Ubermensch by Debord

Jacko, the wacko

Publicado em despise for humans por pedro em 06/26/2009

Eu sou um cara chato. Chato com minhas baboseiras ideológicas, chato com metodologia acadêmica, chato com diversas coisas: meu blog apresenta, geralmente, apenas parcialmente a minha chatice. As durezas da acadêmia são deixadas de lado para evidenciar mais minhas opiniões e argumentações tolas: ou seja, meu blog é bem mais dedicado a viagens intelectuais do que qualquer coisa do tipo ‘isso ou aquilo’, se vocês me entendem.

A morte de Jackson veio como uma surpresa por ser uma surpresa, talvez até pra ele mesmo. E aqui é onde eu explico porque esse parágrafo justificando minha chateza: eu sou fã de Michael. Esperava, quando criança, os clipes no Fantástico e tive em CD o Thriller e o Bad - infelizmente, pelos meus maus cuidados, acabei perdendo-os – e hoje mesmo tenho no meu computador toda a discografia dele. Eu adoro, ouço seguidamente, principalmente o Off the Wall, que é o meu favorito.

Entretanto, ao contrário da maior parte da rede e da mídia, não me entristeci com a morte dele. Talvez por não me ater a linhas-guia do politicamente correto, referencio que Jackson não morreu ontem, 25 de junho de 2009. Jackson morreu ainda em 1993, quando foi acusado de abuso de menores e pagou para que se calassem seus acusadores (foram vários). Nessa época ficou claro que Jackson não faria mais nada realmente relevante e foi o que realmente aconteceu nos próximos 16 anos. Apenas um disco, e bem falhado, como diria um amigo, poucos shows, aparições bizarras em programas de TV como Oprah e a continuação dos escândalos da ordem “comedor de criancinha”.

Jackson desapareceu juntamente com o desaparecimento do entuasismo midiático dos anos 80. Nos 1990, o grunge e a “TV que fomenta a destruição da TV” acabaram com sua carreira de forma abrupta. E isso é inegável. Em 1993 Jackson já era influência, já ganhava prêmios (como Lenda Viva) que geralmente eram entregues para o espólio de artistas falecidos recentemente. Seu carnaval de loucuras, desde Neverland, até crianças dependuradas em sacadas na Alemanha, fez com que ele se tornasse mais um personagem do que um ídolo ou ícone. Sua massa de fãs, já em 93, o perseguia através daquele imaginário; daquele lindo garoto negro que cativou bilhões com seus passos e sua voz angelical e ainda assim poderosa.

Jackson parte com o fim da cultura pop? No ano de Lady Gaga eu duvido muito. Mas sua morte é condizente com o que anda se vendo, com a realidade da cultura midiática e com a realidade da indústria fonográfica: vender discos simplesmente acabou. Larry King ontem falava: Thriller é o disco mais vendido da história, e não somente da história passada, de TODA A HISTÓRIA; passado, presente e futuro. Sua morte súbita, sem aviso prévio, é como o Napster, é como torrents; imediata, não-custosa. Como a Adriana disse: “Fiquei muito triste, é como se definitivamente os anos 80 fossem enterrados”.

E nisso eu concordo: não na sua influência musical ou na cultura, mas em como os anos 80 transforam toda a cultura popular que se originou nos anos 50.

Jackson nos anos 90: sua morte é apenas o epílogo de seu desaparecimento

Jackson nos anos 90 e 2000: sua morte é apenas o epílogo de seu desaparecimento

Jackson, surgido numa gravadora que queria derrubar barreiras entre brancos e negros, derrubou todas as barreiras. Numa pesquisa nos anos 2000, Jackson, juntamente com o Mickey Mouse, eram mais conhecidos do que Jesus ou Alá. Seu nome é índice do poder da mídia; índice da influência que a mídia teve, principalmente até o séc. XXI, em formatar a sociedade (claro que não totalmente).

E, diferentemente da maior parte dos sites e blogs que eu li, eu fiquei feliz com sua morte. Michael Joe Jackson era uma pessoa talentosa, incrivelmente doce, mas era também uma pessoa com muitos problemas emocionais. Suas mudanças de aparência podem ser traçadas diretamente ao corportamento de seu pai (que admitidamente o chamava de feio e de macaco quando criança), assim como suas relações no mínimo preocupantes com crianças. Jackson era solitário, sofria no silêncio de suas mansões e através de suas jogadas de marketing (como casar com a filha do outro Rei).

Por isso eu digo. Agora talvez ele encontra a paz, o amor e atenção que ele sempre quis e, na verdade, só conseguiu por dançar e cantar, e não por ser quem ele era.

Enriquecer depois de morto

Publicado em despise for humans por pedro em 08/06/2008

Eu odeio o Orkut. Odeio mesmo, acho péssimo. Na minha opinião, a única utilidade dessa tal rede social é fuçar na vida dos outros [o que todos fazem, sem exceção]. Never the less, eu ainda assim uso. Tenho lá meu perfil [que já foi deletado e refeito várias vezes] que se nega a ter mais de cem amigos [não tenho nem 40 amigos na vida real, é deprimente...]. Hoje, num acesso de tédio, fui lá entrar em algumas comunidades e ler algumas das merdas que se fala por lá, e não é que é bem com merda que me deparo.

Na comunidade dedicada a homenagear nosso querido Herbie M. McLuhan [aqui e aqui], encontro um tópico assinado pelo dono da comunidade, dizendo o seguinte:

Galera

Todos sabem q os e-books não rendem ao autor os direitos sobre a obra q ele tem direito.
Por isso, excluirei todas as postagens relativas a isso.
Compreendam por favor, q existem comunidades especializadas nesse tipo de ação criminosa.
Atenciosamente

J Z Sollberg

Então fiquei pensando. Herbie morreu em 1980. “Não rendem ao autor os direitos sobre a obra que ele tem direito”, até onde eu saiba, os mortos não sacam cheques, nem os de royalties.

