Ubermensch by Debord

ABSURDO!!!!

Publicado em despise for humans por pedro em 08/27/2009

Logo na Polônia, cara?!?! Logo lá?

E logo agora?! Fazendo aniversário dos ghettos…

Microsoft doctoring propaganda pra tirar negro!!!

Etiquetado como:, , , ,

Singularidade Ética

Publicado em despise for humans por pedro em 08/18/2009

Fala-se muito, nesses tempos de Lei Azeredo e abusos no Twitter, sobre responsabilidade éticas em relação às novas tecnologias.

O discurso/diálogo/conflito não se baseia apenas nas tecnologias da informação. Desde Dolly as ciências médicas também mergulharam na mesma discussão: os desafios éticos envolvidos na modificação da vida através da medicina e da informática.

Eu penso, vendo (acho eu) essa situação de forma compreensiva, que seja na verdade o contrário. Não são necessariamente as tecnologias que nos defrontam com desafios éticos: são nossas próprias limitações éticas e morais que limitam a tecnologia.

Não estou aqui de forma alguma dizendo que a ética nazista, por exemplo, seria mais adequada. Mesmo ela é uma limitação. A crueza do cotidiano é a verdade de que muitas maldades muito mais terríveis passam batido enquanto aborto, clonagem, células tronco, anonimato e pirataria digital estão sempre na mesa.

Nesses quase dois meses que passei numa baixa produtiva (umas férias, pra não dizer uma falta completa de inspiração) eu discuti oralmente com vários comparsas, diletantes e conflitantes sobre o Twitter. E pego-o agora como bom exemplo para fundamentar meu argumento – a despeito de que muitas, ou todas, as redes sociais poderiam servir: é algo prévio que contempla o mau uso. Vou tão longe, pela liberdade a que me dou nesse blog, de dizer que o palavrão seja um outro exemplo, menos atual e mais historicista. Quando da invenção da oralidade o palavrão, o falar de baixo calão, foi o comment anônimo, o twitter-bulling, o spam.

Os desafios éticos que a liberdade da rede e a liberdade da célula incitam tem mais a ver com uma historicidade quase esquecida. Então, de repente, a grande revolução técnico-social, a grande singularidade seja mesmo uma transformação da condição humana. E essa pode ser uma interpretação do direito ficcional da transposição corpórea; o desejo embutido de ser homem mais que homem ou not man at all.

Talvez se a própria condição humana, em termos éticos – principalmente, pudesse ser ultrapassada ou modificada poderíamos ter então uma nova forma de perceber e apreender o que essa pequena singularidade que são as revoluções no campo da informática e das ciências duras realmente significa.

Proibir a palavra não impediria os sussuros…

Realidade Esquecida

Publicado em despise for humans por pedro em 08/07/2009

Nestes tempos de demagogia de esquerda e desespero mentiroso de direita, os assuntos são os mais variados. A imersão social da guerra, a “nova” ruína do capitalismo, estadismo, América Latina e seus muito suspeitos líderes de esquerda (e também de direita), mas de todos, um que parece perdurar no falatório (pra não dizer imaginário) mais contemporâneo (pelo menos nos últimos 20 anos), tem sido mesmo a guerra.

Não ela em suas nuances políticas e sociológica em si, mas seu resultado em termos humanísticos. Diferente das guerras da Coréia e do Vietnã, as guerras dos últimos 20 anos (dois Iraques, Kosovo, Bósnia, guerrilhas africanas) denotaram não grandes batalhas ideológicas e geopolíticas, mas a ubiquidade do conflito armado. O acesso da nossa era não se limita a tecnologia (celulares, computadores), o fim da guerra fria colocou nas mãos do mundo, como grupo de consumidores, também o produto “guerra”.

E, em contrapartida (ou talvez mais para parceiro de dança), juntamente com o human toll of war, temos a guerra esquecida. Como o Afeganistão quase se tornou depois da última investida americana ao Iraque. Mas ali (como no Iraque) os números não chegam a seis dígitos.

E esse post tem apenas um propósito, na verdade. Há poucos minutos eu estava vendo o CNN Today na CNN International e eles falavam sobre a situação no Sudão. Um país até bem grande no nordeste africano que já há um bom tempo tem sido esquecido pelo mundo. “Guerras étnicas” não tem mais o push ou o hype de 60 anos atrás, ainda mais quando envolvem tão (sarcasmo) pouco.

Eu via esses dias que no Iraque no site do Globo que pouco mais de 100 mil civis morreram desde o início dos conflitos há quase 8 anos. No Sudão desde 2003 os números já passam dos 300 mil.

300 mil pessoas. E não é algo a esmo como bombas em carros e restaurantes cravejados de balas. É extermination style.

It makes you think… em termos, vivemos mesmo num mundo de fantasia quase como a galáxia superpopulosa de Star Trek. A diferença é que todos aqueles mundos cheios de maravilhas e horrores existem todos dentro dessa mesma bolinha.

