Metroidzando Nessa Semana Lenta
Nossa querida amigona Mercedoca teve aí nos últimos dias visitando essa cidade maravilhosa (sarcasmo!) e não tive tempo nem assunto pra postar nos últimos dias.
Prometo, entretanto, uma volta para a temática mais central desse blog que eram, a partir do meu trabalho acadêmico, considerações a respeito do pensamento tecnológico e da nossa sociedade cada vez mais enfiada em tecnologismos.

Samus Aran: é bem legal ver uma heroína feminina num jogo tão assustador, difícil e legal. FC pura. A imamge também é meu fundo de tela atual e foi tirada de http://transfuse.deviantart.com/
Eu to na preparação, fazendo meu projeto, pro doutorado e finalizando a primeira parte da minha tentativa de romance de ficção científica.
Então não anda sobrando muito tempo para fazer viagens e amenidades.
No mais? (Como eu dizia antigamente no meu fotolog)
Estamos aí, na batalha. Com todas as coisas que andam acontecendo as leituras acabaram caindo numa marcha lenta e meus momentos de liberdade/madrugada andam sendo dedicados ao meu mais novo amor, o GameCube do meu irmão.
Veio com poucos jogos, mas apenas os melhores. Metroid Prime I e II, Legend of Zelda: Twilight Princess, Super Mario Kart e Super Smash Bros. No momento estou me dedicando a finalizar o Metroid I (no momento me encontro no chefão final, mas pretendo procurar os itens que faltam pra conseguir terminar em 100%) e esperando o Legend of Zelda: Wind Waker que eu comprei e chega entre hoje e amanhã (comecei a jogar o Twilight Princess, mas só pra não ficar viciadão demais naquele Metroid que é foda – foda nível God of War Very Hard).
Férias é um momento de nerdismo, mas como estou há pelo menos três anos enfiado no mais puro nerdismo, entre livros acadêmicos e FC, não é uma mudança tão grande. É bom pra se perceber, ainda num videogame da geração passada, os porques dessa forma de narrativa digital ter assumido o post de mais lucrativa indústria do entretenimento na contemporaneidade. Zelda, por exemplo, mesmo sendo exclusivo para consoles Nintendo, já é um dos mais importantes e mais vendidos jogos de todos os tempos. A cultura da videogame, geralmente tratada com desdém, é, na verdade, um dos índices imaginários mais importantes de nossa era e há aqueles que anunciam o videogame como o anúncio de uma era de convergência entre TV e cinema aonde estes serão mais parecidos com jogos do que com o que entedemos hoje sobre narrativa.
Eu amo videogames e eles fizeram parte da minha inteira, desde o Atari até o desejo lancinante de ter 3 mil reais dando sopa pra comprar um PS3.
Loyalty? Stupidity!
Falando no outro post sobre Fanboys, me deu vontade de escrever um ‘bocadinho’ sobre o que o Bernardo falou a respeito de lealdade.
Há muitos e muitos anos eu perdi essa coisa de lealdade para com qualquer ser humano que tenha como ofício a criação de produtos culturais. Todas as coisas que na juventude eram modelos para mim foram gradativamente perdendo sua importância, relevância ou gosto. Diria que talvez seja um resultado lógico de estar há 10 anos estudando a Cultura da Mídia em todas as suas formas; cinema, TV, quadrinhos, literatura. Até mesmo os grandes tiveram seus momentos nem tão grandes e estes diminutos produtores culturais de hoje em dia, Save me, Jebus, tem mais momentos ruins do que bons.

Georgie Boy: a realidade mostrada em Fanboys está longe da realidade. Antagonizando muitos de seus fãs mais hardcore, as empreitadas de Lucas agora são direcionadas a uma geração que tem Anakim Skywalker como herói e uma centena de bonecos de personagens sem nenhuma profundidade. O que aconteceu, de fato, foi a infantilização.
Eu tinha citado na discussão o Kevin Smith e no corpo do post o Star Wars e o Georgie Boy Lucas. Ambos são ótimos exemplos. Em 1977 Lucas lança o primeiro Star Wars (Episode IV: A New Hope) e 22 anos depois lança o quarto (Episode I: Phantom Menace). Não é a toa que no finalzinho de Fanboys acontece duas coisas: uma é que o garoto-câncer não comenta nada sobre o filme e a cara dele, assistindo e saindo da sala na qual assistiu refletem bem o estado do filme. E, mais ainda, a fala final do filme é: “What if the movie sucks?”, o que, de fato, aconteceu.
