Problemas com Trolls?
What Is A Troll?
The term derives from “trolling”, a style of fishing which involves trailing bait through a likely spot hoping for a bite. The troll posts a message, often in response to an honest question, that is intended to upset, disrupt or simply insult the group.

Quando os trolls ficam muito pessoais, a gente começa a desconfiar de pessoas conhecidas. E, ironicamente, a imagem de um 'troll' mesmo, esses monstrinhos, remete aos meus suspeitos
Usually, it will fail, as the troll rarely bothers to match the tone or style of the group, and usually its ignorance shows.
Why do trolls do it?
I believe that most trolls are sad people, living their lonely lives vicariously through those they see as strong and successful.
Disrupting a stable newsgroup (or blog) gives the illusion of power, just as for a few, stalking a strong person allows them to think they are strong, too.
For trolls, any response is ‘recognition’; they are unable to distinguish between irritation and admiration; their ego grows directly in proportion to the response, regardless of the form or content of that response.
Trolls, rather surprisingly, dispute this, claiming that it’s a game or joke; this merely confirms the diagnosis; how sad do you have to be to find such mind-numbingly trivial timewasting to be funny?
Remember that trolls are cowards; they’ll usually post just enough to get an argument going, then sit back and count the responses (Yes, that’s what they do!).
How can troll posts be recognised?
- No Imagination – Most are frighteningly obvious; sexist comments on nurses’ groups, blasphemy on religious groups .. I kid you not.
- Pedantic in the Extreme – Many trolls’ preparation is so thorough, that while they waste time, they appear so ludicrous from the start that they elicit sympathetic mail – the danger is that once the group takes sides, the damage is done.
- False Identity – Because they are cowards, trolls virtually never write over their own name, and often reveal their trolliness (and lack of imagination) in the chosen ID. As so many folk these days use false ID, this is not a strong indicator on its own!
- Crossposting – Any post that is crossposted to several groups should be viewed as suspicious, particularly if unrelated or of opposing perspective. Why would someone do that?
- Off-topic posting – Often genuine errors, but, if from an ‘outsider’ they deserve matter-of-fact response; if genuine, a brief apposite response is simply netiquette; if it’s a troll post, you have denied it its reward.
- Repetition of a question or statement is either a troll – or a pedant; either way, treatment as a troll is effective.
- Missing The Point – Trolls rarely answer a direct question – they cannot, if asked to justify their twaddle – so they develop a fine line in missing the point.
- Thick or Sad – Trolls are usually sad, lonely folk, with few social skills; they rarely make what most people would consider intelligent conversation. However, they frequently have an obsession with their IQ and feel the need to tell everyone. This is so frequent, that it is diagnostic! Somewhere on the web there must be an Intelligence Test for Trolls – rigged to always say “above 150″
Tirado de http://www.flayme.com/troll/
E pra invocar meu direito eterno da palavra, cito, então, outro:
On the road from the City of Skepticism, I had to pass through the Valley of Ambiguity.
Ontem eu quase apanhei por ser mais inteligente? (com a interrogação fica menos arrogante)
Eu vou, depois, com mais calma, explicar essa história mais a fundo.
Mas vale mencionar:
Estavámos no Bambu’s, bebendo, rindo, conversando sobre amenidades e até algumas coisas importantes, tipo indústria cultural e a homegeinização cultural pela qual o Ocidente, e, marcadamente, Porto Alegre, vem passando nos últimos 20 anos.
Estava, portanto, falando, sempre amigavelmente quando um bando de cabeludos que estava ao nosso lado descaradamente ouvindo a conversa resolveram se meter. A princípio foi uma intervenção bem positiva e engraçada: o assunto era como a cultura de hoje fagocita tudo e quem acha que tá fora do ’sistema de produtos mercantilizáveis’ é inocente or plain stupid.
Então que começamos a falar sobre como os grupos étnicos foram sendo excluídos e inseridos nas sociedades ocidentais e, mais recentemente, também nas orientais. Estávamos falando sobre a China. Quinta-feira sendo o vigésimo aniversário de Tiananmen, apontavámos que a senzala hoje é a China: senzala que tem seus rumos dirigidos pelos próprios escravos – uma verdadeira comuna de trabalhos quase-forçados que sustenta o Ocidente capitalista e consumista-individualista com os tão necessários produtos industrializados.
