Ubermensch by Debord

Um ode aos adaptadores de quadrinhos

Publicado em despise for humans por pedro em 07/30/2008
Vamos tentar descobrir quantos falta estragar?

Vamos tentar descobrir quantos falta estragar? São poucos e eu aposto no Capitão América.

Nunca, em toda a minha vida, vi uma boa adaptação de quadrinhos. Boa mesmo, impecável; nenhuma. E nesse bafafa sobre o Cavaleiro Negro (abomino esse das Trevas) me esforço em fazer um panorama sobre todas as adaptações de maior (hihihiih) penetração:

Homem-Aranha: bom, começamos pela inexplicável e ultra-bem feita roupa (Peter Parker, super herói, cientista, galã e estilista) e pela teia orgânica que desaparece quando ele se deprime (a meu ver, a teia é uma das coisas mais legais dos quadrinhos, o fato de que ele termina o projeto do pai e que constantemente a teia termina). E nem vou tocar no caso do terceiro filme. Fala-se do Batman Robocop do Dark Knight, mas quem me lembra o Robocop é o Duende Verde (tanto o do primeiro quanto o do terceiro filme). Octopus que, de repente tem aversão a luz, e de repente não tem mais. Um dos vilões mais cruéis e ganaciosos dos quadrinhos, transformado num Al Molina chorão e dengoso que quase pega o Parker no colo. Mary-Jane, até onde eu sei, da minha década de leitor de Homem-Aranha, era pra ser a Gisele Bündchen do mundo Marvel. E a Gwen Stacy que só aparece no terceiro filme num horripilante namoro com um frangote Eddie Brock (que até onde me lembro já era forte e grande antes do simbionte). Aquela hora que o Duende larga a Mary Jane no primeiro filme era pra ser a Gwen tendo seu corpinho jovial de adolescente estraçalhado pela queda. A única coisa perto de ter sido bem feita foi o Homem-Areia. Com bons efeitos, um ator convincente e a história até bem parecida com a original. E olha que eu amo os filmes, mas dê-lhe liberdade artística pra agüentar…

X-Men: desde quando o Magneto é caquético e gay? Desde de quando a Vampira é adolescente? Aquele óculos do Cíclope é que parece Robocop, isso sim. Jean Grey que não consegue acertar o tingimento do cabelo (além, é claro, de ser uma velhota). Tempestade de peruca. Cadê o Fera? Pra se fazer um filme dos X-Men, no mínimo dos mínimos, deveriam se abordar os personagens originais: Arcanjo (só aparece no terceiro e de uma maneira tão triste que não vou me delongar), Jean Grey (velha), Cíclope (sem personalidade), Fera (onde?) e Homem de Gelo (adolescente e com uma queda pela Vampira?????). Tá, vou dar uma certa latitude pros ‘adaptadores’ e deixar eles mostrarem a equipe clássica dos anos 90 que levou os X-Men a serem um dos mais conhecidos, comprados, citados e lidos quadrinhos de todos os tempos. Vamos lá: Cíclope (dã… não sei fechar meus olhos), Jean Grey (ora não consegue erguer uma seringa, ora desmateriaza pessoas… e… cadê o cristal Mikram?), Wolverine (tá, pelo menos não tava de collant amerelo e marrom – aposto que tem gente que acha que isso é defeito, mas vamos combinar, né? O melhorzinho de todos, mesmo o Hugh Jackman sendo triste demais), Colossus (duas falas?), Vampira (que jamais foi da Irmandade de Mutantes, não foi criada pela Mística, nunca drenou a Miss Marvel até a morte e é, basicamente, inútil), Gambit (??????), Tempestade (de peruca, interpretada pela Halle Berry – vômito – e com o adendo de ser COM TODA A CERTEZA UMA DAS MUTANTES MAIS PODEROSAS. Seu maior feito: congelar uma salinha), Jubilee (?????)… tá, chega. You got the point. O terceiro filme ainda é o mais legal no que diz respeito a dinâmica dos quadrinhos. Os outros filmes são tão parados que hoje quando assisto só me dá sonozzZZzzZZzZzzZZzZZZ…