Então fico pensando. Não será mais justo, com a humanidade e com muitos desses autores [do tipo do McLuhan], que tinham em seus corações melhorar o entendimento da humanidade, que tais obras sejam tornadas patrimônio do mundo e gratuítas? Tudo bem, se meu pai inventou a fábrica de Coca-Cola, quando ele morrer, continuarei com seu império capitalista e continuarei produtivo. Entretanto, que direito tem os filhos de McLuhan em enriquecer com os despojos intelectuais de seu pai? Ainda se fosse alguma obra póstuma, deixada para trás em alguma gaveta, mas se trata de uma obra que MATERIALMENTE já concedeu ao seu autor e sua família, quando este ainda em vida, riqueza, poder, influência e notoriedade.

Vejam as obras dos clássicos, Platão, Aristóteles, claro que é bem possível que existam descentdentes diretos e indiretos desses autores, entretanto suas obras são comercializadas por diversas editoras e sites, a preços irrisórios ou inexistentes, pois ninguém está ganhando direitos sobre essas obras.

Não é chegada a hora de percebermos que conceitos como open source, free, right to knowledge, redux e remix inferem [se não escancaram] que a lógica mercantilista não pode mais ser levada em consideração quando falamos de conhecimento? Claro, durante muitos séculos conhecimento realmente foi poder, e isto ainda vale hoje, em termos de inteligência militar, engenharia de produção, entretanto, em diversas outras áreas, se percebe cada dia mais que a cooperatividade, o acesso irrestrito, a inteligência coletiva, geram muito mais resultados do que aquele cientista ou investigador sentado em seu escritório escrevendo suas fórmulas matemáticas e descobertas em códigos ininteligíveis. Vivemos um mundo da coletividade e almejamos um mundo de coletividade. O conhecimento – seja do código de um software, seja de obras intelectuais – deve ser livre. Veja a medicina, obviamente se ganha dinheiro com grandes descobertas, entretanto, elas seriam inúteis se não fossem largamente disponibilizadas.

O mesmo vale para diversas outras áreas. Vejam o Jazz, por exemplo. Muitos de seus ‘autores’ estão mortos. Charlie Parker, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, nosso querido Chet Baker – do post anterior, entre tantos outros e, quando de suas mortes, deixaram direitos de suas obras para seus descendentes que superam as riquezas de muitos que trabalharam a vida inteira em setores altamente rentáveis. Enquanto isso, gerações inteiras – como meu irmão de 17 anos e vários coelgas e amigos da minha idade – desconhecem totalmente esses trabalhos e pouco se importam.

Fala-se de música ilegal, mas ilegal é manter o conhecimento, a arte, a beleza, a estética, trancafiada em lojas de músicas que te cobram 40 reais por uma mídia CD, enquanto que no super-mercados (onde é caro) custam pouco mais de um real. Como cobrar por algo que, a partir da tecnologia vigente, não pode ser mais preso?

Fala-se muito dos programas livres de computador, entretanto parece esquecido [e soterrado nos milhões de dólares das empresas fonográficas e cinematográfica] que vivemos uma época de libertação das amarras. Uma época na qual pagar um provedor de Internet e ter uma máquina com algum espaço [ou um gravador de mídia qualquer] permite acesso ilimitado ao conhecimento. E percebe-se a estreiteza da mente humana nesse início de milênio: enquanto que qualquer besteirada hollywoodiana, no dia de seu lançamento, já está disponível online para baixar em programas P2P, como torrents, obras literárias e poéticas (mesmo clássicos imortais como Shakespeare, Byron e Poe) dificilmente são encontradas em sites ou para download. O ser humano, ocidental, pelo menos, não vive só de comida, água, sociedade… vivemos de cultura. E quanto mais somos expostos à cultura mais conseguimos desenvolver cultura. E o que falta é a cultura da liberdade de cultura: livros, HQs, jornais, música, filmes, programas de TV, são partes intrínsecas de nossa cultura mais querida e deveríamos ter direito ao acesso ilimitado à elas.

Filmes ganham dinheiro com bilheterias, e mesmo quem baixa filmes em casa nunca deixa de ir ao cinemas. Música e os músicos jamais ganharam dinheiro com vendas de álbuns (vejam que o Roberto Carlos é um dos artistas no mundo que mais ganha com vendagem de discos e ele não ganha nem um dólar por disco vendido), sempre se ganhou dinheiro com aparições em programas de TV, merchandising e shows, principalmente shows. Artistas plásticos ganham dinheiro com a vendagem de seus originais e jamais perderão dinheiro com a disponibilização de suas obras na Internet. Programas de TV ganham dinheiro com propaganda, então porque não disponibilizá-los na rede gratuitamente como milhões de blogs e sites que ganham dinheiro exclusivamente da mesma maneira? E a TV ainda ganha com product placement. Jornais, revistas, HQs, além de consumirem preciosos recursos naturais (papel, tintas à base de petróleo e outros produtos químicos), também ganham dinheiro da mesma forma que blogs e sites, com anúncios. Já as obras literárias, que ganham dinheiro com as próprias vendagens dos livros é que se encontram no dilema: obviamente ninguém quer escrever um best-seller e não ganhar nada com isso. Fala-se em vender e-books, mas eles logo seriam transformados em versões piratas, indiferentemente das formas de proteção eletrônica.

A solução? É de uma maturidade tamanha que, penso agora escrevendo, talvez seja até tolice propor tal avanço moral e ético da humanidade. Claro, Paulo Coelho pode continuar vertiginosamente ganhando dinheiro com seus romances boca-de-bueiro, entretanto, quando de sua eventual e certa (e muito antecepada por este que vos escreve) morte, seus livros deveriam se tornar patrimônio do mundo. Afinal de contas, o mundo pagou por isto. Vejam em matérias de revistas e da Globo onde o “Mago” (nojo total) tem diversos apartamenteos, diversos carros, diversos barcos, diversas roupas. Seus espólios, claro, serão deixados para sua família, e isto deveria bastar. Não se deveria sustentar sua família durante anos devido aos seus feitos em vida. Entretenimento? Não, cultura. E cultura deveria ser de todos, disponível para todos, em qualquer momento e em qualquer lugar.

É um sonho legal, apesar de soar tolo e inocente. Sabemos que a humanidade não está pronta para esse nível de maturidade existencial, porém, não custa nada sonhar…

Enquanto isso Marshall vai descontando seus cheques no Heaven’s ATM.

