Ubermensch by Debord

Ninguém tá olhando, vamos nessa…

Publicado em despise for humans por pedro em 08/11/2008

Bom, as Olímpiadas que foram inventadas pelos gregos, até onde aprendi no colégio e em uma ou duas cadeiras da faculdade, tinham o objetivo de unir as nações da Grécia gerando um halt de qualquer combate militar. Bom, hoje eu vi os rapazes do vôlei de praia brasileiro, Ricardo e Emanuel, baterem o time, que apesar de composto por jogadores brasileiros,  era da Georgia. E depois fiquei sabendo que as meninas no vôlei ‘convencional’ tinham batido o time da Rússia.

Ambas nações são participantes das Olímpiadas, entretanto, nos últimos quatro dias (ou seja, os conflitos começaram como ensejo dos jogos) já se somam dois mil mortos, segundo algumas fontes. O presidente da Georgia, apela para a comunidade internacional (“please, wake up everybody“) pois, para ele, o que está acontecendo é a aniquilação de uma nação democrática, através de uma limpeza étnica. Segundo ele também, as fronteiras da Georgia teriam sido invadidas por – aproximadamente – 1200 (MIL E DUZENTOS) tanques russos. Ele acusa a Rússia de ter planejado o ataque e que nenhuma ação de seu país poderia justificar uma invasão aparentemente premeditada e de tão grande porte. Ele inclusive usa a expressão “MUDER OF A SMALL COUNTRY“.

Vou ser sincero e dizer que eu nem imaginava a vida na Georgia até uns dias atrás. E se alguém me dissesse “ah, a Georgia…” eu ia ficar pensando um pouco até me lembrar que era uma das tantas nações da União Soviética. E pelo que entendi até agora, esse pequeno país do cáucaso, não é tão pequeno e muito menos é desimportante.

Citando e devidamente linkando o site do Globo, mencionando uma matéria da Reuters:

Os portos de petróleo de Supsa e Batumi, na Geórgia, usados para escoar o petróleo do Azerbaijão, estão operando parcialmente, enquanto o porto de Poti não está funcionando, disse um agente da marinha mercante na segunda-feira.

A redução das atividades se deve ao conflito entre a Geórgia e a Rússia e também a uma explosão que aconteceu na semana passada no oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, na Turquia. A explosão não teve nenhuma relação com o conflito. O oleoduto leva petróleo bruto vindo do Azerbeijão.

Mais 200 mil barris de óleo são escoados do Azerbaijão pela Georgia… POR DIA. No outro porto, o de Poti, chegam a 100 mil/dia. E a tal explosão mencionada pode não ter nada a ver com a guerra, mas a capital da Ossétia do Sul fica há somente 100 quilômetros do óleoduto.

Não vamos esquecer que a outra Ossétia, a do NORTE, foi palco do massacre de 186 crianças (331 pessoas ao total) na escola de Beslan, em 3 de Setembro de 2004.

Convenhamos, yet another war for oil. E não pensem que é sem relações. Georgia participou da aliança de países rídiculos que se uniram aos EUA pra invadir Iraque, juntamente com os geniais Coréia do Sul, Austrália, Polônia, Romênia, El Salvador, Bulgaria, Albania, Mongolia, República Tcheca, o bom e velho Azerbaijão, Tonga, Dinamarca, Armenia, Ucrânia, Macedônia, Bóznia Herzegovina, Estônia, Latvia e Singapura. Todos, com a exceção dos EUA, contribuiram com bem menos de 1000 soldados. A Georgia inclusive repatriou alguns soldados iraquianos. Então, chegamos, pelo menos parcialmente, à conclusão de que a Georgia pode matar iraquianos pra ajudar os EUA com óleo mas a Rússia não pode matar georgianos, muitos deles com dupla nacionalidade geórgia-rússia, por óleo? Matar suas próprias crianças não é fato inédito nas Ossétias (pelo menos na do norte).

No meio do conflito, esmaga-se a informação de que a região da Ossétia do Sul quer – ou aparentemente quer – se desligar da Geórgia, se tornando independente ou anexada à Rússia. E na confusão, de contar as coisas com pressa porque tem que cobrir a importantíssima prova de natação que Michael Phelps vai vencer com certeza, perde-se o horizonte de que os dados sobre mortos e feridos são, no mínimo, questionáveis, a mobilização de ajuda humanitária é um band-aid pra tratar amputação e que são os próprios russos (em território russo) que estão prestando ajuda com hospitais móveis aos refugiados do conflito. Bush faz cara de “vejam só o que os russos estão fazendo agora”, com sua inépcia de sempre e Vladimir Putin acusa-o de interferência.

E fica no ar aquele clima autoritário do qual falava em posts anteriores,  aquele que envolve genocídio, violência desmedida, assassinato de civis, destruição de hospitais, escolas, etc., tão bem caracterizado pela palavra monstro. Segundo o site da BBC Brasil, Geórgia tira tropas da Ossétia do Sul – matéria de ontem – e Rússia abre nova frente de combate – matéria de hoje. Melhor que isso só estado binacional em Israel…

—————————————–

Tive que voltar aqui, quase uma hora depois de postar pra editar o post e colocar isso:
Bush diz em entrevista a MSNBC que as ações da Rússia na Geórgia são inaceitáveis.
E no vídeo a nota de voz dada por Bush sobre o conflito dias atrás:
E ainda mais legal é o embaixador russo na ONU…

Notem que o embaixador norte-americano diz o seguinte: “A era de derrubar governos, NA EUROPA, através de conflito armado acabou faz muito tempo…”, só faltou completar: no Oriente Médio? Ah, daí tudo bem…

Deixe uma resposta