Ubermensch by Debord

sobre vigilantismo

Publicado em despise for humans por pedro em 03/17/2009

Então tava lendo sobre o tal julgamento do The Pirate Bay.

Tá, em primeiro lugar: se fecharem o PB, poxa, no outro dia já tem outro. Eu baixo muita coisa. Tô fudendo pra direito autoral e essas bostas autárquicas todas aí: a maior parte dos filmes, séries e músicas que eu baixo são uma bosta mesmo. Mas pode-se ver, sendo um leecher ativo, que toda a semana aparecem dezenas de sites como o Pirate Bay.

O que parece acontecer, de verdade, é o mesmo caso da moça italiana lá há mais de 10 anos em coma. Desculpa, gente. Mas ela tá morta. Que nem a indústria da cultura, em termos, também está. A questão do valor se perdeu: primeiro porque tudo é tão descaradamente por dinheiro hoje em dia que simplesmente fede e, segundo, a velha do valor por escacez não existe num mundo no qual não existe escacez.

Tá, mas a questão fundamental é esse lance de leis, copyright, download ilegal… minha opinião pessoal: criminoso é se cobrar 60 reais por um filme como Encantada, da Disney. Criminoso é custar 37 reais o disco novo do Guns’n'Roses. Crimoso é pagar às vezes mais de 20 reais pra ir no cinema. Isso sim é criminoso.

Fala-se muito de mashup, remix, e de como a “velha” indústria cultural não permitia isso. Pra todos vocês que apesar de inteligentes e versados no estudo da cultura da mídia eu digo apenas uma coisa: ACORDEM! O remix, o mashup é essencialmente a própria mídia. Programas de humor como SNL há mais de 20 anos fazem isso. A própria lógica, durante os anos 1990 e início de 2000, das comédias românticas e filmes adolescentes, pelo amor de Deus, levou isso as últimas conseqüências. Todos os filmes eram basicamente iguais, com remixes e mashups dos outros. Um velho inteligente disse certa vez: “There’s nothing new here” e é verdade; não há nada de novo sobre o sol escaldante da Internet. A tal read-write culture… legal… no papel. Porque na prática não passa de “colar na prova”, não passa de videozinho no YouTube. Se bem que Chaplin uma vez disse que uma das coisas mais importantes da vida era rir, e se tem uma coisa – talvez a única – que essa nova fase engendra é, de fato, o humor.

Vídeos do Youtube servem mesmo é pra rir. “Mas o Batman é meu, tu não pode usar”.

Direito autoral, me desculpem, é uma coisa realmente do passado: esse mundo não está ficando necessário melhor, mas com certeza está se tornando mais cruel; seja a cruel frieza da verdade ou a crueza fria de que qualquer coisa que tu invente vai virar uma piada que nem Two and a Half Watchmen…

Toda uma onda em cima de blogs e redes sociais e twitter. Me desculpem dizer isso, mas preciso vocalizar a coragem que parece que ninguém exibe: BLOGS, REDES SOCIAIS E TWITTER são coisas muito chatas! Sim, eu sei o quão idiota é falar mal de blogs num blog – como era falar mal da TV na TV, mas é que existe uma realidade latente que ninguém parece contemplar. Essas ferramentas tecnológicas servem aos mesmos propósitos que a indústria cultural servia. Não houve mudança nem mesmo de eixo. Fala-se de como a TV é recalcada e rídicula por se pautar a partir dos blogs, mas ninguém fala uma coisa bastante importante sobre produção jornalística: “o que é bom aparece, aparece o que é bom”. Autarquia dessa vez da notícia, que é notícia no formato TV até nos blogs.

“Blá-blá-blá, Yeda é um monstro” e nada muda. “Ah, com a internet temos uma fonte de notícias mais flexível”: pelo amor de Deus! Se tu leu um blog leu todos. E repetir a notícia que dava na TV já acontecia antes.

E isso não é ruim. O que é ruim é a falha em se perceber como o mundo está mudando e não essencialmente que ele esteja mudando.

NÃO DÁ PRA EFETIVAR UTOPIA DE ACESSO E CULTURA SEM ACESSO E CULTURA.

Quando do fechamento do site Legendas.tv tava lendo um artigo no blog deles sobre como a indústria cultural não conseguia suprir as necessidades do público. Peraí. Tem alguma coisa errada nessa afirmação.

“Pirate Bay e Legendas.tv é malvadão por causa dos benditos download ilegais”…

mas…

“A indústria cultural não consegue suprir as necessidades do público por causa do bendito acesso regrado”.

Quando uma lei é massivamente desobedecida e ignorada PELO POVO, me desculpem, mas ela não é mais lei.

E talvez a verdadeira revolução seja a câmera de vídeo portátil e affordable.

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