Então um desses cabeludos começa a falar dos judeus, e de como eles estão sofrendo há 2 mil anos. Papo imbecil de um cara imbecil que nem sequer consegue perceber o claro anti-semitismo em seu discurso. 2 mil anos? Peraí, cara. Os judeus perseguiram cristãos. Colonizar a Europa. E só bem depois, só há mil anos é que começaram a ser, de fato, perseguidos da forma como seu discurso clamava acontecer ainda hoje. Hoje, eu disse, eles tem até um país só deles, cara.
No calor, o Floco e eu começamos a tirar com a cara do cara. “A história não é uma linha retinha, meu”. E daí eu disse: “cara, quando tu terminar tua faculdadizinha volta aqui e a gente conversa”. Ele começou a gritar e espernear e o Floco deu o golpe de misericórdia: “Que faculdade tu faz?” Quando o cara respondeu, com o peito cheio de total arrogância “economia”, eu e meu querido amigo caímos na gargalhada. “Cabeludo, metaleiro e faz economia”…
Nesse momento eu só vi o peito do cara se enchendo ainda mais e um de seus punhos que, francamente, eu nem vi direito qual, porque, francamente, nem prestei muita atenção no cara, levantando. Um dos amigos segurou ele e rapidamente o grupo desbandou.
“Digamos que o que permite tornar inteligível o real é mostrar simplesmente que ele foi possível”
Já dizia nosso bom Foucault lá nos anos 70. O que ele, assim como vários outros pensadores, falhou em perceber foi a ruína do pensamento cotidiano; quando discursos e ideologias estão tão desgastados pelo uso midiático, perde-se a linha-guia do pensamento. Qual é o real? Como mostrar que o real é aquilo que de fato aconteceu quando tem gente por aí negando a factualidade de certas coisas?
Não dá pra ser assim. Não é que todos tenhamos que pensar igual, mas não dá pra entrar em discussões sobre o que tu acha do céu ser azul… o céu é azul e pronto. Gostar, não gostar, achar, não achar, é IRRELEVANTE.
Relevante é considerarmos criticamente quais discursos são falsos e verdadeiros e que tipo de ideologia, discurso, sociedade, cultura, civilização, não apenas os permite como incita. A História tá lá, é só parar de ouvir Craddle of Filth ou Pantera e pegar um livro pra ler.
Ou melhor, Google.
O pior de tudo foi o cara me dizendo: “ah, tu não tem fundamento pra falar isso”.
Quem tem fundamento é tu, babaca. Tu e a tua faculdade canalha de crunchin’ numbers. Quer discutir o Dow? Vai fundo, disso tu sabe. Agora falar de condição humana, história das religiões e filosofia analítica, existencial e hermenêutica, porra, vai ler um livro antes, cara. Qualquer um. Te dou até umas dicas.
E repito:
“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros
Utopia or Deuteranopia?
A utopia é uma amiga fiel da humanidade. Poderíamos até dizer que é parte fundamental do imaginário fundador da civilização. Afinal, estar junto (maffesoliano ou não) é uma necessidade quase-utópica da socieadade já que, desde a física até a sociologia, a impossibilidade da comutação total permeia a própria forma com que entendemos o mundo: queremos os outros, mas a uma distância segura.
Em Sfez, vamos ter uma confirmação: toda utopia é projeto e todo projeto almeja ser realidade. A blueprint proposta pretende-se prédio. A coisa é tal, resultado de uma construção, porque, fantasiada, revela-se como idéia diante do construtor, em Heidegger. A imagem é a própria forma da coisa. O pensamento nos permite a fantasia, nos permite o cálculo, a lógica, a esperança e o sonho. Permite-nos, como dizem os anais dos clichês, pensar um outro mundo; imaginar que há a possibilidade de se existir de outras formas.
Cidades, nações, civilizações… projetos utópicos trazidos ao mundo por gerações e gerações de sonhadores, poderia-se dizer; sonhando acordados com um mundo que ainda não existe.
