Ubermensch by Debord

Eusociology?

Publicado em despise for humans por pedro em 05/29/2009

Eu tava lendo sobre formigas, porque sempre vejo alguma analogia linda com formigas. Mas daí acabei descobrindo esse termo eusocial.

Fui atrás da definição.

Eusocialidade é o nível mais alto de organização social e serviu para ilustrar organismos que apresentassem as seguintes características:

  1. Divisão do trabalho através do nascimento (com ou sem castas estéreis)
  2. Sobreposição de gerações num mesmo ninho
  3. Cuidado cooperativo com a prole
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Detalhe pro rato-toupeira-pelado, um dos dois mamíferos classificados como eusociais. Detalhe, na verdade, pras mãozinhas: lembram alguma coisa?

Peguei-me, então, fazendo uma coisa escolar. Antes de ver que tipos de animais estão inseridos nessa categoria eu vou tentar pensar por mim mesmo, seguindo essas guidelines. A maior parte dos mamíferos vivem apenas em pequenos grupos familiares, então resolvi começar pelo outro lado. Os seres mais simples tendem a ser, quando unicelulares, todos iguais; pensei logo nos insetos. Claro, as formigas – obviamente – e também seus primos distantes os cupins. As abelhas, talvez vespas. Essa definição me pareceu, entretanto, vaga. Pensei: acho que alguns mamíferos poderiam se encaixar nessa definição.

Considerando que esses insetos geralmente são usados para definir estratégias de sociabilidade – até algumas analogias ciberculturais - saltei para a conclusão de que o homem, também, desde do surgimento de civilização, de certo se tornara eusocial.

Afinal:

The phenomenon of reproductive specialization is found in various organisms. It generally involves the production of sterile members of the species, which carry out specialized tasks, effectively caring for the reproductive members. It can manifest in the appearance of individuals within a group whose behavior (and sometimes anatomy) is modified for group defense, including self-sacrifice (“altruism”).

Se adicionarmos a expressão or not sterile temos a idéia da divisão de castas na própria sociedade. Reis, princípes, soberanos, sempre ganharam a “ajuda” (e digo entre aspas pois ela nem sempre foi servil ou voluntária) de toda a população na manutenção de sua própria reprodução.

E, talvez mais do que nos insetos dos exemplos, a divisão de classes nas sociedades primitivas era ainda menos permissivas do que vistas atualmente. No feudo, nascido senhor, morria-se senhor; nascia-se criadagem, morria-se criadagem (geralmente junto com o dono).

A concepção não é, assim, tão absurda. Não estaria eu dizendo de forma alguma que insetos tem cultura ou mesmo que humanos não a tenham realmente. Estou propondo, de fato, O EXATO OPOSTO DISSO. Nossa cultura, e vou me proteger aqui apontando apenas historicamente, sobre o passado, forneceu até mesmo o encaixe nas definições mais afuniladas:

A narrower definition specifies the requirement for irreversibly distinct behavioral groups or castes (with respect to sterility and/or other features), and such a definition excludes all social vertebrates (including mole rats), none of which have irreversible castes.

Alguém aí esteve na Índia do século, sei lá, XV, pra ver como era era? Claro, existia mobilidade entre as classes, mas ela era pra cuidado coopertativo com a prole, não é mesmo? Afinal de contas, sabemos muito bem que a mudança de classes até a muito, muito, muito pouco tempo atrás (ou talvez tempo nenhum) só era possível através do casamento que todos nós sabemos muito bem como funciona.

É talvez uma besteira gigante, but it sure puzzles.

Pensar o homem fora da natureza sempre me incomodou.

Mamíferos com motor de combustão

Publicado em despise for humans por pedro em 08/19/2008

Pra quem fica nesse tira-teima entre homem e animal, e as repercussões imensas das tão aceitas premissas de que o homem é diferente dos animais, duas notícias do site da BBC:

Golfinhos selvagens ensinam uns aos outros como andar com a cauda sobre a água

Na costa da Austrália, perto de Adelaide, biólogos descobriram uma comunidade de golfinhos selvagens que faz truques que, até então, se presumia que só fizessem depois de treinados. Uma das golfinhas do grupo, Billie, passou um tempo num dolphinarium, mas não foi treinada. Os biólogos estão conjecturando que ela tenha aprendido o truque de outros golfinhos que também viviam lá e, estes sim, eram treinados.

