Ubermensch by Debord

Watchmen, o filme de verdade

Publicado em despise for humans por pedro em 09/25/2009

A despeito dos elogios tecidos por mídia e fãs quanto a adaptação de Zack Snyder da “melhor história em quadrinhos de todos os tempos”, ficou um gostinho de quero mais.

Peguei e baixei o Director’s Cut do filme presumindo que fosse uma coisa que nem os director’s cut de HellBoy; algumas cenas a mais e só.

Que engano. Aconselho todos, mesmo os que viram no cinema e mesmo os que ainda não viram o filme, a assistir essa versão.

São quase 35 minutos a mais e não só de encheção de linguiça. Tem muita coisa a mais! Muitos cenas com o Coruja Original, diálogos inteiros que foram deixados de fora ou cortados pela metade. Na cena do enterro do Comediante tem vários takes deixados de fora que são importantíssimos.

Queria ter visto esse pela primeira vez porque agora a versão oficial ficou parecendo muito pior.

O filme ganhou mais ritmo e vou tão longe a afirmar que ficou bem mais interessante. Apesar de não ter sido incluída a cena do estupro em sua integralidade (mas isso a gente entende, cinema, né?).

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Brokeback Persia?

Publicado em despise for humans por pedro em 07/26/2009

Como um bom nerd nascido nos anos 80 e tendo vivido minha infância derradeira nos 90, sim, eu fui uma criança do videogame. Talvez mais do que a maior parte dos meus amigos (com exceções claras), o videogame tem sido parte integrante da minha vida e do meu imaginário.

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O princípe: primeiro ele deveria salvar a princesa, depois o reino e, finalmente, a si mesmo. Os três jogos da trilogia do tempo (Sands of Time, Warrior Within e Two Thrones) trazem uma história mais séria e com certeza mais cinematográfica.

Sendo assim, fui apresentado a diversas culturas e conhecimentos humanos através do videogame e de seus subprodutos (ou seria o contrário? isso deixarei pra outra hora). Idade Média, urbanismo, história antiga, mitologia grega e até mesmo a ficção científica chegaram a mim, principalmente, através das mais variadas e até tolas aventuras. Primeiro em duas dimensões e depois em cenários complexos.

Nesta estrada (quantos amores pelo videogame, hein?) eu tive muitos companheiros. Mario, Sonic, o formato Street Fighter/Mortal Kombat/King of Fighters. Zelda, Metroid, são muitos os consoles e ‘mundos’ que migraram de geração em geração até os dias de hoje. Entretanto, entre todos esses mundos e fantasias uma delas teve seu papel marcante e contínuo na minha vida. Na época do lançamento original era um jogo de apenas alguns megas (4 ou 5, se não me engano) para PC que logo virou hype e saiu para a maior parte dos consoles.

Estou falando de Prince of Persia. A despeito das várias versões para vários consoles, o jogo teve 7 continuações (ou seriam sete versões?) para diferentes gerações. Contemporaneamente, temos quatro versões: Sands of Time, Warrior Within, Two Thrones e o mais novo que ganhou o nome simplesmente de Prince of Persia, ensejando um retorno.

Esses três primeiros são MUITO BONS e eu os joguei a exaustão. O quarto meio que mudou demais o jogo, estripando-o de suas qualidade dinâmica e retornando (até demais) para o formato endurecido da versão bidimensional original.

Mas eu não quero falar aqui sobre videogame. Quero falar sobre Prince of Persia: The Sands of Time, upcoming realese do diretor de Harry Potter e o Cálice de Fogo estrelando Jake Gyllenhaal como princípe.

Outras adaptações de videogame, na boa, passaram batido por mim pelo fato do

Gyllenhall: sua mudança corporal para atingir o papel de príncipe vai deixar muitas meninhas molhadinhas e muitos 'brunos' altamente alterados, mas pelas poucas fotos ele realmente conseguiu. Uma rápida comparação com a imagem anterior (um caracter desing de Warrior Within) deixa claro que o ator conseguiu incorporar o personagem.

Gyllenhaal: sua mudança corporal para atingir o papel de príncipe vai deixar muitas menininhas molhadinhas e muitos 'brunos' altamente alterados, mas pelas poucas fotos ele realmente conseguiu. Uma rápida comparação com a imagem anterior (um caracter desing de Warrior Within) deixa claro que o ator conseguiu incorporar o personagem.

meu desamor. Não eram coisas queridas ao meu coração. POP faz parte de mim, parte do meu imaginário. Quando criança eu me imaginava duelando o vizir, tantas vezes terminei sem tempo e a pobre princesa morreu. Em Warrior Within custou-me a descobrir como enfrentar de verdade o último chefão, o Dakara, espírito do tempo que busca matar o príncipe para normalizar o tempo.

O filme, obviamente, será baseado na trilogia do tempo. O nome remete ao primeiro jogo e a aparência de Gyllenhaal remete aos dois últimos. O que faz crer que a adaptação se distanciou da idéia original de Jordan Mechner, optando, como dito, pela versão mais cinematográfica.

