida cotidiana.
Há alguns anos já se promulga “gavetear o marxismo”, torná-lo naquilo que muitos chamam de “marxismo de gaveta”. Eu concordo. Esgotadas as teorias e práticas propostas por Karl se encontram num mundo crescentemente tecnológico onde amadores e garotinhas tem participação ativa na constituição das formas comunicacionais. Entretanto há uma parcela do marxismo clássico que eu julgo imprescindível: a materialidade histórica. As coisas de fato aconteceram. Em 6 de Agosto de 1945 o governo americano assassinou indiscrimidamente um quarto de milhão de japoneses em Hiroshima. Em 13 de Agosto de 1961, durante a madrugada, o muro de Berlim foi erguido dividindo a capital alemã em comunistas e capitalistas. Em 9 de Novembro de 1989 o muro caiu. E essas coisas aconteceram de verdade. E mesmo que esqueçamos que elas aconteceram, suas conseqüências sistêmicas invadem nosso dia-a-dia em todos os aspectos. O mundo à nossa volta foi erigido com os tijolos e cimentos de milhares de ano de história e de centenas de acontecimentos.
Logro em ver novamente absurdos como ditaduras e totalitarismo sendo erigidos com os tijolos da ignorância e da inércia. Certa vez ouvi: “Ai, de que me importa aprender essas coisas” em relação à uma importante aula de história sobre a Revolução Francesa. A importância está em preservar os ideias nos quais nosso mundo de liberdade foi fundado e barrar permanentemente a reincidência de monstros.
Que mundo é esse que parou de honrar aqueles que morreram para que pudéssemos estar aqui hoje?
Esse é um dos verdadeiros Paradoxos da Modernidade (é isto que me refiro nas tags P da M). Somos um mundo da efemeridade onde o que conta é o agora, onde conhecemos profundamente apenas um aspecto da realidade e ignoramos totalmente os outros. Estamos esmagados pela velocidade das nossas condições sociais e econômicas de vida e não temos tempo nem espaço para perceber as inequidades latentes de nossos sistemas, para reivindicar as liberdades prometeícas de nossas constituições e leis esmagadas por governantes corruptos e que não representam a população que os elege mas sim interesses privados de grupos financeiros (a nova ideologia) que se pretendem Rei Absolutistas, com direitos divinos sobre o mundo no qual vivemos. Somos escravos de sistemas que promulgam e proconizam a ignorância e a distorção. Houve um tempo (anos 60) no qual se acreditava que se mais pessoas chegassem ao ensino superior essas condições melhorariam, mas o que se vê hoje, mais de 40 anos depois, é que as universidades são “gordura de currículo” e a maior parte dos alunos e professores realmente não tem a menor preocupação com perceber e entender o mundo. A preocupação é, como dito antes, a velocidade das nossas condições sociais e econômicas.
Estamos mais preocupados em trabalhar pra pagar nossos almoços do que em entender que existem forças nos empurrando para estas lógicas.


Toda “acidez” será castigada. Quem disse algo parecido?
As histórias não se repetem? Os queixumes não são críticas sobre e”x”trumes? Será realmente este o “x” da questão, ou basta um “s” para apaziguar? Valha-me insano Dan Brown!
Olá!
Bah tive que comentar tu colocou no post exatamente o que a gente tinha convresado hehehehehe. Que maravilha essa tua capacidade de conseguir concretizar as idéias no papel, ou melhor, na tela.
beijos