E pra provocar, só porque é legal (provocar e disponibilizar coisas), uma músicas de duas “gentes” morta pro pessoal ouvir de graça. Eu só pago pra pessoas tocarem, não pra máquinas reproduzirem. Culpe o Edison. Aliás, Ella morreu em 1966 e Louis em 1973. 42 e 35 anos respectivamente. E a coletânea na qual está esse disco é de 1977.

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong cantando Let’s Call the Whole Thing Off, certamente, uma das minhas favoritas.

As nuvens nem sempre escondem…

Publicado em despise for humans por pedro em 08/05/2008

Bom, desde que eu fiz esse blog quis colocar músicas nele, mas nunca tinha tido saco de decifrar como é. Esse talvez seja um dos grandes poréns da Internet, algumas incompatibilidades e falhas de funcionamento escapam totalmente a nossa compreensão.

Então, seguindo na esteira do Doni, também homenageio o grande herói branco do Jazz, Chet Baker, com duas das minhas músicas mais favoritas de todos os tempos, Look for the Silver Lining e Daybreak.

Chet Baker – Look for the Silver Lining

Chet Baker – Daybreak

Um ode aos adaptadores de quadrinhos

Publicado em despise for humans por pedro em 07/30/2008
Vamos tentar descobrir quantos falta estragar?

Vamos tentar descobrir quantos falta estragar? São poucos e eu aposto no Capitão América.

Nunca, em toda a minha vida, vi uma boa adaptação de quadrinhos. Boa mesmo, impecável; nenhuma. E nesse bafafa sobre o Cavaleiro Negro (abomino esse das Trevas) me esforço em fazer um panorama sobre todas as adaptações de maior (hihihiih) penetração:

Homem-Aranha: bom, começamos pela inexplicável e ultra-bem feita roupa (Peter Parker, super herói, cientista, galã e estilista) e pela teia orgânica que desaparece quando ele se deprime (a meu ver, a teia é uma das coisas mais legais dos quadrinhos, o fato de que ele termina o projeto do pai e que constantemente a teia termina). E nem vou tocar no caso do terceiro filme. Fala-se do Batman Robocop do Dark Knight, mas quem me lembra o Robocop é o Duende Verde (tanto o do primeiro quanto o do terceiro filme). Octopus que, de repente tem aversão a luz, e de repente não tem mais. Um dos vilões mais cruéis e ganaciosos dos quadrinhos, transformado num Al Molina chorão e dengoso que quase pega o Parker no colo. Mary-Jane, até onde eu sei, da minha década de leitor de Homem-Aranha, era pra ser a Gisele Bündchen do mundo Marvel. E a Gwen Stacy que só aparece no terceiro filme num horripilante namoro com um frangote Eddie Brock (que até onde me lembro já era forte e grande antes do simbionte). Aquela hora que o Duende larga a Mary Jane no primeiro filme era pra ser a Gwen tendo seu corpinho jovial de adolescente estraçalhado pela queda. A única coisa perto de ter sido bem feita foi o Homem-Areia. Com bons efeitos, um ator convincente e a história até bem parecida com a original. E olha que eu amo os filmes, mas dê-lhe liberdade artística pra agüentar…

X-Men: desde quando o Magneto é caquético e gay? Desde de quando a Vampira é adolescente? Aquele óculos do Cíclope é que parece Robocop, isso sim. Jean Grey que não consegue acertar o tingimento do cabelo (além, é claro, de ser uma velhota). Tempestade de peruca. Cadê o Fera? Pra se fazer um filme dos X-Men, no mínimo dos mínimos, deveriam se abordar os personagens originais: Arcanjo (só aparece no terceiro e de uma maneira tão triste que não vou me delongar), Jean Grey (velha), Cíclope (sem personalidade), Fera (onde?) e Homem de Gelo (adolescente e com uma queda pela Vampira?????). Tá, vou dar uma certa latitude pros ‘adaptadores’ e deixar eles mostrarem a equipe clássica dos anos 90 que levou os X-Men a serem um dos mais conhecidos, comprados, citados e lidos quadrinhos de todos os tempos. Vamos lá: Cíclope (dã… não sei fechar meus olhos), Jean Grey (ora não consegue erguer uma seringa, ora desmateriaza pessoas… e… cadê o cristal Mikram?), Wolverine (tá, pelo menos não tava de collant amerelo e marrom – aposto que tem gente que acha que isso é defeito, mas vamos combinar, né? O melhorzinho de todos, mesmo o Hugh Jackman sendo triste demais), Colossus (duas falas?), Vampira (que jamais foi da Irmandade de Mutantes, não foi criada pela Mística, nunca drenou a Miss Marvel até a morte e é, basicamente, inútil), Gambit (??????), Tempestade (de peruca, interpretada pela Halle Berry – vômito – e com o adendo de ser COM TODA A CERTEZA UMA DAS MUTANTES MAIS PODEROSAS. Seu maior feito: congelar uma salinha), Jubilee (?????)… tá, chega. You got the point. O terceiro filme ainda é o mais legal no que diz respeito a dinâmica dos quadrinhos. Os outros filmes são tão parados que hoje quando assisto só me dá sonozzZZzzZZzZzzZZzZZZ…

Super-Homem, por Bryan Cantor: cara, não vou sequer gastar um parágrafo digno com esse filme que coloca o maior herói de todos os tempos abaixo do cu do cachorro… só digo uma coisa: as botas dele tem um trabalhado de Szinhos do Super-Homem. Gay (absurdamente gay), desnecessário e levanta questôes: o Super-Homem teria uma fábrica de botas? Ele as faz botas com sua visão ou com um estilete e sua super habilidade? Na dúvida, remeto ao bom e velho Christopher Reeve, de 1978 a 1987, Richard Donner como diretor (do Superman I), participação momentânea e milionária de Marlon Brando, que pelo menos rendeu três continuações, duas dirigidas pela Richard Lester e o Superman IV: The Quest for Peace – muito terrível esse filme e com um vilão digno da breguice – dirigido pelo Sidney Furie (a a versão de 2006 do Richard Donner do Superman II), todos com Gene Hackman como Luthor.

A Liga Extraordinária (ou The League of Extraordinary Gentleman): Sean Connery, no que tu foi te meter? Pior só a Peta Wilson (ex-television Nikita) no papel de Mina Harker e Shane West como Tom Sawyer (Mark Twain sentindo muitas dores pós-morte).