As últimas adaptações que fui ver no cinema (Harry Potter e Watchmen) ficaram aquém do esperado. E Gyllenhaal é marco-teórico para bons filmes (Brokeback, Donnie Darko, Zodiac), mas também para alguns bem dúbios (Day After Tomorrow, October Sky) e o diretor (Mike Newell) também pode ser considerado nesse escopo (com filmes como Monalisa Smile e Donnie Brasco).

Eu adoro POP e espero sinceramente que o filme fique a altura, pelo menos, da aventura e da maturidade da história. A chamada do filme (Defy the Future), a despeito de lembrar Arquivo X (e a necessidade de Arquivo X é o tema do meu post ilustrado dessa semana), parece levar a entender que o filme terá a seriedade da série dos jogos.

Esperemos.

Mais Metroid

Publicado em despise for humans por pedro em 07/09/2009

Como sempre, ao ser confrontado com esse jogo me vejo totalmente sucetível a ser um daqueles fãs doentes.

Metroid I: colorido, para NES, e preto-e-branco (!!!!) pra GameBoy. Esse eu só tive o prazer de jogar (e virar) em emulador.

Metroid I: colorido, para NES, e preto-e-branco (!!!!) pra GameBoy. Esse eu só tive o prazer de jogar (e virar) em emulador.

Eu adoro a história e o look, principalmente da Samus, desde a primeira vez em que vi a caixa do Metroid II, ainda para NES. Mas só fui ter o prazer de me enfiar num dos mais incríveis mundos de jogos de videogame na época do Super NES mesmo. Com certeza, esse foi o jogo que eu mais joguei naquela época. As revistas especializadas traziam informações incompletas e geralmente falsas, mas mesmo assim consegui finalizar o jogo com 100%. Depois, anos mais tarde, fui virar em 100% no emulador, mas daí com a ajudinha básica dos inúmeros e geralmente variados walkthrough encontrados na rede.

Metroid II: um sucesso ainda no tempinho do NES, logo foi um dos lançamentos mais aclamados para o SNES

Metroid II: um sucesso ainda no tempinho do NES, logo foi um dos lançamentos mais aclamados para o SNES

Mas daí houve um gap. O Nintendo64 acabou não tendo versão do jogo, por diversas razões técnicas, pelo que eu entendi. Foi preciso esperar o GameCube pra recebermos de novo a graça de duas versões: Metroid Prime e Metroid Prime II: Echoes.

Essa capa é muito legal

Essa capa é muito legal

Também existiram outras versões para os portáteis – como GameBoy Advance e o Metroid Fusion – e eu cheguei a jogar algumas, essa até o fim. Agora com o Wii temos a terceira continuação da era Prime, na qual o jogo se tornou ainda mais interessante, adotando a lógica fps.

Agora anda-se falando muito sobre um possível filme da série. No espírito de outros desastres como Resident Evil (que eu até gosto), Doom e Street Fighter ou Mortal Kombat (em todas as suas adaptações), espero francamente que nunca aconteça. Mas, sabe como é? Não seria tão mal, se fosse bem feito. E, novamente, francamente, não seria tão difícil. A história é simples e muito fílmica, pensando bem. Remonta à maior parte dos filmes do gênero (espaço, raças alienígenas que devoram pessoas, etc) e, mais que isso, consolida-se como uma influência (e sendo influenciada) desse imaginário. Os pequenos alienígenas em forma de bolha, com pequenos protuberâncias pontudas, que não devoram, mas sugam, absorvem a energia vital de outras formas de vida, são realmente incríveis. E Samus Aran, com seu canhão na mão direita (relembrando docemente o inocente Mega Man), e sua armadura quase assexuada em laranja e vermelho, é talvez a grande heroína dos  videogames, destruindo hordas de monstros em planetas distantes pelo menos uma década e meia antes de Lara Crofts e Milla Jovovichs da vida.

Que vontade de jogar

Metroid Prime III: Corruption. Muita vontade de saber o que eles mudaram na versão específica para Wii. E quem tá entrando na Nintendo através do fenômeno do Wii ainda pode comprar um pacote com a trilogia Prime.

Sorry. I can’t hear you over the sound of how awesome that movie is

Publicado em despise for humans por pedro em 05/09/2009

Minhas expectativas em relação à hollywood  são, atualmente, bem baixas. Depois de fiascos e filmes sem tanta graça assim, ficou fácil não acreditar mais que alguma coisa vá ser realmente legal. Tudo bem, o cara fica naquela expectativa de que “bá, esse finalmente vai ser destruidor”, mas geralmente se frustra.

Entretanto, como apontava no post anterior, espantei-me muito ao ver o Star Trek. O filme não é apenas uma ótima adaptação; o roteiro é genial demais.

Quando, ainda em 2007, eu ouvi falar que ia ter outro filme do Star Trek, que não se passaria no tempo do Next Generation, mas mostraria, sim, a fase anterior à mostrada na série original: teen Star Trek, pensei com meus botões. Minha expectativa é que fosse um filmes homenagem no qual um diretor baba-ovo ia acariciar o escroto morto de Roddenberry até ele voltar a vida pra se vingar.

Engano meu. DE FORMA ALGUMA ESSE FILME É UMA HISTORIETA ANTES DA FAMA, ele faz parte da cronologia normal de Star Trek e isso é SIMPLESMENTE GENIAL.

Spoilers! Cuidado!

