Iran Badu
Posteriormente eu farei um post mais compreensivo sobre esse assunto, mas vale traçar.
Na última semana o povão do mundo inteiro foi pego de surpresa por uma coisa que ninguém esperava. Tá certo que pelo menos desde de McLuhan já sabemos que a mídia pode servir as vontades do povo – e não só mera dominação ideológica – e sabíamos que ela conseguia ser o powder cag pra começar coisas importantes (sem julgamento de valores). Impeachment do Collor, Million Man March (parts one and two). Esse tipo de coisa.
Mas num país que lutou, há uns 30 anos atrás, pra VIRAR UMA DITADURA RELIGIOSA não estava no topo da lista de ah, vamos botar fogo nessa bosta. França, Alemanha e Grécia andavam encabeçando a lista de países com um povo prontinho pra incendiar carros na rua.
Só que não foi bem isso que aconteceu no Irã. Primeiro os padrecos que realmente mandam no país anunciaram que o presidente de nome impronunciável tinha se reeleito. O anúncio veio algumas horas depois do fim das votações e chocou o mundo por ser a mais clara prova da irrefutabilidade da corrupção naquele país: urnas de papel levam horas, dias às vezes, para serem apuradas. “Até isso é melhor no Irã”, dizia um dos canais de TV justificando a velocidade da apuração dos votos.
Mas o que viria foi realmente inacreditável. Ninguém saiu nas ruas quebrando coisas. No espírito da moça morta Neda, jovens, adultos e até mesmo idosos foram para rua pedir, pacificamente, não que os aitolás caiam fora, mas que o sonho da república islâmica, passado pro Ocidente como uma realidade táctil, se tornasse real. “Queremos liberdade”, gritam as pessoas na rua. Mas ninguém vê. Ninguém?
Então entra sobre o que esse post é: tem muita gente (muita gente mesmo) falando sobre como as novas tecnologias da comunicação estão mudando o mundo. A prova irrefutável disso está acontecendo agora. A despeito das mentiras, besteiras, racismos e extremismos que achamos na Internet, a rede finalmente serve ao propósito de libertação do homem. Facebook e Twitter se tornaram mais do que redes sociais: são murais para a dor, para a morte.
A total liberdade da rede se tornou o tótem da total falta de liberdade.
Num país, que se pretende potência e não passa de um deserto (em tantos, tantos sentidos) com shopping centers e milionários (diferente de Dubai pela quantidade de shoppings, milionários e ideologia), onde a mídia serve, como nos tempos de Rússia comunista e Alemanha nazista, aos propósitos de velhos gordos e ricos que passam seu tempo estuprando crianças, vemos surgir o verdadeiramente mais significativo movimento ideológico, cultural, social (chame como quiser) dentro da rede.
E se faz um parâmetro analógico até mesmo com o dito download ilegal; facebook e twitter são, nesse momento, ilegais, proíbidos, no Irã. Olha lá e vê se isso impediu eles.
Por isso há quase dez anos eu falo pra amigos, colegas de academia, professores e muito por aqui: THE WEB IS UNSTOPPABLE. Feita para ser assim é óbvio que assim ela será. Militares não ligam para download ilegal; ligam para comunicação total. Para dados que podem ser conservados e protegidos e a rede, ao ser aberta a todos, desapareceu com o seu único impedimento real: o acesso. Agora que podemos acessar essa rede, que cresce como o tumor benigno mais miraculoso de todos, podemos finalmente cantar todos aqueles cantos. De ódio ou amor.
Neda não é a voz da revolução, não é a voz do Irã. É, mesmo que seja algo encenado e falso, simulado, a verdade da era em que vivemos.
VEJA COMO VEMOS A GAROTA MORRER HORRIVELMENTE E NÃO FAZEMOS…
…NADA.
Veja como os horrores do mundo vem das mãos das pessoas. Realmente, aos amigos jornalistas, não precisa de diploma. Precisa de YouTube e um celular com câmera. Precisa-se estar lá.
De certo precisamos revisar nossas idéias e teorias sobre sociedade e cultura mediada.
Pale Palin
De todas as pessoas envolvidas na corrida presidencial norte-americana talvez a mais rídicula de todas seja a completa imbecil parceira de cédula de John McCain, Sarah Palin.
