Ontem eu quase apanhei por ser mais inteligente? (com a interrogação fica menos arrogante)
Eu vou, depois, com mais calma, explicar essa história mais a fundo.
Mas vale mencionar:
Estavámos no Bambu’s, bebendo, rindo, conversando sobre amenidades e até algumas coisas importantes, tipo indústria cultural e a homegeinização cultural pela qual o Ocidente, e, marcadamente, Porto Alegre, vem passando nos últimos 20 anos.
Estava, portanto, falando, sempre amigavelmente quando um bando de cabeludos que estava ao nosso lado descaradamente ouvindo a conversa resolveram se meter. A princípio foi uma intervenção bem positiva e engraçada: o assunto era como a cultura de hoje fagocita tudo e quem acha que tá fora do ’sistema de produtos mercantilizáveis’ é inocente or plain stupid.
Então que começamos a falar sobre como os grupos étnicos foram sendo excluídos e inseridos nas sociedades ocidentais e, mais recentemente, também nas orientais. Estávamos falando sobre a China. Quinta-feira sendo o vigésimo aniversário de Tiananmen, apontavámos que a senzala hoje é a China: senzala que tem seus rumos dirigidos pelos próprios escravos – uma verdadeira comuna de trabalhos quase-forçados que sustenta o Ocidente capitalista e consumista-individualista com os tão necessários produtos industrializados.
Então um desses cabeludos começa a falar dos judeus, e de como eles estão sofrendo há 2 mil anos. Papo imbecil de um cara imbecil que nem sequer consegue perceber o claro anti-semitismo em seu discurso. 2 mil anos? Peraí, cara. Os judeus perseguiram cristãos. Colonizar a Europa. E só bem depois, só há mil anos é que começaram a ser, de fato, perseguidos da forma como seu discurso clamava acontecer ainda hoje. Hoje, eu disse, eles tem até um país só deles, cara.
No calor, o Floco e eu começamos a tirar com a cara do cara. “A história não é uma linha retinha, meu”. E daí eu disse: “cara, quando tu terminar tua faculdadizinha volta aqui e a gente conversa”. Ele começou a gritar e espernear e o Floco deu o golpe de misericórdia: “Que faculdade tu faz?” Quando o cara respondeu, com o peito cheio de total arrogância “economia”, eu e meu querido amigo caímos na gargalhada. “Cabeludo, metaleiro e faz economia”…
Nesse momento eu só vi o peito do cara se enchendo ainda mais e um de seus punhos que, francamente, eu nem vi direito qual, porque, francamente, nem prestei muita atenção no cara, levantando. Um dos amigos segurou ele e rapidamente o grupo desbandou.
“Digamos que o que permite tornar inteligível o real é mostrar simplesmente que ele foi possível”
Já dizia nosso bom Foucault lá nos anos 70. O que ele, assim como vários outros pensadores, falhou em perceber foi a ruína do pensamento cotidiano; quando discursos e ideologias estão tão desgastados pelo uso midiático, perde-se a linha-guia do pensamento. Qual é o real? Como mostrar que o real é aquilo que de fato aconteceu quando tem gente por aí negando a factualidade de certas coisas?
Não dá pra ser assim. Não é que todos tenhamos que pensar igual, mas não dá pra entrar em discussões sobre o que tu acha do céu ser azul… o céu é azul e pronto. Gostar, não gostar, achar, não achar, é IRRELEVANTE.
Relevante é considerarmos criticamente quais discursos são falsos e verdadeiros e que tipo de ideologia, discurso, sociedade, cultura, civilização, não apenas os permite como incita. A História tá lá, é só parar de ouvir Craddle of Filth ou Pantera e pegar um livro pra ler.
Ou melhor, Google.
O pior de tudo foi o cara me dizendo: “ah, tu não tem fundamento pra falar isso”.
Quem tem fundamento é tu, babaca. Tu e a tua faculdade canalha de crunchin’ numbers. Quer discutir o Dow? Vai fundo, disso tu sabe. Agora falar de condição humana, história das religiões e filosofia analítica, existencial e hermenêutica, porra, vai ler um livro antes, cara. Qualquer um. Te dou até umas dicas.
E repito:
“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros

vocês tão no bambus rindo de um metaleiro doido da economia, claro que ia acabar em merda XD
tu tem um tag pro bambus XD
pior que a gente tava bem na nossa, conversando e foi o cara que veio se metendo querendo dar de gatão. sabe aqueles babacas que querem entrar no meio do papo e arrasar com toda sua inteligência?