Etiquetado como:, , ,

Lembra quando a mídia era malvada e a esquerda liberal? Ou melhor, olhe como agora a imprensa é liberal e a esquerda malvada

Publicado em despise for humans por pedro em 08/05/2009

A inversão de papéis é uma das tão faladas características do que muitos chamam de era pós-moderna. Desde o feminismo mais tolinho de revistinha, onde a mulher assume o lugar do homem (e o homem o da mulher, as famosas matérias sobre mulheres CEOs e homens-babá), até a própria transformação físico-química da terapia de troca de sexo, quase tudo no imaginário da nossa era impera em denotar a ambivalência das coisas. A circularidade ou linearidade históricas foram devidamente substituídas pelas metáfora rizomáticas, ao invés de círculos e linhas, raízes, galhos, ramificações.

Em termos de ficção científica díriamos quase uma multiplicidade quântica do universo (em termos científicos não estamos longes dessa afirmação, mas em termos bem diferentes). A proposta dos “fim-da-história” era geralmente a de uma possível ruptura na circularidade da dominação, mas agora nos encontramos, principalmente nas Américas, num estranho momento – se me permitem – mesmo na superficialidade histórica. Uma viajante do tempo teria dificuldade em compreender que se trata do futuro mesmo e não de uma forma de realidade alternativa (novamente, em termos de ficção científica).

Os EUA estão afundados em uma verdadeira guerrilha ideológica, na qual as disparidades entre os partidos estão cada dia mais tomando proporções suspeitas de guerras étnicas. A realidade de que uma parcela da população vive, de fato, imersa numa percepção totalmente deformada de sua contraparte (que não é tão contraparte assim) é assustadora. Políticos dos dois lados estão atualmente envolvidos no pior tipo de sujeira possível: a fantasia ideológica que toma o lugar da realidade emergente e, eu diria, até emergencial. A Doutrina Bush (odeio esse termo) venceu da mesma forma que o nazismo: deformou apoiadores e oposicionistas da mesma forma. Perdeu-se a capacidade do discernimento. Como eu dizia há alguns posts atrás, tanto democratas quanto republicanos se perderam em suas fantasias. Ontem no Daily Show o pobre John Stewart foi forçado a fazer comédia em cima da exposição contra os aumentos de impostos proposta por um senador: o republicano de idade claramente avançada recorreu a desenhos de dragões e cavaleiros e lendas como as de Artur e do Gigante do pé de feijão.

E aqui, mais abaixo do Equador (pra ser claro), não é nada diferente. Vocês lembram da época em que era a ditadura quase-fascista (ou até totalmente fascista) e militar que tirava do ar as emissoras de rádio e TV? Lembra da época em que as bandeiras do socialismo, da reforma do trabalho e das classes sociais, eram levantadas em prol de liberdades? A América Latina em seus expoentes mais midiáticos, o Brasil lulista e a Venezuela chavista, aparecem agora sob estranhos holofotes. Na Venezuela, Chávez derruba outra emissora. A estatização da mídia. Lembra outros tempos e outros regimes e o embrulho estomacal é difícil de ser contido.

Aqui na terrinha Sarney, Collor e (en)Calheiros. “Mídia malvadona tá contra a gente”. Papo mais antigo da história do mundo moderno, mas é estranho ouví-lo da boca de um senador vitalício e de um bandido condenado (Calheiros, bom, deixemos de lado). A amostra do desinteresse brasileiro por tudo que é metalinguístico é que na esfera estadual (com nossos chefes de casas civil e governadoras entregando o ouro) e na esfera federal (com os acontecimento supracitados) reina a inércia do tipo 1, estacionária. Que força será preciso pra que esse país consiga entrar numa fase de levante e de reorganização das suas tri-facetas (legislativo, executivo e judiciário)? Que tipo de escândalo será preciso para que percebamos o quão enraizada (pra voltar na metáfora rizomática) está a corrupção?

De certo modo (e principalmente sob o prisma da ficção científica), é compreensível o que se passa nos eixos da América. Não é um circularidade histórica propriamente dita, mas é uma lógica inescapável de dominação que ultrapassa, contrariamente ao que eu geralmente propagandeio, ideologia para ser algo, e que salto de fé é esse, imaginário. Como se fosse parte do que a América espera e projeta para si mesma: sermos eternamente esmagados por questões menores quando as maiores são mais gritantes. Os EUA engolidos pela recessão (tanto econômica quanto, evidentemente, ideológica) parecessem contagiar ainda mais o mundo. E não basta o cotidiano propriamente dito do emprego e da vida social direta; muitas outras facetas estão se mostrando já de início inevitavelmente corruptas. E eu remeto a um exemplo bem atual: Trent Reznor versus Twitter Trolls, ou seja, o grande Twitter e suas mútliplas capacidade de comunicação imediata tomados pela medo.

Eu digo isso faz tempo (até por já ter sido vítima várias vezes) que a rede serve ao princípio do cyberbulling. Vai ter sempre alguém pra mentir, avacalhar, destruir. É o preço da liberdade e todos devemos aceitá-lo e conviver com ele, as ferramentas de blogging e de produção de conteúdo (como Orkut e Facebook) estão constantemente delineando as barreiras entre liberdade e controle. Antigamente o Orkut era totalmente suscetível, agora já é bem menos. O Fotolog também.

