ABSURDO!!!!
Logo na Polônia, cara?!?! Logo lá?
E logo agora?! Fazendo aniversário dos ghettos…
Realidade Esquecida
Nestes tempos de demagogia de esquerda e desespero mentiroso de direita, os assuntos são os mais variados. A imersão social da guerra, a “nova” ruína do capitalismo, estadismo, América Latina e seus muito suspeitos líderes de esquerda (e também de direita), mas de todos, um que parece perdurar no falatório (pra não dizer imaginário) mais contemporâneo (pelo menos nos últimos 20 anos), tem sido mesmo a guerra.
Não ela em suas nuances políticas e sociológica em si, mas seu resultado em termos humanísticos. Diferente das guerras da Coréia e do Vietnã, as guerras dos últimos 20 anos (dois Iraques, Kosovo, Bósnia, guerrilhas africanas) denotaram não grandes batalhas ideológicas e geopolíticas, mas a ubiquidade do conflito armado. O acesso da nossa era não se limita a tecnologia (celulares, computadores), o fim da guerra fria colocou nas mãos do mundo, como grupo de consumidores, também o produto “guerra”.
E, em contrapartida (ou talvez mais para parceiro de dança), juntamente com o human toll of war, temos a guerra esquecida. Como o Afeganistão quase se tornou depois da última investida americana ao Iraque. Mas ali (como no Iraque) os números não chegam a seis dígitos.
E esse post tem apenas um propósito, na verdade. Há poucos minutos eu estava vendo o CNN Today na CNN International e eles falavam sobre a situação no Sudão. Um país até bem grande no nordeste africano que já há um bom tempo tem sido esquecido pelo mundo. “Guerras étnicas” não tem mais o push ou o hype de 60 anos atrás, ainda mais quando envolvem tão (sarcasmo) pouco.
Eu via esses dias que no Iraque no site do Globo que pouco mais de 100 mil civis morreram desde o início dos conflitos há quase 8 anos. No Sudão desde 2003 os números já passam dos 300 mil.
300 mil pessoas. E não é algo a esmo como bombas em carros e restaurantes cravejados de balas. É extermination style.
It makes you think… em termos, vivemos mesmo num mundo de fantasia quase como a galáxia superpopulosa de Star Trek. A diferença é que todos aqueles mundos cheios de maravilhas e horrores existem todos dentro dessa mesma bolinha.
Lembra quando a mídia era malvada e a esquerda liberal? Ou melhor, olhe como agora a imprensa é liberal e a esquerda malvada
A inversão de papéis é uma das tão faladas características do que muitos chamam de era pós-moderna. Desde o feminismo mais tolinho de revistinha, onde a mulher assume o lugar do homem (e o homem o da mulher, as famosas matérias sobre mulheres CEOs e homens-babá), até a própria transformação físico-química da terapia de troca de sexo, quase tudo no imaginário da nossa era impera em denotar a ambivalência das coisas. A circularidade ou linearidade históricas foram devidamente substituídas pelas metáfora rizomáticas, ao invés de círculos e linhas, raízes, galhos, ramificações.
Em termos de ficção científica díriamos quase uma multiplicidade quântica do universo (em termos científicos não estamos longes dessa afirmação, mas em termos bem diferentes). A proposta dos “fim-da-história” era geralmente a de uma possível ruptura na circularidade da dominação, mas agora nos encontramos, principalmente nas Américas, num estranho momento – se me permitem – mesmo na superficialidade histórica. Uma viajante do tempo teria dificuldade em compreender que se trata do futuro mesmo e não de uma forma de realidade alternativa (novamente, em termos de ficção científica).
Os EUA estão afundados em uma verdadeira guerrilha ideológica, na qual as disparidades entre os partidos estão cada dia mais tomando proporções suspeitas de guerras étnicas. A realidade de que uma parcela da população vive, de fato, imersa numa percepção totalmente deformada de sua contraparte (que não é tão contraparte assim) é assustadora. Políticos dos dois lados estão atualmente envolvidos no pior tipo de sujeira possível: a fantasia ideológica que toma o lugar da realidade emergente e, eu diria, até emergencial. A Doutrina Bush (odeio esse termo) venceu da mesma forma que o nazismo: deformou apoiadores e oposicionistas da mesma forma. Perdeu-se a capacidade do discernimento. Como eu dizia há alguns posts atrás, tanto democratas quanto republicanos se perderam em suas fantasias. Ontem no Daily Show o pobre John Stewart foi forçado a fazer comédia em cima da exposição contra os aumentos de impostos proposta por um senador: o republicano de idade claramente avançada recorreu a desenhos de dragões e cavaleiros e lendas como as de Artur e do Gigante do pé de feijão.