Super-Homem, por Bryan Cantor: cara, não vou sequer gastar um parágrafo digno com esse filme que coloca o maior herói de todos os tempos abaixo do cu do cachorro… só digo uma coisa: as botas dele tem um trabalhado de Szinhos do Super-Homem. Gay (absurdamente gay), desnecessário e levanta questôes: o Super-Homem teria uma fábrica de botas? Ele as faz botas com sua visão ou com um estilete e sua super habilidade? Na dúvida, remeto ao bom e velho Christopher Reeve, de 1978 a 1987, Richard Donner como diretor (do Superman I), participação momentânea e milionária de Marlon Brando, que pelo menos rendeu três continuações, duas dirigidas pela Richard Lester e o Superman IV: The Quest for Peace – muito terrível esse filme e com um vilão digno da breguice – dirigido pelo Sidney Furie (a a versão de 2006 do Richard Donner do Superman II), todos com Gene Hackman como Luthor.

A Liga Extraordinária (ou The League of Extraordinary Gentleman): Sean Connery, no que tu foi te meter? Pior só a Peta Wilson (ex-television Nikita) no papel de Mina Harker e Shane West como Tom Sawyer (Mark Twain sentindo muitas dores pós-morte).

Hulk(s): tanto a versão esquizofrênica de Ang Lee, inspirada em sei lá o que, com Eric Bana (socooooorro) e a inexplicável presença da ganhadora do Oscar e até então praticamente inquestionável Jennifer Connely, quanto a versão do Louis Leterrier com Edward Norton e Stevenquer dizer Liv Tyler, essa sim, inspirada pela série de TV de 1966, são simplesmente terríveis. Ang Lee conseguiu fazer uma espécie de Roger Rabbit, a todo momento parece que desenho animado e mundo real se misturam (fiquei procurando a Jessica Rabbit em vão). A melhor parte (SPOILERS) do filme do Leterrier (ainda não acredito nesse nome) é a aparição de Robert Downey Jr. como IronMan nos segundos finais do filme. Melhor que o Bana na Amazônia ficando brabo com guerrilla coke dealers. O pior na verdade, de ambos, é o fato de que apesar dos produtores, diretores, atores e executivos do estúdio verem uma semelhança entre os atores (Bana e Norton) com o monstro digital, eu, francamente, não vejo. O Hulk-Norton mais parece Lou Ferrigno.

Coitado do Justiceiro: ninguém faz justiça pra ele. Lundgren, Jane e agora Stevenson. Sempre chorão, sujo e sem a violência e inteligência dos quadrinhos. Talvez o pior de todos. Nem Adam West como Batman era tão canastrão quanto o Lundgren como ele mesmo...

