Ubermensch by Debord

Guerra e Aborto

Publicado em despise for humans por pedro em 06/19/2009

Vou traçar aqui uma analogia que se desprende do Brasil. Aqui somos um país basicamente pacífico em termos de guerras diretas com outras nações, entretanto podemos – e o farei – fazer essa aproximação através da guerrilha urbana - ou suburbana – que vem sendo trava entre as forças do poder – donos de terra, polícia, judiciário – e algumas facções criminosas ou movimentos sociais.

Mike Huckabee, um ex-governador norte-americano e apresentador da FOX News, apareceu ontem no Daily Show falando aborto e foi isso que me fez escrever esse post. Huckabbe falou, já de início, que a discussão não deve girar ao redor do aborto em si, mas do valor da vida humana; ele afirma, em seguida, que acredita que toda a vida humana tem um valor inestimável.

O que é a vida? Onde ela começa e onde começamos a ser responsáveis por ela, no sentido de provê-la dos mesmos direitos inalienáveis que todos temos? Essas foram as perguntas sugeridas pelo ex-governador.

Ele seguiu dizendo que a verdadeira lógica é que estaríamos treinando toda uma geração – the one after us, ele diz – para acreditar que é certo, que não tem problema tirar uma vida humana porque ela representa uma interferência em nossas vidas, uma irrupção, seja econômica, seja ela social. Ele segue dizendo algo assim: “religiosa e cientificamente, o momento da concepção, quando os 23 cromossomos de cada pai se unem, criando uma combinação nunca antes vista de 46 cromossomos, isso é realmente quando a vida começa”.

Ele liga essa idéia a velhice. Se ensinarmos nossos filhos que tirar uma vida que se tornou um inconveniente econômico ou social – ou ambos – estaremos colocando em risco nossas próprias vidas quando chegarmos à idade mais avançada e nossos filhos terão de cuidar de nós. “Pai, o tratamento da sua bexiga solta realmente é caro e eu sempre passo vergonha: eutanásia pra ti”, foi mais ou menos o que ele quis dizer.

Minha percepção desse problema, obviamente, passa pela ideologia: passa pela maneira como pensamos o mundo. A moralidade do problema, em si, é para mim, francamente irrelevante. A entrevista desbanca para a questão legal, da soberania do corpo e toda aquela demagogia de Obama: vamos trabalhar juntos.

Para mim o problema é esse: a ideologia dominante já diz, senhor ex-governador. Quando a vida de Saddam Hussein se tornou UM IMPECILHO ECONÔMICO E SOCIAL PARA A NAÇÃO SOBERANA DOS ESTADOS UNIDOS, ele simplesmente foi eliminado. Morrer é um imenso impecilho econômico e social, e não apenas individual; a morte individual – que, na verdade, acarreta muitos poucos males para a pessoa que morreu, já que ela morreu e sabe-se lá o que há (e se há) do outro – acarreta perdas sociais: todos perdemos. A guerra, principalmente a proposta pelos norte-americanos, que se trata de caçar especificamente um grupo de pessoas – que, de fato, pertencem a diversos grupos étnicos diferentes – para que elas sejam ou imediatamente mortas (em conflitos diretos, como nas ruas de Bagdá em 2002), ou mediadamente mortas (como acontece até hoje nas ruas de Bagdá e em tantos outros lugares do mundo onde o terrorismo age quase que livremente), ou, finalmente, julgadas em algum sham tribunal em Gitmo ou em qualquer lugar do mundo para serem, também finalmente, geralmente sentenciadas a vida na prisão (não-vida) ou execução (novamente morte).

Se a vida de Osama Bin Laden se tornar um empecilho econômico e social para a vida de apenas um norte-americano, ele com certeza será caçado, julgado e morto.

