Ubermensch by Debord

Jacko, the wacko

Publicado em despise for humans por pedro em 06/26/2009

Eu sou um cara chato. Chato com minhas baboseiras ideológicas, chato com metodologia acadêmica, chato com diversas coisas: meu blog apresenta, geralmente, apenas parcialmente a minha chatice. As durezas da acadêmia são deixadas de lado para evidenciar mais minhas opiniões e argumentações tolas: ou seja, meu blog é bem mais dedicado a viagens intelectuais do que qualquer coisa do tipo ‘isso ou aquilo’, se vocês me entendem.

A morte de Jackson veio como uma surpresa por ser uma surpresa, talvez até pra ele mesmo. E aqui é onde eu explico porque esse parágrafo justificando minha chateza: eu sou fã de Michael. Esperava, quando criança, os clipes no Fantástico e tive em CD o Thriller e o Bad - infelizmente, pelos meus maus cuidados, acabei perdendo-os – e hoje mesmo tenho no meu computador toda a discografia dele. Eu adoro, ouço seguidamente, principalmente o Off the Wall, que é o meu favorito.

Entretanto, ao contrário da maior parte da rede e da mídia, não me entristeci com a morte dele. Talvez por não me ater a linhas-guia do politicamente correto, referencio que Jackson não morreu ontem, 25 de junho de 2009. Jackson morreu ainda em 1993, quando foi acusado de abuso de menores e pagou para que se calassem seus acusadores (foram vários). Nessa época ficou claro que Jackson não faria mais nada realmente relevante e foi o que realmente aconteceu nos próximos 16 anos. Apenas um disco, e bem falhado, como diria um amigo, poucos shows, aparições bizarras em programas de TV como Oprah e a continuação dos escândalos da ordem “comedor de criancinha”.

Jackson desapareceu juntamente com o desaparecimento do entuasismo midiático dos anos 80. Nos 1990, o grunge e a “TV que fomenta a destruição da TV” acabaram com sua carreira de forma abrupta. E isso é inegável. Em 1993 Jackson já era influência, já ganhava prêmios (como Lenda Viva) que geralmente eram entregues para o espólio de artistas falecidos recentemente. Seu carnaval de loucuras, desde Neverland, até crianças dependuradas em sacadas na Alemanha, fez com que ele se tornasse mais um personagem do que um ídolo ou ícone. Sua massa de fãs, já em 93, o perseguia através daquele imaginário; daquele lindo garoto negro que cativou bilhões com seus passos e sua voz angelical e ainda assim poderosa.

Jackson parte com o fim da cultura pop? No ano de Lady Gaga eu duvido muito. Mas sua morte é condizente com o que anda se vendo, com a realidade da cultura midiática e com a realidade da indústria fonográfica: vender discos simplesmente acabou. Larry King ontem falava: Thriller é o disco mais vendido da história, e não somente da história passada, de TODA A HISTÓRIA; passado, presente e futuro. Sua morte súbita, sem aviso prévio, é como o Napster, é como torrents; imediata, não-custosa. Como a Adriana disse: “Fiquei muito triste, é como se definitivamente os anos 80 fossem enterrados”.

E nisso eu concordo: não na sua influência musical ou na cultura, mas em como os anos 80 transforam toda a cultura popular que se originou nos anos 50.

Jackson nos anos 90: sua morte é apenas o epílogo de seu desaparecimento

Jackson nos anos 90 e 2000: sua morte é apenas o epílogo de seu desaparecimento

Jackson, surgido numa gravadora que queria derrubar barreiras entre brancos e negros, derrubou todas as barreiras. Numa pesquisa nos anos 2000, Jackson, juntamente com o Mickey Mouse, eram mais conhecidos do que Jesus ou Alá. Seu nome é índice do poder da mídia; índice da influência que a mídia teve, principalmente até o séc. XXI, em formatar a sociedade (claro que não totalmente).

E, diferentemente da maior parte dos sites e blogs que eu li, eu fiquei feliz com sua morte. Michael Joe Jackson era uma pessoa talentosa, incrivelmente doce, mas era também uma pessoa com muitos problemas emocionais. Suas mudanças de aparência podem ser traçadas diretamente ao corportamento de seu pai (que admitidamente o chamava de feio e de macaco quando criança), assim como suas relações no mínimo preocupantes com crianças. Jackson era solitário, sofria no silêncio de suas mansões e através de suas jogadas de marketing (como casar com a filha do outro Rei).

Por isso eu digo. Agora talvez ele encontra a paz, o amor e atenção que ele sempre quis e, na verdade, só conseguiu por dançar e cantar, e não por ser quem ele era.

2 Respostas

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  1. adriamaral disse, em 06/26/2009 às 6:40 pm

    concordo Pedro, eu tb acho q ele morreu nos 90 e tinha virado zumbi, o q me entristeceu ontem foi perceber o enterro do showbusiness que eu conheci, dos anos 80 em seu melhor e pior, mas na influência que ele teve.

    • Pedro Henrique disse, em 06/27/2009 às 10:20 am

      Sabe, Adri?
      Tua escolha de palavras não poderia ter sido melhor. Quando eu tava vendo a CNN e só o LA Times e o TMZ tinha confirmado a morte dele, eu fiquei olhando praquelas pessoas se amontoando na frente do hospital e pensei exatamente isso: o showbusiness morreu.


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