Quem gosta e assistiu a pelo menos uma das séries de Jornada nas Estrelas sabe que há muito tempo as viagens espaciais são apenas uma pequena parcela das histórias vividas por Picard, Janeway e Cisqo: as viagens no tempo se tornaram temática recorrente, mostrando sempre realidades alternativas.

chris-pine

Pine: a less seventies Kirk, but still Kirk

ESTE FILME NÃO É UMA REALIDADE ALTERNATIVA.

Spock, com seus mais de 130 anos, todos da Enterprise já estão mortos – pelo menos os humanos, quando ele ajuda o conselho Vulcano a impedir a destruição de Romulus. Ele falha e o sobrevivente romulano, Nero (muito massa essa coisa de que  Roma Antiga, na Terra, foi inspirada por uma raça alienígena a centenas de anos luz dali), se vinga de Spock abrindo uma fenda temporal e levando-os de volta para quando a tripulação da Enterprise ainda nem era a tripulação da Enterprise.

No caminho, Nero muda toda a história do Quadrante Alfa. Destrói a Kelvin, Vulcano, quase mata o Capitão Pike. Daí, a história muda. A série que vimos com William Shatner deixa de existir; a série original é que é uma realidade alternativa: a realidade alternativa da qual o Spock velho, interpretado no filme pelo Deus-vivo Leonard Nimoy, veio.

Eu aprecio a arrogância e, mais do que isso, adoro a ambição. Não de poder ou dinheiro, mas a ambição de fazer algo realmente ambicioso. Seja uma empreitada financeira ou cultural, de criação ou reprodução. E esse filme bateu todas nesses quesitos; é magistral por ser ambicioso.

Pine não apenas é Kirk, kickes and gets kicked as Kirk would. Pra ser totalmente como a série, aparece pegando uma gatíssima Rachel Nichols, toda verde e ruiva, chamada Gaila – e colega de quarto de Uhura.

Quinto não apenas encarna Spock. Na verdade, até o garotinho que interpreta Spock quando criança encarna Spock. A dualidade de posições; nada como Tuvok. Um meio-vulcano de verdade. Na verdade, Zachary Quinto está maravilhoso. Consegue retratar a humanização ambiciosa Abrams sobre o personagem (que aparece muito mais humano do que nos lembramos dele), demonstrando a mais pura paixão, amor incondicional, de um vulcano.

Bana faz seu primeiro grande filme, na minha opinião. Sua interpretação insossas em filmes como Hulk e A Outra, me deixaram muito preocupado em relação a esse filme. Pensei: Star Trek sem vilão sucks ass. Mas Bana se saí bem. Claramente instruído por Abrams, e possivelmente pelo medo de retaliação por parte dos fãs, interpreta um romulano de classe baixa; na verdade, um típico e inquieto romulano fora do âmbito militar. Devotado a sua família, conservador e com uma lógica que não poderia existir em nenhum outro lugar do mundo além de Romulus.

Mas a melhor parte do elenco são Nimoy e Wynona Ryder. A sweetheart shoplifter of America, retrata, nem que só por algumas cenas, uma magistral mãe humana de um vulcano. E Nimoy, bom, interpreta seu único papel: embaixador Spock. E muito bem. É aquele Spock do qual me lembro, na minha infância, cantando row, row the boat com Magro e Kirk.

A falta de cansativas explicações científicas sobre a ferramenta da vez (a matéria vermelha) faz do filme uma refrescante ficção científica. Nada, de fato, tem explicação. E a cena em Kirk e Sulu são salvos com um truque de teletransporte mostra isso bem.

Mas cuddles mesmo pras cenas do Kirk menino ao som de Sabotage do Beastie Boys.

Não sei se estou pronto pra dar um julgamento definitivo pra Abrams – os malditos letreiros em 3D que ele usa até a exaustão me incomodam muito – mas tenho a certeza de que posso dar um em relação a esse filme.

ÓTIMO. E tomara que, exatamente por ter criado um novo universo de Jornada de Estrelas, Abrams consiga fazer um II e III, pelo menos.

Li em algumas outras críticas a questão de um “tom jovial” e que a aventura vivida no filme seria pouco elaborada e discordei. Achei o filme uma das melhores histórias de viagem no tempo e, como eu disse, um ótimo filme de ficção científica. Só o que existe nesse filme é essa profundidade humana que o tom jovial mostra tão bem; alguém disse que é quando jovens que construímos realmente as pontes que nos ligarão ao mundo. E esse filme é sobre exatamente isso; não sobre naves espaciais ou tecnologias futuristas, phaseres e alienígenas. É sobre o outro e sobre si mesmo; a busca de Spock, dos dois Spocks.  A mítica do half-breed que acaba por condenar seu planeta, aquele Kirk sem objetivos, no future Kirk, mas que não deixa de ser sempre Kirk. A forma como as relações de confiança e respeito se formam; Jornada nas Estrelas sempre foi isso pra mim. Uma imensa mítica futurista sobre coletividade, confiança, viver a vida ao máximo. Indo aonde ninguém já foi antes… e Abrams conseguiu.