Além de ser uma pessoa com óbvios problemas emocionais e de formação duvidosa, falha em representar todas as categorias de pessoas que ela almeja representar. Certamente foi colocada na cédula para ecoar a vibração de uma mulher na Casa Branca ocasionada pela pré-candidatura de Hillary Clinton. E também para evocar a representatividade da boa mulher republicana, casada, com filhos.
Entretanto, o rídiculo é tanto que a filha de Palin, adolescente, ficou grávida no mesmo momento em que sua mãe foi indicada para a chapa de McCain. Porém, de forma alguma o rídiculo de Palin se reserva ao seu estado patético (ela é governadora do Alasca) ou a sua filha insípida. Palin é com certeza a representatividade máxima da américa que não presta “and must be put down”.
Em alguns de seus discursos ela se refere a expressão anti-americano para designar certos membros do senado e da casa dos representantes (deputados). Como não tem mais caras estrangeiras com poder para acusar de anti-americanismo, agora os republicanos atacam os próprios representantes norte-americanos. Esta mulher é tão patética que disse num discurso que é nas cidades pequenas que se encontra a “américa de verdade”, como se nas grandes cidades vivessem falsos americanos.
McCain também fez das suas. Como acusar Obama de ser comunista enquanto, nos debates, disse seguidamente que o dever de todo o americano hoje é “dividir a riqueza”. Peraí. Eu não sou um comunista mas já estudei muito economia socialista e, principalmente, já li o Capital. Não é isso a base do socialismo econômico?
Como essa corrida presidencial ficou, digamos, americana demais, me reservo a mencionar o humor canadense como forma de lidar com a situação. Apóio o trote telefônico para candidatos a qualquer cargo público. Obrigado.
TROTE FEITO POR COMEDIANTES CANADENSES PARA SARAH PALIN. ELES FINGEM QUE SÃO O PRESIDENTE SARKOZY DA FRANÇA E CONVIDAM A CANDIDATA – que aceita o convite – PARA UMA CAÇADA A BEBÊS FOCA.
Até que te partam, Bambu’s
Realmente, nos últimos tempos não ando saindo. Não sei nada sobre festas, saídas ou coisa que o valha. “Baladas”… Mas daí ontem (sexta-feira, 26/09) resolvi ir num dos lugares mais legais, pelo menos na minha opinião, pra se ir em Porto Alegre em todos os tempos. Tido por muitos como um ícone: o Bambu’s. Pois, lá chegamos, sempre aquele clima Bambu’s, Brahma de três e cinqüenta, todas aquelas dezenas de “figurinhas carimbadas”. Estavámos lá, nada realmente incomum em relação ao ambiente. Entretanto, quando chegamos percebemos que havia uma viatura da SMIC acompanhada de alguns policiais militares.

Foto 1: Ali tá o Sid, frustrado, poucos minutos antes de retornar pra dentro do bar e informar os clientes de que o estabelecimento seria fechado. Atrás deles podemos ver os policias militares de capacete, e (desculpem pela péssima qualidade da foto) olharem na direita superior da foto podem ver algumas das pessoas com as mãos na parede e os policias que as estão revistando.
Entramos normalmente, nos sentamos, já encontramos alguns conhecidos, alguns amigos, ficamos bebendo e conversando. O mesmo de sempre. O Bambu’s pode até ter uma aparência duvidosa, mas ali é sempre a mesma coisa. Isso é certo. De repente, começamos a ouvir que algo está acontecendo na rua. Levanto-me e vou até a porta, perto daquela geladeira, e vejo, através dos vidros e das cabeças, MAIS DE VINTE POLICIAIS MILITARES, TRÊS DELES EM CAVALOS, VÁRIAS VIATURAS E, LITERALMENTE, TODAS AS PESSOAS QUE ESTAVAM SENTADAS DO OUTRO LADO DA RUA, EMBAIXO DAQUELE PRÉDIO GRANDE CHEIO DE LOJAS, DE PÉ, COM AS MÃOS NA PAREDE SENDO REVISTADOS PELOS POLICIAIS.
Momentos depois (foto 1) o Sid grita avisando que o bar será fechado. Não havia, então, nenhuma presença da SMIC, entidade, até onde eu sabia, responsável por esse tipo de ação. Mas a legalidade ou não da ação da polícia não é o que realmente está em questão. É a agressividade. Sério. Mais de 40 policiais envolvidos. E isso por cima, pelo que eu pude contar. Ao sairmos do Bambu’s fomos praquela sinuca que fica do lado do Cabaret do Beco subindo a Independência. O bar já estava com as portas fechadas e a polícia rapidamente seguiu a multidão em suas viaturas e eqüinos (foto 3), com a mesma atitude de dispersão do gado.