Mas, em Morin, temos que a conclusão de um projeto para um novo mundo passa obrigatoriamente pela obliteração do projeto de mundo em curso.
Precisa-se perceber o mundo em seu curso atual para então mudar suas coordenadas. Por isso utopia: não-lugar. Fora dos lugares: outside the world, or, at least, outside THIS world.
Daí surge a questão: utopia ou deuteranopia? Não é percepção da construção de uma utopia, a demarcação de seus índices e a limitação de seus rumos, é a própria percepção de que seja possível uma utopia.
Deuteranopia é um dos tipos de color blindness, na verdade, é provavelmente a mais conhecida. Daltonismo para os íntimo. Incapacidade de processar algumas cores.
Então: pode alguém (ou todos) configurar uma utopia, um novo mundo possível decalcado por cima desse, sem conseguir apreender todos os índices do velho?
A transformação do mundo, se for direcionada (mesmo que apenas se pretenda isso), deve passar pelo conhecimento do mundo. Mas que mundo?, uma infinidade de autores nos alertará. Na década de 1970, junto Jean-François Lyotard, o mundo declarava a pós-modernidade. Esta, antes de projeto de mundo, emplacava (no sentido sedimentar) a percepção fluída de um mundo onde mundos coexistem. As grandes ideologias se tornaram meta-relatos: pulverizou-se e diversificou-se o maquinário utópico da civilização ocidental. Agora as máquinas de Deus estão nas mãos de todos em mais do que modos subjetivos e distantes: as fantasias utópicas que ora eram políticas, ora econômicas, ora militares, de sangue ou teológicas, se sublimam na imperatriz da variação. Utopia tecnológica. A cegueira da humanidade que impossibilitava a utopia social se articula na possibilidade de que TÉCNICA + CIÊNCIA vão desbravar esse diferencial insolúvel.
Mas não era a cegueira o empecilho anterior? E podem ter certeza – nas poucas coisas que se pode ter certeza – de que continua sendo. Obama, Apple, multiculturalismo, preservação do meio ambiente… vivemos, mais do que antes, eu diria, uma era de utopismos em atopismos. Evolucionismo ou atavismo? Estamos, na verdade, em estagnismo. Congelados como cervos, os faróis são a brilhante fantasia que se orquestra em todos os níveis da sociedade. A política se oblitera para abrir caminho para uma nova forma que ainda não tem forma. A economia convulsiona com a incerteza constante de transformações não-econômicas? Não. A economia segue a uma distância segura apoiando o mundo não atópico, obliterando as chances de transformação e conservando as articulações reumáticas de um mundo que parece cada dia mais próximo de uma forma limítrofe.
A cegueira, portanto, não é total. É verdadeiramente daltonismo: a incapacidade de se ver alguns índices da realidade. É a arrogância de trocar o azul pelo vermelho: troca-se a Terra por Marte, por um planeta novo capaz de ser totalmente terraformado pelo cálculo, pela matemática, pela lógica, pela comensura proporcionalizante.
Por isso a pergunta: a sublimação tecnológica não é ainda outra impossibilidade de se ver? Nas coisas e cálculos o ser perde um pouco mais de si e o Homem é transformado em mamífero cordado de inteligência superior: a humanidade se torna empreitada, aventura. Children are burning and we are watching it on our Ipods.
Eu não sou o maior fã de Oasis do mundo, mas em seu novo disco uma música, com o nome sinistro de Falling Down, nos aponta uma realidade latente da qual, de fato, músicos famosos devem ter informações privilegiadas: estamos vivendo um sonho moribundo. Um estranho sonho do séc. XVII, de máquinas voadoras e espíritos ligados por conduítes de ouro e estanho. Tungstênio inflamado de uma realidade tão possível, mas que escapou entre os dedos de tolas batalhas ideológicas e economicismos tacanhos.
Perdemos muito de nós mesmos ao ganharmos a era em que vivemos.
O mais estranho é que o jazz, os escritores beat, a arte do início do séc. XX (a semana de 22, Jackson Pollock), todos avisaram.
Ninguém quis escutar.
You’re hurting my hand!… Normally, I like that. But this time I can’t reciprocate your feelings.
