Ubermensch by Debord

Finalmente Coincidências

Publicado em despise for humans por pedro em 08/28/2008

“Por quê esse título, Pedro?”

“É que ontem foi um dia repleto das mais incríveis coincidências… na verdade, essa última semana inteira”.

Essa semana foi simplesmente incrivelmente repleta das mais engraçadas coincidências.

E ontem foi o ponto alto:

Às sete da noite saio de casa e me dirijo para a Espaço Vídeo (locadora bobona e capitalista) e no que chego percebo que do outro lado da rua, na esquina da Fernandes Vieira com a Vasco (zona pobre) tem um QG Eleitoral de algum partidão B, acho que PSB. Tá, ignoro. Entro na locadora, devolvo meus filmes, pego outros, saio, e no que a porta de saída se abre e o som da rua me atinge também me atinge a voz microfonada que, assim ao vivo e a cores, há muito não ouvia: Manu Ela falava para as multidões sofredoras do Bom Fim (risos). Atravessei a rua e resolvi sacrificar 10 minutos da minha vida pra ouvir um pouco das propostas da candidata (muitos risos). Como ela estava no palanque as sete e meia, imagino que pelas cinco e meia ela estivesse em outro lugar e esse lugar podia ter sido – ou pelo menos passado por – uma outra coincidência probativa.

Essa primeira coincidência probativa: QG na esquina da Fernandes Vieira com a Vasco? COISA DE POBRE, ném? De desesperado.

A segunda coincidência probativa: estava retornando da PUC, subindo a Cristianho Fischer. Cinco e meia da tarde, início do horário de pico do trânsito transversal da cidade. Todo mundo está atravessando a cidade nessa hora, eu incluso. Na esquina da referida rua com a Protásio Alves, lá em cima, perto do lindíssimo viaduto hi-tech-escalada-rolante-elevador-três-andares, a EPTC e alguma empreiteira contratada estavam fazendo obras do corredor de ônibus da Protásio. ÀS CINCO E MEIA DA TARDE. A tranqueira na C. Fischer passava do Strike. Altamente probativo do desespero da atual gestão da prefeitura. Não basta fazer as obras, tem que fazer numa hora em que todo mundo possa ver que elas estão acontecendo. Se fizer durante a madrugada ninguém vai ver. Os caminhos recolocando cimento naquele corredor de ônibus trancavam o cruzamento atrapalhando o trânsito de ambas as vias e gerando uma quantidade de carros que não poderia jamais ser absorvida ao mesmo tempo pelas outras vias. O que aconteceu? Bom, tranqueira daquele ponto até a esquina da perimetral com a Plínio Brasil Milano.

Entretanto esta não foi a última coincidência probativa do desespero e falta de noção de nossos governantes e wannabe-governantes.

Obviamente, ontem, nesse horário, todas as obras do pastel Fogazza se mostraram altamente idióticas e sem resultados. Goethe, Nilo Peçanha, Mariante, Cristóvão Colombo, Farrapos… entre o período de cinco e meia e oito e meia são praticamente intransitáveis. A saída do túnel Conceição para a Farrapos/Alberto Bins simplesmente não suporta mais a quantidade de carros e a fila de carros para passar na sinaleira (que além de ter um tempo rídiculo abre caminho para um afunilamento da pista que, além dos óbvios acidentes, ainda tranca a Alberto Bins) entra no túnel e vai até onde ele acaba.

Ainda ontem fiquei sabendo que um dos meus grandes amigos passou por uma dificuldade inimaginável para com certeza a maior parte das pessoas que conheço. Este meu amigo, Peter Krause, quase foi asssassinado pelo seu colega de quarto e amigo da família que, sendo surdo, ninguém percebeu possuir sérios problemas psicológicos, um deles podendo ser, com muita certeza, esquizofrênia. Entretanto, isso figura como tragédia e não necessariamente como coincidência. O que é a coincidência do desespero que este estado vive é a demora no atendimento de emergência e a total incompetência do atendimento policial, que, a princípio, registrou o acontecido como uma simples briga. Eu imagino esse relatório: “ah, foi uma briga entre colegas de quarto na qual um deles tentou uma coisa bobinha como incendiar a cama do outro enquanto este ainda dormia nela”.