Chimpanzés usam lanças para caçar

Essa é mais antiga, do início de 2007, entretanto muito mais compravada. Em mais de vinte casos, eles não pegam pedaços de madeira com o formato de lanças como as constróem a partir de pedaços com formatos diferentes.

Demais. Pra não deixar dúvidas de que somos sim seres terrestes…

Lesbianismo Felino

Publicado em despise for humans por pedro em 06/16/2008

Discute-se muito essa coisa de homossexualismo hoje em dia.

Uns dizem que é genético, outros é a criação e ainda tem os que dizem que é algo espiritual. Eu, na minha opinião um tanto leiga, clamo que seja algo totalmente natural.

Há um ano e meio adotamos duas gatinhas. Uma delas meio-persa e a outra total “street smart”. As duas bem filhotinhas – ambas fêmeas e não castradas – foram abandonadas durante as festas de final de ano na veterinária.

Ter bichos (que deixarei pra outro posto) é uma das coisas mais gostosas que tem.

Eu amo as minhas. Elas são quietinhas (mesmo quando estão no cio), carinhosas demais, educadas e bem comportadas com as visitas. Quando elas começaram a entrar no cio nossa preocupação é que elas ficassem muito desesperadas, pois moramos em apartamento e elas nunca, nunca saem na rua. Não é que elas nunca ficam desesperadas. Sabem por quê? Porque elas transam. A Minerva (a branquinha no vídeo a seguir) é o “macho” e a Viviane (a cinzinha) é a “fêmea”. Quando a Viviane entra no cio a Minerva fica atrás dela que nem se fosse um macho atrás de uma fêmea. E, vez que outra, monta na Viviane pegando o cangote dela com a boca e tentando penetrar ela. É simplesmente demais.

“Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abominação” [Levítico 18.2; 20.13]

A invalidade desta passagem bíblica é tão grande que de repente nem precisaria explicar. Estamos hoje num mundo que percebe as barreiras da ciência como as barreiras da real naturalidade. Apreendemos o mundo; sabemos como ele funciona (pelo menos em parte) e seguidamente comparamos as descobertas do mundo natural com o funcionamento do ser-homem e descobrimos que ele sim faz parte intrínseca do corpo da Terra. Ou seja: o homem se encaixa nos modos de classificação dos animais, seres e entes existentes nesse planeta.

Se os gatos podem porque o homem não?

Duas Cabeças Pensam Melhor do que Uma?

Publicado em despise for humans por pedro em 06/07/2008

Disseram-me isso ao longo de toda a minha vida e estranhamente, hoje, numa chuvoso e tedioso sábado à tarde vendo o meu canal favorito – o Discovery Channel – eu vejo um documentário sobre deformações físicas em animais e descubro a nossa amiguinha aí do lado.

Segundo o senhor Witford, fazendeiro de tarturagas há duas gerações, a cada um milhão de tartarugas nasce uma com um estranho tipo de deformação quimérica, na qual os embriões não conseguem se desevolver como os comuns gêmeos e a estrutura do corpo é mantida, enquanto que duas cabeças se formam de maneira perfeita. O programa em questão – talvez até corretamente – se chama Mutantes.

Nas tartarugas essa deformidade acaba destruindo sua incrível capacidade de se proteger contra os predadores. Dentro da estrutura do casco só há espaço para uma das cabeças; a outra cabeça, ainda conectada pode ser facilmente devorada pelos predadores que acabam por matar a coitadinha.

Apareceu também essa cobra. Estranhamente, e diferentemente da tartaruga, as cabeças da cobra brigam sobre qual direção o corpo deve ir. As tartarugas pareciam ter um acordo tácito sobre isso.

Como diria o Kramer: “Mother nature is a crazy scientist!”

Quem quiser outra menção honrosa sobre o assunto pode conferir A Casa da Árvore dos Horrores II, especial dos Simpsons de Halloween.