Foto 2: o bambu's fechado e o Sid conversando com os oficiais. A esquerda e a direita (infelizmente não dá pra ver na foto) só que o que há, em ambos os lados da rua são policiais; alguns a cavalo, outros em motos, viaturas e a pé.
Voltamos para a frente do Bambu’s (foto 2) e encontramos as portas fechadas e o Sid conversando com os policiais. Claro que não fui me meter e muito menos fiquei interessado em que razão supimpa os leais oficiais da lei bovina tiveram para (segundo informações) fechar pela segunda vez no mês o bar. Há sempre aquelas desculpas esfarrapadas como o tráfico de drogas (meia dúzia de moleque e de bandidinho vendendo pedrinha de fumo e buchinha de cocaína misturada com talquinho pra bebê, que nem 85% dos flanelinha do centro) ou a violência (as briguinhas ultra-gay que rolam entre punkizinhos, hard-rockers-uhu, mendigos, taxistas e afins, geralmente ignoradas totalmente pela polícia que demora mais de 60 minutos para aparecer, quando aparece e não é só pra PEGAR UM XIS). Porém, na minha região da cidade, que é basicamente residencial, com vários prédios e casas, no últimos mês foram 6 ASSALTOS A MÃO ARMADA, e isso só de roubo de carro, ALÉM DAS 4 MORTES (apesar de tudo, só uma no trânsito; um motoboy) VIOLENTAS. Mas aqui tu não encontra viatura. Só três ou quatro carros, parando o trânsito, dobrando esquinas movimentadas na contramão para perseguir três assaltantes que renderam um vizinho de um prédio próximo quando esse entrava em sua garagem às 21hs da noite. Na frente do prédio bonito, bem conservado e gradeado, na noite em questão, só se conseguia ver as luzes dos carros da polícia (os que estavam com qualquer luz acesa) e os bonézinhos brancos dos policiais (farol pra bandido sair correndo) correndo de um lado para o outro. Os bandidos levaram carteira, controle do portão da garagem, chaves do prédio e do apartamento. Não foram pegos.

Foto 3: os cavalinhos da polícia. Dá pra ver claramente a quantidade de viaturas. Sério, parecia coisa de filme.
Isso é só um caso. Podíamos apontar todas as boca de droga em Porto Alegre que não são mantidas por uns cagadinhos que quando veêm a polícia chegando, coerentemente, se cagam. Onde tu passa, a qualquer hora do dia e vê o tráfico industrializado e muito bem protegido por olheiros, walkie-talkies e o bom e velho “grito” debaixo da camiseta importada. Porque o carinha que vende no Bambu’s tem um chefe ou, pelo menos, um fornecedor. E tu acha que a polícia não sabe onde fica? Mas é tempo de eleições e a nossa querida Brigada Militar precisa se mostrar ativa, precisa que o povo sinta que ela, apesar de formada por incompetentes, patetas, bandidos e assassinos, ainda tem poder, ainda é relevante. Sabe quando se é confrontado por um “brigão” no colégio? Aquele momento em que tu fala ou faz alguma coisa e é só a desculpa que ele esperava para demonstrar todo o seu esmagador poder fisicamente ofensivo? Pois é…
A batalha do golfo
Não, não é o Golfo Pérsico. É o Golfo da Lousiana.
Exatos três anos depois do Katrina, agora temos o Gustav. Estranhamente, há três anos atrás, Bush e McCain comiam bolo e tomavam chá enquanto milhares de pessoas perdiam suas casas, famílias, esperanças e o governo perdia somente seus últimos suspiros de credibilidade. Agora, Bush e McCain estão muito preocupados em adiar a convenção Republicana (mas não acredite em tudo que o Michael Moore disser).
Não vou entrar em partidarismos ou ideologias (que quem lê esse blog sabe que eu nem acredito que ainda existam) das mais variadas. Minha preocupação, talvez antiquada, sempre é com as pessoas. Nova Orleans não se recuperou de nenhuma forma desde o furacão Katrina. A cidade ainda luta não só para se levantar como também para ser levada em conta pela união federal de lá. Esquecidos durante o desastre, o mundo inteiro pode presenciar de camarote pelos helicópteros da CNN, FOX News o espetáculo fantástico do racismo norte-americano.