Justiceiro(s): bom. Tá aí um dos personagens mais emblemáticos da Marvel (que inclusive tá bem na frente no desenhinho do início do post) e que foi adaptado várias vezes (e em nenhuma vestia seu belo collant, pelo menos não esse da imagem aí. Sempre com calças de pessoa normal, não de bailarina, e um sobretudo): a primeira, dirigida Mark Goldblatt, que felizmente nunca dirigiu mais nada e agora é editor (inclusive vai ser o editor do filme do G-Force, com vozes de Penelope Cruz e Nicholas Cage… sono) e estrelada pelo brilhante Ivan Drago… quer dizer Dolph Lundgren no papel de Frank Castle. Ele tá de cabelo tingido escuro e ainda conta com a participação de Louis Gossett Jr. Simplesmente terrível. Não só uma péssima e pobretona adaptação dos quadrinhos com interpretações dignas de filmes do Van Damme como ainda estreou dias antes do Batman do Tim Burton, que mesmo sendo uma droga fez muito , MUITO sucesso. Isso foi em 1989. Daí em 2004, na onda das diversas adaptações Jonathan Hensleigh, que também dirigiu aquele ótimo (sarcasmo) filme com o The Rock e o Stifler do American Pie (além da Rosario Dawson) que é meio Indiana Jones e se passa no Brasil, escalou Thomas Jane (que fez coisas como Além da Linha Vermelha e o ótimo – sono… – Dreamcatcher, do ‘mestre’ – altos sarcasmos – Stephen King) para encarnar o Francisco Castelo. O filme ainda conta com John Travolta como o vilão Howard Saint e Rebbeca Romijn como Joan (me afogando na baba e no tédio de ver nossa querida Mística encarnando um papel cagado). Nem preciso dizer que o filme foi um verdadeiro fracasso. Não posso dizer exatamente o porque pois, francamente, não vi e evito profundamente ver agora que anda dando nos canais abertos. Meu irmão teve o desprazer de assistir e teve que ser, logo após a exibição do filme, levado para a emergência com convulsões e espasmos. Então que mesmo depois de dois fracassos retumbantes a Marvel quer outro filme. Lexi Alexander, que dirigiu aquele filme Hooligans, de 2005, com Elijah Wood, Claire Forlani entre outros (sonozzzzZZZzzzZ), dirige a nova versão Punisher: War Zone, prevista para dezembro de 2008. Ray Stevenson, que fazia o Titus Pullo naquela série Roma, encarna Castle. É tão criativo e novo que o nome do vilão, interpretado pelo chatíssimo Dominic West, que fez o terrível The Forgotten, com a Julianne Moore (velha e chata), é Jigsaw. Alguém disse Jogos Mortais?

30 dias de noite: muita gente nem conhece essa história em quadrinhos (ótima, na verdade). O filme é simplesmente horrível. Josh Hartnett e Melissa George fazem com que o filme seja quase impossível de ver até o final. Ganha pelos vampiros, que são além de charmosos, terrivelmente cruéis.

V de Vingança: apesar do ótimo V, interpretado pelo Hugo Weaving (Mr. Smith, do Matrix), quem leu a história em quadrinhos saiu do cinema, no mínimo, querendo seu dinheiro de volta. Eu saí ofendidíssimo. Como fã declarado de Alan Moore e de tudo que ele toca, jamais pensei que depois do estupro que foi Liga Extraordinária esse filme pudesse ser tão horripilantemente péssimo. Natalie Portman, me desculpe, te acho gostosa, talentosa, mas depois dessa, vai pro kibutz. E o ponto mais terrível do filme é a lutinha à lá Matrix no final do filme. Quem escreveu o filme? Irmãos Wachowski. SonozzzZZZZzzZZZzzz e raiva. Vale lembrar de uma outra adaptação quadrinística: Speed Racer… (ouve-se toda uma geração morrer). A história em quadrinhos original, escrita por Moore e desenhada por David Lloyd, é tão, tão, tão perfeita que me arrisco a dizer que é a melhor coisa de quadrinhos que já em toda a minha vida. É uma obra-prima de sutilezas, inversões narrativas, mistério, emoção, envolvendo um super herói as avessas e uma pobre menina (que no filme se torna uma jovem mulher; mistério insolúvel da cabela dos Wachowskis…) numa era distópica, aos moldes de 1984, onde todas as certezas se rompem para deixar entrever o próprio cerne da humanidade.

Nem me prestei a fazer um parágrafo avacalhando o Nicholas Cage por ter destruído completamente um dos heróis mais legais e sombrios de todos os tempos.