Realmente, a franquia para o cinema de Star Trek teve seus momentos altos – como Vyger e Khan – mas foi fraca. Perdeu aquela magia que a série original tinha: a dureza de Spock em contrapartida ao space-cowboyism de Kirk, as obsessões de Magro-Bones-McCoy se tornaram cansativas e tediosas. Sulu esvaziado.

Adorei esse filme e como fã me senti orgulhoso demais. Senti-me orgulhoso de membros da Federação respeitando rigidamente à primeira tempo-diretriz: NÃO INTERFERIR COM O TEMPO. Nero muda a história, Abrams apresenta uma nova origem e ninguém tem a coragem de mudá-la: na verdade, Abrams é genial e o filme é magnífico pois mostra a única coisa jamais feita na história de todos os Jornadas nas Estrelas já feitos. Uma viagem no tempo que repercute em mudanças reais na continuidade narrativa da história como a conhecemos.


“What’s your name, son?”

“James Tiberious Kirk, sir.”

“I’ve got your gun”

Publicado em despise for humans por pedro em 05/08/2009
star_trek_2009_movie_poster_21

A primeira coisa que eu saí do filme pensando foi: que história maravilhosa, simplesmente muito boa.

Primeiras considerações:

- muito bom;

- Quinto: perfeito;

- Wynona Ryder;

- ótima história. Simplesmente ótima história;

- Kirk: kickin’ asses as usual.

- RACHEL NICHOLS, a mulher verde.

Não, não Vou ver ini, vou ver Star Trek

Publicado em despise for humans por pedro em 05/08/2009
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Quinto: fazia tempo que eu não babava num ator, mas Sylar e Spock é foda demais

Depois de ler críticas atrozes em relação ao filmes do Vouverini, decidi priorizar.

Um: Zachary Quinto ruleia demais.

Dois: Estou há um ano esperando por esse filme como um bom trekkie que agora pode dizer: sim, já vi todos os episódios de todas as séries do Star Trek.

Três: a despeito de desprezar Lost – que só se salva pela gatinha e gatões molhados; a história já suckeava demais, daí meteram viagem no tempo… foda – eu curto o JJ Abrahms pra caralho. Na verdade, acho que a única coisa dele que eu não curti mesmo foi Lost; Alias, Felicity, o filme Cloverfield, tudo eu gostei.

Então o Wolverine vai ser estrategicamente deixado de lado pra aproveitar esse lançamento que eu nem tinha me ligado que era nessa sexta – achei que fosse na próxima – e vou assistir ao Kirk, McCoy e Spock com a direção e visão do Abrahms.

À noite? A crítica.

A cultura de massa do homem-máquina

Publicado em despise for humans por pedro em 12/29/2008

Estou concluindo, como disse anteriormente, meu trabalho de conclusão do mestrado. E para tal, estou complementando as leituras nessas últimas 8 semanas de prazo para a fatal entrega lá na primeira semana de março.

Para tanto, estou lendo diversos livros sobre ficção científica. Desde Muniz Sodré até o (podemos dizer) icônico A Religião das Máquinas do nosso querido Erick Felinto. Entretanto, faço valer esse espaço de divagação metodológica e filosófica pra apontar certas constatações a priori sobre os artigos expostos por Felinto em seu livro que ecoam em diversas outras obras de mesmo cunho, na qual o filme Matrix é colocado num patamar de inovação e revelação da época atual.

Já no começo, o autor expõe as considerações de Nietzsche acerca da memória – ou melhor, do esquecimento – que o pensador alemão imputa ao chamado sobre-homem. Parece-me, porém, que Felinto também sofre desse mal (ou bem, depende se você é nietzscheano): ao falar sobre Matrix (1999) o autor parece esquecer certas premissas básicas do estudo de qualquer forma cultural, uma delas, apontada, inclusive, por Barthes e por vários autores dos estudos culturais – o meu favorito seria Douglas Kellner – que aponta que todo produto cultural sobre influência magnânima de seu “horizonte social” (KELLNER, 2001). É o tal do ethos que todo mundo gosta tanto de abusar: o espírito de um era. ACONTECE que a maior parte dos teóricos, pensadores e analistas da cultura de massa se esquece que ela é de massa não só para as pessoas, mas para os produtores também.

Falemos dos irmãos Wachowski. Como dois bons geeks norte-americanos, que viveram sua juventudes durante o final dos anos 70 e início dos anos 80, esses dois espécimes da tecnocracia capitalista de mercado vivenciaram o boom do animé em seu prime, em sua primazia. Esses caras não adaptaram Speed Racer (2008) porque acharam divertido: eles adaptaram um dos mais famosos animés de todos os tempos porque assistiam no sábado de manhã na TV em suas confortáveis casas de classe média norte-americana enquanto seus pais discutiam os distantes pagamentos de hipotecas e que xarope de bordô colocar sobre as panquecas.

Pensar por um segundo que esses dois indivíduos não continuaram assistindo produtos culturais de massa produzidos no Japão e exportados para a TV matinal norte-americana é simplesmente rísivel. Porém, não mais risível é supor que há algo de realmente novo em termos de cultura de massa e cultura da mídia em Matrix. Os efeitos especiais até podem ser considerados como algo, de fato, inovador, apesar de serem apenas novos usos para tecnologias mais antigas do que guaraná de rolha. E vou aqui, em poucas linhas, comprovar.

