Schadenfreude
Bom, ando completamente sem tempo pra postar. E na verdade, ando meio sem assunto pra tratar por horas também. Estou totalmente imerso no meu relatório de qualificação – que com sorte será apresentado antes de agosto – e nas teorias de Rüdiger, Sfez e na invasão da máquina no espaço não-máquina da vida.
Minha revolta com a situação política do país teve que tirar férias junto com as aulas pra eu não enlouquecer de vez. Me sinto pessoalmente afetado por essas histórias: passei minha vida inteira achando que em um determinado momento a lógica quasi-belicista da vida colegial sublimaria-se em uma vida adulta, com responsabilidades, justiça, ética… ledo engano. A cada novo passo adentrando a vida adulta só percebo cada mais infantilidade e falta completa de ética e competência.
E não falo só da polícia ou dos governantes. O estado das coisas chegou ao ponto de mesmo as relações profissionais das pessoas que conheço – eu sou desempregado vagabundo que posta babaquices num blog otário usando só cueca e meia – como meus pais, minha mulher, terem se tornado verdadeiras sátiras pós-modernas do esvaziamento moral, ético e intelectual das pessoas. Fala-se muito em segurança no trânsito, porém é só andar de carro pela cidade em qualquer horário para ver a ABSOLUTA FALTA DE FISCALIZAÇÃO EM TODOS OS PONTOS CENTRAIS E PERIFÉRICOS DA CIDADE somada a TOTAL E COMPLETA INABILIDADE DO HUMANO PORTO-ALEGRENSE EM DIRIGIR. Hoje na Bordini, às três da tarde, um caminhão reboque estava na TRANSVERSAL DA RUA, trancando totalmente o trânsito enquanto retirava um carro de dentro da garagem de uma casa. Sério: qual a pressa de rebocar um carro que não está no meio da rua? Fala-se também muito de competências administrativas, técnicas para aumentar a produtividade, entretanto TODAS AS PESSOAS QUE CONHEÇO reclamam constantemente das suas situações profissionais, seja por falta de interesse e empenho dos setores de chefia, seja pela inabilidade e incompetência em todos os setores. Imagina que eu conheço uma penca de gente que é funcionário público… só competência.
Como citado pela NovaCorja, o que parece rolar mesmo é Schadenfreude. Em nossa miséria intelectual – explicitada até pelos mais artísticos de nossos membros (e por “nossos” digo a humanidade inteira) – nos reservamos ao direito de pelo menos rir da desgraça alheia por um motivo que acredito ser realmente o mesmo de quando este termo foi cunhado: pelo menos ainda não é com a gente.
Sei lá se alguém acompanha essas minhas viagens – a falta quase completa de comentários parece indicar que não – mas promete certamente para o final da semana um post bem legal sobre pós-humanismo e as olímpiadas.
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Em outro assunto, quem entra aí agora eu coloquei vários links para várias coisas interessantes e que eu ando fazendo/lendo/re-lendo/assistindo e recomendo fortemente.
and I admit that I ain't no angel I admit that I ain't no saint I'm selfish and I'm cruel but you're blind if I exorcise my devils well my angels may leave too
and when they leave they're so hard to find

A overdose conduz ao niilismo crônico!