Os episódios II e III ainda são bem assistíveis, a despeito de serem péssimos. Mas o episódio I vai entrar pra história do fanatismo (de fãs obcecados e leais) como a prova máxima de que quem se sujeita a ser um fanboy está destinado a ser ludibriado.
Smith também fez isso. Pelos fãs foi lá e fez um filme exclusivamente dedicado aos seus personagens mais célebres: Jay e Silent Bob. O que aconteceu? O FILME É UMA BOSTA.
Mas pro Kevin eu ainda dou o benefício da dúvida porque ele sempre foi um believer (aos moldes de X-Files), querendo fazer esses filmes por uma pulsão e não pela grana. O mesmo não se pode dizer que Peter Jackson, Georgie Boy, Shyamalan, entre tantos outros.
Na verdade, é uma espécie de commodity esses diretores estrelinhas que fazem filminhos legalzinhos sobre coisas incríveis. Até mesmo Stanley Kubrick foi, de certo, post-mortem, incluído nessa lista de diretores cults que fazem filmes comercialmente bem sucedidos. Um dos exemplos mais recentes é o tal Judd Apatow, diretor de Knocked Up e The 40-years-old Virgin, parceiro de Seth Rogen (que, como eu dizia, aparece no Fanboys, relacionando esse filme, além de com o Kevin Smith, também com essa nova safra de comediantes e filmes pastelosos sobre nerdismo/comédia-romântica).

Smith: bons filmes e boas parcerias ao mesmo tempo em que ele se vendeu DEMAIS... talvez seja a fórmula perfeita.
O interesse é grana. Ninguém nega isso e nem pode negar. E com os quadrinhos, desculpem-me os fãs mais hardcores, mas é o mesmo esquema. Marvel e DC lançam 4 ou 5 superséries por ano. As editoras OCIDENTAIS de mangá estão entulhando as prateleiras das revistarias e lojas especializadas com todos os tipos de mangá possíveis, enquanto que dois ou três canais de TV a cabo já se especializam em ficção científica, animação japonesa, etc. O massa da produção japonesa era sua distância relativa da fagocitose da indústria cultural ocidentalizada; ainda tinha-se um “quê” de originalidade e de teatralidade artística. Queria-se algo com aquilo que não era meramente dinheiro ou status. Mas é bastante claro que isso mudou. Em termos, temos a mesma coisa com os diretores que temos com os mangakás japoneses. Se for ver, há uns 10 anos que a produção dos animés está sendo tercerizada na rápida e impessoal China e a isso ainda se alia a lógica da computação gráfica que parece ter permitido que qualquer idéia, qualquer mesmo, se transforme rapidamente numa forma cultural estabelecidade.
Pelo amor de Deus! Eu falava antes: até Dragon Ball os caras tão refazendo.
Então realmente não dá pra falar em lealdade cega ou ser, de fato, um fã assumido dessas coisas. Penso que sempre se deve esperar pela decepção. Como em filmes como Dark Knight e Watchmen: nunca vai sair o que os fãs querem porque o que os fãs querem não é uma coisa que incite a comprar os subprodutos desse produto cultura – isso, nós, fãs, já fazemos muito bem, obrigado. Os fãs querem conteúdo, querem ver seus heróis mostrados da forma miticamente idílica que eles lembram. Ninguém que é fã de Homem-Aranha aceita aquele Peter Parker otário dos filmes, nem mesmo aquela Mary Jane destituída de tudo que a fazia Mary Jane (confiança, sensualidade, coragem, audácia, erotismo, talento).
Daí alguns vão culpar os formatos, mas mesmo as histórias em quadrinhos de personagens célebres – como o próprio Aranha ou o Superman – tomaram rumos que nenhum fã pode entender. Dois Supermans, saga dos clones, escritores e desenhistas piores que o pessoalzinho no curso de desenho do Daniel HDR; muitos amigos e alguns desconhecidos, via blogs e afins, exclamaram sua incompreensão frente ao que viam. E eu concordo. Quando saí do cinema na estréia de Episode I: Phantom Menace me senti imensamente tentado a pedir meu dinheiro e as duas horas da minha vida de volta.
