Campo de Trevos
Agora de tarde, nesse sábado tedioso, dei um tempo nos meus estudos pra ver um filme que tinha que entregar hoje (e ainda vou). Eu ia ver ontem, mas acabei não vendo até porque não tava tão interessado assim. É um dos trabalhos pós-Lost do JJ Abrams, Cloverfield.
O filme se trata, basicamente, de um monstro gigante (aos moldes de Godzilla) atacando Manhattan. Este tipo de filme pra mim é, sinceramente, tedioso. Gastei meus anos de monstros gigantes com Changeman e Jaspion. Entretanto este trazia uma coisa nova, uma pós-modernidade latente do êxtase da forma: a perspectiva do filme é primeira pessoa. Câmera na mão (remetemos novamente para os posts do Debord, um em específico, e a infinita validade de algumas das teses dele) à lá Bruxa de Blair, de 1999. Parecia ser interessante, no mínimo risível.
Pois não é que o filme é uma boa surpresa. Apesar da história dos personagens em si ser meio fraca – talvez eu daria especial destaque pra parte em que a ponte do Brooklyn rui – o filme se salva por uma ação bem construída e nunca mostrar o monstro mesmo. Até porque é só câmera na mão, e uma pessoa de um metro e oitenta, a não ser em cima dos prédios (o que acontece), jamais teria ângulo pra filmar um monstro de 100 metros de corpo inteiro.
O filme é no mínimo interessante. Ganha pelo suspense e pela falta de explicação (o que ao meu ver é extremamente tedioso no Lost) e principalmente por não abordar o gênero da maneira pitoresca de sempre, com heróis, explicações mirabolantes, culpados, origens (apesar de numa segunda olhada cuidadosa acharmos algumas explicações – e referências um tanto quanto explicativas – escondidas no filme, destaque para o tal OVNI ou satélite que supostamente caí no mar durante as cenas finais do filme explicando que ele seria um alienígena e teria chego na Terra ou que é um ser pré-histórico despertado pela queda do satétile).
Bem legal. Recomendo, apesar não ser o maior fã de JJ Abrams nem de filmes de monstro.
Deixo no fim do post o trailer oficial do filme e sobre o monstro ser mau feito (na minha opinião a maior característica de filmes de monstro) e sobre as características aberrantes desse filme em relação a seu enredo – a notável falta de prólogo, da perspectiva militar e da perspectiva cientificista – redireciono meus leitores ao blog do Cardoso.
E realmente, Godzilla no dos outros é refresco.