Batman, por Tim Burton:

zzZzzzzzZZZzzzzZZZzZzZZ… só se salva mesmo a Michel Pfeiffer (gostosa pra caralho) e o Cristopher Walken porque o Jack Nicholson, ah, Jack Nicholson… nem sei o que te dizer. Michael Keaton é muito sonolento. O Batman ioga. E o que que é aquela cena dele dormindo dependurado de cabeça pra baixo que nem morcego? Faça-me o me favor, ele é o Batman, não o ManBat, inimigo mutante parte homem parte morcego do Batman. No primeiro temos um Joker que não faz piadas, não é frio, não é inteligente e que morre no final (que eu saiba ele só morre em The Dark Knight, por Frank Miller, e é uma baita liberdade poética da parte do autor). Além é claro de uma Kim Basinger super-expressiva (ZzzzzZZZzzZZzzZZ). No segundo Burton pega pesado e resolve fazer dois vilões. Ui, cuidado. Mulher-gato. Tá, melhor que a mulher-gato da Halle Berry, mas ainda assim só se salva por ser gostosa e louca (quem é que não gosta de uma mina gostosa e louca?). E a única coisa pior que um Batman de armadura e pior do que ele de cueca sobre as calças (é foda ser pior que isso, né?) é um Batman vestido de borracha. Imagina a alergia e imobilidade. No dois quando ele arranca a máscara chega a dar nojo daquela roupa. Na verdade, ainda pior é o Pingüim chorão…

Batman, Joel Schumacher: zzZZZzzZZzZZzzzZZZZZZ… vou ser bem prevísivel: PIORES FILMES DE QUADRINHOS DE TODOS OS TEMPOS. Charada: Jim Carey. Duas-Caras: Tommy Lee Jones. Era Venenosa: Uma Thurman. Mr. Freeze: Arnold “Governador da Califórnia e Rei das Máquinas” Schwarzenegger. Quatro grandes atores, interpretando grandes vilões da maneira mais precária que milhões de dólares podem pagar. Andam avacalhando a roupa do Batman novo (do Cristopher Nolan, que tratarei a seguir) mas Val Kilmer (socooooooorro duplo) e George Clooney (socooooooooooorro ao infinito) conseguem levar este grande herói a um lugar ainda mais baixo do que a sarjeta. Em Batman Forever somos apresentados ao garoto prodígio, Chris O’Donnel, e a dor testicular é tão grande, tão grande, e o homoerotismo consegue ser ainda maior do que nos tempos do Adam West. Nem vou entrar no assunto de Batlanchas, Batmotos, nem na roupa TOTALMENTE RÍDICULA DE TODOS OS PERSONAGENS. Vi num blog aí alguém batendo nos efeitos (ou defeitos) do rosto do Aaron Eckhart depois que ele fica deformado; combinemos: Tommy Lee Jones rosa? Quê que é o Bane do Batman & Robin? Desespero total pra estar em sincronia com o que andava acontecendo nos quadrinhos. Vender, vender, vender. Jim Carey tá em alta? Pinta o cabelo dele de ruivo, taca um collant ainda mais rídiculo que o dos quadrinhos nele, todo verde com uma interrogação e tanto faz o que ele fizer, nem precisa bolar umas charadas inteligentes. E me recuso a acreditar que no contrato da Uma Thurman não tivesse uma cláusula dizendo que, se era pra usar aquelas sombrancelhas, ela queria alguns mil dólares a mais. Mas o Arnoldoesuasnegas ganha de todos. Mr. Freeze que sorri, gargalha, tem orgulho e ambições paralelas a ressuscitar sua esposa. E Robocop por Robocop, meu Deus, quê que é a roupa que colocaram nele? E aquele – só consegui pensar nisso – FreezeMobile, que entra no ‘museu do diamante’? Sem contar aquela cena totalmente rídicula no observatório e o batom “romântico” da Era Venenosa. Só no cinema mesmo… Roteiro B escrito por pessoas com dano cerebral. Batman & Robin: zzZZzZZZzzzZzZzz… o pior. George Clooney e sua bundinha e mamilos expostos através de três centímetros de borracha. Nestes dois filmes, como nos de Burton, pecou-se em imaginar algo melhor do que a cueca por cima da roupa: preferia a cueca por cima da roupa do que o rego do Robin em alta-definição bem na minha cara. Alicia Silverstone é Bat-moça e depois NUNCA MAIS FOI VISTA… e a Batgirl não era Barbara Gordon e não Barbara Wilson?