O Twitter se adaptará? Pouco me importa.

O que me importa é perceber que a humanidade tem a maturidade sociológica (em outro salto, eu me permito) pra engendrar ferramentas desse cunho. Autorregulação.

Mas…

Em outros aspectos estamos cada vez mais distantes. Chávez, por exemplo, pensa tão pouco do povo que governa que acredita que a mera exposição a um canal de TV possa corromper todo o tecido social e político do país. No Brasil, as forças da nobra direita se perdem em corrupção e mentiras ao mesmo tempo em que culpam os poucos jornalistas que ainda tem o vigor e a coragem de procurar pelo menos uma para-verdade para mostrar a sujeira do país. Nada é mais assustador do que sessões do legislativo em segredo. E na América do Norte a questão não é menos fundamental. As propostas paternalistas de Obama são conflituosamente, também, libertárias. É claro que todos devem ter acesso universal a saúde, mas levanta-se a questão: isso é o papel essencial do governo ou mais uma faceta de um governo inchado e altamente corruptível?

Eu só sou apto a fazer as perguntas, não a respondê-las. Tanto é que procuro me colocar entre, a despeito de uma certa impossibilidade topológica.

Pergunto-me, de forma mais pessoal e talvez menos embasada em conhecimento e mais numa percepção emocional, até quando diletantismo, ideias e ideais absolutos e subserviência serão a proposta casada de uma demagogia de quarta série.

Pergunto-me até quando deixaremos de fora o que parece inútil, quando tanta coisa inútil é a própria senda da utilidade. Há algum tempo fui acusado de sofismo descontrolado e atrás dos sofistas descobri que englobá-los como apenas falácia, como pré-filosofia e pré-conhecimento é demasiadamente leviano (assim como é leviano torná-los em heraclitismo ou protagorismos).

O homem é a medida de todas as coisas, sem sombra de dúvidas, e a própria natureza (não apenas biológica, mas espiritual e psicológica) do homem denotam a idéia de que tudo é movimento. Entretanto, tal natureza é sombria e o rumo desse movimento é rizomático e relativo. Engraçado que Protágoras e Heráclito tenham, assim de imediato, nomes mal falados – algumas de suas idéias poderia ecoar em Einstein, 2 mil anos antes.

Brokeback Persia?

Publicado em despise for humans por pedro em 07/26/2009

Como um bom nerd nascido nos anos 80 e tendo vivido minha infância derradeira nos 90, sim, eu fui uma criança do videogame. Talvez mais do que a maior parte dos meus amigos (com exceções claras), o videogame tem sido parte integrante da minha vida e do meu imaginário.

prince_of_persia

O princípe: primeiro ele deveria salvar a princesa, depois o reino e, finalmente, a si mesmo. Os três jogos da trilogia do tempo (Sands of Time, Warrior Within e Two Thrones) trazem uma história mais séria e com certeza mais cinematográfica.

Sendo assim, fui apresentado a diversas culturas e conhecimentos humanos através do videogame e de seus subprodutos (ou seria o contrário? isso deixarei pra outra hora). Idade Média, urbanismo, história antiga, mitologia grega e até mesmo a ficção científica chegaram a mim, principalmente, através das mais variadas e até tolas aventuras. Primeiro em duas dimensões e depois em cenários complexos.

Nesta estrada (quantos amores pelo videogame, hein?) eu tive muitos companheiros. Mario, Sonic, o formato Street Fighter/Mortal Kombat/King of Fighters. Zelda, Metroid, são muitos os consoles e ‘mundos’ que migraram de geração em geração até os dias de hoje. Entretanto, entre todos esses mundos e fantasias uma delas teve seu papel marcante e contínuo na minha vida. Na época do lançamento original era um jogo de apenas alguns megas (4 ou 5, se não me engano) para PC que logo virou hype e saiu para a maior parte dos consoles.

Estou falando de Prince of Persia. A despeito das várias versões para vários consoles, o jogo teve 7 continuações (ou seriam sete versões?) para diferentes gerações. Contemporaneamente, temos quatro versões: Sands of Time, Warrior Within, Two Thrones e o mais novo que ganhou o nome simplesmente de Prince of Persia, ensejando um retorno.

Esses três primeiros são MUITO BONS e eu os joguei a exaustão. O quarto meio que mudou demais o jogo, estripando-o de suas qualidade dinâmica e retornando (até demais) para o formato endurecido da versão bidimensional original.

Mas eu não quero falar aqui sobre videogame. Quero falar sobre Prince of Persia: The Sands of Time, upcoming realese do diretor de Harry Potter e o Cálice de Fogo estrelando Jake Gyllenhaal como princípe.

Outras adaptações de videogame, na boa, passaram batido por mim pelo fato do

Gyllenhall: sua mudança corporal para atingir o papel de príncipe vai deixar muitas meninhas molhadinhas e muitos 'brunos' altamente alterados, mas pelas poucas fotos ele realmente conseguiu. Uma rápida comparação com a imagem anterior (um caracter desing de Warrior Within) deixa claro que o ator conseguiu incorporar o personagem.