Hulk(s): tanto a versão esquizofrênica de Ang Lee, inspirada em sei lá o que, com Eric Bana (socooooorro) e a inexplicável presença da ganhadora do Oscar e até então praticamente inquestionável Jennifer Connely, quanto a versão do Louis Leterrier com Edward Norton e Stevenquer dizer Liv Tyler, essa sim, inspirada pela série de TV de 1966, são simplesmente terríveis. Ang Lee conseguiu fazer uma espécie de Roger Rabbit, a todo momento parece que desenho animado e mundo real se misturam (fiquei procurando a Jessica Rabbit em vão). A melhor parte (SPOILERS) do filme do Leterrier (ainda não acredito nesse nome) é a aparição de Robert Downey Jr. como IronMan nos segundos finais do filme. Melhor que o Bana na Amazônia ficando brabo com guerrilla coke dealers. O pior na verdade, de ambos, é o fato de que apesar dos produtores, diretores, atores e executivos do estúdio verem uma semelhança entre os atores (Bana e Norton) com o monstro digital, eu, francamente, não vejo. O Hulk-Norton mais parece Lou Ferrigno.

Coitado do Justiceiro: ninguém faz justiça pra ele. Lundgren, Jane e agora Stevenson. Sempre chorão, sujo e sem a violência e inteligência dos quadrinhos. Talvez o pior de todos. Nem Adam West como Batman era tão canastrão quanto o Lundgren como ele mesmo...

Justiceiro(s): bom. Tá aí um dos personagens mais emblemáticos da Marvel (que inclusive tá bem na frente no desenhinho do início do post) e que foi adaptado várias vezes (e em nenhuma vestia seu belo collant, pelo menos não esse da imagem aí. Sempre com calças de pessoa normal, não de bailarina, e um sobretudo): a primeira, dirigida Mark Goldblatt, que felizmente nunca dirigiu mais nada e agora é editor (inclusive vai ser o editor do filme do G-Force, com vozes de Penelope Cruz e Nicholas Cage… sono) e estrelada pelo brilhante Ivan Drago… quer dizer Dolph Lundgren no papel de Frank Castle. Ele tá de cabelo tingido escuro e ainda conta com a participação de Louis Gossett Jr. Simplesmente terrível. Não só uma péssima e pobretona adaptação dos quadrinhos com interpretações dignas de filmes do Van Damme como ainda estreou dias antes do Batman do Tim Burton, que mesmo sendo uma droga fez muito , MUITO sucesso. Isso foi em 1989. Daí em 2004, na onda das diversas adaptações Jonathan Hensleigh, que também dirigiu aquele ótimo (sarcasmo) filme com o The Rock e o Stifler do American Pie (além da Rosario Dawson) que é meio Indiana Jones e se passa no Brasil, escalou Thomas Jane (que fez coisas como Além da Linha Vermelha e o ótimo – sono… – Dreamcatcher, do ‘mestre’ – altos sarcasmos – Stephen King) para encarnar o Francisco Castelo. O filme ainda conta com John Travolta como o vilão Howard Saint e Rebbeca Romijn como Joan (me afogando na baba e no tédio de ver nossa querida Mística encarnando um papel cagado). Nem preciso dizer que o filme foi um verdadeiro fracasso. Não posso dizer exatamente o porque pois, francamente, não vi e evito profundamente ver agora que anda dando nos canais abertos. Meu irmão teve o desprazer de assistir e teve que ser, logo após a exibição do filme, levado para a emergência com convulsões e espasmos. Então que mesmo depois de dois fracassos retumbantes a Marvel quer outro filme. Lexi Alexander, que dirigiu aquele filme Hooligans, de 2005, com Elijah Wood, Claire Forlani entre outros (sonozzzzZZZzzzZ), dirige a nova versão Punisher: War Zone, prevista para dezembro de 2008. Ray Stevenson, que fazia o Titus Pullo naquela série Roma, encarna Castle. É tão criativo e novo que o nome do vilão, interpretado pelo chatíssimo Dominic West, que fez o terrível The Forgotten, com a Julianne Moore (velha e chata), é Jigsaw. Alguém disse Jogos Mortais?

30 dias de noite: muita gente nem conhece essa história em quadrinhos (ótima, na verdade). O filme é simplesmente horrível. Josh Hartnett e Melissa George fazem com que o filme seja quase impossível de ver até o final. Ganha pelos vampiros, que são além de charmosos, terrivelmente cruéis.

V de Vingança: apesar do ótimo V, interpretado pelo Hugo Weaving (Mr. Smith, do Matrix), quem leu a história em quadrinhos saiu do cinema, no mínimo, querendo seu dinheiro de volta. Eu saí ofendidíssimo. Como fã declarado de Alan Moore e de tudo que ele toca, jamais pensei que depois do estupro que foi Liga Extraordinária esse filme pudesse ser tão horripilantemente péssimo. Natalie Portman, me desculpe, te acho gostosa, talentosa, mas depois dessa, vai pro kibutz. E o ponto mais terrível do filme é a lutinha à lá Matrix no final do filme. Quem escreveu o filme? Irmãos Wachowski. SonozzzZZZZzzZZZzzz e raiva. Vale lembrar de uma outra adaptação quadrinística: Speed Racer… (ouve-se toda uma geração morrer). A história em quadrinhos original, escrita por Moore e desenhada por David Lloyd, é tão, tão, tão perfeita que me arrisco a dizer que é a melhor coisa de quadrinhos que já em toda a minha vida. É uma obra-prima de sutilezas, inversões narrativas, mistério, emoção, envolvendo um super herói as avessas e uma pobre menina (que no filme se torna uma jovem mulher; mistério insolúvel da cabela dos Wachowskis…) numa era distópica, aos moldes de 1984, onde todas as certezas se rompem para deixar entrever o próprio cerne da humanidade.

Nem me prestei a fazer um parágrafo avacalhando o Nicholas Cage por ter destruído completamente um dos heróis mais legais e sombrios de todos os tempos.