Vamos juntar Burton, Schumacher e Nolan pra fazer um filme sobre o Bane quebrando a coluna do Batman e este sendo substituído pelo Azrael: digno de Hollywood. Até o nome: Batman 3: Knightfall. Imagina só... ia ter desculpa pra armadura, roupas imaginativas, podia botar o Christian Bale de Batman, meio catéquito, já misturar com o Cavaleiro das Trevas mesmo, o do Miller, e pelo que eu tô sabendo dá pra por praticamente todo mundo (menos o Duas-Caras) nessa continuação.

Batman, por Cristopher Nolan: longe da perfeição, Nolan consegue pelo menos acertar na seriedade e num fator que pra mim faz muita diferença: AS COISAS FAZEREM SENTIDO. Em Burton e Schumacher se tem um milionário entediado que resolve combater o crime. Principalmente em Burton, onde o nascimento do Batman e do Coringa estão inextrincavelmente ligados. Já Nolan consegue mostrar o que o Ano Um de Miller faz com tanta preciosidade: um cara que nem o Batman não surge do tédio, surge da dedicação doentia a um objetivo. Ponto pro Nolan. Claro que como toda a forma hollywoodiana, obviamente o filme vai ser um dramalhão, lugar-comum, moralista, didático, cheio de liberdades criativas do tipo “eu vejo o Batman dessa forma”… se vocês não querem isso, ora, não paguem a entrada no Unibanco Arteplex e não sentem naquelas cadeiras durante a exibição do filme. Quero ver alguém achar um filme (que não seja do Robert Rodriguez ou do Tarantino ou afins) que não seja uma babaquice moralista (pensando bem, até Kill Bill é isso). Claro que o filme é um poop hollywoodiano. Ambos, tanto Begins quanto Dark Knight. Se tu for no cinema, assistir Dark Knight, voltar pra casa e ler a graphic novel Dark Knight do Miller tu vai querer voltar lá e pedir teu dinheiro de volta. Roupa do Robocop: convenhamos. Melhor que borracha do Burton e órgãos genitais do Schumacher. E, olhando hoje imagens da roupa, e procurando em sites sobre informações militares, esta roupa meio que existe. Desculpe, mas cueca por cima da calça simplesmente não dá. Pode funcionar muito bem (obrigado) nos quadrinhos, mas se eu pagasse 12 reais, sentasse na cadeira do cinema e visse o Christian Bale com a cueca por cima das calças eu sairia da sala de exibição no mesmo instante e botando A banca pra reaver meu dinheiro, que eu, no mesmo momento, doaria pra instituição das pessoas que não conseguem entender que no cinema, os atores, são pessoas reais, coloca teu collant por cima da calça pra ver que bonito que fica. No cinema, infelizmente, a fantasia tem limites. Realidade dentro da ficção e não realidadade versus ficção. Primeiro o próprio limite da relação do espectador com o écran: coisas totalmente fora simplesmente não dão certo (ver trilogia – pausa pro vômito – Senhor dos Anéis), e o figurino, como vários estudiosos do cinema apontam, tem uma relevância importantíssima na maneira como as pessoas se identificam com as formas cinematográficas. Pense bem: você é um bilionário que resolve combater o crime. Você vai combater criminosos de pijama ou usando algum tipo de proteção? Muita reclamação em cima de uma coisa muito bem feita (pelo menos) e que tem explicação, não é mágica que nem a roupa do Keaton ou do Clooney, que simplesmente aparece (na verdade, no caso do Clooney, ela é feita pelo Alfred -????????????????). Tem muita gente que vai no nosso cinema e tá se lixando pra quadrinhos. Um dos defeitos de Hollywood é que as coisas são feitas em tábula rasa. O filme é muito bom. Uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema de todos os tempos, entretanto alguns críticos (alguns exageradamente ferrenhos e diria puristas demais)  esquecem que se TRATA MESMO DE HOLLYWOOD E QUE TUDO QUE SAÍ DE LÁ É DÚBIO E, NO FUNDO, MAL-FEITO E CONSTITUÍDO COM O ÚNICO OBJETIVO DE GERAR LUCRO. É só ir no Burger King e ver os bonequinhos. Por quê vocês acham que existem tantos investimentos no Batman (sete filmes , série de TV já nos anos 60 e mais desenhos animados e múltiplas edições mensais de quadrinhos)? Vocês realmente ainda vivem na era da inocência e acham que é porque ele é legal ou já estão crescidinhos e sabem que é porque ele é um dos heróis mais repletos de parafernália pronta pra virar mil tipos de brinquedos, quinze jogos de video-game e vinte e três brindes de rede de fast-food? Os outros filmes do Batman (principalmente os do Schumacher) foram feitos pensando-se antes no que se podia comercializar e depois no que ficava legal ou fazia sentido. Esqueceram do carro do Super-Homem? A DC sempre teve o costume de se vender e fazer péssimas adaptações de seus heróis e erros colossais de gerências, como cancelar o melhor desenho animado baseado em quadrinhos de todos os tempos, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites, pra substituí-lo por uma versão Jr. do Super-Homem que vai prum futuro onde o Brainiac é bonzinho e tem vários heróis numa pretensa Liga da Justiça (desculpa esfarrapada pra vender bonequinho). Pelo menos Dark Knight não idiotiza completamente o Batman e mostra, em termos, pras gerações de hoje em dia, afogadas em Naruto, Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon e Yu Gi Oh, como são os heróis clássicos dos quadrinhos e suas aproximações às narrativas literárias clássicas e míticas que os criadores desses heróis se empenharam tanto em semear por (hihihihi) debaixo das cuecas por cima das calças… Acho que o ponto mesmo, discutindo como alguém que entende e gosta de quadrinhos é que no cinema é muito mais difícil de fazer as coisas fazerem sentido, e desculpem os apreciadores de ‘cinema arte’, Goddart e afins, mas a fantasia cinematográfica se impele pelo sentido: se a fantasia não faz sentido, é cheia de falhas narrativas e coisas não cabíveis, o grande público não gosta.