Em seu ótimo artigo, Felinto – até pelo nome do livro no qual se encontra – se debruça sobre o aspecto mais, digamos, esotérico de Matrix. Com a sublimação de religiões ocidentais e filosofias de iluminação orientais com a tecnologia e a própria noção de superação do homem. Pois bem, nosso querido Erick, como erudito e catedrático acadêmico, jamais deve ter assistido em sua integralidade ao desenho japonês de muito sucesso (e talvez principal responsável, no Brasil, pela febre do animé e do manga) Shin Seiki Evangerion, ou como ficou conhecido no Ocidente, Neon Genesis Evangelion. Nesse desenho animado de 24 episódio, mais dois ou três filmes, que agora começa a ganhar uma nova versão em episódios gigantescos de uma hora e meia, todo reanimado, um garoto de 14 anos acaba sendo chamado por uma insituição governamental para pilotar um robô gigante na luta contra gigantescos monstros que ameaçam a humanidade. Este é o plot da série e que não a distancia de tantas outras babaquices massificadas e copiadas ao extremo por quadrinhistas japoneses não tão competentes ou criativos quanto se imagina. Entretanto, toda a história começa quando no suposto ano 2000 da série, um grupo de arqueólogos encontra um homem gigante no ártico e, ao encontrá-lo, desencadea-se uma liberação de energia que praticamente destrói o planeta (na série essa energia é chamada de AT Field, ou campo de terror absoluto; num determinado ponto, o anjo em forma de menino diz que os humanos não entendem que esse AT Field na verdade é a própria alma). Esse encontro foi mascarado pelos governos como a queda de um asteróide, entretanto se tratava de um ser mitológico tratado nas religiões judaíco-cristãs: era Lilith. A primeira mulher. E a partir desse ser é que se fazem os robos gigantes, que, na verdade são ciborgues: seres biológicos ligados a máquinas. Ou seja, todas a religião, principalmente cristã, está certa, só que se trata da escritura de uma fantástica realidade que não caberia aos pobres vagantes do deserto entenderem.

Mas não são homens. Não é necessariamente a sublimação do homem e da máquina. Porque esse ser gigante é na verdade uma criatura de origem divina, assim como os monstros gigantes que são – ironicamente – chamados de anjos. Dessacraliza-se tanto o divino ao ponto de controlá-lo através da tecnologia.

Quem assistiu o desenho na íntegra sabe que vai mais profundamente. Vai até o ponto de episódios inteiros com apenas diálogos puramente filosóficos contestando a existência e a validade da humanidade. O próprio plano da Seele, agência por trás da Nerv e que articula todos os acontecimentos, é a instrumentalização da humanidade: o übermensch nietzscheano.

Esse desenho é de 1995.

E também em 1995 temos Ghost in the Shell. Sucesso nos EUA, trata-se do resumo do manga de mesmo nome no qual uma agente da polícia que é, na verdade, um ciborgue com apenas um décimo de cérebro orgânico, procura um terrorista conhecido como Senhor dos Fantoches e que, na verdade, se trata de uma consciência artificial procurando uma forma de completar seu ciclo de vida através da reprodução. Hmmmm… onde será que eu já vi isso?

De repente num romance que precede Matrix em 15 anos de um carinha qualquer aí chamado William Gibson.  Mas é claro que não se trata de apenas um livro que poderia ser facilmente esquecido. São três livros. Neuromancer, Count Zero e Mona Lisa Overdrive. O último (Mona Lisa) antecede Matrix em 11 anos. E, desculpe quem não leu, eu li Raymond Williams e literatura (apesar de Muniz Sodré deixar bem claro que Ficção Científica não é literatura) também é produto cultural e é cultura de massa. Ainda mais num país altamente editorial como os EUA do séc. XX.

Então fica muito cansativo ver percursos teóricos e metodológicos magníficos sendo gastos com uma coisa que, na verdade, é, aos moldes do que Frederic Jameson diz “repetição que constitui ainda outro aspecto da situação contraditória da produção estética a qual tanto o modernismo quanto a cultura de massa, de um jeito ou de outro, não pode fazer outra coisa se não reagir” (1979, p.135).

A cultura de massa é por excelência a replicação de conceitos. Entretanto, um dos seus maiores expoentes, Hollywood, é indelevelmente marcada pela repetição de histórias. Matrix não passa de uma incrível e espetacular colagem: o escolhido é levado ao extremo em mais de cem animés. A sublimação da tecnologia e do homem, pelo amor de Deus, tu encontra em Donna Haraway e a máquina que possui características humanas no também icônico Blade Runner: “Deckard quer amor”. Matrix é só mais um lixo meta-ideológico que se vale de coisas tratadas seriamente por pessoas sérias em produtos culturais sérios. Em certo momento Felinto se refere aos simbolismos do filme como uma “brincadeira séria” e eu, infelizmente, discordo totalmente. É uma brincadeira boba e tratada de forma tão leviana que fica indelevelmente marcada nas duas continuações (na verdade, essencialmente no final da trilogia onde Oráculo e Arquiteto sentam-se num banco de praça para verem o nascer do sol virtual no horizonte à lá E o vento levou…). É um filme bobo, interpretado por péssimos atores (com enfase para o “bodoso” Fishburne) e simbolismos tolos oriundos de entendimento torto e economicista da filosofia de Nietzsche e da própria modernidade tecnológica. Humanos escravos de máquinas é um temas mais antigos da ficção científica e o futuro pós-apocalíptico de um pequena resistência humana que interpela a tecnologia para vencer os seres elétricos criados por ela mesma já tinha sido exaurido em 1992 com a continuaçao de Terminator ao som de Guns’n'Roses onde o sobre-homem físico encarnava a máquina. A máquina-homem já se exauria nos episódios e filmes soturnos de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração na qual uma civilização inteira era chamada de Borgs. A carne transformada em interface já pre-existia Matrix em dez anos. Talvez até mais. Forge e Cable, dos X-Men. A própria Falange, também dos X-Men e do universo Marvel: seres eletrônicos nanotecnológicos que absorvem matéria de qualquer tipo, orgânica ou inorgânica.