Batman, por Tim Burton:

zzZzzzzzZZZzzzzZZZzZzZZ… só se salva mesmo a Michel Pfeiffer (gostosa pra caralho) e o Cristopher Walken porque o Jack Nicholson, ah, Jack Nicholson… nem sei o que te dizer. Michael Keaton é muito sonolento. O Batman ioga. E o que que é aquela cena dele dormindo dependurado de cabeça pra baixo que nem morcego? Faça-me o me favor, ele é o Batman, não o ManBat, inimigo mutante parte homem parte morcego do Batman. No primeiro temos um Joker que não faz piadas, não é frio, não é inteligente e que morre no final (que eu saiba ele só morre em The Dark Knight, por Frank Miller, e é uma baita liberdade poética da parte do autor). Além é claro de uma Kim Basinger super-expressiva (ZzzzzZZZzzZZzzZZ). No segundo Burton pega pesado e resolve fazer dois vilões. Ui, cuidado. Mulher-gato. Tá, melhor que a mulher-gato da Halle Berry, mas ainda assim só se salva por ser gostosa e louca (quem é que não gosta de uma mina gostosa e louca?). E a única coisa pior que um Batman de armadura e pior do que ele de cueca sobre as calças (é foda ser pior que isso, né?) é um Batman vestido de borracha. Imagina a alergia e imobilidade. No dois quando ele arranca a máscara chega a dar nojo daquela roupa. Na verdade, ainda pior é o Pingüim chorão…

Batman, Joel Schumacher: zzZZZzzZZzZZzzzZZZZZZ… vou ser bem prevísivel: PIORES FILMES DE QUADRINHOS DE TODOS OS TEMPOS. Charada: Jim Carey. Duas-Caras: Tommy Lee Jones. Era Venenosa: Uma Thurman. Mr. Freeze: Arnold “Governador da Califórnia e Rei das Máquinas” Schwarzenegger. Quatro grandes atores, interpretando grandes vilões da maneira mais precária que milhões de dólares podem pagar. Andam avacalhando a roupa do Batman novo (do Cristopher Nolan, que tratarei a seguir) mas Val Kilmer (socooooooorro duplo) e George Clooney (socooooooooooorro ao infinito) conseguem levar este grande herói a um lugar ainda mais baixo do que a sarjeta. Em Batman Forever somos apresentados ao garoto prodígio, Chris O’Donnel, e a dor testicular é tão grande, tão grande, e o homoerotismo consegue ser ainda maior do que nos tempos do Adam West. Nem vou entrar no assunto de Batlanchas, Batmotos, nem na roupa TOTALMENTE RÍDICULA DE TODOS OS PERSONAGENS. Vi num blog aí alguém batendo nos efeitos (ou defeitos) do rosto do Aaron Eckhart depois que ele fica deformado; combinemos: Tommy Lee Jones rosa? Quê que é o Bane do Batman & Robin? Desespero total pra estar em sincronia com o que andava acontecendo nos quadrinhos. Vender, vender, vender. Jim Carey tá em alta? Pinta o cabelo dele de ruivo, taca um collant ainda mais rídiculo que o dos quadrinhos nele, todo verde com uma interrogação e tanto faz o que ele fizer, nem precisa bolar umas charadas inteligentes. E me recuso a acreditar que no contrato da Uma Thurman não tivesse uma cláusula dizendo que, se era pra usar aquelas sombrancelhas, ela queria alguns mil dólares a mais. Mas o Arnoldoesuasnegas ganha de todos. Mr. Freeze que sorri, gargalha, tem orgulho e ambições paralelas a ressuscitar sua esposa. E Robocop por Robocop, meu Deus, quê que é a roupa que colocaram nele? E aquele – só consegui pensar nisso – FreezeMobile, que entra no ‘museu do diamante’? Sem contar aquela cena totalmente rídicula no observatório e o batom “romântico” da Era Venenosa. Só no cinema mesmo… Roteiro B escrito por pessoas com dano cerebral. Batman & Robin: zzZZzZZZzzzZzZzz… o pior. George Clooney e sua bundinha e mamilos expostos através de três centímetros de borracha. Nestes dois filmes, como nos de Burton, pecou-se em imaginar algo melhor do que a cueca por cima da roupa: preferia a cueca por cima da roupa do que o rego do Robin em alta-definição bem na minha cara. Alicia Silverstone é Bat-moça e depois NUNCA MAIS FOI VISTA… e a Batgirl não era Barbara Gordon e não Barbara Wilson?

Vamos juntar Burton, Schumacher e Nolan pra fazer um filme sobre o Bane quebrando a coluna do Batman e este sendo substituído pelo Azrael: digno de Hollywood. Até o nome: Batman 3: Knightfall. Imagina só... ia ter desculpa pra armadura, roupas imaginativas, podia botar o Christian Bale de Batman, meio catéquito, já misturar com o Cavaleiro das Trevas mesmo, o do Miller, e pelo que eu tô sabendo dá pra por praticamente todo mundo (menos o Duas-Caras) nessa continuação.