Até nas avacalhações mais rídiculas tem o Fera. Convenhamos, Hank McCoy é um dos pilares nos quais se sustentam essa criação altamente mercadológica. Até no desenho antigo (e no tal Evolution) tinha o Fera. E efeito especial cagado por efeito especial cagado quê que é o Senador virando água?

Quarteto Fantástico: Jessica Alba. E só. Os efeitos são legais e o segundo tem a presença de um dos meus mais queridos personagens da Marvel, o Surfista Prateado. No mais quem ganha mesmo é o Coisa, interpretado pelo Michael Chiklis, ganhador de vários Emmys. Tem que ter muito saco pra agüentar aquela roupa…

Hellboy: não vou falar nada porque achei este o filme mais próximo do impecável. Ron Perlman está maravilhoso, efeitos maravilhosos, toda vez que dá na TV não consigo resistir e assisto (mesmo dublado). Espero que a continuação siga a mesma linha (e pelos trailers provavelmente irá). Guillermo del Toro é um dos grandes gênios do cinema de hoje em dia, percebe-se vendo o Labirinto do Fauno.

Sin City: outro um tanto quanto impecável. Robert Rodriguez e Tarantino fizerem um serviço no mínimo decente, até porque tiveram a humildade de trabalhar com o criador da coisa toda, o Frank Miller. Com uhas pra Jessica Alba (e a saliva inundou a sala de cinema), pro Mickey Rourke e pro Clive Owen. Só achei que levaram o lance dos efeitos especiais (Spy Kids versão noir) meio longe demais e às vezes o filme fica meio vertiginoso. É um dos poucos filmes em DVD que me dei ao trabalho de comprar (tá certo, admito ter os três Homem-Aranhas…). Só espero que o 2 e o 3, já confirmados, não sigam a sina hollywoodiana de estragar tudo.