E, na verdade, o mesmo vale para uma infinidade de gênero – alguns sérios e outros ainda mais rizíveis. George Romero, o grande diretor de filmes de zumbis, se superou na precariedade de dois de seus filmes mais recentes. Primeiro Land of the Dead, com Dennis Hopper e Simon Baker e, depois, com Diary of the Dead, com Michelle Morgan. Os dois filmes te fazem desejar que o mundo seja realmente atacado por zumbis ao invés de temer esse acontecimento. E foram filmes com bastante expectativa.
E as surpresas, como Iron Man e o Star Trek do JJ Abrams, são, cada vez mais, minorias. Já se espera o terror das adaptações e, mais do que isso, o terror das continuações e, ainda mais do que isso, o terror do hype.
A Adriana tava mostrando mais uma das intros fanmade de uma possível adaptação cinematográfica de Neuromancer. Ao contrário dela, espero que isso nunca aconteça. Se bem que, como essa era, depois dos 2000, está sendo marcada por um aumento significativo – apesar de ainda irrisório – da qualidade das adaptações literárias e de quadrinhos, espero que talvez chegue um hora na qual essas adaptações possam ganhar o peso que precisam para homenagearem seus originais, ao invés de ofendê-los com superficialidades.
LEIAM OS LIVROS DO LORD OF THE RINGS, NÃO PERMITAM QUE VIGO MORTENSEN SEJA A PERCEPÇÃO DE VOCÊS DO REI DOS HOMENS DE NUMENOR.
Obrigado.
ADENDO POSTERIOR (21:47):
Ainda gostaria de referendar a discussão sobre o próprio artista e sua obra. O Bernardo, num e-mail agorinha, falou: “quem você ama? o artista ou sua arte?”
Primeiro que é difícil amar um artista, por exemplo, como Shakespeare ou Kubrick. Primeiro porque eles viveram numa época distante, segundo porque já morreram e terceiro porque, mesmo se tivesse vivido nessa época, dificilmente algum de nós seria íntimo o bastante para conhecê-lo.
Na Famecos – assim como, penso eu, em outras instituições – rola um preconceito com Martin Heidegger porque ele teria laços com o regime nazista. Pra mim ele poderia ter sido até um urso de pelúcia que não faria a menor diferença. O que importa é, e penso que mentes abertas e inteligentes pensem o mesmo, o cárater da obra. Parece uma coisa conteudística, mas não é. Kevin Smith fez bons e maus filmes. Eu até acho ele um cara interessante, mas não vou dizer “amo tudo que ele faz”. Não amo tudo que fazem nem as pessoas que eu amo.
Tem um autor, não me lembro o nome, que fala sobre gatilho-algema. Isso seria uma relação com a arte que acontece assim: eu vê um produto artístico ou cultural e imediatamente se sente preso a ele de forma não distanciada. Ele se torna parte da sua vida. Alguns escritores e artistas tem esse problema: interpretam o mesmo papel, escrevem as mesmas coisas, falam sobre os mesmos temas. Agora, a audiência tem mais dificuldade em desenvolver isso, pois acaba, por sua distância até mesmo geográfica da produção artística, desenvolvendo um senso, nem que capenga, mas um senso crítico.
E, pra completar, é também difícil amar o artista pela falta de coerência artística que a maior parte dos produtores, criadores, diretores, escritores e atores tem hoje em dia. Não dá pra ser fã incondicional, por exemplo, do Tom Hanks depois de Angels and Demons e The Da Vinci Code. Simplesmente não dá.
James Tiberius Kirk
Só pra postar alguma coisa e não deixar o dia em branco no calendariozinho.

Sorry. I can’t hear you over the sound of how awesome that movie is
Minhas expectativas em relação à hollywood são, atualmente, bem baixas. Depois de fiascos e filmes sem tanta graça assim, ficou fácil não acreditar mais que alguma coisa vá ser realmente legal. Tudo bem, o cara fica naquela expectativa de que “bá, esse finalmente vai ser destruidor”, mas geralmente se frustra.
Entretanto, como apontava no post anterior, espantei-me muito ao ver o Star Trek. O filme não é apenas uma ótima adaptação; o roteiro é genial demais.
Quando, ainda em 2007, eu ouvi falar que ia ter outro filme do Star Trek, que não se passaria no tempo do Next Generation, mas mostraria, sim, a fase anterior à mostrada na série original: teen Star Trek, pensei com meus botões. Minha expectativa é que fosse um filmes homenagem no qual um diretor baba-ovo ia acariciar o escroto morto de Roddenberry até ele voltar a vida pra se vingar.