Batman, por Cristopher Nolan: longe da perfeição, Nolan consegue pelo menos acertar na seriedade e num fator que pra mim faz muita diferença: AS COISAS FAZEREM SENTIDO. Em Burton e Schumacher se tem um milionário entediado que resolve combater o crime. Principalmente em Burton, onde o nascimento do Batman e do Coringa estão inextrincavelmente ligados. Já Nolan consegue mostrar o que o Ano Um de Miller faz com tanta preciosidade: um cara que nem o Batman não surge do tédio, surge da dedicação doentia a um objetivo. Ponto pro Nolan. Claro que como toda a forma hollywoodiana, obviamente o filme vai ser um dramalhão, lugar-comum, moralista, didático, cheio de liberdades criativas do tipo “eu vejo o Batman dessa forma”… se vocês não querem isso, ora, não paguem a entrada no Unibanco Arteplex e não sentem naquelas cadeiras durante a exibição do filme. Quero ver alguém achar um filme (que não seja do Robert Rodriguez ou do Tarantino ou afins) que não seja uma babaquice moralista (pensando bem, até Kill Bill é isso). Claro que o filme é um poop hollywoodiano. Ambos, tanto Begins quanto Dark Knight. Se tu for no cinema, assistir Dark Knight, voltar pra casa e ler a graphic novel Dark Knight do Miller tu vai querer voltar lá e pedir teu dinheiro de volta. Roupa do Robocop: convenhamos. Melhor que borracha do Burton e órgãos genitais do Schumacher. E, olhando hoje imagens da roupa, e procurando em sites sobre informações militares, esta roupa meio que existe. Desculpe, mas cueca por cima da calça simplesmente não dá. Pode funcionar muito bem (obrigado) nos quadrinhos, mas se eu pagasse 12 reais, sentasse na cadeira do cinema e visse o Christian Bale com a cueca por cima das calças eu sairia da sala de exibição no mesmo instante e botando A banca pra reaver meu dinheiro, que eu, no mesmo momento, doaria pra instituição das pessoas que não conseguem entender que no cinema, os atores, são pessoas reais, coloca teu collant por cima da calça pra ver que bonito que fica. No cinema, infelizmente, a fantasia tem limites. Realidade dentro da ficção e não realidadade versus ficção. Primeiro o próprio limite da relação do espectador com o écran: coisas totalmente fora simplesmente não dão certo (ver trilogia – pausa pro vômito – Senhor dos Anéis), e o figurino, como vários estudiosos do cinema apontam, tem uma relevância importantíssima na maneira como as pessoas se identificam com as formas cinematográficas. Pense bem: você é um bilionário que resolve combater o crime. Você vai combater criminosos de pijama ou usando algum tipo de proteção? Muita reclamação em cima de uma coisa muito bem feita (pelo menos) e que tem explicação, não é mágica que nem a roupa do Keaton ou do Clooney, que simplesmente aparece (na verdade, no caso do Clooney, ela é feita pelo Alfred -????????????????). Tem muita gente que vai no nosso cinema e tá se lixando pra quadrinhos. Um dos defeitos de Hollywood é que as coisas são feitas em tábula rasa. O filme é muito bom. Uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema de todos os tempos, entretanto alguns críticos (alguns exageradamente ferrenhos e diria puristas demais)  esquecem que se TRATA MESMO DE HOLLYWOOD E QUE TUDO QUE SAÍ DE LÁ É DÚBIO E, NO FUNDO, MAL-FEITO E CONSTITUÍDO COM O ÚNICO OBJETIVO DE GERAR LUCRO. É só ir no Burger King e ver os bonequinhos. Por quê vocês acham que existem tantos investimentos no Batman (sete filmes , série de TV já nos anos 60 e mais desenhos animados e múltiplas edições mensais de quadrinhos)? Vocês realmente ainda vivem na era da inocência e acham que é porque ele é legal ou já estão crescidinhos e sabem que é porque ele é um dos heróis mais repletos de parafernália pronta pra virar mil tipos de brinquedos, quinze jogos de video-game e vinte e três brindes de rede de fast-food? Os outros filmes do Batman (principalmente os do Schumacher) foram feitos pensando-se antes no que se podia comercializar e depois no que ficava legal ou fazia sentido. Esqueceram do carro do Super-Homem? A DC sempre teve o costume de se vender e fazer péssimas adaptações de seus heróis e erros colossais de gerências, como cancelar o melhor desenho animado baseado em quadrinhos de todos os tempos, Liga da Justiça e Liga da Justiça Sem Limites, pra substituí-lo por uma versão Jr. do Super-Homem que vai prum futuro onde o Brainiac é bonzinho e tem vários heróis numa pretensa Liga da Justiça (desculpa esfarrapada pra vender bonequinho). Pelo menos Dark Knight não idiotiza completamente o Batman e mostra, em termos, pras gerações de hoje em dia, afogadas em Naruto, Cavaleiros do Zodíaco, Pokémon e Yu Gi Oh, como são os heróis clássicos dos quadrinhos e suas aproximações às narrativas literárias clássicas e míticas que os criadores desses heróis se empenharam tanto em semear por (hihihihi) debaixo das cuecas por cima das calças… Acho que o ponto mesmo, discutindo como alguém que entende e gosta de quadrinhos é que no cinema é muito mais difícil de fazer as coisas fazerem sentido, e desculpem os apreciadores de ‘cinema arte’, Goddart e afins, mas a fantasia cinematográfica se impele pelo sentido: se a fantasia não faz sentido, é cheia de falhas narrativas e coisas não cabíveis, o grande público não gosta.

Até nas avacalhações mais rídiculas tem o Fera. Convenhamos, Hank McCoy é um dos pilares nos quais se sustentam essa criação altamente mercadológica. Até no desenho antigo (e no tal Evolution) tinha o Fera. E efeito especial cagado por efeito especial cagado quê que é o Senador virando água?

Quarteto Fantástico: Jessica Alba. E só. Os efeitos são legais e o segundo tem a presença de um dos meus mais queridos personagens da Marvel, o Surfista Prateado. No mais quem ganha mesmo é o Coisa, interpretado pelo Michael Chiklis, ganhador de vários Emmys. Tem que ter muito saco pra agüentar aquela roupa…

Hellboy: não vou falar nada porque achei este o filme mais próximo do impecável. Ron Perlman está maravilhoso, efeitos maravilhosos, toda vez que dá na TV não consigo resistir e assisto (mesmo dublado). Espero que a continuação siga a mesma linha (e pelos trailers provavelmente irá). Guillermo del Toro é um dos grandes gênios do cinema de hoje em dia, percebe-se vendo o Labirinto do Fauno.

Sin City: outro um tanto quanto impecável. Robert Rodriguez e Tarantino fizerem um serviço no mínimo decente, até porque tiveram a humildade de trabalhar com o criador da coisa toda, o Frank Miller. Com uhas pra Jessica Alba (e a saliva inundou a sala de cinema), pro Mickey Rourke e pro Clive Owen. Só achei que levaram o lance dos efeitos especiais (Spy Kids versão noir) meio longe demais e às vezes o filme fica meio vertiginoso. É um dos poucos filmes em DVD que me dei ao trabalho de comprar (tá certo, admito ter os três Homem-Aranhas…). Só espero que o 2 e o 3, já confirmados, não sigam a sina hollywoodiana de estragar tudo.