Gyllenhaal: sua mudança corporal para atingir o papel de príncipe vai deixar muitas menininhas molhadinhas e muitos 'brunos' altamente alterados, mas pelas poucas fotos ele realmente conseguiu. Uma rápida comparação com a imagem anterior (um caracter desing de Warrior Within) deixa claro que o ator conseguiu incorporar o personagem.

meu desamor. Não eram coisas queridas ao meu coração. POP faz parte de mim, parte do meu imaginário. Quando criança eu me imaginava duelando o vizir, tantas vezes terminei sem tempo e a pobre princesa morreu. Em Warrior Within custou-me a descobrir como enfrentar de verdade o último chefão, o Dakara, espírito do tempo que busca matar o príncipe para normalizar o tempo.

O filme, obviamente, será baseado na trilogia do tempo. O nome remete ao primeiro jogo e a aparência de Gyllenhaal remete aos dois últimos. O que faz crer que a adaptação se distanciou da idéia original de Jordan Mechner, optando, como dito, pela versão mais cinematográfica.

As últimas adaptações que fui ver no cinema (Harry Potter e Watchmen) ficaram aquém do esperado. E Gyllenhaal é marco-teórico para bons filmes (Brokeback, Donnie Darko, Zodiac), mas também para alguns bem dúbios (Day After Tomorrow, October Sky) e o diretor (Mike Newell) também pode ser considerado nesse escopo (com filmes como Monalisa Smile e Donnie Brasco).

Eu adoro POP e espero sinceramente que o filme fique a altura, pelo menos, da aventura e da maturidade da história. A chamada do filme (Defy the Future), a despeito de lembrar Arquivo X (e a necessidade de Arquivo X é o tema do meu post ilustrado dessa semana), parece levar a entender que o filme terá a seriedade da série dos jogos.

Esperemos.

Gay Ball’n'Chain ou Church Ball’n'Chain

Publicado em despise for humans por pedro em 07/07/2009

Eu tava assistindo o show da Ellen Degeneres e ela comentou a notícia de que a agora ex-governadora Sarah Palin se pronunciou favorável ao banimento federal do casamento gay, ou seja, modificar o cerne da constituição norte-americana para que um grupo específico de pessoas seja considerado, não inferiormente, mas como fundamentalmente diferentes.

Francamente, com o balde de água fria que foi meu post sobre aborto, fiquei um tanto quanto precavido ao falar nesse assunto, mas hoje me deu aquela lampadinha em cima da cabeça.

E gostaria de uma resposta franca de qual é o problema em dois homens ou duas mulheres se casarem? Ninguém quer casar na Igreja Católica ou Evangélica. Todo tipo de atitude e estilo de vida contra as anais das religiões estabelecidas são facilmente encontradas na sociedade. Padres estupram criancinhas e se mantém padres. Governantes roubam bilhões de reais dos governos.

Odeio essa babaquice pós-moderna – essa doxa pós-moderna, pra falar a verdade – de multiculturalismo, de ‘vamos todos aceitar todas as culturas’. Acho BS total. Mas há uma grande diferença entre não gostar de sertanejo ou repudiar a cultura do hip hop e ser contra o casamento gay. Primeiro que se deve perguntar: tu é gay? Porque se não for, diferentemente do aborto (onde os gêneros estão diretamente e igualmente envolvidos), não se pode falar quase nada.

Essa idéia de casamento como algo sagrado e místico é fruto da fé. E a fé recompensa os justos. Sendo heterossexual e católico, por exemplo, deve-se, obviamente, casar com um homem com uma mulher. Agora, sendo homossexual e, por exemplo, ateu, QUAL DIABOS É A DIFERENÇA?

A discussão fundamental não é, essencialmente, sobre homossexualismo e o direito dessas pessoas de dividir suas vidas com quem amam. A discussão é sobre a separação entre Estado e Igreja, uma das maiores mentiras perpetradas em nossa era. A lobagem e o poder econômico que certos centros religiosos e conservadores, como o Bible Belt nos EUA, detém é parte fundamental da democracia. Entretanto, a democracia, como proposta e aceita por nós, é feita de discussão e não de fanatismo. É feita, como a própria realidade, de multiplicidade e não de manual de instruções. Eu tive uma criação católica, sendo batizado e tudo mais, mas dei de frente com os preconceitos imbecis da igreja. Um católica homossexual, digamos, pode se considerar um pecador. Agora um ateu? Como que alguém que não acredita em Deus e que acha, como eu, que a Bíblia é uma das maiores piadas de mal gosto já contadas, pode entrar nessa discussão?

Eu tenho o maior respeito pela religião. Por todas elas, na verdade, mas a incapacidade das pessoas em manterem suas religiões para si mesmos é o que me atormenta. Nada no mundo biológico contradiz o homossexualismo. De fato, nos últimos anos, tem-se descobrido cada vez mais animais (como os leões) que participam de atividades que só podem ser caracterizadas como homossexuais. As lagartixas, na verdade, demonstram claro pansexualismo, traçando o que vier.