Engano meu. DE FORMA ALGUMA ESSE FILME É UMA HISTORIETA ANTES DA FAMA, ele faz parte da cronologia normal de Star Trek e isso é SIMPLESMENTE GENIAL.
Spoilers! Cuidado!
Quem gosta e assistiu a pelo menos uma das séries de Jornada nas Estrelas sabe que há muito tempo as viagens espaciais são apenas uma pequena parcela das histórias vividas por Picard, Janeway e Cisqo: as viagens no tempo se tornaram temática recorrente, mostrando sempre realidades alternativas.

Pine: a less seventies Kirk, but still Kirk
ESTE FILME NÃO É UMA REALIDADE ALTERNATIVA.
Spock, com seus mais de 130 anos, todos da Enterprise já estão mortos – pelo menos os humanos, quando ele ajuda o conselho Vulcano a impedir a destruição de Romulus. Ele falha e o sobrevivente romulano, Nero (muito massa essa coisa de que Roma Antiga, na Terra, foi inspirada por uma raça alienígena a centenas de anos luz dali), se vinga de Spock abrindo uma fenda temporal e levando-os de volta para quando a tripulação da Enterprise ainda nem era a tripulação da Enterprise.
No caminho, Nero muda toda a história do Quadrante Alfa. Destrói a Kelvin, Vulcano, quase mata o Capitão Pike. Daí, a história muda. A série que vimos com William Shatner deixa de existir; a série original é que é uma realidade alternativa: a realidade alternativa da qual o Spock velho, interpretado no filme pelo Deus-vivo Leonard Nimoy, veio.
Eu aprecio a arrogância e, mais do que isso, adoro a ambição. Não de poder ou dinheiro, mas a ambição de fazer algo realmente ambicioso. Seja uma empreitada financeira ou cultural, de criação ou reprodução. E esse filme bateu todas nesses quesitos; é magistral por ser ambicioso.
Pine não apenas é Kirk, kickes and gets kicked as Kirk would. Pra ser totalmente como a série, aparece pegando uma gatíssima Rachel Nichols, toda verde e ruiva, chamada Gaila – e colega de quarto de Uhura.
Quinto não apenas encarna Spock. Na verdade, até o garotinho que interpreta Spock quando criança encarna Spock. A dualidade de posições; nada como Tuvok. Um meio-vulcano de verdade. Na verdade, Zachary Quinto está maravilhoso. Consegue retratar a humanização ambiciosa Abrams sobre o personagem (que aparece muito mais humano do que nos lembramos dele), demonstrando a mais pura paixão, amor incondicional, de um vulcano.
Bana faz seu primeiro grande filme, na minha opinião. Sua interpretação insossas em filmes como Hulk e A Outra, me deixaram muito preocupado em relação a esse filme. Pensei: Star Trek sem vilão sucks ass. Mas Bana se saí bem. Claramente instruído por Abrams, e possivelmente pelo medo de retaliação por parte dos fãs, interpreta um romulano de classe baixa; na verdade, um típico e inquieto romulano fora do âmbito militar. Devotado a sua família, conservador e com uma lógica que não poderia existir em nenhum outro lugar do mundo além de Romulus.
Mas a melhor parte do elenco são Nimoy e Wynona Ryder. A sweetheart shoplifter of America, retrata, nem que só por algumas cenas, uma magistral mãe humana de um vulcano. E Nimoy, bom, interpreta seu único papel: embaixador Spock. E muito bem. É aquele Spock do qual me lembro, na minha infância, cantando row, row the boat com Magro e Kirk.
A falta de cansativas explicações científicas sobre a ferramenta da vez (a matéria vermelha) faz do filme uma refrescante ficção científica. Nada, de fato, tem explicação. E a cena em Kirk e Sulu são salvos com um truque de teletransporte mostra isso bem.
Mas cuddles mesmo pras cenas do Kirk menino ao som de Sabotage do Beastie Boys.
Não sei se estou pronto pra dar um julgamento definitivo pra Abrams – os malditos letreiros em 3D que ele usa até a exaustão me incomodam muito – mas tenho a certeza de que posso dar um em relação a esse filme.
ÓTIMO. E tomara que, exatamente por ter criado um novo universo de Jornada de Estrelas, Abrams consiga fazer um II e III, pelo menos.