Ironman: talvez o melhor. Bobby Downey Júniores não tem nada de júniores. Conciso e responsável, consegue ser galã, divertido e heróico. Jon Favreau não deixou Gwyneth Paltrow (inspiração do Coldplay) nem Jeff Bridges (Starman….) estragarem o filme (apesar deles terem tentado com todas as suas forças). Os efeitos são ótimos e a existência de uma roupa cenográfica real, e da roupa ser explicada no decorrer do filme, e não mágica, acrescenta muito. Há quem pense que porque é cinema e porque é quadrinhos as coisas não precisam de explicação, não precisam de uma certa aproximação com a realidade. Mas sei lá, acho que deixei minha inocência na contra-capa de uma edição do Sin City. Coisas não voam sem explicação, nem no cinema. E se voam, fica, na minha humilde opinião, idiota. Claro que uma roupa que voa é basicamente idiota… mas isso é além do ponto. O filme se esforça numa para-ciência muito convincente – aos moldes do Dark Knight – para explicar a geração de energia da roupa, o funcionamento dos equipamentos mas acho que principalmente – também aos moldes dos dois filmes do Batman dirigidos por Nolan - para, didaticamente, mostrar que esses super-heróis de carne e osso (diferentemente de Super-Homem) não ganham seus poderes ao nascerem ou por um acidente além de suas vontades. Tony Stark e Bruce Wayne se aproximam muito no quesito “porque eu quis eu consegui”. A roupa do Homem-Aranha e do Super-Homem é, no fundo, totalmente desimportante. Seu equipamento não os constitui como força. Se um carro cair em cima do Peter Parker ele levanta o carro e joga de volta em você. Se um bombardeio atingir Metropolis, bem na redação do Planeta Diário, o Clark Kent pode até estar em coma e nada lhe acontecerá. Entretanto Tony Stark, se tomar uma marretada na cara morre. Assim como Bruce Wayne. De certa forma, e isso é um paradigma bem antigo e discutido à muitas distâncias pelos nerds sem namorada (e até por alguns com namoradas, quase as levando ao suicídio) de que a identidade secreta do Super-Homem é o Clark Kent, do Homem-Aranha é Peter Parker. Eles nunca desligam. Enquanto que heróis como Homem-de-Ferro, Batman, Justiceiro e até mesmo o Shazaam (que terá adaptação confirmada para 2009) são, na verdade, pessoas normais que através de equipamentos militares, fantásticos ou magia se tornam alter-egos com super capacidades.

Olha o brinde do McDonald's: pode escolher Dr. Manhattan, Comediante, Coruja e Miss Júpiter... o Ozymandias e Rorschach estão em falta.

Ufa. Devo ter esquecido algum. Mas no mais, era isso. Daí vendo assim, panoramicamente, percebe-se muito logo que mesmo os Hellboys e Homens-de-Ferro (os melhores entre tanta bomba que lucrou tanto dinheiro) estão muito mais confortáveis nas intransponíveis páginas de papel (ou, pelo menos, em seqüências estáticas desenhadas dentro de quadradinhos com falas em balões e nuvenzinhas). Assim como grandes romances viram filmes idiotas (ver praticamente todas as adaptações de Shakespeare, com enfase para as que tem participalção do Kenneth Branagh), também os quadrinhos perdem seu teor – e muito de seu charme transcendental – na seqüência de frames e nos atores meia boca, homoeróticos e desmiolados de hollywood. Afinal de contas, é Hollywood. O que vocês, sinceramente, esperavam?

Só espero que Watchmen não seja a grande bosta que eu penso que vai ser. Não sei se o Alan Moore agüenta… e nem eu. Certas coisas deveriam ser deixadas do jeitinho que elas são: mágicas, perfeitas e lindas. Hoje em dia parece que só porque tem ou teve a história em quadrinhos, porque ela é ou foi muito famosa tem que ter filme. Pobrezinho do Billy Batson. E os Wachowskis não largam o osso, nem dos quadrinhos, nem do Keanu Reeves. Dizem as língua que 2010 verá a adaptação do clássico Plastic Man (um dos grandes heróis de Dark Knight 2) com Keanu como Patrick “Eel” O’Brien. É tudo legal, mas também é tudo muito, mas muito vendável…


Daft Internet

Publicado em despise for humans por pedro em 06/22/2008

Retomando um pouco o que o falávamos referente ao Andrew Keen e o tal “Culto do Amador”.

O Daft Punk – que no bom português pode ser “desimportância sem sentido”, mas é claro se trata de uma boa gargalhada em cima do termo daft (que seria, formalmente, ’sem sentido’) e o estilo musical dos anos 70 -, talvez por serem um dos mais interessantes e criativos grupos de música eletrônica (na verdade dupla) desde o Kraftwerk (já ouvi muita gente chamando o Daft Punk de novo Kraftwerk ou herdeiros do Kraftwerk – concordo mais com a segunda) – se encontrou muito bem com os novos meios digitais. Seja por disponibilizarem suas músicas (e até um dos seus álbuns inteiros) na rede gratuitamente (muito antes do Arctic Monkeys e do Radiohead), seja por causarem uma certa revolução imagética, principalmente no YouTube.

Falo sobre isso porque (vi no blog da Gisele) o Weezer está lançando o seu primeiro clipe do “Álbum Vermelho” – seu mais novo disco, lançado há poucas semanas – e o clipe é uma coleção de menções à vídeos famosos no YouTube (para ver os 24 vídeos citados no clipe vá aqui em valleywag.com). Entretanto, desses 24 vídeos, dois são na verdade inteligentes brincadeiras com os jogos de palavras que o Daft Punk costumeiramente faz em suas músicas (como em Technologic, Harder, Better, Faster, Stronger e Around the World). Um desses clipes, feito por duas meninas usando “capacetes” de papel alúminio (uma barata imitação das roupas usadas no clipe de Around the World) tenta recriar através do movimento de seus corpos as brincadeiras com as palavras de Harder, Better, Faster, Stronger.

Então percebe-se algo que Keen parece realmente não perceber: o mainstream, os meios antigos, não só contribuem para esses novos meios como de certa forma – ênfase nesse ‘certa forma’ – até trabalham realmente como gatekeepers, dando espécie de matéria-prima para o trabalho do amador. O vídeo esse das meninas (que segue embed no fim deste post) é simplesmente demais. Além do fato delas serem bonitinhas de corpo (seus rostos não aparecem), elas fazem a sincronia com as palavras ditas na música e seus corpos (que tem em suas coxas, ombros, braços e torso escrito as palavras da música) de forma bem engraçada e divertida.