Obama pode não ser o primeiro líder norte-americano (pré e pós-colombiano) a ser eleito pela promessa implícita de que os desastres climáticos cessarão.
Verdade ou não sobre a inépcia governamental bushiana, a convenção nacional Republicana se daria sim nesse interim:
Os governadores dos Estados do Golfo, incluindo Luisiana e Mississippi podem decidir permanecer em seus Estados se o furacão ameaçar causar danos sérios em suas regiões. A intensidade do Gustav pode afetar também o discurso de abertura do Presidente George W. Bush, na segunda-feira. A previsão é que o Gustav chegue na segunda-feira à tarde ou terça-feira pela manhã na costa da Luisiana.Indago-me até onde é relevante o aspecto místico da população. Muito funesto esse seguimento de coincidências tão alarmantes. Guerra ou não, imagino que qualquer nação do mundo, quanto a sua população civil, deve certamente se preocupar mais com questões como a qualidade de vida, os impostos, os serviços estatais do que necessariamente com os acontecimentos além-mar. A segunda Guerra do Golfo (Iraque 2.0 – A vingança a.ka. “That guy tried to kill my dad“) foi, em termos, legitimada pelas torres gêmeas tombando ante o mundo. O Katrina mostrou a face mais ilegítma dessa gestão presidencial. Deixou muito claro que a incompetência de Bush perpassa suas indicações para secretarias e agências vitais. E o exterior vibra, principalmente no oriente, com uma schadenfreude inimaginável.

Na Era Google, pode-se ver a morte e a destruição chegando em alta definição, em wi-fi, direto do seu celular, PDA ou laptop, enquanto o governo senta nas próprias mãos decidindo qual dia fica melhor, então, pra fazer uma festinha com balões... p.s: essa imagem é das 13:38, horário brasileiro. Percebam que gostosa e modesta essa chuvinha.
Como fica a população? A popularidade aparente de Obama, a meu ver, vem de sentimento de messianismo. A mudança, que permeia toda a campanha do candidato Democrata, aparece mais como salvação do que necessariamente como um novo rumo ou uma nova gestão. O discurso da salvação está muito presente hoje em dia, principalmente nos apologistas da tecnocultura. Espera-se que algo que criemos ou planejemos venha a ser a derradeira obliteração dos fenômenos verdadeiramente incontroláveis. Anderson, nesse texto, fala sobre a tecnologia nos salvando de um fenômeno verdadeiramente humano, social e, em termos, civilizado: a inflação, entretanto é fácil permitir que esse sentimento cada dia mais forte possa infiltrar outras áreas tanto essencialmente humanas como não.
Será mesmo que se Obama fosse presidente o Katrina teria tirado tantas vidas? Teria Nova Orleans sofrido, como sofre, uma lenta e dolorosa reconstrução que, em três anos, não foi capaz de reconstruir os diques tão necessários para que a cidade não seja afogada pelo Pontchartrain?
Pra mim fica mesmo, além das politicagens e credos pessoais, a tragédia da indiferença de um governo inteiro para uma enorme cidade. E, de onde se pode ver no momento, nenhuma tecnologia, técnica, governante, ideologia (risos), vai nos salvar…
Obama SuperStar
Ontem Obama foi laureado oficialmente candidato democrata para a “Prefeitura dos Estados Unidos”. Ele anda sendo comparado por McCain e pela pequena parcela da mídia “anti-Obama” a uma (risos) celebridade. “A maior celebridadedo mundo”, segundo esse anúncio.

Teriam Shuster e Siegel se enganado?
Durante a cerimônia de ontem na qual o vice de Obama foi confirmado, este disse que McCain é a continuação de Bush e que durante todas as crises da atual administração o Senador não só apoiou como incentivou as ações errôneas e tristes.
Eu, pessoalmente não ligo muito. A única diferença pra 4 anos atrás é que naquelas eleições ambos os candidatos pareciam brancos e eram brancos. Nesta estamos começando a ver que só um parece branco, mesmo que ambos possam agir como tal.
Pra eles, deixo a música What Comes Down To, do Isley Brothers, que acho que poderia ser uma música linda sobre o amor do McCain pelo Obama e de onde isso vai nos levar: nenhum lugar.