O casamento gay é uma tentativa conservadora (até demais) que os mais fanáticos, conservadores e religiosos parecem incapazes de perceber. O que dois homens gays querem ao casar é terem uma vida moral como todas as outras pessoas: ser fiel, pagar impostos, criar filhos. E, francamente, qual é o problema nisso? A maior parte dos adultos homossexuais que eu conheço são dotados de um imenso senso de dever e responsabilidade, sendo pessoas que privilegiam caridade, a saúde e o bem-estar social. São pessoas produtivas, das mais diversas classes sociais.

Palin, assim como tantos outros nos Estados Loucos da América e mesmo por aqui, pretende um verdadeiro retrocesso: transformar um grupo inteiro de pessoas (e que não são poucas) em pessoas de segunda classe. E essa, é uma das piores coisas que pode acontecer com o mundo; um tipo de pessoa, um estilo de vida, uma religião, se tornar de segunda categoria.

Keep your religion to yourself.

Problemas com Trolls?

Publicado em despise for humans por pedro em 06/29/2009

What Is A Troll?

The term derives from “trolling”, a style of fishing which involves trailing bait through a likely spot hoping for a bite. The troll posts a message, often in response to an honest question, that is intended to upset, disrupt or simply insult the group.

Quando os trolls ficam muito pessoais, a gente começa a desconfiar de pessoas conhecidas. E, ironicamente, a imagem de um 'troll' mesmo, esses monstrinhos, remete aos meus suspeitos

Quando os trolls ficam muito pessoais, a gente começa a desconfiar de pessoas conhecidas. E, ironicamente, a imagem de um 'troll' mesmo, esses monstrinhos, remete aos meus suspeitos

Usually, it will fail, as the troll rarely bothers to match the tone or style of the group, and usually its ignorance shows.

Why do trolls do it?

I believe that most trolls are sad people, living their lonely lives vicariously through those they see as strong and successful.

Disrupting a stable newsgroup (or blog) gives the illusion of power, just as for a few, stalking a strong person allows them to think they are strong, too.

For trolls, any response is ‘recognition’; they are unable to distinguish between irritation and admiration; their ego grows directly in proportion to the response, regardless of the form or content of that response.

Trolls, rather surprisingly, dispute this, claiming that it’s a game or joke; this merely confirms the diagnosis; how sad do you have to be to find such mind-numbingly trivial timewasting to be funny?

Remember that trolls are cowards; they’ll usually post just enough to get an argument going, then sit back and count the responses (Yes, that’s what they do!).

How can troll posts be recognised?

  • No Imagination – Most are frighteningly obvious; sexist comments on nurses’ groups, blasphemy on religious groups .. I kid you not.
  • Pedantic in the Extreme – Many trolls’ preparation is so thorough, that while they waste time, they appear so ludicrous from the start that they elicit sympathetic mail – the danger is that once the group takes sides, the damage is done.
  • False Identity – Because they are cowards, trolls virtually never write over their own name, and often reveal their trolliness (and lack of imagination) in the chosen ID. As so many folk these days use false ID, this is not a strong indicator on its own!
  • Crossposting – Any post that is crossposted to several groups should be viewed as suspicious, particularly if unrelated or of opposing perspective. Why would someone do that?
  • Off-topic posting – Often genuine errors, but, if from an ‘outsider’ they deserve matter-of-fact response; if genuine, a brief apposite response is simply netiquette; if it’s a troll post, you have denied it its reward.
  • Repetition of a question or statement is either a troll – or a pedant; either way, treatment as a troll is effective.
  • Missing The PointTrolls rarely answer a direct question – they cannot, if asked to justify their twaddle – so they develop a fine line in missing the point.
  • Thick or SadTrolls are usually sad, lonely folk, with few social skills; they rarely make what most people would consider intelligent conversation. However, they frequently have an obsession with their IQ and feel the need to tell everyone. This is so frequent, that it is diagnostic! Somewhere on the web there must be an Intelligence Test for Trolls – rigged to always say “above 150″

Tirado de http://www.flayme.com/troll/

E pra invocar meu direito eterno da palavra, cito, então, outro:

On the road from the City of Skepticism, I had to pass through the Valley of Ambiguity.

Publicado em despise for humans por pedro em 06/28/2009

“O realismo incondicional da humanidade, que culmina no fascismo, é um caso especial de delírio paranóico, que despovoa a natureza e, ao fim e ao cabo, os próprios povos. É nesse abismo de incerteza, que todo ato objetivador tem de atravessar, que se aninha a paranóia. Como não há um argumento absolutamente convincente contra os juízos materialmente falsos, não é possível curar a percepção distorcida em que eles surgem. Toda percepção contém elementos conceituais inconscientes, assim como todo juízo contém elementos fenomenalmente não aclarados. Por conseguinte, como a verdade implica a imaginação, pode sempre ocorrer que, para as pessoas cuja imaginação foi lesada, a verdade seja algo de fantástico e sua ilusão, a verdade”

“Por mais universal que seja sua atividade, quem absolutiza ingenuamente é um doente, vítima do poder ofuscante da falsa imediatidade

De A dialética do esclarecimento, um “impecilho” para gente imbecil.