O que me presto aqui é apontar um imenso déficit quanto ao estudo da cultura de massa: pouquíssimos estudiosos realmente conhecem a cultura de massa. Certa vez nos halls da Famecos ouvi: “É, faço trabalhos avacalhando novelas, até por isso não as assisto”. Boquiaberto, entendi pela primeira vez que se trata de um classismo, de um elitismo tolo que só consegue transformar em fenômeno analisável aquele produto que ultrapassa a barreira ainda tão fortemente mantida entre alta cultura e cultura popular. Existem centenas de Matrix antes de Matrix; o filme não é um evento, é, na verdade, somente um sintoma de um processo iniciado por produtos culturais que o antecedem em mais de duas décadas.

Até os figurinos (tirados de Blade Runner, Ghost in the Shell, Neuromancer, e uma infinidade de outros animés com homens de terno preto sendo malvados e soturnos) até a aparência das máquinas (tiradas de Giger) é uma replicação esvaziada e com a necessidade de se encaixar numa cultura que, na verdade, seu consumo nada alterou; só reforçou.

X-Files 3

Publicado em despise for humans por pedro em 08/12/2008

Como bom buff e pesquisador de Arquivo X, é meu direito e dever informar algumas notícias relevantes.

Primeiro tá rolando um movimento entre os fãs, já que apesar das péssimas críticas (não minhas) o segundo filme já lucrou mais ou menos o dobro do que foi gasto para fazê-lo, para exigir uma terceira continuação da franquia de Chris Carter.

Quem se interessar, o link é esse:

http://www.thepetitionsite.com/3/for-those-in-favor-of-an-x-files-3-movie

E também no MyXFics tem uma entrevista bem legal com o Duchovny falando sobre como foi se reencontrar com Gillian Anderson e Chris Carter e sobre a possibilidade (mesmo que ele deixe um ar vago) de um terceiro filme.

E recomendo, óbvio, pra quem se interessar, o blog I WANT TO BELIEVE IN XF3, também na esteira de uma possível terceira continuação, com entrevistas dos atores e criadores, além de informações sobre a série e os dois filmes.

Disponibilizo aí uma entrevista do Duchovny falando sobre o filme, se não me engano, na divulgação dele na Irlanda.

O mais interessante é ele falando sobre como sempre teve a visão de que Arquivo X não deveria ser uma série de TV, e sim uma possível série de filmes. Tudo bem, todo mundo sabe que Duchovny saiu da série porque não queria ficar estigmatizado (não adiantou) e pra fazer filmes (o que não deu muito certo também). Entretanto acho que muitos fãs vão concordar que o que foi feito com Jornada nas Estrelas seria uma grande alegria (falo dos filmes e não das dezenas de spin offs) se acontecesse também com esta série. Eu, pelo menos, ficaria encantado. Adoro Arquivo X e além de fazer parte da minha infância e juventude com muita força, também é de certo forma uma baliza, e vejo isso agora com clareza no meu objeto de estudo, para entender não só uma ficção fantástica distante da realidade mas para uma nova ficção que talvez tenha despontado com eles mesmos que mostra mais um mundo possível do que um mundo imaginado.
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Enriquecer depois de morto

Publicado em despise for humans por pedro em 08/06/2008

Eu odeio o Orkut. Odeio mesmo, acho péssimo. Na minha opinião, a única utilidade dessa tal rede social é fuçar na vida dos outros [o que todos fazem, sem exceção]. Never the less, eu ainda assim uso. Tenho lá meu perfil [que já foi deletado e refeito várias vezes] que se nega a ter mais de cem amigos [não tenho nem 40 amigos na vida real, é deprimente...]. Hoje, num acesso de tédio, fui lá entrar em algumas comunidades e ler algumas das merdas que se fala por lá, e não é que é bem com merda que me deparo.

Na comunidade dedicada a homenagear nosso querido Herbie M. McLuhan [aqui e aqui], encontro um tópico assinado pelo dono da comunidade, dizendo o seguinte:

Galera

Todos sabem q os e-books não rendem ao autor os direitos sobre a obra q ele tem direito.
Por isso, excluirei todas as postagens relativas a isso.
Compreendam por favor, q existem comunidades especializadas nesse tipo de ação criminosa.
Atenciosamente

J Z Sollberg

Então fiquei pensando. Herbie morreu em 1980. “Não rendem ao autor os direitos sobre a obra que ele tem direito”, até onde eu saiba, os mortos não sacam cheques, nem os de royalties.