E aqui, mais abaixo do Equador (pra ser claro), não é nada diferente. Vocês lembram da época em que era a ditadura quase-fascista (ou até totalmente fascista) e militar que tirava do ar as emissoras de rádio e TV? Lembra da época em que as bandeiras do socialismo, da reforma do trabalho e das classes sociais, eram levantadas em prol de liberdades? A América Latina em seus expoentes mais midiáticos, o Brasil lulista e a Venezuela chavista, aparecem agora sob estranhos holofotes. Na Venezuela, Chávez derruba outra emissora. A estatização da mídia. Lembra outros tempos e outros regimes e o embrulho estomacal é difícil de ser contido.
Aqui na terrinha Sarney, Collor e (en)Calheiros. “Mídia malvadona tá contra a gente”. Papo mais antigo da história do mundo moderno, mas é estranho ouví-lo da boca de um senador vitalício e de um bandido condenado (Calheiros, bom, deixemos de lado). A amostra do desinteresse brasileiro por tudo que é metalinguístico é que na esfera estadual (com nossos chefes de casas civil e governadoras entregando o ouro) e na esfera federal (com os acontecimento supracitados) reina a inércia do tipo 1, estacionária. Que força será preciso pra que esse país consiga entrar numa fase de levante e de reorganização das suas tri-facetas (legislativo, executivo e judiciário)? Que tipo de escândalo será preciso para que percebamos o quão enraizada (pra voltar na metáfora rizomática) está a corrupção?
De certo modo (e principalmente sob o prisma da ficção científica), é compreensível o que se passa nos eixos da América. Não é um circularidade histórica propriamente dita, mas é uma lógica inescapável de dominação que ultrapassa, contrariamente ao que eu geralmente propagandeio, ideologia para ser algo, e que salto de fé é esse, imaginário. Como se fosse parte do que a América espera e projeta para si mesma: sermos eternamente esmagados por questões menores quando as maiores são mais gritantes. Os EUA engolidos pela recessão (tanto econômica quanto, evidentemente, ideológica) parecessem contagiar ainda mais o mundo. E não basta o cotidiano propriamente dito do emprego e da vida social direta; muitas outras facetas estão se mostrando já de início inevitavelmente corruptas. E eu remeto a um exemplo bem atual: Trent Reznor versus Twitter Trolls, ou seja, o grande Twitter e suas mútliplas capacidade de comunicação imediata tomados pela medo.
Eu digo isso faz tempo (até por já ter sido vítima várias vezes) que a rede serve ao princípio do cyberbulling. Vai ter sempre alguém pra mentir, avacalhar, destruir. É o preço da liberdade e todos devemos aceitá-lo e conviver com ele, as ferramentas de blogging e de produção de conteúdo (como Orkut e Facebook) estão constantemente delineando as barreiras entre liberdade e controle. Antigamente o Orkut era totalmente suscetível, agora já é bem menos. O Fotolog também.
O Twitter se adaptará? Pouco me importa.
O que me importa é perceber que a humanidade tem a maturidade sociológica (em outro salto, eu me permito) pra engendrar ferramentas desse cunho. Autorregulação.
Mas…
Em outros aspectos estamos cada vez mais distantes. Chávez, por exemplo, pensa tão pouco do povo que governa que acredita que a mera exposição a um canal de TV possa corromper todo o tecido social e político do país. No Brasil, as forças da nobra direita se perdem em corrupção e mentiras ao mesmo tempo em que culpam os poucos jornalistas que ainda tem o vigor e a coragem de procurar pelo menos uma para-verdade para mostrar a sujeira do país. Nada é mais assustador do que sessões do legislativo em segredo. E na América do Norte a questão não é menos fundamental. As propostas paternalistas de Obama são conflituosamente, também, libertárias. É claro que todos devem ter acesso universal a saúde, mas levanta-se a questão: isso é o papel essencial do governo ou mais uma faceta de um governo inchado e altamente corruptível?
Eu só sou apto a fazer as perguntas, não a respondê-las. Tanto é que procuro me colocar entre, a despeito de uma certa impossibilidade topológica.
Pergunto-me, de forma mais pessoal e talvez menos embasada em conhecimento e mais numa percepção emocional, até quando diletantismo, ideias e ideais absolutos e subserviência serão a proposta casada de uma demagogia de quarta série.