Incompetência: o post.
Então há DOIS MESES atrás eu andava me incomodando com a Net. Não só pelo crime abusivo que são as franquias, mas porque ao comprar uma franquia adicional – tava precisando, não é porque sou rico não, tá
? – eles levaram 3 dias para acionar. Ou seja, três dias pagando 3Mb e tendo 128kbps.
Mas a questão não é essa. A questão é que hoje, as 16:14 eu recebo um e-mai de resposta.
A inércia e a incompetência realmente reinam em qualquer lugar. NET, Claro, Vivo, toda e qualquer empresa que preste um serviço essencial nessa era tecnológica tem, como nos romances de Gibson e Orwell, o controle total sobre suas ações. Não há responsabilidade; e muito accountability – ninguém responde por essas coisas. Um punhado de pessoas consegue processá-los, lucrando alguma esmola, enquanto que dezenas de pessoas estão completamente a mercê dessas empresas.
É realmente tão assustador quanto alguns autores previram. Talvez não tão fascista ou ideológico, já que o único interesse mesmo é te enganar e tirar teu dinheiro. Na Claro há anos eu me incomodo e as respostas do Procon sempre são como a desse e-mail: vagas. Qualquer idiota sabe que vai ter que eventualmente ir ao Procon com uma certa documentação para fazer a reclamação, entretanto o e-mail nem mesmo especifica que papelada seria essa. Ou seja: tu trabalha, já não tem tanta grana assim. Só de passagem de ônibus ou gasolina esse e-mail já indica que serão pelo menos 4 VIAGENS até tu conseguir agilizar o que precisa ser feito.
Por muito tempo muita gente disse: “O Brasil é uma vergonha”. Mas basta assistir a BBC ou a CNN durante duas (ou diria, duras) horas pra ver que lá nus states e nas europa também é bem igualzinho. Valérioduto ou Mensalão, não importa, ingleses usa pra comprar biscoito e limpar um fosso.
Mas daí tu pode me dizer: “ah, mas na anglo-terra a coisa é democrática. enquanto que no brézil eram 85% dos parlamentares envolvidos, lá o índice de participação no esquema de desvio de verbas púbricas pra uso pessoal chega a espantosos 99%”.
E nosEUA a gente vê a inércia social completa: Cheney aparece na TV, ao mesmo tempo que o presidente, fazendo exatamente aquilo que ele dizia, 6 ou 7 anos atrás, que jamais poderia ser feito: “se questionarmos o presidente, mesmo que ele esteja errado, passamos uma imagem de fraqueza para nossos inimigos”. Agora questionar o presidente democrata e negro não tem problema, nas próprias palavras dele “é um dever e uma obrigação de todos os americanos”. O cara ADMITIU COM TODAS AS PALAVRAS nos últimos meses que Bush jamais passou de uma marionete; Cheney é que tomava as decisões e agora é ele que vocifera a oposição. O fascismo e o inimigo da liberdade, meus amigos, está bem ali. Não é mais uma coisa simplesmente econômica, não é mais interesses empresariais… É IDEOLÓGICO: “não há meio termo” e não estou citando levianamente. O Daily Show de ontem ainda fez a edição exatamente nesse ponto: ele realmente disse isso. Segundo ele, torturar até mesmo inocentes é o preço a se pagar pela proteção. Isso vindo da boca da administração de ignorou VEEMENTEMENTE TODOS OS AVISOS E ALERTAS DE QUE TERRORISTAS IAM TENTAR SEQUESTRAR AVIÕES EM SETEMBRO DE 2001.
E, assim como no Brasil do deputado cassado que se reelege, nas américa também a memória é curtinha. Aqui a preocupação cotidiana lá é o medo mesmo. Enquanto aqui os impostos, a incompetência de esquerda, direita e centro, impossibilitam a mobilidade social (quer dizer, impossibilitam a mobilidade social para cima; para baixo elas favorecem), lá é o medo mesmo. “Saúde gratúita e livre para todos” só pode ser um golpe. “Então você paga 4 dólares a mais por mês de impostos, não é de graça. Vamos ficar com nossos planos de saúde de até 2 mil dólares por mês”.
