Ubermensch by Debord

that’s what happen when an unstoppable force meets an immovable object

Publicado em despise for humans por pedro em 07/25/2008

**SPOILERS**

Quase 20 anos depois de Tim Burton, continuando o que vários fãs chamam de a nova saga do Batman, Cristopher Nolan martiriza o clássico herói dos quadrinhos num filme digno do nome que ganhou e que honra em muito não o clássico herói de uniforme cinza e azul, mas aquele frank-milleriano Batman das páginas das graphic novels, com mocinhos mortos ou levados a loucura.

Como detesto multidões só vi o filme ontem. E só tenho uma coisa a dizer: o melhor filme de super-herói dos últimos tempos é IronMan, porque esse filme, Batman: The Dark Knight, simplesmente não é um filme de super-herói. É simplesmente um filme. Não foram utilizadas fórmulas e as idiossincrasias dos personagens foram levadas ao extremo.

Muita gente vem falando do Coringa, interpretado pela já falecido Heath Ledger, entretanto o personagem, como no universo Batman de tantas aclamadas graphic novels, ele é uma parte do quebra-cabeça e sua performance ressoa nos outros personagens. Claro, quando ele aparece vestido de enfermeira é simplesmente genial. É aquele tipo de coisa que quando tu vê tu pensa: claro, mas é claro! Entretanto, isso é só uma parcela. Christian Bale consegue SER BATMAN E BRUCE WAYNE. Aaron Eckhart, o promotor Harvey Dent, consegue ser o heróico advogado e, no final do filme, ultrapassa os efeitos efeitos especiais que desenham sua face corrompida para realmente ser, desde o olhar até o coin toss, o famigerado Duas-Caras. Gary Oldman, o primeiro detetive e depois comissário Gordon, tem mais espaço no filme e consegue levar o personagem à lugares jamais levados nem nos quadrinhos nem na série de TV ou em outros filmes do Burton e do Cameron. Um lugar de destaque, fazendo o papel da cola, do herói de verdade. Indaga-se no filme que Gotham precisa de um herói de verdade, entretanto ninguém parece perceber que esse herói é Jim Gordon, andando na corda bamba entre a promotoria e o vigilantismo de Batman, levando a cabo o plano de Batman para imortalizar a fama de Dent, quando esse surta e se torna o Duas-Caras.

Alguns blogs falam do Coringa como ele sendo um marco da pós-modernidade. Eu penso totalizado: o filme é isso. Quando da cena das barcas, a dignidade do preso em amendrontar o oficial para que ele lhe entregue o detonador e sua completa falta de hesitação em simplesmente atirar o aparelho pela janela, virar-se, sentar junto aos outros prisioneiros e rezar, e o discurso do homem na outra balsa seguido por sua total hesitação em detonar a balsa dos presidiários é simplesmente incrível e de uma sensibilidade digna de filmes como No Country for Old Men ou The English Patient. Penso que parece coerente – apesar de trágico, pois o Coringa não morre e com certeza haverá uma continuação para esse filme que sofrerá as conseqüência ou de um novo Coringa (dificilmente melhor que o de Ledger) ou a simples ausência do personagem – que Ledger tenha morrido ainda durante a pós-produção do filme, já que aparentemente atingiu seu zéniti: e qual melhor ápice de uma carreira masculina hollywoodiana do que superar um dos maiores mestres dessa forma de arte, Jack Nicholson, incorporando um de seus tão famosos personagens e, inevitavelmente, superando-o.

O filme superou minhas expectativas em muito. Faz juz ao personagem exaltando não suas características de ‘lutinhas super-heróicas’, mas sua inteligência e obstinação. Faz juz aos seus vilões, retrantando-os como loucos mentirosos e não gananciosos fantasiados. O Coringa não ganha nome verdadeiro, e ele conta duas vezes, de maneiras diferentes, a história de suas cicatrizes, que na verdade figuram como sua origem, sempre, obviamente, mentindo e sempre ofendendo e diminuindo a figura de sua mãe. Seja por ela sendo humilhada e morta por seu pai, seja ela sendo deformada por traficantes ou mafiosos. Ora suas cicatrizes foram feitas por seu pai, ora por ele mesmo. Como Jesus, ele parece se imaginar como seu pai e sua mãe, e muito diferentemente do filme de Burton, aqui o Joker faz piadas inteligentes. Sua inteligência é sua arma. Sua inteligência e sua frieza. Um Coringa capaz de enfrentar até o Super-Homem ou o Lanterna Verde. Maldoso e insano, mas jamais desesperado e burro como Nicholson.

Entretanto, de forma alguma ele é o cerne do filme. O filme é sobre heróis. Não super-heróis. Mas heróis. É sobre tomar uma atitude, sem ter medo, de arcar com as conseqüências de um mundo continuamente imerso em corrupção, crime, tragédia e desesperança. Gotham podia ser o Brasil. Dent é retratado como o Cavaleiro Alvo de Gotham (isso não tem no Brasil) e o Batman como o Cavaleiro Negro. O filme é sobre o modo com que lidamos com a esperança e a desilusão, o modo como permitimos que a corrupção, o crime, a desonestidade toma conta da nossa vida social e alcance até os mais altos escalões do poder e da moralidade. No fundo, o filme é sim um ode aos paradoxos da modernidade (P da M), é um reclame a um mundo que permite Bushs, China e Córeias…

Etiquetado como:, , , , ,

9 Respostas

Subscreva aos comentários comRSS.

  1. Cleon Gostinski said, on 07/26/2008 at 5:27 am

    Não sei se posso me arriscar a olhar este filme!

  2. Pedro Henrique said, on 07/27/2008 at 6:35 pm

    Não entendi…

  3. Cleon Gostinski said, on 07/28/2008 at 3:23 am

    Depois do que dissestes não sei se vale a pena!

  4. Pedro Henrique said, on 07/28/2008 at 2:03 pm

    Agora sim que não entendi. Eu disse que o filme é simplesmente incrível…

  5. Cleon Gostinski said, on 07/29/2008 at 12:28 am

    Acreditei mais nos senões no que nos aspectos positivos!

  6. Pedro Henrique said, on 07/29/2008 at 12:33 am

    quais “senões”?

    esse filme é simplesmente perfeito. melhor adaptação de quadrinhos de todos os tempos, melhot batman de todos os tempos. christian bale, heath ledger e aaron eckhart estão simplesmente incríveis! é simplesmente de chorar…

    tô até pensando em ir ver de novo aí essa semana.

    realmente não entendi onde tu achou qualquer coisa dessa minha crônica que fosse ‘falar mal’ do filme…

  7. Pedro Henrique said, on 07/29/2008 at 12:34 am

    “O filme superou minhas expectativas em muito”.

  8. Cleon Gostinski said, on 07/30/2008 at 2:37 am

    A perfeição é um erro!

  9. [...] ou que se ‘americaniza’. Entretanto, os blockbusters americanóides (como o recente Batman: O Cavaleiro das Trevas ou mesmo já antigo Titanic) além de outros diversos produtos midiáticos culturais (como Lost e [...]


Deixe uma resposta