Pergunto-me até quando deixaremos de fora o que parece inútil, quando tanta coisa inútil é a própria senda da utilidade. Há algum tempo fui acusado de sofismo descontrolado e atrás dos sofistas descobri que englobá-los como apenas falácia, como pré-filosofia e pré-conhecimento é demasiadamente leviano (assim como é leviano torná-los em heraclitismo ou protagorismos).
O homem é a medida de todas as coisas, sem sombra de dúvidas, e a própria natureza (não apenas biológica, mas espiritual e psicológica) do homem denotam a idéia de que tudo é movimento. Entretanto, tal natureza é sombria e o rumo desse movimento é rizomático e relativo. Engraçado que Protágoras e Heráclito tenham, assim de imediato, nomes mal falados – algumas de suas idéias poderia ecoar em Einstein, 2 mil anos antes.
Brokeback Persia?
Como um bom nerd nascido nos anos 80 e tendo vivido minha infância derradeira nos 90, sim, eu fui uma criança do videogame. Talvez mais do que a maior parte dos meus amigos (com exceções claras), o videogame tem sido parte integrante da minha vida e do meu imaginário.

O princípe: primeiro ele deveria salvar a princesa, depois o reino e, finalmente, a si mesmo. Os três jogos da trilogia do tempo (Sands of Time, Warrior Within e Two Thrones) trazem uma história mais séria e com certeza mais cinematográfica.
Sendo assim, fui apresentado a diversas culturas e conhecimentos humanos através do videogame e de seus subprodutos (ou seria o contrário? isso deixarei pra outra hora). Idade Média, urbanismo, história antiga, mitologia grega e até mesmo a ficção científica chegaram a mim, principalmente, através das mais variadas e até tolas aventuras. Primeiro em duas dimensões e depois em cenários complexos.
Nesta estrada (quantos amores pelo videogame, hein?) eu tive muitos companheiros. Mario, Sonic, o formato Street Fighter/Mortal Kombat/King of Fighters. Zelda, Metroid, são muitos os consoles e ‘mundos’ que migraram de geração em geração até os dias de hoje. Entretanto, entre todos esses mundos e fantasias uma delas teve seu papel marcante e contínuo na minha vida. Na época do lançamento original era um jogo de apenas alguns megas (4 ou 5, se não me engano) para PC que logo virou hype e saiu para a maior parte dos consoles.
Estou falando de Prince of Persia. A despeito das várias versões para vários consoles, o jogo teve 7 continuações (ou seriam sete versões?) para diferentes gerações. Contemporaneamente, temos quatro versões: Sands of Time, Warrior Within, Two Thrones e o mais novo que ganhou o nome simplesmente de Prince of Persia, ensejando um retorno.
Esses três primeiros são MUITO BONS e eu os joguei a exaustão. O quarto meio que mudou demais o jogo, estripando-o de suas qualidade dinâmica e retornando (até demais) para o formato endurecido da versão bidimensional original.
Mas eu não quero falar aqui sobre videogame. Quero falar sobre Prince of Persia: The Sands of Time, upcoming realese do diretor de Harry Potter e o Cálice de Fogo estrelando Jake Gyllenhaal como princípe.
Outras adaptações de videogame, na boa, passaram batido por mim pelo fato do

Gyllenhaal: sua mudança corporal para atingir o papel de príncipe vai deixar muitas menininhas molhadinhas e muitos 'brunos' altamente alterados, mas pelas poucas fotos ele realmente conseguiu. Uma rápida comparação com a imagem anterior (um caracter desing de Warrior Within) deixa claro que o ator conseguiu incorporar o personagem.
meu desamor. Não eram coisas queridas ao meu coração. POP faz parte de mim, parte do meu imaginário. Quando criança eu me imaginava duelando o vizir, tantas vezes terminei sem tempo e a pobre princesa morreu. Em Warrior Within custou-me a descobrir como enfrentar de verdade o último chefão, o Dakara, espírito do tempo que busca matar o príncipe para normalizar o tempo.
O filme, obviamente, será baseado na trilogia do tempo. O nome remete ao primeiro jogo e a aparência de Gyllenhaal remete aos dois últimos. O que faz crer que a adaptação se distanciou da idéia original de Jordan Mechner, optando, como dito, pela versão mais cinematográfica.
As últimas adaptações que fui ver no cinema (Harry Potter e Watchmen) ficaram aquém do esperado. E Gyllenhaal é marco-teórico para bons filmes (Brokeback, Donnie Darko, Zodiac), mas também para alguns bem dúbios (Day After Tomorrow, October Sky) e o diretor (Mike Newell) também pode ser considerado nesse escopo (com filmes como Monalisa Smile e Donnie Brasco).