Homo Sacer

Publicado em despise for humans por pedro em 06/25/2009

“O problema com a ‘paixão do Real’ do séc. XX não é o fato de ela ser uma paixão pelo Real, mas sim o fato de ser uma paixão falsa em que a implacável busca pelo real que há por trás das aparências é o estratagema definitivo para evitar o confronto com ele”.

Bush foi como se o Nirvana tocasse nos anos 60: a única preocupação da banda que tocasse depois era se os equipamentos não estavam totalmente destruídos. Mas o show era no sul dos Estados Unidos, porque parece que ninguém tá gostando do following act, só a mídia.

CNN e MSNBC, principalmente.

O senhor Obama – como estranhamente o chamam – fell short on his promisses. Nada mudou. Sua batalhas para emendar ‘as caixas de som’ deixadas por Bush vai acabar, e parece cada dia mais claro, sendo apenas isso. Sua demagogia inteligente – que o cara não pode deixar de no mínimo reconhecer – só anda servindo mesmo pra inflar ainda mais egos e posições aberrantes.

A incapacidade – e talvez falta completa de vontade – por parte da mídia em se colocar numa posição imparcial, ou pelo menos parcialmente imparcial, denota ainda mais a travessia da fantasia lacaniana. O núcleo duro do real, como dira meu amigo Bruno, acionado pela despesa battailiana, nesse atravessar, resulta no nojo. Nem a esquerda (se é que chegou o momento de se dizer político e ideologicamente que há sim esquerda nos EUA), nem mesmo ela, consegue mais viver com o nojo que a concretização da fantasia causou.

Primeiro, e deve-se apontar, a repulsa gera primeiro um estranhamento. Como Zizek aponta metaforiando A Professora de Piano (2001): ao concretizar a vil fantasia do sexo e da submissão, a professorinha se vê repulsionada pela idéia de tudo. Não é que a fantasia fosse uma proteção contra a entrega do ato, mas ao torná-la real, ao se atravessar a fantasia é a própria fantasia que se torna uma defesa contra o ato em si.

A fantasia e o próprio imaginário hollywoodiano vem promulgando a anos a campanha de Obama. Os milhões de dólares gastos diretamente em comícios e propagandas poderia ter sido facilmente poupado: a população já estava devidamente treinada. Mas, assim como no WTC, o que se viu foi exatamente o que disse no parágrafo anterior: a concretização da fantasia (ou do pesadelo) concretizou, na verdade, a farsa. A farsa do cotidiano, esvaziado de seus sentidos na produção cultural, a cultura do cotidiano se chocou, neste atravessar, foi invadida pela realidade. A fantasia do próprio poderio americano foi dilacerada pela realidade dos aviões, do fogo e do colapso.

E Obama é, numa dimensão menor, a concretização do mesmo. A fantasia do bondoso líder mundial se desvanece na figura de um homem sério e brincalhão, que fala coisas além de seu tempo e que não resolvem as dicotomias atuais.

A cultura que aceita cada vez mais o inescapável multifacetado da realidade para não conseguir entender uma palavra que ele diz; oposicionistas acusam e apoiadores vibram. O sentido não faz mais sentido também. É vitória baudrillardiana? Poderia-se dizer, mas recuso-me a aceitar o termo vitória. Prefiro a catástrofe baudrillardiana. A antecipação do siécle XIX e XX, da grande tragédia que consumiria Ocidente e Oriente, sem distinção, veio na forma de signos.

Esse Real que tenta ser reinserido por Obama encontra somente o trauma: “exatamente por ser real, ou seja, em razão de seu caráter traumático e excessivo, não somos capazes de integrá-lo na nossa realidade (no que sentimos como tal), e portanto somos forçados a senti-lo como um pesadelo fantástico”.

Costumo invalidar os comentários pecaminosos da direita – a despeito de entendê-los – mas aqui abrirei, inspirado por trolls que acusam-me, um parágrafo para validá-los. É demagogia. É um presidente de araque que cumprirá seus quatros anos sem nenhuma promessa cumprida. A expressão usada, se não me engano, foi diletantismo obâmico. Mas amor a uma arte não é minha primeira opção para definir o entuasiasmo cego em volta dessa figura. Diferente da direita – e talvez também da esquerda – eu tenho posições multifacetadas em relação as coisas (e falo isso numa das raridades desse blog, também por ser acusado de não me posicionar, a despeito de depois ter sido horrivelmente acusado de ser esquerdista) e por isso fica difícil me posicionar completamente.

