A batalha do golfo
Não, não é o Golfo Pérsico. É o Golfo da Lousiana.
Exatos três anos depois do Katrina, agora temos o Gustav. Estranhamente, há três anos atrás, Bush e McCain comiam bolo e tomavam chá enquanto milhares de pessoas perdiam suas casas, famílias, esperanças e o governo perdia somente seus últimos suspiros de credibilidade. Agora, Bush e McCain estão muito preocupados em adiar a convenção Republicana (mas não acredite em tudo que o Michael Moore disser).
Não vou entrar em partidarismos ou ideologias (que quem lê esse blog sabe que eu nem acredito que ainda existam) das mais variadas. Minha preocupação, talvez antiquada, sempre é com as pessoas. Nova Orleans não se recuperou de nenhuma forma desde o furacão Katrina. A cidade ainda luta não só para se levantar como também para ser levada em conta pela união federal de lá. Esquecidos durante o desastre, o mundo inteiro pode presenciar de camarote pelos helicópteros da CNN, FOX News o espetáculo fantástico do racismo norte-americano.
Obama pode não ser o primeiro líder norte-americano (pré e pós-colombiano) a ser eleito pela promessa implícita de que os desastres climáticos cessarão.
Verdade ou não sobre a inépcia governamental bushiana, a convenção nacional Republicana se daria sim nesse interim:
Os governadores dos Estados do Golfo, incluindo Luisiana e Mississippi podem decidir permanecer em seus Estados se o furacão ameaçar causar danos sérios em suas regiões. A intensidade do Gustav pode afetar também o discurso de abertura do Presidente George W. Bush, na segunda-feira. A previsão é que o Gustav chegue na segunda-feira à tarde ou terça-feira pela manhã na costa da Luisiana.Indago-me até onde é relevante o aspecto místico da população. Muito funesto esse seguimento de coincidências tão alarmantes. Guerra ou não, imagino que qualquer nação do mundo, quanto a sua população civil, deve certamente se preocupar mais com questões como a qualidade de vida, os impostos, os serviços estatais do que necessariamente com os acontecimentos além-mar. A segunda Guerra do Golfo (Iraque 2.0 – A vingança a.ka. “That guy tried to kill my dad“) foi, em termos, legitimada pelas torres gêmeas tombando ante o mundo. O Katrina mostrou a face mais ilegítma dessa gestão presidencial. Deixou muito claro que a incompetência de Bush perpassa suas indicações para secretarias e agências vitais. E o exterior vibra, principalmente no oriente, com uma schadenfreude inimaginável.

Na Era Google, pode-se ver a morte e a destruição chegando em alta definição, em wi-fi, direto do seu celular, PDA ou laptop, enquanto o governo senta nas próprias mãos decidindo qual dia fica melhor, então, pra fazer uma festinha com balões... p.s: essa imagem é das 13:38, horário brasileiro. Percebam que gostosa e modesta essa chuvinha.
Como fica a população? A popularidade aparente de Obama, a meu ver, vem de sentimento de messianismo. A mudança, que permeia toda a campanha do candidato Democrata, aparece mais como salvação do que necessariamente como um novo rumo ou uma nova gestão. O discurso da salvação está muito presente hoje em dia, principalmente nos apologistas da tecnocultura. Espera-se que algo que criemos ou planejemos venha a ser a derradeira obliteração dos fenômenos verdadeiramente incontroláveis. Anderson, nesse texto, fala sobre a tecnologia nos salvando de um fenômeno verdadeiramente humano, social e, em termos, civilizado: a inflação, entretanto é fácil permitir que esse sentimento cada dia mais forte possa infiltrar outras áreas tanto essencialmente humanas como não.
Será mesmo que se Obama fosse presidente o Katrina teria tirado tantas vidas? Teria Nova Orleans sofrido, como sofre, uma lenta e dolorosa reconstrução que, em três anos, não foi capaz de reconstruir os diques tão necessários para que a cidade não seja afogada pelo Pontchartrain?
Pra mim fica mesmo, além das politicagens e credos pessoais, a tragédia da indiferença de um governo inteiro para uma enorme cidade. E, de onde se pode ver no momento, nenhuma tecnologia, técnica, governante, ideologia (risos), vai nos salvar…


“popularidade aparente de Obama, a meu ver, vem de sentimento de messianismo. A mudança, que permeia toda a campanha do candidato Democrata, aparece mais como salvação do que necessariamente como um novo rumo ou uma nova gestão.”
FALOU E DISSE, COLEGA!