10/9
Ontem, dia 10 de Setembro de 2008, foi o dia do jornalista e dia mundial da liberdade de imprensa.

Setembro parece estar ficando pra História como o mês que atenta contra as liberdades pessoais e de pensamento. Deveríamos parar de nos preocupar com coisas triviais e começarmos a nos preocupar com as coisas verdadeiramente alarmantes que andam de porta em porta enquanto não estamos prestando atenção.
Para comemorar tão grande dia, que celebra o fim das autarquias, o fim da censura, a liberdade de expressão, pensamento e investigação, nossos queridos governantes sulistas fizeram uma festa.
A festa do processo contra a NovaCorja.org.
Em termos, a mais pura censura. Nenhum dos rapazes foi responsável pela retirada das tais informações sigilosas de dentro de uma agência do Banrisul. Outro foi o responsável. E como tantos meios de comunicação, não pensou duas vezes em publicar as informações, não com o objetivo de ferrar Banrisul ou Laranja ou Yeda, mas com o objetivo solene e esquecido pela mídia contemporânea de informar as pessoas, de buscar a verdade e expor os corruptos que depenam cada dia mais esse país.
Fala-se da fragilidade dos blogs mas o discurso é o mesmo; “por favor façam leis sobre isso”. Chega de leis. Chega de não conseguir entender que as coisas são a mesma coisa. Chega das pessoas não entenderem a Internet.
Blogs, sites, redes sociais, são formas de apropriação por parte do corpo em si da população do que o Träsel muito bem chamou de “Estatuto da Indústria Cultural”. As formas de produção, distribuição, regulamentação do que, dentro da internet, pode ser chamado de novas mídias não estão e nem jamais poderão estar na mão das autoridades ou legisladores. Pra quem não sabe, a Internet foi construída com uma idéia na cabeça: total acesso. Ou seja, mesmo em países como Irã e China – que censuram descaradamente a rede – pode-se facilmente acessar qualquer coisa. Nos EUA, onde se fala tanto sobre baixar músicas ilegalmente, é ainda mais fácil.
O processo forçou os caras da Nova Corja a retirarem do ar uma informação bancária do Laranja, o cara que vendeu a casa pra Yeda. Entretanto, vejam bem, qualquer um poderia ter copiado o .jpg que estava no site. Se fosse uma outra informação, digamos, mais espetacular, interessante, ela provavelmente ainda estaria na Internet em algum lugar, como o vídeo da Cicarelli também está. Ou no mínimo estaria em algumas dezenas de pastas em centenas de computadores pessoais.
Quem produz e regula somos nós mesmos. Não há mais controle nem pode haver, é fácil perceber quando se compreende a Internet.
Numa palestra do Lessig – disponível aqui no site da Giseleh – ele fala sobre como o mundo em que vivemos é estranho porque uma grande parcela da população vive as margens da lei, sabe disso, e simplesmente não se importa. É claro que vamos viver fora da lei. Depois do Napster, não tem mais comprar música. E por mais que tu ache meia dúzia de gatos pingados que ainda compram discos (a maior parte que eu conheço compra mesmos LPs, pelo vintage) é só ver como as lojas de CDs estão caindo mais do que periquito em vazamento de gás. Eu quero ouvir e conhecer Stevie Wonder. Eu não vou numa loja pagar 40 reais por um disco, eu baixo a discografia inteira dele a 140kb/s.
E por mais que façam leis, a fiscalização dessas leis teria que necessariamente passar por nossos direitos, na verdade pisoteá-los. Além de, mesmo assim, ser praticamente impossível fiscalizar a todos. Geraria aquilo que alguns gostam de chamar de sociedade de monitoração, 50% da sociedade é bandido, 50% é policial.
Mas me desviei um pouco. A Internet é a expressão máxima da liberdade de expressão porque, a priori, possibilita e facilita inclusive coisas moralmente, socialmente e eticamente controversas. Criar uma lei contra pedofilia na rede não impede a pedofilia. Assim como processar a Nova Corja e forçá-los a retirar as informações não retrocede o fato de que eu li aquela informação. Que eu já sei o que estava escrito ali, assim como centenas de outras pessoas.
E mesmo que a ordem judicial não tenha aceito o pedido do requerente de remover os comentários do post em questão (o que seria ainda mais obviamente censura), ainda sim ficou muito claro o aspecto de desrespeito ao trabalho jornalístico, ao desdém dos poderes em relação ao poder e a penetração que os blogs tem.
Caiu na rede, já era…
Na seqüência: 11 de Setembro, 7 anos.

[...] – mercúrio fulminante – 10/9 [...]
Bom… nada a acrescentar!
No entanto ainda acho que o intuito principal não é fiscalizar… nem proibir… e sim dizer que ainda existe um pseudo controle sobre a internet!
Creio que está como o pai que só quer mostrar controle sobre o filho quando está em um grupo de amigos e familiares…
Abrasss!