A princípio, como muitos, meu entuasiasmo estava sedimentado na idéia de que qualquer coisa seria melhor que Bush. Mas ‘coisa qualquer’ não apareceu; o que apareceu foi nada. O que apareceu foi um presidente acusado de ser liberal, mas dá de graça bilhões de dólares para salvar empresas que deveriam e precisariam falir. Acusado de esquerdista, ele favorece a guerra e o socialismo do qual é acusado, usando a mesma palavra, desvanece numa névoa de bilhões de dólares e centenas de afegãos mortos. Ele discursa em universidade cristã, falando sobre diálogo em questões como aborto e saúde, mas empurra uma estranha agenda de favorecimento e de impunidade.

Estranho, esse Obama.

Estranho por ser a dureza da realidade de que qualquer raça ou partido, “a competência e a perícia são proscritas”. Negro ou branco, negros e brancos continuaram na mesma. Mas ideologicamente it looks good, não é? O policulturalismo da “esquerda canalha” se vê também no fogo cruzado das múltiplas posições e múltiplas realidades. E o Real? Ah, esse é que é o problema.

“Geralment dizemos que não se deve tomar ficção por realidade – lembremo-nos das doxas pós-modernas (e essa vai pros meus admiradores e contestadores) segundo as quais a ‘realidade’ é um produto do discurso, uma ficção simbólica que erroneamente percebemos como entidade autônoma. Aqui a lição da psicanálise é o contrário: Não se deve tomar a realidade por ficção – é preciso ter a capacidade de discernir, naquilo que percebemos como ficção, o núcleo duro do Real que só temos condições de suportar se o transformarmos em ficção. Resumindo, é necessário ter a capacidade de distinguir qual parte da realidade é ‘transfuncionalizada’ pela fantasia, de forma que, apesar de ser parte da realidade, seja percebida num modo ficcional”.

E como o Homem-Rato freudiano, acuado em sua sublimação de classes, também Bush serve para acuar quem critica Obama, e ser para ensinar as massas que um presidente fraco é melhor do que um cruel.

As citações são do livro “Bem-Vindo ao Deserto do Real”, de Slavoj Zizek. Não lembro o ano porque estou sem o livro, só com os scans. É uma boa leitura complementar para qualquer coisa, mas principalmente para entender a cultura da mídia e a teoria baudrillardiana. Principalmente no que essas duas coisas se relacionam com a psicanálise freudiana e lacaniana e ao entendimento de que a realidade é algo multifacetado, construindo a partir de conflitos e acordos.

Guerra e Aborto

Publicado em despise for humans por pedro em 06/19/2009

Vou traçar aqui uma analogia que se desprende do Brasil. Aqui somos um país basicamente pacífico em termos de guerras diretas com outras nações, entretanto podemos – e o farei – fazer essa aproximação através da guerrilha urbana - ou suburbana – que vem sendo trava entre as forças do poder – donos de terra, polícia, judiciário – e algumas facções criminosas ou movimentos sociais.

Mike Huckabee, um ex-governador norte-americano e apresentador da FOX News, apareceu ontem no Daily Show falando aborto e foi isso que me fez escrever esse post. Huckabbe falou, já de início, que a discussão não deve girar ao redor do aborto em si, mas do valor da vida humana; ele afirma, em seguida, que acredita que toda a vida humana tem um valor inestimável.

O que é a vida? Onde ela começa e onde começamos a ser responsáveis por ela, no sentido de provê-la dos mesmos direitos inalienáveis que todos temos? Essas foram as perguntas sugeridas pelo ex-governador.

Ele seguiu dizendo que a verdadeira lógica é que estaríamos treinando toda uma geração – the one after us, ele diz – para acreditar que é certo, que não tem problema tirar uma vida humana porque ela representa uma interferência em nossas vidas, uma irrupção, seja econômica, seja ela social. Ele segue dizendo algo assim: “religiosa e cientificamente, o momento da concepção, quando os 23 cromossomos de cada pai se unem, criando uma combinação nunca antes vista de 46 cromossomos, isso é realmente quando a vida começa”.

Ele liga essa idéia a velhice. Se ensinarmos nossos filhos que tirar uma vida que se tornou um inconveniente econômico ou social – ou ambos – estaremos colocando em risco nossas próprias vidas quando chegarmos à idade mais avançada e nossos filhos terão de cuidar de nós. “Pai, o tratamento da sua bexiga solta realmente é caro e eu sempre passo vergonha: eutanásia pra ti”, foi mais ou menos o que ele quis dizer.

Minha percepção desse problema, obviamente, passa pela ideologia: passa pela maneira como pensamos o mundo. A moralidade do problema, em si, é para mim, francamente irrelevante. A entrevista desbanca para a questão legal, da soberania do corpo e toda aquela demagogia de Obama: vamos trabalhar juntos.