Ironman: talvez o melhor. Bobby Downey Júniores não tem nada de júniores. Conciso e responsável, consegue ser galã, divertido e heróico. Jon Favreau não deixou Gwyneth Paltrow (inspiração do Coldplay) nem Jeff Bridges (Starman….) estragarem o filme (apesar deles terem tentado com todas as suas forças). Os efeitos são ótimos e a existência de uma roupa cenográfica real, e da roupa ser explicada no decorrer do filme, e não mágica, acrescenta muito. Há quem pense que porque é cinema e porque é quadrinhos as coisas não precisam de explicação, não precisam de uma certa aproximação com a realidade. Mas sei lá, acho que deixei minha inocência na contra-capa de uma edição do Sin City. Coisas não voam sem explicação, nem no cinema. E se voam, fica, na minha humilde opinião, idiota. Claro que uma roupa que voa é basicamente idiota… mas isso é além do ponto. O filme se esforça numa para-ciência muito convincente – aos moldes do Dark Knight – para explicar a geração de energia da roupa, o funcionamento dos equipamentos mas acho que principalmente – também aos moldes dos dois filmes do Batman dirigidos por Nolan - para, didaticamente, mostrar que esses super-heróis de carne e osso (diferentemente de Super-Homem) não ganham seus poderes ao nascerem ou por um acidente além de suas vontades. Tony Stark e Bruce Wayne se aproximam muito no quesito “porque eu quis eu consegui”. A roupa do Homem-Aranha e do Super-Homem é, no fundo, totalmente desimportante. Seu equipamento não os constitui como força. Se um carro cair em cima do Peter Parker ele levanta o carro e joga de volta em você. Se um bombardeio atingir Metropolis, bem na redação do Planeta Diário, o Clark Kent pode até estar em coma e nada lhe acontecerá. Entretanto Tony Stark, se tomar uma marretada na cara morre. Assim como Bruce Wayne. De certa forma, e isso é um paradigma bem antigo e discutido à muitas distâncias pelos nerds sem namorada (e até por alguns com namoradas, quase as levando ao suicídio) de que a identidade secreta do Super-Homem é o Clark Kent, do Homem-Aranha é Peter Parker. Eles nunca desligam. Enquanto que heróis como Homem-de-Ferro, Batman, Justiceiro e até mesmo o Shazaam (que terá adaptação confirmada para 2009) são, na verdade, pessoas normais que através de equipamentos militares, fantásticos ou magia se tornam alter-egos com super capacidades.

Olha o brinde do McDonald's: pode escolher Dr. Manhattan, Comediante, Coruja e Miss Júpiter... o Ozymandias e Rorschach estão em falta.

Ufa. Devo ter esquecido algum. Mas no mais, era isso. Daí vendo assim, panoramicamente, percebe-se muito logo que mesmo os Hellboys e Homens-de-Ferro (os melhores entre tanta bomba que lucrou tanto dinheiro) estão muito mais confortáveis nas intransponíveis páginas de papel (ou, pelo menos, em seqüências estáticas desenhadas dentro de quadradinhos com falas em balões e nuvenzinhas). Assim como grandes romances viram filmes idiotas (ver praticamente todas as adaptações de Shakespeare, com enfase para as que tem participalção do Kenneth Branagh), também os quadrinhos perdem seu teor – e muito de seu charme transcendental – na seqüência de frames e nos atores meia boca, homoeróticos e desmiolados de hollywood. Afinal de contas, é Hollywood. O que vocês, sinceramente, esperavam?

Só espero que Watchmen não seja a grande bosta que eu penso que vai ser. Não sei se o Alan Moore agüenta… e nem eu. Certas coisas deveriam ser deixadas do jeitinho que elas são: mágicas, perfeitas e lindas. Hoje em dia parece que só porque tem ou teve a história em quadrinhos, porque ela é ou foi muito famosa tem que ter filme. Pobrezinho do Billy Batson. E os Wachowskis não largam o osso, nem dos quadrinhos, nem do Keanu Reeves. Dizem as língua que 2010 verá a adaptação do clássico Plastic Man (um dos grandes heróis de Dark Knight 2) com Keanu como Patrick “Eel” O’Brien. É tudo legal, mas também é tudo muito, mas muito vendável…