Here I am lovin’ you
You’re like a dream come true
For so long I’ve waited for this time
Girl what you mean to me
In reality, you what I ever hoped for
You will always be
More than right to me
Each day I love you more
Well, what it comes down to
This is all I want from you
Yeah, same you want from me that can only be Love and understanding For what we have at stake, a little give and take
It’s better than demanding… Why do we stay together Talkin’ about you and me? You got your reasons I got mine Oh, if it had to be, one and only me
Sure would be a drag now
Need somebody who needs somebody to
Keep from bein’ sad now
E só pra deixar claro que me oponho a qualquer um dos dois candidatos.
Barrack Obama no Internet MOVIE Database (Imdb.com).
John McCain no Internet MOVIE Database (Imdb.com).
Só rindo muito…
O Contínuo Espetáculo Norte-Americano da Tragédia
Em 2005, quando me formei na Famecos, eu escrevi uma monografia sobre o Michael Moore. Na época – menos óbvio do que agora – ele já aparecia como um tanto aproveitador da miséria alheia pra se auto-promover e promover sua agenda. Meu trabalho foi, portanto, sobre como Moore, em Tiros em Columbine, espetaculariza a tragédia através da sua crítica. Este é um aspecto relevante do trabalho de Moore, ele adora criticar a mídia por espetacularizar a tragédia alheia, pobre dele que parece não perceber que ele faz a exata mesma coisa. Mas isso é além do ponto…
O ponto aqui é que, por causa desse trabalho, li e assisti praticamente tudo que esse gordinho de Michigan fez e assino suas newsletter. Nada de muito útil ou interessante tinha aparecido antes a não ser convites pra palestras e lançamentos de seus outros “polêmicos” (risos) filmes, como Sicko e Farenheit 9/11. Entretanto, hoje recebi um e-mail dele sobre uma carta que ele teria enviado quando do desastre do Katrina sobre New Orleans. Ao final desse post (no leia mais/more) eu vou disponibilizar o e-mails pra vocês rirem um pouco.
O e-mail trata, essencialmente, de como os republicanos, mais precisamente a gestão Bush, só contrata pessoas desqualificadas e que, nos últimos 25 anos, os oficiais eleitos só teriam tido agenda de desfalcar o governo financeiramente.
Michael, vem pro Brasil ver como é aqui. Vem pro bovinão ver como é ter 40 anos de governo com a agenda única de roubar, desfalcar, desviar recursos e pessoal para interesses privados.
A birra de Moore é com o líder da FEMA – instituição federal de apoio contra desastres naturais e ataques – que teria tido somente experiência cavalgando em shows eqüestres. Imagina se o coitado do Mike fosse brasileiro? Lá ele pelo menos pode por a culpa nos seus “republican brothers and sisters”; aqui? DEMO, PT, PDT, PMDB, PSDB, PSOL, PC do B, PPS (devo continuar?): qual deles está limpo? Qual deles nos últimos 700 dias NÃO foi alvo, estrela ou escória de um escândalo envolvendo precisamente a incompetência, a roubalheira, a inépcia?
Mas Moore não fica aí. Seu e-mail é obviamente de apoio a Obama, e para tanto, ele reforça bem claramente o aspecto “racismo” envolvido no desastre. New Orleans é conhecida há muitas décadas por ter uma imensa população negra, em sua maior parte desprovida. Pois realmente: vendo as matérias e filmes sobre o desastre só se vêem vítimas negras. Negros, aliás, que são uma das maiores forças demográficas do país em termos eleitorais. De certa forma são eles sim que decidem as eleições. E nesse tópico ele chega finalmente aonde ele queria chegar: usar a mesma tática dos republicanos: O MEDO.
Our vulnerability is not just about dealing with terrorists or natural disasters. We are vulnerable and unsafe because we allow one in eight Americans to live in horrible poverty. We accept an education system where one in six children never graduate and most of those who do can’t string a coherent sentence together. The middle class can’t pay the mortgage or the hospital bills and 45 million have no health coverage whatsoever.
Are we safe? Do you really feel safe? You can only move so far out and build so many gated communities before the fruit of what you’ve sown will be crashing through your walls and demanding retribution. Do you really want to wait until that happens? Or is it your hope that if they are left alone long enough to soil themselves and shoot themselves and drown in the filth that fills the street that maybe the problem will somehow go away?