Eu adoro POP e espero sinceramente que o filme fique a altura, pelo menos, da aventura e da maturidade da história. A chamada do filme (Defy the Future), a despeito de lembrar Arquivo X (e a necessidade de Arquivo X é o tema do meu post ilustrado dessa semana), parece levar a entender que o filme terá a seriedade da série dos jogos.
Esperemos.
Gay Ball’n'Chain ou Church Ball’n'Chain
Eu tava assistindo o show da Ellen Degeneres e ela comentou a notícia de que a agora ex-governadora Sarah Palin se pronunciou favorável ao banimento federal do casamento gay, ou seja, modificar o cerne da constituição norte-americana para que um grupo específico de pessoas seja considerado, não inferiormente, mas como fundamentalmente diferentes.
Francamente, com o balde de água fria que foi meu post sobre aborto, fiquei um tanto quanto precavido ao falar nesse assunto, mas hoje me deu aquela lampadinha em cima da cabeça.
E gostaria de uma resposta franca de qual é o problema em dois homens ou duas mulheres se casarem? Ninguém quer casar na Igreja Católica ou Evangélica. Todo tipo de atitude e estilo de vida contra as anais das religiões estabelecidas são facilmente encontradas na sociedade. Padres estupram criancinhas e se mantém padres. Governantes roubam bilhões de reais dos governos.
Odeio essa babaquice pós-moderna – essa doxa pós-moderna, pra falar a verdade – de multiculturalismo, de ‘vamos todos aceitar todas as culturas’. Acho BS total. Mas há uma grande diferença entre não gostar de sertanejo ou repudiar a cultura do hip hop e ser contra o casamento gay. Primeiro que se deve perguntar: tu é gay? Porque se não for, diferentemente do aborto (onde os gêneros estão diretamente e igualmente envolvidos), não se pode falar quase nada.
Essa idéia de casamento como algo sagrado e místico é fruto da fé. E a fé recompensa os justos. Sendo heterossexual e católico, por exemplo, deve-se, obviamente, casar com um homem com uma mulher. Agora, sendo homossexual e, por exemplo, ateu, QUAL DIABOS É A DIFERENÇA?
A discussão fundamental não é, essencialmente, sobre homossexualismo e o direito dessas pessoas de dividir suas vidas com quem amam. A discussão é sobre a separação entre Estado e Igreja, uma das maiores mentiras perpetradas em nossa era. A lobagem e o poder econômico que certos centros religiosos e conservadores, como o Bible Belt nos EUA, detém é parte fundamental da democracia. Entretanto, a democracia, como proposta e aceita por nós, é feita de discussão e não de fanatismo. É feita, como a própria realidade, de multiplicidade e não de manual de instruções. Eu tive uma criação católica, sendo batizado e tudo mais, mas dei de frente com os preconceitos imbecis da igreja. Um católica homossexual, digamos, pode se considerar um pecador. Agora um ateu? Como que alguém que não acredita em Deus e que acha, como eu, que a Bíblia é uma das maiores piadas de mal gosto já contadas, pode entrar nessa discussão?
Eu tenho o maior respeito pela religião. Por todas elas, na verdade, mas a incapacidade das pessoas em manterem suas religiões para si mesmos é o que me atormenta. Nada no mundo biológico contradiz o homossexualismo. De fato, nos últimos anos, tem-se descobrido cada vez mais animais (como os leões) que participam de atividades que só podem ser caracterizadas como homossexuais. As lagartixas, na verdade, demonstram claro pansexualismo, traçando o que vier.
O casamento gay é uma tentativa conservadora (até demais) que os mais fanáticos, conservadores e religiosos parecem incapazes de perceber. O que dois homens gays querem ao casar é terem uma vida moral como todas as outras pessoas: ser fiel, pagar impostos, criar filhos. E, francamente, qual é o problema nisso? A maior parte dos adultos homossexuais que eu conheço são dotados de um imenso senso de dever e responsabilidade, sendo pessoas que privilegiam caridade, a saúde e o bem-estar social. São pessoas produtivas, das mais diversas classes sociais.
Palin, assim como tantos outros nos Estados Loucos da América e mesmo por aqui, pretende um verdadeiro retrocesso: transformar um grupo inteiro de pessoas (e que não são poucas) em pessoas de segunda classe. E essa, é uma das piores coisas que pode acontecer com o mundo; um tipo de pessoa, um estilo de vida, uma religião, se tornar de segunda categoria.