Mileage is Everything (ou Fraturar o Espírito)

Publicado em despise for humans por pedro em 06/05/2008

Schizein (σχίζειν), do grego, quer dizer dividir, fraturar.

Phren (φρήν, φρεν-), também do grego, quer dizer espírito.

A esquizofrenia é um distúrbio psiquiátrico caracterizado pela deterioração das capacidades sensitivas – perda do controle sobre os sentidos, como visão e audição – e do processo cognitivo, ou seja, de perceber, entender e apreender a realidade. Esta condição geralmente causa alucinações visuais e auditivas além de paranóia e delírios bizarros.

Esta condição é caracterizada como uma doença. Não existe uma única causa e escolas se degladiam em estudos procurando desvendar se suas causas são genéticas, neurobiológica, psicanalítica ou familiares/sociais. Entretanto aqui coloco – mesmo sem grande instrução médica ou biológica – que na verdade a esquizofrenia é uma condição natural, que vários espécimes humanos denotam em diversos graus e intensidades.

Na verdade, isso é só um jeito bonito de dizer que tem muita gente que gosta e se acostuma a viver num mundo completamente de fantasia. Como as coisas da vida real e tangível não se adequam a visão de mundo, a pessoa acaba por decidir os rumos, causas e conseqüencias das situações baseada somente nos seus delírios pessoais. Vários psicológos vão afirmar que existe uPenso, logo existo e não penso, logo existe.ma coisa chamada ‘conversão’; é quando o paciente demonstra uma clara visão que os seus próprios defeitos e problemas na verdade são de outras pessoas. E isso, além de real, é muito facilmente averiguável. A gorda que acha todos os outros gordos, o corno que acha que os amigos é que são cornos, o depressivo que acha que seu terapeuta é que está deprimido.

E isso não seria a mild schizophrenia? Algumas dessas pessoas deturpam tanto informações concretas que recebem do mundo que realmente há um cárater de doença mental envolvido; outra visão disso seria assustadora demais para se cogitar. Palavras, gestos, textos, fotos, se tornam um tsunami semiótico, na verdade, um esquizofrênico tsunami semiótico: cheio de sentidos e signos que na verdade estão totalmente ausentes. Eu cogito – cogito ergo sum – que isso seja uma coisa intrínseca ao mundo da palavra e à liberdade cognitiva que cada ser humano experiencia. Temos a habilidade de interpretar, e assim como naturalmente perdemos – muito pela quantidade de estímulos – nossa capacidade de limitar e computar todos os nossos sentidos, talvez este sentido natural da psique humana também perca seu rumo vez ou outra. Acredito que isso aconteça – assim como a relativa perda das capacidades sensoriais – por pressão psicológica, estresse e fadiga.

Indo pelo sentido literal da palavra logo encontramos sua realidade: espíritos fraturados é o que mais há nesse apogeu tecno-superficial. A deformidade histórica da mente humana atinge certamente seu ápice em dois momentos distintos – o passado sendo a imigração inglesa para os Estados Unidos, quando o contínuo envenenamento por ergot nos pães de centeio fez dos peregrinos assassinos em massa – que na verdade nem se comparam; “hoje em dia tem louco pra tudo”, como diz a sabedoria popular.

A inveja, a falha ao se atingir os marcadores sociais de sucesso, a deterioração das relações sociais, a escassez intelectual e a paranóia global-ambiental com certeza infectam as populações mais improváveis com um pseudo-ergotismo talvez muitas vezes mais potentes do que sua contraparte de origem fúngica; este ergotismo mantém os espécimes economicamente ativos enquanto suas relações internas – de imaginário e pensamento – e suas relações sociais são gentilmente deterioradas por rumores de alucinações – quase que sempre auditivas.

Ilustra-se esse gentil comentário sobre atitudes testemunhadas não há muito tempo – e que, na verdade, são mesmo vistas todos os dias – com a imagem do carrasco da modernidade, nosso querido René Descartes, ou Renatus Cartesius, para dizer que penso, logo EXISTO e não necessariamente penso, logo EXISTE.

Come out of your holes, you miserable shits! Come on and I’ll show how it is really done. Mileage is everything, don’t fuck the old unless you’re older, mf.