Para mim o problema é esse: a ideologia dominante já diz, senhor ex-governador. Quando a vida de Saddam Hussein se tornou UM IMPECILHO ECONÔMICO E SOCIAL PARA A NAÇÃO SOBERANA DOS ESTADOS UNIDOS, ele simplesmente foi eliminado. Morrer é um imenso impecilho econômico e social, e não apenas individual; a morte individual – que, na verdade, acarreta muitos poucos males para a pessoa que morreu, já que ela morreu e sabe-se lá o que há (e se há) do outro – acarreta perdas sociais: todos perdemos. A guerra, principalmente a proposta pelos norte-americanos, que se trata de caçar especificamente um grupo de pessoas – que, de fato, pertencem a diversos grupos étnicos diferentes – para que elas sejam ou imediatamente mortas (em conflitos diretos, como nas ruas de Bagdá em 2002), ou mediadamente mortas (como acontece até hoje nas ruas de Bagdá e em tantos outros lugares do mundo onde o terrorismo age quase que livremente), ou, finalmente, julgadas em algum sham tribunal em Gitmo ou em qualquer lugar do mundo para serem, também finalmente, geralmente sentenciadas a vida na prisão (não-vida) ou execução (novamente morte).

Se a vida de Osama Bin Laden se tornar um empecilho econômico e social para a vida de apenas um norte-americano, ele com certeza será caçado, julgado e morto.

As idéias – salvo as suas dimensões – são exatamente iguais: o povo iraquiano, centenas de crianças e jovens, padeceram na mira das máquinas de pós-aborto americano. Quando começa a vida do iraquiano? Do afegão? Da criança que nasce no seio de uma comunidade extremista religiosa e não tem a oportunidade jamais de ouvir: É, filho. Eu não tenho todas as respostas. O que é a vida de centenas de milhares de africanos das mais diversas nacionalidades que morrem todos os anos pelo mais puro descaso? Até na inação a ideologia é a mesma: destruir o impecilho. Há umas semanas atrás – e talvez por isso John Stewart tenha convidado Huckabee – um extremismo pró-vida assassinou um médico. Obviamente o médico fazia abortos. E é aí que se mantém a minha linha de pensamento. A ideologia, a forma de entender o mundo já é essa. O valor da vida humana se limita ao seu índice de perturbação: os sem-terra podem protestar o quanto quiserem, até começarem a atrapalhar a economia ou a socialidade de uma determinada região ou classe.

As milícias no Rio de Janeiro podem continuar extorquindo os comerciantes e trabalhadores até que isso apareça nos jornais e atrapalhe o andamento da imagem política do país, estado ou cidade. Daí é chumbo neles. Daí, o filho da dona Alzira, que tem 15 anos – não 15 semanas dentro do útero – é tratado até pelos mais religiosos como meia-vida, semi-vida, anti-vida e até mesmo subvida. Chora-se por ele quando ele recebe 8 tiros de metralhadora, disparados por um policial militar em meio a um tiroteio. Na hora que o filho de dona Alzira levantou seu braço e estendeu na mão dura de quem acredita que o tráfico, que a organização criminosa (por mais desorganizada que seja), ou que mesmo os amigos é que estão ideologicamente corretos, e que a justeza e as leis do país pouco importam, ele se tornou um impecilho e será lidado como qualquer outro impecilho.

Não é necessário educar as crianças a favor do aborto: elas já são. Mesmo as que dizem que não, mesmo os padrecos, pastoris e bispótes que tanto falam em sermões, missas e até mesmo em blogs e twitters da vida, até mesmo eles são pró-aborto. A incrível colocação nunca vista antes de cromossomo, que pode ser Einstein ou Hitler (ou pior, Goebbels: carrasco de toda a humanidade), é mais importante do que um garoto que existe, que age no mundo, que anda e fala, que ama e é amado. O amontoado de célular, meu amigo, certamente é um ser humano. De fato, não é nada além disso. Assim como a unha do pé podre de meu avô que caiu uma vez também continuava sendo, mesmo desprendida de seu corpo, ele: os mesmos 46 cromossomos.

O sangue do filho de dona Alzira – que pode ser um empregada doméstica carioca ou uma fiel credora de Alá – esparramado pelo chão junto com suas vísceras, membros e pele, também continua sendo ele. E ainda por anos será, mesmo depois de sua morte.

O mundo atual, e talvez as diversas socializações comunicacionais – desde a imprensa até a rede – tenham facilitado ou incitado isso, parece estar sempre perseguindo a inutilidade, os momentos fúteis, ao invés de travar as batalhas reais.

Todas as pessoas mortas em guerra também são abortos eletivos.

A completa parcialidade ideológica da maior parte das culturas demagógicas, estritamente religiosas e conservadoras é a verdadeira clínica de aborto.

E então, o homem esclarecido é forçado a se perguntar: esta ferrenha discussão sobre o aborto, que move tantas mentes e corações, não seria apenas uma cortina de fumaça? Como tantas outras, não é mesmo?

O que hoje em dia não é?

Pra fechar, no final da entrevista Huckabee menciona uma menina que conhecera que fora, um dia, um embrião congelado. A mãe da menina disse para ele: “Olhe para minha vida e me diga que aqueles embriões não tem vida”.

Olhe para os caixões no Iraque e me diga que ali não tem vida.

“Do i have the right to say that I own another person’s life to the point that I may dispose of it and consider it to be expendable?”

Sim, senhor ex-governador. Aparentemente, em diversos lugares do mundo, inclusive nos grandes Estados Unidos da América do Norte, esse é um direito.