Keep your religion to yourself.
Get Back: To the 80’s? To the 70’s? No. To an impossible situation
As doxas pós-modernas falam de um mundo no qual passado, presente e ‘futurismo’ coexistem. Ficava fácil explicar simplesmente apontando que o Oriente Médio, em alguns momentos, parece ainda viver no séc. XVI, e o Ocidente Geral, seguidamente parece existir em algum século além do XXI.
Mas isso era em termos de evolução econômica e tecnológica, e deixava muita gente irritada. Não era realmente uma coexistência histórica: obviamente tu encontra iraquianos ou afegãos com doutorados, cientistas, escritores, cineastas.
O torque da perda de sentido pós-moderno, o ‘baudrillardismo’ radical de que o mundo não fazia mais sentido era facilmente substituído pela invasão cultural: não existe um Afeganistão do séc. XXI, mas existem afegãos do séc. XXI. E a estranheza ganhava tom de embate acadêmico, mas nessas últimas semanas alguma coisa realmente estranha começou a acontecer.
Primeiro o Irã.
O tom de revolução, o tom do governo, acusavam totalitarismo. A revolução não era contra o Xá, contra os líderes religiosos: ela É por liberdade. Quase francofônica.
Agora Honduras. Situação impossível.
As ditaduras de esquerda do séc. XX na América Latina/Central, que eram, em termos, os grandes sonhos da década de 1950, 1960, concretizados em Cuba e nos diversos movimentos sociais, se encontraram de frente com as ditaduras de direita militaristas do séc. XX. A pós-modernidade de convívio de eras se debruçou, parece, sobre o séc. XX; talvez a mácula de deixá-lo partir tão desimportantemente, como século de sangue e guerras. Não sei. O que sei é que é possível dizer: situação impossível. Impossibilidade de posicionamento pleno. De um lado, militarismo, um maldito golpe militar claramente ilegítimo. Do outro, ‘chavismo’, ‘vamos alterar a constituição pra que eu possa ficar indefinidamente no governo’, também com ares de ilegitimidade.
De certo, a morte de Michael e de Farrah parece, ironicamente, relembrar esses períodos. Mais de 20 anos depois e a disputa ainda é sobre a corrupção e totalitarismo de esquerda e a corrupção e totalitarismo de direita. E talvez, fora do escopo das doxas pós-modernas, esteja surgindo a possibilidade de finalmente entendermos que, no fundo, é quase um tanto faz. A queda dos regimes totalitários na América Latina não permitiu o levante da democracia, apenas em termos. Venezuela, Colômbia, Equador, até mesmo o Brasil – novamente, em termos, estão vivendo como que um “agora é nossa vez” da esquerda. E muito pouco parece aquela esquerda mágica que a gente ouve em comícios e movimentos sociais, aquela esquerda da qual me lembro quando criança, cheia de promessas de progresso, liberdade e fim das injustiças. Muito pouco parece aquela renovação semi-marxista: Chávez, por exemplo, estatiza, rouba, se mantém no poder. Há quanto tempo já?
Há muito tempo eu ouvi uma ótima metadefinição de democracia: é a alternação de ideais políticos, para que todos tenham espaço na esfera pública e dignidade na privada.
Como eu dizia aí, em posts passados, isso são meras considerações. Não sei as respostas e procuro evitar um posicionamento, exatamente pela impossibilidade da situação. Mas preciso, como todos deveriam precisar, evidenciar que em certos termos esse pós-modernismo muito alardeado parece ser a única coisa que explica uma convulsão histórica e social tão grande. Essas reações são, colocando-me no lugar de um analista político de cunho marxista durante as décadas de 70 e 80, realmente muito estranhas: os EUA elegem um presidente democrata, negro, retiram suas tropas do Iraque, posicionam para defender a população afegã – questionável, tudo bem – e América e Oriente Médio reagem em estranhas convulsões.
Talvez Obama precise substituir Michael.
Problemas com Trolls?
What Is A Troll?
The term derives from “trolling”, a style of fishing which involves trailing bait through a likely spot hoping for a bite. The troll posts a message, often in response to an honest question, that is intended to upset, disrupt or simply insult the group.

Quando os trolls ficam muito pessoais, a gente começa a desconfiar de pessoas conhecidas. E, ironicamente, a imagem de um 'troll' mesmo, esses monstrinhos, remete aos meus suspeitos
Usually, it will fail, as the troll rarely bothers to match the tone or style of the group, and usually its ignorance shows.
