Ubermensch by Debord

Deixem a América para os Americanos

Publicado em despise for humans por pedro em 07/04/2008

Então que hoje, chafurdando blogs e afins, me deparo com o sempre divertido blog da Gisele H. Este post linkado aí é ótimo.

A gente não esquece as gafes de Bush e outros ao indicarem Buenos Aires como capital do Brasil e outras demonstrações claras da total ignorância dos norte-americanos. Este vídeo, porém, que vou colocar no fim do post, é simplesmente revoltante.

Venho falando do Senador Azeredo e sua ignorância em relação a Internet e fica a pergunta:

É possível legislar ou decidir sobre assuntos e temas os quais desconhecemos totalmente?

A maior nação do mundo (segundo eles mesmos) não possui nem conhecimento sobre sua própria nação. Um dos entrevistas aponta a California e outros estados americanos como tendo feito parte do Eixo do Mal. Um senhor, já bem idoso, aponta que foram três guerras mundiais e que Hiroshima e Nagasaki são conhecidas por seus lutadores de judô. Num mundo crescentemente conectado que auto-declarada vivendo a ‘era do conhecimento’, a mais cega ignorância persevera em todos os fronts da vida cotidiana.

Há alguns anos já se promulga “gavetear o marxismo”, torná-lo naquilo que muitos chamam de “marxismo de gaveta”. Eu concordo. Esgotadas as teorias e práticas propostas por Karl se encontram num mundo crescentemente tecnológico onde amadores e garotinhas tem participação ativa na constituição das formas comunicacionais. Entretanto há uma parcela do marxismo clássico que eu julgo imprescindível: a materialidade histórica. As coisas de fato aconteceram. Em 6 de Agosto de 1945 o governo americano assassinou indiscrimidamente um quarto de milhão de japoneses em Hiroshima. Em 13 de Agosto de 1961, durante a madrugada, o muro de Berlim foi erguido dividindo a capital alemã em comunistas e capitalistas. Em 9 de Novembro de 1989 o muro caiu. E essas coisas aconteceram de verdade. E mesmo que esqueçamos que elas aconteceram, suas conseqüências sistêmicas invadem nosso dia-a-dia em todos os aspectos. O mundo à nossa volta foi erigido com os tijolos e cimentos de milhares de ano de história e de centenas de acontecimentos.

Logro em ver novamente absurdos como ditaduras e totalitarismo sendo erigidos com os tijolos da ignorância e da inércia. Certa vez ouvi: “Ai, de que me importa aprender essas coisas” em relação à uma importante aula de história sobre a Revolução Francesa. A importância está em preservar os ideias nos quais nosso mundo de liberdade foi fundado e barrar permanentemente a reincidência de monstros.

Que mundo é esse que parou de honrar aqueles que morreram para que pudéssemos estar aqui hoje?

Esse é um dos verdadeiros Paradoxos da Modernidade (é isto que me refiro nas tags P da M). Somos um mundo da efemeridade onde o que conta é o agora, onde conhecemos profundamente apenas um aspecto da realidade e ignoramos totalmente os outros. Estamos esmagados pela velocidade das nossas condições sociais e econômicas de vida e não temos tempo nem espaço para perceber as inequidades latentes de nossos sistemas, para reivindicar as liberdades prometeícas de nossas constituições e leis esmagadas por governantes corruptos e que não representam a população que os elege mas sim interesses privados de grupos financeiros (a nova ideologia) que se pretendem Rei Absolutistas, com direitos divinos sobre o mundo no qual vivemos. Somos escravos de sistemas que promulgam e proconizam a ignorância e a distorção. Houve um tempo (anos 60) no qual se acreditava que se mais pessoas chegassem ao ensino superior essas condições melhorariam, mas o que se vê hoje, mais de 40 anos depois, é que as universidades são “gordura de currículo” e a maior parte dos alunos e professores realmente não tem a menor preocupação com perceber e entender o mundo. A preocupação é, como dito antes, a velocidade das nossas condições sociais e econômicas.

Estamos mais preocupados em trabalhar pra pagar nossos almoços do que em entender que existem forças nos empurrando para estas lógicas.

3 Respostas

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  1. Cleon said, on 07/05/2008 at 12:11 am

    Toda “acidez” será castigada. Quem disse algo parecido?
    As histórias não se repetem? Os queixumes não são críticas sobre e”x”trumes? Será realmente este o “x” da questão, ou basta um “s” para apaziguar? Valha-me insano Dan Brown!

  2. debycaetano said, on 07/05/2008 at 3:40 am

    Olá!

  3. said, on 07/05/2008 at 2:52 pm

    Bah tive que comentar tu colocou no post exatamente o que a gente tinha convresado hehehehehe. Que maravilha essa tua capacidade de conseguir concretizar as idéias no papel, ou melhor, na tela.
    beijos


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