A população gaúcha parece, em sua maioria, um tanto quanto despreocupada com a seriedade das questões que estamos enfrentando. Fala-se de saúde mas não são necessariamente os indivíduos da cidade que precisam de saúde; é a cidade. Uma cidade doente, com uma doença circulatória que só tende a se agravar, com um trânsito crescentemente inconsequente, que agora se esconde atrás das (falsas) estatísticas do Detran e das agências de trânsito sobre diminuição dos acidentes. Ontem, na esquina da Luzitana com a Gen. Couto de Magalhães, um táxi e uma van da Chevrolet bateram num motoqueiro matando-o na hora. Ninguém tava bebâdo. O que aconteceu foi que não ensinaram pra eles que sinal vermelho é FECHADO. Mas a doença não pára aí. Além do problema de trânsito, a cidade (pra não dizer o estado) enfrentam a maior frente de comércio de drogas que já viu. Meu amigo Gustavo, que infelizmente trabalhava na rua da crackolândia municipal, está tendo que mudar seu escritório de lugar porque a prefeitura não faz e nem pretende fazer nada sobre a prostituição, consumo e venda de crack ao céu aberto, com dia claro, há apenas 4 quadras do centro da cidade e apenas 8 quadras da prefeitura.

Manu, Fogazza, Onyx, nenhuma dessas pessoas, nenhum dos candidatos tem força política, moral, intelectual, nem sequer tem vontade ou objetivam ajudar essa cidade. Em certos tempos, Porto Alegre já foi linda. Mas hoje? Hoje está afogada no patetismo generalizado. Oficiais da EPTC passeiam pelas ruas da cidade, conversando, fumando, falando nos celulares, enquanto do seu lado, na Terceira Perimetral, às seis da tarde, os doutores de mercedão passam no sinal vermelho. A polícia Militar se resume a procurar motoristas embrigados em blitz rídiculas nos lugares mais óbvios possíveis (como Lima e Silva). Passam diariamente na frente de dezenas (sim, dezenas) de pontos de drogas e quando tu vê mais parece que eles estão fazendo a proteção desses lugares do que qualquer outra coisa. Numa famigerada boca de drogas de Porto Alegre, de fácil acesso e que eu passo frequentemente na frente, esses dias tinham dois carros do exército brasileiro esperando que um dos ocupantes retornasse exatamente do beco onde fica esse ponto de drogas. Essa cidade não precisa de malabarismos ideológicos e discursivos. Não precisa de propostas, precisa de ações. Ações medidas, ponderadas e úteis. Metrô ou não metrô, a cidade tem só mais (extrapolando) 10 anos de vida antes de estar totalmente afogada no trânsito estático, nas drogas, na violência. Não dá mais pra esconder a tragédia que essa cidade está se tornando com “população politizada”, “melhor qualidade de vida” ou “a capital dos gaúchos”.

3 Respostas

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  1. bobbymadhatter disse, em 08/29/2008 às 12:50 pm

    Eu arriscaria dizer que não só a “Capital dos Gauchos” como a cidade, o mundo e o planeta inteiro estaram afogados nessa lama toda! (Muahuahuahua – Risada maléfica).
    Não sei se fasso certo ou errado, no entanto eu já cai no conformismo… Sem querer-querendo!
    Ruim ou bom? Não sei!

    Mas evita o Cencêr e dá muita paz de espirito!

    XD

    ABrasss!

  2. bobbymadhatter disse, em 08/29/2008 às 12:59 pm

    G-zuz… Escrevi faço com dos “Esses” (SS)/ Câncer*

    Ignorem! Isso que dá revisar depois de enviar!

  3. oxyghene disse, em 08/29/2008 às 2:36 pm

    o problema é que aqui ainda não está afundado, estamos rapidamente mergulhando nessa babaquice toda.

    antes pelo menos se tinha uma certa luz no final do túnel. agora? nem uma fagulha…


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