As idéias – salvo as suas dimensões – são exatamente iguais: o povo iraquiano, centenas de crianças e jovens, padeceram na mira das máquinas de pós-aborto americano. Quando começa a vida do iraquiano? Do afegão? Da criança que nasce no seio de uma comunidade extremista religiosa e não tem a oportunidade jamais de ouvir: É, filho. Eu não tenho todas as respostas. O que é a vida de centenas de milhares de africanos das mais diversas nacionalidades que morrem todos os anos pelo mais puro descaso? Até na inação a ideologia é a mesma: destruir o impecilho. Há umas semanas atrás – e talvez por isso John Stewart tenha convidado Huckabee – um extremismo pró-vida assassinou um médico. Obviamente o médico fazia abortos. E é aí que se mantém a minha linha de pensamento. A ideologia, a forma de entender o mundo já é essa. O valor da vida humana se limita ao seu índice de perturbação: os sem-terra podem protestar o quanto quiserem, até começarem a atrapalhar a economia ou a socialidade de uma determinada região ou classe.

As milícias no Rio de Janeiro podem continuar extorquindo os comerciantes e trabalhadores até que isso apareça nos jornais e atrapalhe o andamento da imagem política do país, estado ou cidade. Daí é chumbo neles. Daí, o filho da dona Alzira, que tem 15 anos – não 15 semanas dentro do útero – é tratado até pelos mais religiosos como meia-vida, semi-vida, anti-vida e até mesmo subvida. Chora-se por ele quando ele recebe 8 tiros de metralhadora, disparados por um policial militar em meio a um tiroteio. Na hora que o filho de dona Alzira levantou seu braço e estendeu na mão dura de quem acredita que o tráfico, que a organização criminosa (por mais desorganizada que seja), ou que mesmo os amigos é que estão ideologicamente corretos, e que a justeza e as leis do país pouco importam, ele se tornou um impecilho e será lidado como qualquer outro impecilho.

Não é necessário educar as crianças a favor do aborto: elas já são. Mesmo as que dizem que não, mesmo os padrecos, pastoris e bispótes que tanto falam em sermões, missas e até mesmo em blogs e twitters da vida, até mesmo eles são pró-aborto. A incrível colocação nunca vista antes de cromossomo, que pode ser Einstein ou Hitler (ou pior, Goebbels: carrasco de toda a humanidade), é mais importante do que um garoto que existe, que age no mundo, que anda e fala, que ama e é amado. O amontoado de célular, meu amigo, certamente é um ser humano. De fato, não é nada além disso. Assim como a unha do pé podre de meu avô que caiu uma vez também continuava sendo, mesmo desprendida de seu corpo, ele: os mesmos 46 cromossomos.

O sangue do filho de dona Alzira – que pode ser um empregada doméstica carioca ou uma fiel credora de Alá – esparramado pelo chão junto com suas vísceras, membros e pele, também continua sendo ele. E ainda por anos será, mesmo depois de sua morte.

O mundo atual, e talvez as diversas socializações comunicacionais – desde a imprensa até a rede – tenham facilitado ou incitado isso, parece estar sempre perseguindo a inutilidade, os momentos fúteis, ao invés de travar as batalhas reais.

Todas as pessoas mortas em guerra também são abortos eletivos.

A completa parcialidade ideológica da maior parte das culturas demagógicas, estritamente religiosas e conservadoras é a verdadeira clínica de aborto.

E então, o homem esclarecido é forçado a se perguntar: esta ferrenha discussão sobre o aborto, que move tantas mentes e corações, não seria apenas uma cortina de fumaça? Como tantas outras, não é mesmo?

O que hoje em dia não é?

Pra fechar, no final da entrevista Huckabee menciona uma menina que conhecera que fora, um dia, um embrião congelado. A mãe da menina disse para ele: “Olhe para minha vida e me diga que aqueles embriões não tem vida”.

Olhe para os caixões no Iraque e me diga que ali não tem vida.

“Do i have the right to say that I own another person’s life to the point that I may dispose of it and consider it to be expendable?”

Sim, senhor ex-governador. Aparentemente, em diversos lugares do mundo, inclusive nos grandes Estados Unidos da América do Norte, esse é um direito.

Deuteranopia. Definitivamente deuteranopia.

Publicado em despise for humans por pedro em 06/02/2009

Definitivamente o estudo precisa ser de uma deuteranopia social.

As pessoas não veem as coisas do mesmo jeito, dizem-se os anais populares. To see eye to eye, sabe?