Why do trolls do it?
I believe that most trolls are sad people, living their lonely lives vicariously through those they see as strong and successful.
Disrupting a stable newsgroup (or blog) gives the illusion of power, just as for a few, stalking a strong person allows them to think they are strong, too.
For trolls, any response is ‘recognition’; they are unable to distinguish between irritation and admiration; their ego grows directly in proportion to the response, regardless of the form or content of that response.
Trolls, rather surprisingly, dispute this, claiming that it’s a game or joke; this merely confirms the diagnosis; how sad do you have to be to find such mind-numbingly trivial timewasting to be funny?
Remember that trolls are cowards; they’ll usually post just enough to get an argument going, then sit back and count the responses (Yes, that’s what they do!).
How can troll posts be recognised?
- No Imagination – Most are frighteningly obvious; sexist comments on nurses’ groups, blasphemy on religious groups .. I kid you not.
- Pedantic in the Extreme – Many trolls’ preparation is so thorough, that while they waste time, they appear so ludicrous from the start that they elicit sympathetic mail – the danger is that once the group takes sides, the damage is done.
- False Identity – Because they are cowards, trolls virtually never write over their own name, and often reveal their trolliness (and lack of imagination) in the chosen ID. As so many folk these days use false ID, this is not a strong indicator on its own!
- Crossposting – Any post that is crossposted to several groups should be viewed as suspicious, particularly if unrelated or of opposing perspective. Why would someone do that?
- Off-topic posting – Often genuine errors, but, if from an ‘outsider’ they deserve matter-of-fact response; if genuine, a brief apposite response is simply netiquette; if it’s a troll post, you have denied it its reward.
- Repetition of a question or statement is either a troll – or a pedant; either way, treatment as a troll is effective.
- Missing The Point – Trolls rarely answer a direct question – they cannot, if asked to justify their twaddle – so they develop a fine line in missing the point.
- Thick or Sad – Trolls are usually sad, lonely folk, with few social skills; they rarely make what most people would consider intelligent conversation. However, they frequently have an obsession with their IQ and feel the need to tell everyone. This is so frequent, that it is diagnostic! Somewhere on the web there must be an Intelligence Test for Trolls – rigged to always say “above 150″
Tirado de http://www.flayme.com/troll/
E pra invocar meu direito eterno da palavra, cito, então, outro:
On the road from the City of Skepticism, I had to pass through the Valley of Ambiguity.
Homo Sacer
“O problema com a ‘paixão do Real’ do séc. XX não é o fato de ela ser uma paixão pelo Real, mas sim o fato de ser uma paixão falsa em que a implacável busca pelo real que há por trás das aparências é o estratagema definitivo para evitar o confronto com ele”.
Bush foi como se o Nirvana tocasse nos anos 60: a única preocupação da banda que tocasse depois era se os equipamentos não estavam totalmente destruídos. Mas o show era no sul dos Estados Unidos, porque parece que ninguém tá gostando do following act, só a mídia.
CNN e MSNBC, principalmente.
O senhor Obama – como estranhamente o chamam – fell short on his promisses. Nada mudou. Sua batalhas para emendar ‘as caixas de som’ deixadas por Bush vai acabar, e parece cada dia mais claro, sendo apenas isso. Sua demagogia inteligente – que o cara não pode deixar de no mínimo reconhecer – só anda servindo mesmo pra inflar ainda mais egos e posições aberrantes.
A incapacidade – e talvez falta completa de vontade – por parte da mídia em se colocar numa posição imparcial, ou pelo menos parcialmente imparcial, denota ainda mais a travessia da fantasia lacaniana. O núcleo duro do real, como dira meu amigo Bruno, acionado pela despesa battailiana, nesse atravessar, resulta no nojo. Nem a esquerda (se é que chegou o momento de se dizer político e ideologicamente que há sim esquerda nos EUA), nem mesmo ela, consegue mais viver com o nojo que a concretização da fantasia causou.
Primeiro, e deve-se apontar, a repulsa gera primeiro um estranhamento. Como Zizek aponta metaforiando A Professora de Piano (2001): ao concretizar a vil fantasia do sexo e da submissão, a professorinha se vê repulsionada pela idéia de tudo. Não é que a fantasia fosse uma proteção contra a entrega do ato, mas ao torná-la real, ao se atravessar a fantasia é a própria fantasia que se torna uma defesa contra o ato em si.