O mesmo medo dos repubicanos. Estamos abertos à ataques. Não teremos como nos defender. No encalço de McCain – amigo de Bush – que clama pra quem quiser ouvir que Barrack Obama não tem experiência com política externa e com exército, Moore crava a estaca do medo no coração dos americanos com seu descaso pela espetacularização. Transforma – como tudo que faz um bom ganhador do Oscar© – tudo em um show: o show da igual incompetência de Bush. “Já que é pra ter um incompetente, então que seja um novo…”.
Mais um capítulo do show de horrores (que ontem chegou ao seu ápice com a confirmação da candidatura de Obama, que aceitou com um discurso sem precedentes, aos moldes da aceitação de (risos) um Oscar) que se tornou a campanha para a Casa Branca. Deixo o e-mail aí pra quem quiser ler e rir um pouco.
Finalmente Coincidências
“Por quê esse título, Pedro?”
“É que ontem foi um dia repleto das mais incríveis coincidências… na verdade, essa última semana inteira”.
Essa semana foi simplesmente incrivelmente repleta das mais engraçadas coincidências.
E ontem foi o ponto alto:
Às sete da noite saio de casa e me dirijo para a Espaço Vídeo (locadora bobona e capitalista) e no que chego percebo que do outro lado da rua, na esquina da Fernandes Vieira com a Vasco (zona pobre) tem um QG Eleitoral de algum partidão B, acho que PSB. Tá, ignoro. Entro na locadora, devolvo meus filmes, pego outros, saio, e no que a porta de saída se abre e o som da rua me atinge também me atinge a voz microfonada que, assim ao vivo e a cores, há muito não ouvia: Manu Ela falava para as multidões sofredoras do Bom Fim (risos). Atravessei a rua e resolvi sacrificar 10 minutos da minha vida pra ouvir um pouco das propostas da candidata (muitos risos). Como ela estava no palanque as sete e meia, imagino que pelas cinco e meia ela estivesse em outro lugar e esse lugar podia ter sido – ou pelo menos passado por – uma outra coincidência probativa.
Essa primeira coincidência probativa: QG na esquina da Fernandes Vieira com a Vasco? COISA DE POBRE, ném? De desesperado.
A segunda coincidência probativa: estava retornando da PUC, subindo a Cristianho Fischer. Cinco e meia da tarde, início do horário de pico do trânsito transversal da cidade. Todo mundo está atravessando a cidade nessa hora, eu incluso. Na esquina da referida rua com a Protásio Alves, lá em cima, perto do lindíssimo viaduto hi-tech-escalada-rolante-elevador-três-andares, a EPTC e alguma empreiteira contratada estavam fazendo obras do corredor de ônibus da Protásio. ÀS CINCO E MEIA DA TARDE. A tranqueira na C. Fischer passava do Strike. Altamente probativo do desespero da atual gestão da prefeitura. Não basta fazer as obras, tem que fazer numa hora em que todo mundo possa ver que elas estão acontecendo. Se fizer durante a madrugada ninguém vai ver. Os caminhos recolocando cimento naquele corredor de ônibus trancavam o cruzamento atrapalhando o trânsito de ambas as vias e gerando uma quantidade de carros que não poderia jamais ser absorvida ao mesmo tempo pelas outras vias. O que aconteceu? Bom, tranqueira daquele ponto até a esquina da perimetral com a Plínio Brasil Milano.
Entretanto esta não foi a última coincidência probativa do desespero e falta de noção de nossos governantes e wannabe-governantes.
Obviamente, ontem, nesse horário, todas as obras do pastel Fogazza se mostraram altamente idióticas e sem resultados. Goethe, Nilo Peçanha, Mariante, Cristóvão Colombo, Farrapos… entre o período de cinco e meia e oito e meia são praticamente intransitáveis. A saída do túnel Conceição para a Farrapos/Alberto Bins simplesmente não suporta mais a quantidade de carros e a fila de carros para passar na sinaleira (que além de ter um tempo rídiculo abre caminho para um afunilamento da pista que, além dos óbvios acidentes, ainda tranca a Alberto Bins) entra no túnel e vai até onde ele acaba.