Li em algumas outras críticas a questão de um “tom jovial” e que a aventura vivida no filme seria pouco elaborada e discordei. Achei o filme uma das melhores histórias de viagem no tempo e, como eu disse, um ótimo filme de ficção científica. Só o que existe nesse filme é essa profundidade humana que o tom jovial mostra tão bem; alguém disse que é quando jovens que construímos realmente as pontes que nos ligarão ao mundo. E esse filme é sobre exatamente isso; não sobre naves espaciais ou tecnologias futuristas, phaseres e alienígenas. É sobre o outro e sobre si mesmo; a busca de Spock, dos dois Spocks. A mítica do half-breed que acaba por condenar seu planeta, aquele Kirk sem objetivos, no future Kirk, mas que não deixa de ser sempre Kirk. A forma como as relações de confiança e respeito se formam; Jornada nas Estrelas sempre foi isso pra mim. Uma imensa mítica futurista sobre coletividade, confiança, viver a vida ao máximo. Indo aonde ninguém já foi antes… e Abrams conseguiu.
Realmente, a franquia para o cinema de Star Trek teve seus momentos altos – como Vyger e Khan – mas foi fraca. Perdeu aquela magia que a série original tinha: a dureza de Spock em contrapartida ao space-cowboyism de Kirk, as obsessões de Magro-Bones-McCoy se tornaram cansativas e tediosas. Sulu esvaziado.
Adorei esse filme e como fã me senti orgulhoso demais. Senti-me orgulhoso de membros da Federação respeitando rigidamente à primeira tempo-diretriz: NÃO INTERFERIR COM O TEMPO. Nero muda a história, Abrams apresenta uma nova origem e ninguém tem a coragem de mudá-la: na verdade, Abrams é genial e o filme é magnífico pois mostra a única coisa jamais feita na história de todos os Jornadas nas Estrelas já feitos. Uma viagem no tempo que repercute em mudanças reais na continuidade narrativa da história como a conhecemos.
“What’s your name, son?”
“James Tiberious Kirk, sir.”
“I’ve got your gun”

A primeira coisa que eu saí do filme pensando foi: que história maravilhosa, simplesmente muito boa.
Primeiras considerações:
- muito bom;
- Quinto: perfeito;
- Wynona Ryder;
- ótima história. Simplesmente ótima história;
- Kirk: kickin’ asses as usual.
- RACHEL NICHOLS, a mulher verde.
Não, não Vou ver ini, vou ver Star Trek

Quinto: fazia tempo que eu não babava num ator, mas Sylar e Spock é foda demais
Depois de ler críticas atrozes em relação ao filmes do Vouverini, decidi priorizar.
Um: Zachary Quinto ruleia demais.
Dois: Estou há um ano esperando por esse filme como um bom trekkie que agora pode dizer: sim, já vi todos os episódios de todas as séries do Star Trek.
Três: a despeito de desprezar Lost – que só se salva pela gatinha e gatões molhados; a história já suckeava demais, daí meteram viagem no tempo… foda – eu curto o JJ Abrahms pra caralho. Na verdade, acho que a única coisa dele que eu não curti mesmo foi Lost; Alias, Felicity, o filme Cloverfield, tudo eu gostei.
Então o Wolverine vai ser estrategicamente deixado de lado pra aproveitar esse lançamento que eu nem tinha me ligado que era nessa sexta – achei que fosse na próxima – e vou assistir ao Kirk, McCoy e Spock com a direção e visão do Abrahms.
À noite? A crítica.
Swine Flu (um primeiro comentário)
Como por enquanto foram só os mexicanos que morreram, tá uma coisa meio “paranóia, mas nem tanto assim”, então, de repente, vou fazer mais adiante um post mais enfático sobre essa crise da saúde mundial.
No momento me limitarei a fazer o seguinte comentário e, sim, levando em consideração que eu pesquisa e sou um aficcionado por ficção científica:
Alien: 30 anos, apenas 7 passageiros (afinal, ‘Ash is a fuckin’ robot’)

Alien, Blade Runner, Legend, Black Rain, Thelma & Louise, 1492, Gladiator, Black Hawk Down... ufa, calma aí, Rid.
No próxio dia 25 de maio, o filme de Ridley Scott, Alien, completa seus 30 anos.
Em outubro a sensualidade crua de Sigourney Weaver completa 60.