A fantasia e o próprio imaginário hollywoodiano vem promulgando a anos a campanha de Obama. Os milhões de dólares gastos diretamente em comícios e propagandas poderia ter sido facilmente poupado: a população já estava devidamente treinada. Mas, assim como no WTC, o que se viu foi exatamente o que disse no parágrafo anterior: a concretização da fantasia (ou do pesadelo) concretizou, na verdade, a farsa. A farsa do cotidiano, esvaziado de seus sentidos na produção cultural, a cultura do cotidiano se chocou, neste atravessar, foi invadida pela realidade. A fantasia do próprio poderio americano foi dilacerada pela realidade dos aviões, do fogo e do colapso.
E Obama é, numa dimensão menor, a concretização do mesmo. A fantasia do bondoso líder mundial se desvanece na figura de um homem sério e brincalhão, que fala coisas além de seu tempo e que não resolvem as dicotomias atuais.
A cultura que aceita cada vez mais o inescapável multifacetado da realidade para não conseguir entender uma palavra que ele diz; oposicionistas acusam e apoiadores vibram. O sentido não faz mais sentido também. É vitória baudrillardiana? Poderia-se dizer, mas recuso-me a aceitar o termo vitória. Prefiro a catástrofe baudrillardiana. A antecipação do siécle XIX e XX, da grande tragédia que consumiria Ocidente e Oriente, sem distinção, veio na forma de signos.
Esse Real que tenta ser reinserido por Obama encontra somente o trauma: “exatamente por ser real, ou seja, em razão de seu caráter traumático e excessivo, não somos capazes de integrá-lo na nossa realidade (no que sentimos como tal), e portanto somos forçados a senti-lo como um pesadelo fantástico”.
Costumo invalidar os comentários pecaminosos da direita – a despeito de entendê-los – mas aqui abrirei, inspirado por trolls que acusam-me, um parágrafo para validá-los. É demagogia. É um presidente de araque que cumprirá seus quatros anos sem nenhuma promessa cumprida. A expressão usada, se não me engano, foi diletantismo obâmico. Mas amor a uma arte não é minha primeira opção para definir o entuasiasmo cego em volta dessa figura. Diferente da direita – e talvez também da esquerda – eu tenho posições multifacetadas em relação as coisas (e falo isso numa das raridades desse blog, também por ser acusado de não me posicionar, a despeito de depois ter sido horrivelmente acusado de ser esquerdista) e por isso fica difícil me posicionar completamente.
A princípio, como muitos, meu entuasiasmo estava sedimentado na idéia de que qualquer coisa seria melhor que Bush. Mas ‘coisa qualquer’ não apareceu; o que apareceu foi nada. O que apareceu foi um presidente acusado de ser liberal, mas dá de graça bilhões de dólares para salvar empresas que deveriam e precisariam falir. Acusado de esquerdista, ele favorece a guerra e o socialismo do qual é acusado, usando a mesma palavra, desvanece numa névoa de bilhões de dólares e centenas de afegãos mortos. Ele discursa em universidade cristã, falando sobre diálogo em questões como aborto e saúde, mas empurra uma estranha agenda de favorecimento e de impunidade.
Estranho, esse Obama.
Estranho por ser a dureza da realidade de que qualquer raça ou partido, “a competência e a perícia são proscritas”. Negro ou branco, negros e brancos continuaram na mesma. Mas ideologicamente it looks good, não é? O policulturalismo da “esquerda canalha” se vê também no fogo cruzado das múltiplas posições e múltiplas realidades. E o Real? Ah, esse é que é o problema.
“Geralment dizemos que não se deve tomar ficção por realidade – lembremo-nos das doxas pós-modernas (e essa vai pros meus admiradores e contestadores) segundo as quais a ‘realidade’ é um produto do discurso, uma ficção simbólica que erroneamente percebemos como entidade autônoma. Aqui a lição da psicanálise é o contrário: Não se deve tomar a realidade por ficção – é preciso ter a capacidade de discernir, naquilo que percebemos como ficção, o núcleo duro do Real que só temos condições de suportar se o transformarmos em ficção. Resumindo, é necessário ter a capacidade de distinguir qual parte da realidade é ‘transfuncionalizada’ pela fantasia, de forma que, apesar de ser parte da realidade, seja percebida num modo ficcional”.
E como o Homem-Rato freudiano, acuado em sua sublimação de classes, também Bush serve para acuar quem critica Obama, e ser para ensinar as massas que um presidente fraco é melhor do que um cruel.