3 Respostas

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  1. Doni said, on 07/31/2008 at 4:42 am

    não me senti muito feliz sendo do tempo do cuecão, mas talvez você esteja certo hehehe Na verdade, ocorreu algo interessante comigo. Adolescente eu era grande fã do Batman, o maior que existia. Hoje gosto mais do Superman… Sobre Watchmen, estou contigo, acho que vai ser ruim. Comecei a reler a série ontem, e estou achando um material impossível de adaptar bem. Sabe, a mídia influencia demais a obra (coisa que estou aprendendo na marra em psicologia da arte), e certas coisas não precisam ser transportadas, simplesmente. Começo a achar que certos quadrinhos devem continuar lá, sendo apenas quadrinhos, assim como cinema pode ser apenas cinema as vezes.

  2. Pedro Henrique said, on 07/31/2008 at 2:18 pm

    Bá, que felicidade te ver concordando comigo.
    :D

    Eu me formei em jornalismo e hoje faço mestrado em comunicação. Sempre lendo e relendo análises sobre filmes (talvez principalmente as ligadas aos estudos culturais) acabei percebendo que o cinema (principalmente hollywoodiano) tem como base uma cultura capitalista que seguidamente ignora princípios artísticos. É triste, na verdade muito triste, mas é, de fato, verdade. No fundo, os filmes são feitos pra vender. São uma tábula rasa, pra conseguir atingir o máximo de público. Aos moldes de jornais como Diário Gaúcho. Imbecilizam a audiência, e tudo que tu pode fazer é ou boicotar totalmente (o que fica difícil porque a curiosidade, principalmente sobre as adaptações, é muito grande) ou realmente se contentar que sempre existirão defeitos enormes.

    Eu também não fiquei muito feliz ao constatar que de repente eu seja de uma época menos inocente (inocência nem sempre é ruim), que, de certo modo, já espera e aceita as babaquices hollywoodiana como parte do pacote…

    O Watchmen poderia ser uma seqüência maravilhosa de três filmes, mas com certeza será esmagado em duas horas, duas horas e meia (como o Dark Knight) e vamos acabar com alguma coisa que vai inspirar péssimos jogos de video-game, talvez alguma péssima nova versão de quadrinhos e com certeza Wallpapers, conteúdo para celular, miniaturas, bonequinhos e todo tipo de tranqueira geralmente ligada a esses filmes.

  3. Laly said, on 12/25/2008 at 8:20 pm

    heuheuuehe
    ok achei engraçado o post, mas eu discordo de um monte de coisa (como era de se esperar XD) na verdade a gente nunca concorda muito na questão de filmes. maaas ok, adaptações tem sempre coisas absurdas e eles fazem mudanças que realmente não precisava, tem isso em todos. mas o negocio é, se tu te diverte assistindo dá pra perdoar. tipo v de vingança, sim, ele foi completamente estuprado, mas o pior de tudo é que foi o primeiro filme que eu vi no cinema que tive vontade de sair antes de terminar, ele é chato pra caralho! a historia perfeita do original + o hugo weaving e eles conseguiram deixar chaaatoo! hurray! (nem te conto do speed racer, quase tive um ataque com tanta cor e movimento na minha frente por 2 horas. devia ser assim aquele episódio de pokemon que foi banido no japão porque as crianças tavam passando mal). e as pessoas adoram…
    os do harry potter (eu sei que tu não gosta) são sempre legais de assistir, por exemplo. a gente reclama e reclama das mudanças que eles fazem mas mesmo assim é legal de assistir.
    mas sobre o x-men 3… dói no meu coração de laly ver toda roupa se desfazendo… menos as calças. FANSERVICE nunca ouviram falar? XD
    ps: não sei se tu sabia mas aqueles desenhos de mini batman e mini marvels que tu tem ali são desse cara:
    http://duss005.deviantart.com/
    eu assisto ele a um tempão no deviant XD


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