É até meio rídiculo pensar que até muito pouco tempo a percepção de que existem múltiplas interpretações da cultura era interditada por um determinismo que poderíamos até chamar de hediondo. Mesmo sob a analogia mecanicista, pelo amor de Deus, eu já tive televisores com corks and manias. A minha TV da sala é assim é até hoje.

E talvez aí resida a verdadeira confusão e a verdadeira antroposocial derailing: a percepção da utopia, qualquer que seja ela, passa pelo escrutínio do indivíduo e, individualmente, essa utopia vai aplacar medos, anseios e ambições INDIVIDUAIS. Não há um contrato social, como queria o séc. XVI. O que existe são múltiplos acordos múltiplos, sabe? O processo de negociação da sociedade é perene: the guidelines are not clearly defined… de fato, as linhas-guia não são claramente definidas NUNCA.

Nossas próprias relações interpessoais denunciam. A fofoca, como fenômeno interpessoal – referente a interações diretas entre pessoas de uma mesmo círculo social, talvez seja o melhor exemplo. A interpretação dos acontecimentos – dos fatos, “preto no branco”, como diriam os mais positivos – passa pelo escrutínio pessoal e culpa, falibilidade, os lados (para falar coloquialmente), se transformam de tal maneira que a história pode até ficar irreconhecícel.

A História, com H maiúsculo (nada dessa dicotomia americanóide entre história e estória: é História – das civilizações – e história – que tu conta no bar), bom, daí é outros 500, como se diz. Esta pertence aos vencedores. Na cotidianidade não temos vencedores e perdedores de forma tão definitiva e definidora: brigas de namorados e entre amigos – e até mesmo as profissionais – causam cismas que geralmente dividem, sem noções de vitória ou acerto.

Já aconteceu comigo. E preciso fazer uma mea culpa: já aconteceu com todo mundo. Raiva, angústia, ciúme, desejo, orgulho (geralmente esse último mais do que os outros), fazem a gente ver as situações da forma que queremos. “Tal namoro acabou por culpa dela”, “aquele cara é que é um idiota”; temos a propensão (a Freud exprica) a projetar as coisas (como na própria utopia). Queremos que o mundo seja como nós somos, às vezes (ou geralmente) até nos nossos piores defeitos: assim, a falha pessoal se torna falha de outrém, o nosso egoísmo o dos outros, os nossos problemas, problemas dos outros.

E assim vamos acordando todos os dias; deixamos coisas passar e outras, às vezes (ou, de novo, geralmente) até coisas desimportantes, levamos às últimas consequências. É, no mínimo, rísivel. Porém, antes disso, é também uma faceta da condição humana geralmente deixada de lado, a não ser quando se trata dos clinicamente insanos. Daí com esses há naturalidade: não dá pra convencer o louco de que ele é louco; ele continua pensando que loucos somos nós.

Entretanto, o mesmo acontece com outras patologias sociais. Não dá pra convencer o idiota de que ele é idiota, o irresponsável de que ele é irresponsável. Vê-se isso muito no trânsito: o cara bate, a culpa é dele, mas ele saí do carro xingando e metendo a boca. “Todos são idiotas, menos eu”. Até vi um adesivo num carro ontem: Por que será que eu sou a única pessoa no mundo que sabe dirigir?

E é preciso fazer uma mea culpa todos os dias. Sobre todos os aspectos. Não sei se é porque me identifico com essa proposta de existência, mas a atitude crítica é necessária e parte dela é a autocrítica. É apontar, como índice e não lateralmente, que não somos deuses. Que eu sou tão imbecil quanto todos vocês. Não é se diminuir. Não dá pra ofender se eu disser que todos são imbecis, inclusive eu.

O problema principal é a projeção: e as duas, tanto a psicológica-psiquiátrica, quanto a utópia de construção do mundo, se refletem numa mesma percepção. Reinterpretamos História e histórias, nossas vidas cotidianas, para servirem aos propósitos de ambas as construções; pessoal ou social. E como projetar uma realidade, em termos de percepção e de engendramento, que não se pode perceber integralmente? Como pintar uma paisagem que não se pode ver completamente?

Aquela grama é verde ou vermelha? Quem falou isso? Eu ou você? Ou foi ele? Ou ela? Isso caiu ou foi derrubado?