As citações são do livro “Bem-Vindo ao Deserto do Real”, de Slavoj Zizek. Não lembro o ano porque estou sem o livro, só com os scans. É uma boa leitura complementar para qualquer coisa, mas principalmente para entender a cultura da mídia e a teoria baudrillardiana. Principalmente no que essas duas coisas se relacionam com a psicanálise freudiana e lacaniana e ao entendimento de que a realidade é algo multifacetado, construindo a partir de conflitos e acordos.
Iran Badu
Posteriormente eu farei um post mais compreensivo sobre esse assunto, mas vale traçar.
Na última semana o povão do mundo inteiro foi pego de surpresa por uma coisa que ninguém esperava. Tá certo que pelo menos desde de McLuhan já sabemos que a mídia pode servir as vontades do povo – e não só mera dominação ideológica – e sabíamos que ela conseguia ser o powder cag pra começar coisas importantes (sem julgamento de valores). Impeachment do Collor, Million Man March (parts one and two). Esse tipo de coisa.
Mas num país que lutou, há uns 30 anos atrás, pra VIRAR UMA DITADURA RELIGIOSA não estava no topo da lista de ah, vamos botar fogo nessa bosta. França, Alemanha e Grécia andavam encabeçando a lista de países com um povo prontinho pra incendiar carros na rua.
Só que não foi bem isso que aconteceu no Irã. Primeiro os padrecos que realmente mandam no país anunciaram que o presidente de nome impronunciável tinha se reeleito. O anúncio veio algumas horas depois do fim das votações e chocou o mundo por ser a mais clara prova da irrefutabilidade da corrupção naquele país: urnas de papel levam horas, dias às vezes, para serem apuradas. “Até isso é melhor no Irã”, dizia um dos canais de TV justificando a velocidade da apuração dos votos.
Mas o que viria foi realmente inacreditável. Ninguém saiu nas ruas quebrando coisas. No espírito da moça morta Neda, jovens, adultos e até mesmo idosos foram para rua pedir, pacificamente, não que os aitolás caiam fora, mas que o sonho da república islâmica, passado pro Ocidente como uma realidade táctil, se tornasse real. “Queremos liberdade”, gritam as pessoas na rua. Mas ninguém vê. Ninguém?
Então entra sobre o que esse post é: tem muita gente (muita gente mesmo) falando sobre como as novas tecnologias da comunicação estão mudando o mundo. A prova irrefutável disso está acontecendo agora. A despeito das mentiras, besteiras, racismos e extremismos que achamos na Internet, a rede finalmente serve ao propósito de libertação do homem. Facebook e Twitter se tornaram mais do que redes sociais: são murais para a dor, para a morte.
A total liberdade da rede se tornou o tótem da total falta de liberdade.
Num país, que se pretende potência e não passa de um deserto (em tantos, tantos sentidos) com shopping centers e milionários (diferente de Dubai pela quantidade de shoppings, milionários e ideologia), onde a mídia serve, como nos tempos de Rússia comunista e Alemanha nazista, aos propósitos de velhos gordos e ricos que passam seu tempo estuprando crianças, vemos surgir o verdadeiramente mais significativo movimento ideológico, cultural, social (chame como quiser) dentro da rede.
E se faz um parâmetro analógico até mesmo com o dito download ilegal; facebook e twitter são, nesse momento, ilegais, proíbidos, no Irã. Olha lá e vê se isso impediu eles.
Por isso há quase dez anos eu falo pra amigos, colegas de academia, professores e muito por aqui: THE WEB IS UNSTOPPABLE. Feita para ser assim é óbvio que assim ela será. Militares não ligam para download ilegal; ligam para comunicação total. Para dados que podem ser conservados e protegidos e a rede, ao ser aberta a todos, desapareceu com o seu único impedimento real: o acesso. Agora que podemos acessar essa rede, que cresce como o tumor benigno mais miraculoso de todos, podemos finalmente cantar todos aqueles cantos. De ódio ou amor.
Neda não é a voz da revolução, não é a voz do Irã. É, mesmo que seja algo encenado e falso, simulado, a verdade da era em que vivemos.
VEJA COMO VEMOS A GAROTA MORRER HORRIVELMENTE E NÃO FAZEMOS…
…NADA.
Veja como os horrores do mundo vem das mãos das pessoas. Realmente, aos amigos jornalistas, não precisa de diploma. Precisa de YouTube e um celular com câmera. Precisa-se estar lá.
De certo precisamos revisar nossas idéias e teorias sobre sociedade e cultura mediada.


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