Fog City?
Até onde eu sabia, as Olímpiadas de 2012 é que deveriam ser na cidade da neblina, e não as desse ano. Entretanto, as imagens trazidas para nós pelos sites, emissoras e jornais mostram outra história.
Uma das discussão que mais veio à tona com esses jogos olímpicos de Pequim [sim, porque Beijing eu não sei onde fica...] foram os tais direitos humanos, a questão do Tibete. Porém, parece estar passando batida uma questão ainda mais fundamental, que afeta a todos nós e não só aos de nacionalidade chinesa [voluntária ou involuntária, né Dalai?]: a questão da poluição.
Esforcei-me nessa manhã, estranhamente parecida com as vistas de Pequim, para encontrar uma outra cidade [ou mesmo nação, porque vendo ontem imagens da Muralha da China a situação parecia igual] que possuísse uma visão igual a de Pequim. Não encontrei. Hoje, em matéria do JA, aquela repórter Streb mostrou o que, desde que começaram a mostrar Pequim, eu ainda não tinha visto: um céu azul. Mas não um céu azul em contrapartida à uma tarde chuvosa ou uma neblina londrina, não, era um céu azul em contraponto a uma triste, premente e contínua neblina de poluição que praticamente esconde a cidade.
É quase uma coisa vinda de filmes de ficção científica com aqueles futuros pós-apocalípticos.
Minha questão é: direitos humanos e seus tropeços são coisas que afetam diretamente a população da própria China, ou seja, no fim do dia o problema é deles. É um problema político que eles mesmos dizem se reservarem a resolver. Entretanto, o problema da poluição é transnacional. Os detritos e emissões poluentes da China navegam pelas correntes de ventos e afetam o clima do planeta como um todo. E em tempos de ser ecologicamente correto [coisa que foi absorvida pelo politicamente correto] me indago porque nenhum país fez objeções. O governo chinês diz que vai “resolver o problema” e magicamente hoje, em Pequim, não há neblina e o país, incrivelmente, não parou de funcionar. O que me leva a crer que o país poderia passar muito bem sem esse tipo de atraso moral, político, ecológico e humano.
Olímpiadas deveria ser a união dos povos, a maneira grega de entender que, na verdade, no fim do dia, somos todos humanos presos a nossos corpos materiais e seus tão claramente definidos limites. Entretanto, essa Olímpiada, diferentemente de outras, como a de Sidnei ou Atenas, não é sobre superação de limites e irmandade da humanidade: é sobre relações públicas. E sobre como esconder um país mergulhado numa concepção sócio-cultural arcaica e desumanizante, que faz de ‘flanelinhas’ e motoristas de ônibus espiões do governo. Um país que não tolera ser contrariado, que prende pessoas com camisetas e cartazes de “Tibete Livre” enquanto esmagam a população dessa região com bárbaros militarismos e a população mundial com as nefastas conseqüências da sua ignorância relativa a poluição.
Não vejo razões pra se comemorar essas Olímpiadas. E como aqui, no meu blog, não devo satisfações a editores e governos, destaco minha posição:
Essas Olímpiadas são a demonstração máxima do que há de pior no mundo hoje, a LEGITIMAÇÃO DOS MONSTROS. Assim como Bush e suas guerras, essa competição terá o mesmo teor amargo da enganação, do engodo, da validação de posições políticas absurdas. É uma imensa geração de renda e de legitimação mundial [principalmente entre as crianças, que adoram a mercantilização das olímpiadas e não tem o discernimento necessário para entender o que REALMENTE está acontecendo] que, graças ao pouco de inteligência do mundo, está fatalmente falhando. Os setores de turismo da China estão fazendo promoções pois as vagas que se esperavam estarem tomadas estão abertas, com centenas de hotéis e hospedarias com quartos vazios, aviões e ônibus parados esperando turistas que nunca chegarão. E mesmo que os meios de comunicação criem duzentas mil explicações, o motivo é óbvio. Quem quer ir pra China? Quem é que quer dar dinheiro prum país atrasado, que executa pessoas a esmo, que há várias décadas DOMINA regiões totalmente independentes? Que poluí tanto que o ar de cidades como Pequim e Xangai é perto do IRRESPIRÁVEL?
Talvez eu esteja enganado, quem sabe? Mas vejo essas Olímpiadas ficando marcada nos corações e mentes das pessoas como a de Berlim: jogos internacionais marcados pela opressão, pelo ‘arcaísmo’ político e moral num país preconceituoso, racista, atrasado e violento. Só que ao invés de nazismo, agora temos poluição desenfreada, nenhum direito trabalhista e violência desmedida. Para mim, essas Olímpiadas vão ficar marcadas como as Olímpiadas da poluição.