Então fico pensando. Não será mais justo, com a humanidade e com muitos desses autores [do tipo do McLuhan], que tinham em seus corações melhorar o entendimento da humanidade, que tais obras sejam tornadas patrimônio do mundo e gratuítas? Tudo bem, se meu pai inventou a fábrica de Coca-Cola, quando ele morrer, continuarei com seu império capitalista e continuarei produtivo. Entretanto, que direito tem os filhos de McLuhan em enriquecer com os despojos intelectuais de seu pai? Ainda se fosse alguma obra póstuma, deixada para trás em alguma gaveta, mas se trata de uma obra que MATERIALMENTE já concedeu ao seu autor e sua família, quando este ainda em vida, riqueza, poder, influência e notoriedade.

Vejam as obras dos clássicos, Platão, Aristóteles, claro que é bem possível que existam descentdentes diretos e indiretos desses autores, entretanto suas obras são comercializadas por diversas editoras e sites, a preços irrisórios ou inexistentes, pois ninguém está ganhando direitos sobre essas obras.

Não é chegada a hora de percebermos que conceitos como open source, free, right to knowledge, redux e remix inferem [se não escancaram] que a lógica mercantilista não pode mais ser levada em consideração quando falamos de conhecimento? Claro, durante muitos séculos conhecimento realmente foi poder, e isto ainda vale hoje, em termos de inteligência militar, engenharia de produção, entretanto, em diversas outras áreas, se percebe cada dia mais que a cooperatividade, o acesso irrestrito, a inteligência coletiva, geram muito mais resultados do que aquele cientista ou investigador sentado em seu escritório escrevendo suas fórmulas matemáticas e descobertas em códigos ininteligíveis. Vivemos um mundo da coletividade e almejamos um mundo de coletividade. O conhecimento – seja do código de um software, seja de obras intelectuais – deve ser livre. Veja a medicina, obviamente se ganha dinheiro com grandes descobertas, entretanto, elas seriam inúteis se não fossem largamente disponibilizadas.

O mesmo vale para diversas outras áreas. Vejam o Jazz, por exemplo. Muitos de seus ‘autores’ estão mortos. Charlie Parker, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, nosso querido Chet Baker – do post anterior, entre tantos outros e, quando de suas mortes, deixaram direitos de suas obras para seus descendentes que superam as riquezas de muitos que trabalharam a vida inteira em setores altamente rentáveis. Enquanto isso, gerações inteiras – como meu irmão de 17 anos e vários coelgas e amigos da minha idade – desconhecem totalmente esses trabalhos e pouco se importam.

Fala-se de música ilegal, mas ilegal é manter o conhecimento, a arte, a beleza, a estética, trancafiada em lojas de músicas que te cobram 40 reais por uma mídia CD, enquanto que no super-mercados (onde é caro) custam pouco mais de um real. Como cobrar por algo que, a partir da tecnologia vigente, não pode ser mais preso?

Fala-se muito dos programas livres de computador, entretanto parece esquecido [e soterrado nos milhões de dólares das empresas fonográficas e cinematográfica] que vivemos uma época de libertação das amarras. Uma época na qual pagar um provedor de Internet e ter uma máquina com algum espaço [ou um gravador de mídia qualquer] permite acesso ilimitado ao conhecimento. E percebe-se a estreiteza da mente humana nesse início de milênio: enquanto que qualquer besteirada hollywoodiana, no dia de seu lançamento, já está disponível online para baixar em programas P2P, como torrents, obras literárias e poéticas (mesmo clássicos imortais como Shakespeare, Byron e Poe) dificilmente são encontradas em sites ou para download. O ser humano, ocidental, pelo menos, não vive só de comida, água, sociedade… vivemos de cultura. E quanto mais somos expostos à cultura mais conseguimos desenvolver cultura. E o que falta é a cultura da liberdade de cultura: livros, HQs, jornais, música, filmes, programas de TV, são partes intrínsecas de nossa cultura mais querida e deveríamos ter direito ao acesso ilimitado à elas.

Filmes ganham dinheiro com bilheterias, e mesmo quem baixa filmes em casa nunca deixa de ir ao cinemas. Música e os músicos jamais ganharam dinheiro com vendas de álbuns (vejam que o Roberto Carlos é um dos artistas no mundo que mais ganha com vendagem de discos e ele não ganha nem um dólar por disco vendido), sempre se ganhou dinheiro com aparições em programas de TV, merchandising e shows, principalmente shows. Artistas plásticos ganham dinheiro com a vendagem de seus originais e jamais perderão dinheiro com a disponibilização de suas obras na Internet. Programas de TV ganham dinheiro com propaganda, então porque não disponibilizá-los na rede gratuitamente como milhões de blogs e sites que ganham dinheiro exclusivamente da mesma maneira? E a TV ainda ganha com product placement. Jornais, revistas, HQs, além de consumirem preciosos recursos naturais (papel, tintas à base de petróleo e outros produtos químicos), também ganham dinheiro da mesma forma que blogs e sites, com anúncios. Já as obras literárias, que ganham dinheiro com as próprias vendagens dos livros é que se encontram no dilema: obviamente ninguém quer escrever um best-seller e não ganhar nada com isso. Fala-se em vender e-books, mas eles logo seriam transformados em versões piratas, indiferentemente das formas de proteção eletrônica.

