Eusociology?
Eu tava lendo sobre formigas, porque sempre vejo alguma analogia linda com formigas. Mas daí acabei descobrindo esse termo eusocial.
Fui atrás da definição.
Eusocialidade é o nível mais alto de organização social e serviu para ilustrar organismos que apresentassem as seguintes características:
- Divisão do trabalho através do nascimento (com ou sem castas estéreis)
- Sobreposição de gerações num mesmo ninho
- Cuidado cooperativo com a prole

Detalhe pro rato-toupeira-pelado, um dos dois mamíferos classificados como eusociais. Detalhe, na verdade, pras mãozinhas: lembram alguma coisa?
Peguei-me, então, fazendo uma coisa escolar. Antes de ver que tipos de animais estão inseridos nessa categoria eu vou tentar pensar por mim mesmo, seguindo essas guidelines. A maior parte dos mamíferos vivem apenas em pequenos grupos familiares, então resolvi começar pelo outro lado. Os seres mais simples tendem a ser, quando unicelulares, todos iguais; pensei logo nos insetos. Claro, as formigas – obviamente – e também seus primos distantes os cupins. As abelhas, talvez vespas. Essa definição me pareceu, entretanto, vaga. Pensei: acho que alguns mamíferos poderiam se encaixar nessa definição.
Considerando que esses insetos geralmente são usados para definir estratégias de sociabilidade – até algumas analogias ciberculturais - saltei para a conclusão de que o homem, também, desde do surgimento de civilização, de certo se tornara eusocial.
Afinal:
The phenomenon of reproductive specialization is found in various organisms. It generally involves the production of sterile members of the species, which carry out specialized tasks, effectively caring for the reproductive members. It can manifest in the appearance of individuals within a group whose behavior (and sometimes anatomy) is modified for group defense, including self-sacrifice (“altruism”).
Se adicionarmos a expressão or not sterile temos a idéia da divisão de castas na própria sociedade. Reis, princípes, soberanos, sempre ganharam a “ajuda” (e digo entre aspas pois ela nem sempre foi servil ou voluntária) de toda a população na manutenção de sua própria reprodução.
E, talvez mais do que nos insetos dos exemplos, a divisão de classes nas sociedades primitivas era ainda menos permissivas do que vistas atualmente. No feudo, nascido senhor, morria-se senhor; nascia-se criadagem, morria-se criadagem (geralmente junto com o dono).
A concepção não é, assim, tão absurda. Não estaria eu dizendo de forma alguma que insetos tem cultura ou mesmo que humanos não a tenham realmente. Estou propondo, de fato, O EXATO OPOSTO DISSO. Nossa cultura, e vou me proteger aqui apontando apenas historicamente, sobre o passado, forneceu até mesmo o encaixe nas definições mais afuniladas:
A narrower definition specifies the requirement for irreversibly distinct behavioral groups or castes (with respect to sterility and/or other features), and such a definition excludes all social vertebrates (including mole rats), none of which have irreversible castes.
Alguém aí esteve na Índia do século, sei lá, XV, pra ver como era era? Claro, existia mobilidade entre as classes, mas ela era pra cuidado coopertativo com a prole, não é mesmo? Afinal de contas, sabemos muito bem que a mudança de classes até a muito, muito, muito pouco tempo atrás (ou talvez tempo nenhum) só era possível através do casamento que todos nós sabemos muito bem como funciona.
É talvez uma besteira gigante, but it sure puzzles.
Pensar o homem fora da natureza sempre me incomodou.

Deixe seu recado