Por outro lado (como mencionado no post anterior) o Sigur Rós lançou seu clipe de Gobbledibook e ao disponibizá-lo no YouTube encontrou a restrição de idade.

Enquanto os amadores fazem o que querem na Internet (nota especial para as centenas de sites de pornografia amadora que se acha na internet facilmente questionando o Google com palavra como “amateur” e “free porn”) os MainStream tão queridos de Keen são cada vez mais barrados. É fácil fazer um clipe com pessoas correndo nuas quando ninguém nunca ouviu falar do teu site, da tua produtora, da tua banda, etc.

O ponto central para Keen parece ser além: se temos esses meios, deveríamos ter algo à dizer; e não temos. O clipe das meninas é uma pura replicação, enquanto que liberdade de conteúdo da Internet, usada ao extremo pelos rapazes islandeses do Sigur Rós não encontra o eco dessa liberdade digital. O que se vê – pelo menos em maior grau – são realmente replicações. Talvez Ridley Scott estivesse certo e o futuro é de espaço-naves solitárias e replicantes. Replicar uma idéia em videozinhos engraçados até o infinito parece ser o motto de uma geração engasgada com sexualidade pugente e que abraça um moralismo manco.

O clipe do Sigur Rós (que linkei novamente neste post) é lindo; como todos os do Sigur Rós. E, ao contrário de mulheres insidiosas e homens ’sarados’ (abomino esse termo), mostra pessoas de verdade vivendo numa comunidade quase “Sociedade Alternativa”, todos nus, em volta de fogueiras, brincando, como se fosse a infância da humanidade novamente. Parece um pouco brega, mas na verdade, pelo menos pra mim, é um insight para essas questões digitais: estamos mais próximos do que nunca mas na verdade vemos cada vez menos do outro. O que era os ‘bons costumes’ agora são representações eletrônicas enviadas à velocidade da luz para qualquer canto do mundo.

E pergunto novamente: é uma vida mediada ou por procuração?

A simplicidade podia ser o motto. Talvez se nos entregassemos mais…

Com um zunido nos ouvidos nós tocamos eternamente…

Publicado em despise for humans por pedro em 06/21/2008

Pois então que depois de longa espera (pelo menos pra mim) chega o disco novo do Sigur Rós.

Með suð í eyrum við spilum endalaust, ou, em bom inglês with a buzz in our ears we play endlessly, chega às lojas ao redor do mundo na segunda-feira, dia 23. Porém a versão digital (para download no site dos caras) já está disponível desde ontem, dia 20. Pela caridosa mão de algum cara que, ou é mais fã do que eu ou simplesmente tem mais dinheiro (ou pelo menos uma bosta de um cartão de crédito, porque nem isso eu tenho) colocou o disco no mininova.org (que quiser é esse o link) eu, hoje pela manhã, insone, acordo para descobrí-lo ali, só me esperando. Já baixei e já ouvi umas três vezes (coloquei no celular e fui almoçar ouvindo o disco).

O disco é, como anunciado, bem diferente dos anteriores. Claro que se mantém no estilo Sigur Rós de fazer música: uma forma de composição um tanto quanto etérea e, para mim pelo menos, verdadeiramente imaterial.

A primeira música (que tinha sido disponilizada previamente ao lançamento do disco) já mostra isso de maneira muito clara. O som está um tanto quanto ainda mais élfico, mas de um modo como se fosse uma festa.

Aqui coloco a lista das músicas:

1. Gobbledigook
2. Inní mér syngur vitleysingur
3. Góðan daginn
4. Við spilum endalaust
5. Festival
6. Með suð í eyrum
7. Ára bátur
8. Illgresi
9. Fljótavík
10. Straumnes

11. All Alright

O disco é bem diferente. Realmente diferente. A seqüência entre a primeira e a segunda música do disco já mostram isso. E a terceira música mostra a conhecida faceta um tanto mágica do Sigur Rós mas de uma maneira bem diferenciada; cheia de nuances e com vocais lindos. Porém, as críticas prévias anunciavam um disco com sonoridades mais alegres. Discordo. O disco é 50/50. Metade é realmente mais alegre, como se fossem músicas conduzindo uma multidão para a felicidade, entretanto a segunda metade – a parte final do disco especialmente – é realmente triste, bem ao estilo Sigur Rós.

Não vou me extender muito porque sou suspeito pra ficar falando. Achei o disco ótimo e ele, estranhamente como os outros discos do Sigur Rós, me encontra numa fase com a qual ele parece combinar perfeitamente. Minha vida está também 50/50 quanto a felicidade e tragédia. Na verdade, agora 51/49 pra felicidade. Vou ouvir esse disco até gastar.

Obrigado, Islândia.

E tá aí o vídeo de Gobbledigook, que foi foda pra encontrar, mesmo no Youtube pq tem cenas de homens primitivos e nudez explícita.

GOBBLEDIGOOK

UEFA 2008 e o “grupo da morte da Itália”

Publicado em despise for humans por pedro em 06/10/2008

Edwin Van der Sar, nascido em Voorhout, Holanda, em 29 de Outubro de 1970. Goleiro titular da seleção nacional da Holanda e, profissionalmente, goleiro do time inglês Manchester United. Ele é casado e tem dois filhos.

E ontem, me desculpem os canais oficiais da FIFA, o cara se provou um dos melhores goleiros, se não, jogadores de futebol de todos os tempos. Não fez nenhum gol, mas contribui de forma inextricável para a vitória da Holanda de três gols sobre os atuais campeões do mundo, a Itália.

Fazia anos que não assistia a um jogo de bola que nem aquele. Sabe aquele tipo de jogo que tu assiste e o futebol parece que te invade? Pois é, só vendo pra saber. Simplesmente arrasadora essa seleção holandesa. Ataque infalível e defesa inexpugnável.

Tudo que tu quer ver num ótimo jogo de bola. E a defesa do Van der Sar, cobrança de falta, o cara faz uma defesa simplesmente de outro mundo e a jogada ainda dá em um lindo gol do Sneijder. Demais.

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