Vou fazer um post, de repente ainda hoje, falando mais longamente sobre isso.
Na verdade, minha preocupação quanto a esse ‘aniversário’ é de uma certa lógica entre dois diretores de hollywood: Scott e James Cameron.
Vamos lá:
1979 – Alien, dirigido por Scott. Viagem interplanetárias, vida alienígena e artificial.
1982 – Blade Runner, dirigido por Scott. Viagens interplanetárias e vida artificial.
1984 – Terminator, dirigido por Cameron. Viagem no tempo e vida artificial.
1986 – Aliens, dirigido por Cameron. Continuação de Alien, de 79.
1989 – The Abyss, dirigido por Cameron. Viagem inter e intraplanetária, alienígenas.
Alguém mais vê uma estranha simetria?
No espírito do remake
Deve existir, necessariamente, um limite para essa coisa de remake e resgate que anda rolando no cinema nas últimas duas décadas.
Com certeza, se ele existir, ainda não o alcançamos. Além do novo Jornada nas Estrelas, estrelado por atores desconhecidos e de TV (talvez em alguma homenagem entristecida), também está confirmado para 2011 a continuação, quase 30 anos depois, de TRON.
O novo filme, que ganhará o lindo e criativo nome de TRON 2.0 (ninguém tinha usado essa antes), contará com a participação de Jeff Bridges interpretando o célebre personagem Kevin Flynn. Suponho, então, que se trate de algum tipo de continuação. O que, francamente, depois de 30 anos, é algo, além de inesperado, suspeito.
Já o novo Star Trek contará uma história de antes da série original. O que faz sentido, já que com o final de Star Trek Voyager – que abriu a deixa para se entender o que viria num provavel futuro do Universo Jornada nas Estrelas (e esse futuro não cheirava muito bem) – e o último filme da franquia Next Generation, que acabou de vez com qualquer chance de qualquer diretor na história ter apoio e coragem de juntar aquele elenco de novo, ficou-se sem história.
A despeito de um ator suspeito como Kirk e um cara que já fez papel de “fortão” em uma dezena de filmes – inclusive um muito suspeito com Vin Diesel – estará no papel de McCoy, o filme tem suas promessas. Eu, por exemplo, vou me esforçar pra ir ver no cinema (até porque daí depois, se for uma merda, eu tenho do que falar aqui).
Esse TRON, em contrapartida, fede. Não que o primeiro seja “meu deus, que obra prima!”, mas sempre espero muito pouco desses remakes meio fajutões. Interessante mencionar que o fortão, com o nome gay de Karl Urban, também está cotado para o filme. Francamente, sem querer desmerecer o ótimo trabalho de todas as pessoas envolvidas in moviemaking (menos diretores e produtores), esse filme deveria ser rapidamente engavetado… pelo bem de todos nós.
A tradição de não apenas se inserir, mas procurar se associar dentro da própria Ficção Científica é boa e trouxe para todos nós, ávidos consumidores embestalhados por efeitos esp(a)eciais e o encontro com o outro (a hot alien, like Kirk, please), uma boa dose de felicidade e intertexto, para podermos ocuparmos nossas vidinhas. Mas a necessidade mercantil, intrínseca à indústria do entretenimento, torna as coisas surpreendentemente perigosas. Os exemplos são abundantes… alguns mais ‘bundantes’ que os outros. Matrix talvez seja o mais rápido: um filme ótimo, com efeitos especiais legais, uma historieta insipirada por babaquices nerds e babaquices filosóficas: the ol’ story ’bout those robot from the future that kill ever’body. O próprio filme já era um remake, visto por muitas pessoas em primeiro em 1984 e depois em 1991; na verdade, nesta última data, temos uma associação ainda mais clara. Mas deixemos isso de lado. Assim como com Terminator, Matrix também rendeu e daí tem que render mais, né? Daí é que as coisas complicam: lá nus anus 70, início dus 80, o george boy lucas (sim, com letras minísculas, como talento dele pra dirigir) conseguiu o impensával: três filmes sobre bonecos articulados para vender pra criancinhas. Se o geogie pode eu também posso! E assim foram os irmãos Wachowski para o esquecimento do limbo eterno de filmes como Speed Racer e uma possível futura adaptação de Plastic Man.
Continuações são sempre perigosas e a descontextualização histórica só piora as coisas.