Ainda ontem fiquei sabendo que um dos meus grandes amigos passou por uma dificuldade inimaginável para com certeza a maior parte das pessoas que conheço. Este meu amigo, Peter Krause, quase foi asssassinado pelo seu colega de quarto e amigo da família que, sendo surdo, ninguém percebeu possuir sérios problemas psicológicos, um deles podendo ser, com muita certeza, esquizofrênia. Entretanto, isso figura como tragédia e não necessariamente como coincidência. O que é a coincidência do desespero que este estado vive é a demora no atendimento de emergência e a total incompetência do atendimento policial, que, a princípio, registrou o acontecido como uma simples briga. Eu imagino esse relatório: “ah, foi uma briga entre colegas de quarto na qual um deles tentou uma coisa bobinha como incendiar a cama do outro enquanto este ainda dormia nela”.
A população gaúcha parece, em sua maioria, um tanto quanto despreocupada com a seriedade das questões que estamos enfrentando. Fala-se de saúde mas não são necessariamente os indivíduos da cidade que precisam de saúde; é a cidade. Uma cidade doente, com uma doença circulatória que só tende a se agravar, com um trânsito crescentemente inconsequente, que agora se esconde atrás das (falsas) estatísticas do Detran e das agências de trânsito sobre diminuição dos acidentes. Ontem, na esquina da Luzitana com a Gen. Couto de Magalhães, um táxi e uma van da Chevrolet bateram num motoqueiro matando-o na hora. Ninguém tava bebâdo. O que aconteceu foi que não ensinaram pra eles que sinal vermelho é FECHADO. Mas a doença não pára aí. Além do problema de trânsito, a cidade (pra não dizer o estado) enfrentam a maior frente de comércio de drogas que já viu. Meu amigo Gustavo, que infelizmente trabalhava na rua da crackolândia municipal, está tendo que mudar seu escritório de lugar porque a prefeitura não faz e nem pretende fazer nada sobre a prostituição, consumo e venda de crack ao céu aberto, com dia claro, há apenas 4 quadras do centro da cidade e apenas 8 quadras da prefeitura.
Manu, Fogazza, Onyx, nenhuma dessas pessoas, nenhum dos candidatos tem força política, moral, intelectual, nem sequer tem vontade ou objetivam ajudar essa cidade. Em certos tempos, Porto Alegre já foi linda. Mas hoje? Hoje está afogada no patetismo generalizado. Oficiais da EPTC passeiam pelas ruas da cidade, conversando, fumando, falando nos celulares, enquanto do seu lado, na Terceira Perimetral, às seis da tarde, os doutores de mercedão passam no sinal vermelho. A polícia Militar se resume a procurar motoristas embrigados em blitz rídiculas nos lugares mais óbvios possíveis (como Lima e Silva). Passam diariamente na frente de dezenas (sim, dezenas) de pontos de drogas e quando tu vê mais parece que eles estão fazendo a proteção desses lugares do que qualquer outra coisa. Numa famigerada boca de drogas de Porto Alegre, de fácil acesso e que eu passo frequentemente na frente, esses dias tinham dois carros do exército brasileiro esperando que um dos ocupantes retornasse exatamente do beco onde fica esse ponto de drogas. Essa cidade não precisa de malabarismos ideológicos e discursivos. Não precisa de propostas, precisa de ações. Ações medidas, ponderadas e úteis. Metrô ou não metrô, a cidade tem só mais (extrapolando) 10 anos de vida antes de estar totalmente afogada no trânsito estático, nas drogas, na violência. Não dá mais pra esconder a tragédia que essa cidade está se tornando com “população politizada”, “melhor qualidade de vida” ou “a capital dos gaúchos”.
Wherever you are, it’s still the same…
Campanha Eleitoral figura na modernidade (até porque na Antigüidade é que não vai ser) como uma das hiperbóles do patético e da mentira.
Aqui no Bovinão Grande do Sul temos a presença constante da cobertura da RBS sobre as eleições. Nos EUA nós temos a FOX News. E corrobora a visão de que tanto lá, quanto aqui e acolá, tudo é o mesmo.
Lá:
Burburinho na mídia essa semana e na semana passada pois, segundo algumas fontes, “John McCain passou a frente de Obama nas pesquisas”. Bom, realce pro “pesquisas”… então fui ver. Quem quiser, aqui no site menos mentiroso de notícias mundiais, o da BBC, se encontra um gráfico com as pesquisas.
A pesquisa Gallup (mente) mostra os dois empatados em 45%.
A pesquisa Rasmussen mostra McCain na frente com 48%.
A pesquisa do Washington Post (mente) mostra Obama na frente com 49%.
E a pesquisa AP-Ipsos mostra Obama muito na frente, com 47%, e McCain muito atrás, com 41%.