Haja memória pra lembrar do que acontece na minha vida e do que eu mesmo disse mês passado…

Utopia or Deuteranopia?

Publicado em despise for humans por pedro em 06/01/2009

A utopia é uma amiga fiel da humanidade. Poderíamos até dizer que é parte fundamental do imaginário fundador da civilização. Afinal, estar junto (maffesoliano ou não) é uma necessidade quase-utópica da socieadade já que, desde a física até a sociologia, a impossibilidade da comutação total permeia a própria forma com que entendemos o mundo: queremos os outros, mas a uma distância segura.

Em Sfez, vamos ter uma confirmação: toda utopia é projeto e todo projeto almeja ser realidade. A blueprint proposta pretende-se prédio. A coisa é tal, resultado de uma construção, porque, fantasiada, revela-se como idéia diante do construtor, em Heidegger. A imagem é a própria forma da coisa. O pensamento nos permite a fantasia, nos permite o cálculo, a lógica, a esperança e o sonho. Permite-nos, como dizem os anais dos clichês, pensar um outro mundo; imaginar que há a possibilidade de se existir de outras formas.

Cidades, nações, civilizações… projetos utópicos trazidos ao mundo por gerações e gerações de sonhadores, poderia-se dizer; sonhando acordados com um mundo que ainda não existe.

Mas, em Morin, temos que a conclusão de um projeto para um novo mundo passa obrigatoriamente pela obliteração do projeto de mundo em curso.

Precisa-se perceber o mundo em seu curso atual para então mudar suas coordenadas. Por isso utopia: não-lugar. Fora dos lugares: outside the world, or, at least, outside THIS world.

Daí surge a questão: utopia ou deuteranopia? Não é percepção da construção de uma utopia, a demarcação de seus índices e a limitação de seus rumos, é a própria percepção de que seja possível uma utopia.

Deuteranopia é um dos tipos de color blindness, na verdade, é provavelmente a mais conhecida. Daltonismo para os íntimo. Incapacidade de processar algumas cores.

Então: pode alguém (ou todos) configurar uma utopia, um novo mundo possível decalcado por cima desse, sem conseguir apreender todos os índices do velho?

A transformação do mundo, se for direcionada (mesmo que apenas se pretenda isso), deve passar pelo conhecimento do mundo. Mas que mundo?, uma infinidade de autores nos alertará. Na década de 1970, junto Jean-François Lyotard, o mundo declarava a pós-modernidade. Esta, antes de projeto de mundo, emplacava (no sentido sedimentar) a percepção fluída de um mundo onde mundos coexistem. As grandes ideologias se tornaram meta-relatos: pulverizou-se e diversificou-se o maquinário utópico da civilização ocidental. Agora as máquinas de Deus estão nas mãos de todos em mais do que modos subjetivos e distantes: as fantasias utópicas que ora eram políticas, ora econômicas, ora militares, de sangue ou teológicas, se sublimam na imperatriz da variação. Utopia tecnológica. A cegueira da humanidade que impossibilitava a utopia social se articula na possibilidade de que TÉCNICA + CIÊNCIA vão desbravar esse diferencial insolúvel.

Mas não era a cegueira o empecilho anterior? E podem ter certeza – nas poucas coisas que se pode ter certeza – de que continua sendo. Obama, Apple, multiculturalismo, preservação do meio ambiente… vivemos, mais do que antes, eu diria, uma era de utopismos em atopismos. Evolucionismo ou atavismo? Estamos, na verdade, em estagnismo. Congelados como cervos, os faróis são a brilhante fantasia que se orquestra em todos os níveis da sociedade. A política se oblitera para abrir caminho para uma nova forma que ainda não tem forma. A economia convulsiona com a incerteza constante de transformações não-econômicas? Não. A economia segue a uma distância segura apoiando o mundo não atópico, obliterando as chances de transformação e conservando as articulações reumáticas de um mundo que parece cada dia mais próximo de uma forma limítrofe.

A cegueira, portanto, não é total. É verdadeiramente daltonismo: a incapacidade de se ver alguns índices da realidade. É a arrogância de trocar o azul pelo vermelho: troca-se a Terra por Marte, por um planeta novo capaz de ser totalmente terraformado pelo cálculo, pela matemática, pela lógica, pela comensura proporcionalizante.