A solução? É de uma maturidade tamanha que, penso agora escrevendo, talvez seja até tolice propor tal avanço moral e ético da humanidade. Claro, Paulo Coelho pode continuar vertiginosamente ganhando dinheiro com seus romances boca-de-bueiro, entretanto, quando de sua eventual e certa (e muito antecepada por este que vos escreve) morte, seus livros deveriam se tornar patrimônio do mundo. Afinal de contas, o mundo pagou por isto. Vejam em matérias de revistas e da Globo onde o “Mago” (nojo total) tem diversos apartamenteos, diversos carros, diversos barcos, diversas roupas. Seus espólios, claro, serão deixados para sua família, e isto deveria bastar. Não se deveria sustentar sua família durante anos devido aos seus feitos em vida. Entretenimento? Não, cultura. E cultura deveria ser de todos, disponível para todos, em qualquer momento e em qualquer lugar.

É um sonho legal, apesar de soar tolo e inocente. Sabemos que a humanidade não está pronta para esse nível de maturidade existencial, porém, não custa nada sonhar…

Enquanto isso Marshall vai descontando seus cheques no Heaven’s ATM.

E pra provocar, só porque é legal (provocar e disponibilizar coisas), uma músicas de duas “gentes” morta pro pessoal ouvir de graça. Eu só pago pra pessoas tocarem, não pra máquinas reproduzirem. Culpe o Edison. Aliás, Ella morreu em 1966 e Louis em 1973. 42 e 35 anos respectivamente. E a coletânea na qual está esse disco é de 1977.

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong cantando Let’s Call the Whole Thing Off, certamente, uma das minhas favoritas.

Alan Moore preocupado

Publicado em despise for humans por pedro em 08/01/2008

Bom, seguindo a esteira daquele post gigantesco sobre adaptações de quadrinhos para o cinema hoje assisti o trailer do Watchmen, previsto para 6 de março de 2009.

Olha, o trailer promete. Mas sabe como é, né?

Fica o medo de que uma das coisas mais legais já feitas pelo homem (e que eu, pessoalmente, como pesquisador e estudante já analisei e fiz papers sobre mais de uma vez) seja massacrada pela Indústria Cultural (na verdade, pelas indústrias culturais). Wallpapers e BuddyIcons já estão disponíveis no site do filme e espera-se ainda mais coisas do tipo. Como se elas fizessem alguma diferença. Deveria-se é focar na qualidade da adaptação, até porque aquela grapphic novel tem “roteiro de filme” escrito por toda ela. Mas conseguir adaptá-la (Zack Snyder, de Madrugada dos Mortos e 300) vai ser uma coisa muito mais complicada do que remakes de filmes de horror ou uma coisa de segunda classe de gênio quadrinístico. Alan Moore e Dave Gibbons conseguiram ejetar o mundo dos quadrinhos do ostracismo besta do moralismo, ironicamente, de cuecas que vinha sendo abordado nas duas últimas décadas. Criaram, até certo ponto, a forma para todas as coisas interessantes de quadrinhos que surgiram nas duas décadas seguintes.

Só espero que essa não seja a cena vista em salas de cinema ao redor do mundo quando da estréia do filme...

Utilizando-se de um traço altamente clássico, Gibbons e Moore conseguiram criar uma história coerente, que traz o mundo fantástico dos heróis do quadrinhos para a sombria, triste e frustrante realidade material dos Estados Unidos da década de 80, cansados do medo do holocausto atômico, onde a magia e a fantasia desapareciam com a mesma velocidade em que os corpos apodrecem quando deixados ao sol para serem devorados por gaivotas famintas e cruéis (sim, eu sei a história de cor). Moore idealizou um mundo, que se enforça em ter dados e características do mundo material, mas que viu nas décadas anteriores o apogeu e queda dos heróis (e do super-herói, Dr. Manhattan), mudando o curso da história e lançando a civilização ocidental num apogeu tecnológico (que nem sonhava internet, mas que sonhou outras coisas como máquinas voadoras, cigarros que não fazem mal e o próprio tecer do espaço-tempo). Indago-me sobre a opção temporal desta adaptação: estará ela num para-2009 ou num para-1987?

Os atores escolhidos são basicamente desconhecidos, com exceção do Billy Crudup (que interpretara o Dr. Osterman/Dr. Manhattan) e o Jeffrey Dean Morgan (conhecido por seu papel choroso em Grey’s Anatomy e por ser o papai caça-monstro de Supernatural, que interpretará, momentaneamente, o Comediante/Edward Blake). Os papéis femininos foram todos dados pra minas absurdamente gostosas que potencialmente demonstraram shitty acting. Carla Gugino como Miss Júpiter/Sally Jupiter e Malin Akerman como Laurie Juspeczyk/Espectral. Não sei daonde que acham essas duas minas parecidas ao ponto de serem mãe e filha, mas vou provavelmente engolir…

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