Filmes como Star Wars e Star Trek são absurdamente atuais nas suas impossibilidades científicas tão escrachadamente cotidianas. Entretanto, TRON é um filme inspirado, que fez sucesso não apenas pelo show de efeitos especiais tão inesperado para a época, mas sim por suas história centrada na possibilidade de um outro mundo, não-físico, uma verdadeira atopia, nas palavras de Michel Foucault: uma realidade onde vida e morte, desejo, medo e anseios se confrontam não através da carne, mas de uns e zeros. Pra ser bem acadêmico, essa fantasia deixou o campo da virtualidade e se atualizou. Tudo bem, ninguém entra no computador, como o programador Flynn entrou, mas “entramos” numa rede interativa na qual nos relacionamos e trocamos informações e até mesmos dados. Em 1982 a fantasia computacional era realmente incrível e TRON, de certo, começou isso. Em 1977, a despeito dos andróides dos mais variados tipos e funções, georgie boy raramente fala de computadores ou eles são algo além de um sistema de controle, monitoração. “Abra a porta, R2D2, interaja com o computador”. Em 82, Kevin Flynn é quem interage com computadores. Em 77 tínhamos uma relação máquina-máquina, em 82, com Blade Runner, TRON, em 85, com Weird Science (quem não lembra de Mulher Nota 1000??), temos uma diferenciação profunda que passou a englobar questões, teoricamente, resolvidas pela internet (com exceção do Blade Runner).
A vida e inteligência artificial se tornaram o grande espetáculo da Ficção Científica depois dos anos 1990. Terminator talvez tenha aberto as portas, cinematograficamente, para isso, mas já vinha acontecendo em termos literários há mais tempo. Mas é claro, demorou pra impactar a cultura de modo geral.
Entretanto, a vida mediada artificialmente, através da rede, se tornou uma realidade, e aí se encontra a verdadeira questão: qual a relevância de um filme como TRON que contrapõe duas questões tão descoladas hoje em dia?
The new new new?
Há pelo menos 50 anos a indústria cultural, em sua forma de fagócito, englobava a ficção científica. Primeiro em publicações, depois no cinema e na tv.
Hoje a FC é conhecidamente um braço dessa indústria, e um importante braço. Alguns dos filmes de maior popularidade da história são de FC ou se associam livremente à ela. Na televisão temos até canais especializados. Na internet, bom, nem se fala.
E a indústria está mudando. Já há algum tempo.
De um sono um tanto tedioso, em 1999 a FC acordava com The Matrix. Mas isso foi há dez anos. E nestes dez anos muita coisa mudou.
E uma coisa acontece há pelo menos 7 destes dez anos; a procura incessante pela série de TV que conseguirá substituir o vácuo deixado por Chris Carter, Fox Muder e Dana Scully não apenas na cultura sci-fi como na própria cultura popular. Aqueles dois agentes tão insipidamente “anos 90″, com suas gravatas douradas e cor de vinho e seus power suits, mudaram fundamentalmente a forma como – principalmente a TV – lida com as questões tão abordadas pelo estudo vindo da literatura sobre a FC; principalmente o monstro da semana.
Nos últimos meses estreiou a nova série do J.J. Abrahms, Fringe.

Fringe: terças no Warner Channel e 14 episódios disponíveis pra baixar na internet
A despeito das obviedades básicas – como um personagem que nega as possibilidades fantásticas e um cientista maluco que acha que tudo é possível – a série procura se apresentar exatamente como X-Files. Olivia Dunham é uma agente do FBI (reminds you of anything???) investigando estranhos acontecimentos envolvendo uma categoria de ciência chamada de Fringe science.
E não é apenas isso. Como é de praxe para o discurso da alteridade na FC, Fringe retoma o leimotiv da teoria da conspiração. “Alguém sabe de coisas que ninguém mais sabe e está usando estes conhecimentos para dominar, destruir, alterar, foder o mundo”.
Até mesmo alienígenas (ou seres extra-dimensionais).
E, novamente, a despeito das similaridades, a série vale muito a pena. Histórias interessantes, personagens interessantes e um desenvolvimento bem legal, no qual as respostas levam à outras perguntas, nada como Lost (que aliás eu detesto).
Dou a dica porque estou acompanhando – na verdade, esperando ansiosamente pelo décimo quinto episódio – e achei uma das coisas mais interessantes em termos de FC na TV nos últimos anos.



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