Por isso a pergunta: a sublimação tecnológica não é ainda outra impossibilidade de se ver? Nas coisas e cálculos o ser perde um pouco mais de si e o Homem é transformado em mamífero cordado de inteligência superior: a humanidade se torna empreitada, aventura. Children are burning and we are watching it on our Ipods.

Eu não sou o maior fã de Oasis do mundo, mas em seu novo disco uma música, com o nome sinistro de Falling Down, nos aponta uma realidade latente da qual, de fato, músicos famosos devem ter informações privilegiadas: estamos vivendo um sonho moribundo. Um estranho sonho do séc. XVII, de máquinas voadoras e espíritos ligados por conduítes de ouro e estanho. Tungstênio inflamado de uma realidade tão possível, mas que escapou entre os dedos de tolas batalhas ideológicas e economicismos tacanhos.

Perdemos muito de nós mesmos ao ganharmos a era em que vivemos.

O mais estranho é que o jazz, os escritores beat, a arte do início do séc. XX (a semana de 22, Jackson Pollock), todos avisaram.

Ninguém quis escutar.

You’re hurting my hand!… Normally, I like that. But this time I can’t reciprocate your feelings.

Publicado em despise for humans por pedro em 05/12/2009
“não há nenhum ser no mundo que a ciência não possa penetrar, mas o que pode ser penetrado pela ciência não é o ser”

A dialética do esclarecimento, Adorno e Horkheimer, 1944 [1969], (p.33).

E no sétimo descansou

Publicado em despise for humans por pedro em 05/03/2009

E domingo é pra isso mesmo: relaxar.

É dia de passar namorandinho, aturando a programação terrível da TV.

Aliás, grande mistério da era dos meios de comunicação: por quê diabos a programação do dia que deveria ter maior audiência é uma porcaria tão grande?

E a ressaca é braba pro cara aguentar tanto programa ruim. Faustão já nem se fala; mas até a programação da tv a cabo é um saco.

Repeteco em cima de repeteco e os filmes, MEU DEUS, que anda acontecendo, pensando melhor e redirecionando esse post, com a programação da TV???

Velozes e Furiosos, Como se Fosse a Primeira Vez, Closer… meus deus! Pensando bem, a NET não oferece vários canais de série: ela oferece apenas um canal. Warner, Fox, FX, Universal, Sony, People+Arts, são todos, na verdade, um maldito canal só ao ponto de, por exemplo, dar maratoninhas de Velozes e Furiosos 5 dias numa mesma semana.

E daí quando estréia um filme mais novo, tipo Harry Potter 4, daí repete até a exaustão em todos os grandes horários de passar filme.

Não é a toa que o cara acaba baixando as coisas da internet: de fato, como apontavam os caras do Legendas.tv, a indústria cultural estruturada através dos meios convencionais (clássicos) de comunicação simplesmente não tem a capacidade – e, pelo visto, nem o interesse – de suprir as necessidades da audiência.

Tem uma hora que até Friends e Seinfeld enjoa… apesar de que melhor uma reprise pela centésima vez da segunda temporada de Friends do que mais um minuto das séries RIDÍCULAS que Sony e Warner andam passando.

Aliás, outro grande mistério: com tantas séries novas boas, por quê os canais daqui sempre parecem só selecionar as blockbusters e aquelas que não sobreviveram por mais de uma temporada, como Knight Rider??

Quantos canais o cara precisa?

Noites porto-alegrenses

Publicado em despise for humans por pedro em 05/02/2009

Postando diretamente da casa do Dadu nos altos do Teresópolis.

Churras, a pedido do Floco, só de coração.

Ceva, churras e feriadão. Em Porto Alegre, é a melhor coisa que se pode esperar. A noite morre cada dia mais, com festas se não enfadonhas cheias de pessoas enfadadas. Os bares e lugares, além de terem se tornado desinteressantes – principalmente pra quem é casado, são caros e custosos: filas gigantescas e gente se espremendo pra entrar em ambientes abafados, sem cadeiras ou mesas e com DJs e sons extremamente duvidosos.