Então convenhamos que não são “as pesquisas”, é uma pesquisa. Não sou eu que vou ficar fazendo tietagem pro Obama e nem pro McCain. No fundo, acho que nenhum dos dois está propriamente equipado para ser o presidente da maior nação do mundo. Em questão de idade, McCain é muito velho e Obama muito novo. Em questão de raça, McCain é muito branco e Obama muito negro. Em questão ideológico (se é que isso ainda existe), McCain é muito republicano e Obama muito democrata.
E como era de se esperar, a merda já foi parar no ventilador, com ambos os candidatos se acusam num detrimento sem sentido sobre idiossincrasias próprias de cada um. Obama é celebridade, McCain é Matusalém. E no fim, o que importa de verdade está se perdendo entre “tu é negro” e “tu é velho”, os anti-lemas de campanha. Rússia reconhece Ossétia e Abkázia como países independentes, mais 14 mil mortes militares no Iraque, a China continua abastecendo sua indústria escravocrata com o óleo sujo do Sudão.
Mas pra quem já tá fudido mesmo, morando no Bráziu e no Bovinão, só sobra rir muito da inocência e vulgaridade dos americanos. Essas eleições ficaram marcadas menos como ‘um negro e uma mulher tentaram ser presidentes’ ou ‘o fim de uma era’ do que como duas crianças somando amigos na hora do recreio pra ver quem consegue xingar mais o outro.
Então se fica mesmo com a hilária Paris Hilton respondendo ao ad de campanha do McCain que compara Obama à celebridades como Britney.
E aqui no Bovinão, se replica em perfeição.
Zero diz que Fogaça tem 30%, Correio divulga informações tão, digamos, absolutas.
Como diria o Fox Mulder… “Trust no One”.
Desafio Eleitoral
Não sou o cara mais envolvido em política do mundo. Inclusive desprezo essa suruba partidária que tá rolando e que se corrobora a minha visão de que DEMOs, PMDBs, PTS, são tudo igualzinho.
Entretanto, tenho muitas preocupações operacionais e funcionais em relação a minha cidade natal, motivo de tão grande desprezo. Nosso querido Fogazza, re-candidato à prefeitura (além de opção no menu do Habib’s), diz em seu “material de propaganda” que o Conduto Álvaro Chaves foi obra dele, que ele é bonzinho, que agora não tem mais alagamento. Pois vejamos, aqui está o quadro no seu folhetim eleitoreiro:
Pois bem, se clicar na imagem aparece ela grande e suficientemente legível. Nosso incompetente prefeito quer tomar as graças de uma coisa que SÓ O COMPLETO DESCASO, FALCATRUA E IRRESPONSABILIDADE poderia ter impedido a obra de ser feita. E ainda assim, foi feita – como tudo no bovinão – de maneira incompleta e ineficiente.
Nesta imagem a seguir vemos a região ‘contemplada pela obra’.
Bom, segundo o folhetim, os alagamentos terminaram. Pois então lanço o desafio. Convido o ilustre prefeito a se dirigir a algumas quadras de distância da região “contemplada pela obra”, num dia qualquer de chuva intensa e ver os alagamentos (a região está na próxima imagem) constantes que as ruas transversais e paralelas à Av. São Pedro, assim como essa avenida mesmo, durante esses dias. Demorou-se anos para completar a obra, prejudicando irremediavelmente o comércio da av. Cristóvão Colombo, assim como o trânsito e a vida das pessoas, para uma obra que não evita de modo algum que as zonas subjacentes sejam afetadas pela água.

Convido o ilustre prefeito a se dirigir para a zona marcada pelo alfinete na imagem, durante qualquer dos freqüentes dias de chuva forte, para ver o resultado da sua "maior obra de infraestrutura que Porto Alegre já viu"
Esse país, esse estado, essa cidade, são rídiculos. E os projetos de pessoa que se pretendem resolvedores dos problemas são todos profundamente demagógicos, incompetentes e, mais que isso, míopes. Eu morei desde os 7 anos de idade nessa região, e vi as avenidas Cristóvão Colombo, Benjamin Constant, Assis Brasil todas serem esburacadas muito mais de uma vez para que nenhum dos resultados esperados acontecesse. A frustração em relação a cidade “mais politizada do país” é exatamente o fato das pessoas estarem preocupadas demais com demagogia, morimbundas ideologias políticas e encher os próprios bolsos…



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