Isso sem contar o clash que anda rolando pelo imbecil monopólio da noite nas boates alternativas.

Daí ficam mesmo é os amigos e fazer as coisas nas casas de banda e nos que moram sozinho. Muita bira e liberdade, sempre com alguns convidados ou aparecimentos novíssimos. Dá pra pelo menos usar o banheiro e tomar cerveja gelada e em copo de vidro.

O bom mesmo é descansar e aproveitar essa fase de feriados com gente que a gente gosta e que gosta da gente. A despeito dos prejuízos econômicos e racionais de tantos feriados, o bom mesmo é descansar e se preparar pra um 2009 ainda cheio de mistérios.

O resto, como diria Baudrillard, é todo o resto.

Na expectativa do aniversário: 17 dias…

remake: update das 22hs e 30min

Então que já se passaram quatro horas e eu continuo aqui.

Churras já rolou. Ceva ainda tá quicando. Na verdade, rolando até demais. Assim como o churras exclusivamente de coração, que modéstia a parte, estava genial.

Pra querer ser Juremir Machado cito a conversa instantânea que agora mesmo é topos verdadeiro com Jayme e nada pode impedí-lo… na verdade, não. Contato-o duplamente mediado, através da rede e através de Ana.  

Do outro lado da sala, Dadu, Floco, Johnny e Henrique partilham o blues.

Nada como música ao vivo antes da meia-noite. Seja qual for. Esse é o grande saco da maior parte das grandes festas pras quais o cara é arrastado: lugares absurdamente lotados onde não se pode nem ao menos bater um papo, vociferar umas barbaridades. A própria segurança dos lugares é um crepúsculo; a liberdade da loucura total também faz parte e, reprimida, ela tende apenas a entropia máxima.

Vale é a verdadeira socialização: desligamento do ciclo de controle sobre o entretenimento. As boates, bares e afins se tornam cada dia mais parecidas com filmes e programações da TV. O objetivo é a radical concentração de lucro, com produtos de baixo custo e vendáveis, onde se acumula o acesso de mais valia – cerveja à sete reais, o controle cultural total – não há nunca novidade; há apenas a repetição das mesmas temáticas. Bares de rock, de samba, de playboy, da moda, underground. E as temáticas culturais, infelizmente, se tornaram o rótulo do próprio cotidiano.

Temo por minha cidade, ao mesmo tempo em que me entrego ao desespero pelo mundo e ao copo de cerveja tépida ao meu lado.

celebrações ano-novísticas

Publicado em despise for humans por pedro em 01/13/2009

Ano novo, comemorações antigas.

Uma das minhas resoluções pra esse ano é tornar esse blog mais pessoal e menos delírio filosófico pra ver se alguém comenta coisas legais tipo “Pedro, te adoro” ou “Que bonitinho!” ao invés de “Tu é doente mental” ou “Seu mentecapto”.

Então falarei das comemorações ano-novísticas. A virada (ui) passamos na mansão Bourscheidt, com vista pro Barra Shopping e pro Guaíba (acho que Guaiba não tem mais acento segundo o acordo ortográfico luso-brasileiro, mas como ainda não absorvi não tenho certeza). 12 champas e muitas risadas e pouca lentilha – pra caber mais champa. Depois fomos pro Beco (blerg) por pura falta de criatividade. E de grana obviamente, se eu tivesse assim 100 mil reais dando sopa tinha eu mesmo feito um Beco só pro ano novo.

dsc00106

Floco demonstrando o resultado parcial da noite

Depois no dia primeira se bandeamos pra Bom Djésus com o Dadu, mas só pegamos chuva. Então foi mais “uma casa de banda pra encher a cara e fazer uns rangos e um churras matador” do que propriamente uma ida à praia. Mas divertimo-nos afu e é isso que conta.

Anteriormente a essas aventuras ébrias, também ouve ebriedade aqui em casa para as comemorações do nascimento de Jibus, com muita carne de carneiro – pra honrar o nosso Salvador – e muito Guitar Hero/Rock Band – pra honrar o nosso Salvador mais contemporâneo, a tecnologia.

No mais 2009 é um ano de arrebatar os cantos e estudar mais do que em 2008.

Etiquetado como:, ,