Lá nas anglo-terras também é meio assim. O escândalo aparece o tempo todo e nem os jornalistas que noticiam as novas revelações parecem se importar. “Tô mais preocupado com a minha Guinness em casa me esperando…” que nem aqui o cara tá mais preocupado com o Coritiba ou com os venezuelano.
E pra coroar esse post com a verdade acima de todas as outras:
GRIPE SUÍNA:
Aproximadamente 9 mil casos no mundo inteiro.
Aproximadamente 80 mortes.
PNEUMONIA:
Só nos EUA, no ano passado, quase 62 MIL MORTES.
Don’t let fear get the best of you…
Alguns fatos sobre gripe suína e as condições horríveis que os animais recebem
Eu não sou desses caras de ficar fazendo alarde quanto às condições com que bovinos, ovinos, suínos e aves em geral são tratadas nos criadouros e matadouros industrializados da nossa bela, porém reservadamente horrível era.
Acho uma coisa tão absurdamente óbvia, mas tão, TÃO ABSURDAMENTE ÓBVIA que chego a ficar um tantinho ofendido quando recebo algum tipo de e-mail ou comentário sobre esses assuntos. E quando leio nos lugares, afirmativamente, sempre fico um tantinho incomodado também.
Mas esse não é o ponto. Como meu blog e minha vida são voltados para a evidência de que tudo, até mesmo a realidade física na qual vivemos, é algo infinitamente multifacetado, sempre estou procurando por pérolas no chiqueiro… o que, pensando bem, resultaria, literalmente falando, em provável doença.
O ponto é que toda tragédia tem suas consequências agradáveis. A da gripe suína, ou vírus H1N1, é um aumento em relação à uma postura de atitude internacional em relação a isso. A proximidade cronológica entre a gripe aviária e esta suína realmente assustou não apenas os órgãos internacionais de proteção ambiental e das agências de saúde, mas também os próprios produtores.
O que é bom. Mas vamos por parte. Minha principalmente incomodação com essa coisa de tadinho dos bichinhos são os exageros.
Hoje eu recebi de uma amiga essa:
Você sabia que cada vez mais há indícios da ligação entre fazendas industriais e a gripe suína? Organizações internacionais têm alertado que essas fazendas industriais operando em condições desumanas e imundas há anos têm sido verdadeiros celeiros de doenças.
A primeira coisa que veio na minha cabeça: as pessoas estão sendo tratadas mal nessas fazendas industriais?
Porque, até onde eu sei, a melhor condição que tu der para qualquer animal ainda será necessariamente desumana, não é mesmo?
Não adianta esses eufemismo: os animais são mesmo tratados como lixo, não é crueldade; é completa e irremediável indiferença.
Acho que romper a barreira do exagero linguístico, dos eufemismos de boteco, é o primeiro passo para uma conscientização que vá além de parar de comer, no mínimo, comida de procedência questionável.
Religião e Terrorismo
Terrorista é geralmente tido como um daqueles tantos termos que infelizmente se tornaram verdadeiramente midiáticos, como political. Algungs grandes pensadores se debruçaram recentemente sobre esses assuntos, incitados, é claro, pelos atentados de 11 de Setembro de 2001. Baudrillar, Zizek, vários.
Entretanto há uma posição que deve ser analisada. Terrorista é, pelas primeiras definições de dicionários, aquele que, participando ou não de um grupo, age conforme o terrorismo, que, literalmente quer dizer: o uso de violência ou de ameaça de violência para intimidar; coerção por força. Deve-se levar em conta que violência não existem apenas na sua forma física. E que essa coerção geralmente tem como objetivo último a mudanças de aspectos políticos.
Esses dias eu postei algo sobre aborto numa piada do John Stewart e o wordpress linkou esse post a outros também tratando do assunto do aborto. Uns dois eram diagonalmente a favor, os outros eram de religiosos, padres, associações, teológos.
Daí me veio uma coisa que tinha ouvido de algum estouradinho há anos atrás: a religião é terrorista.
Num desses benditos blogs falava-se sobre a afirmação – duvidosa – de Obama de que as manifestações pró-vida, geralmente tomadas por fervor religioso, estariam associadas ao que se entende como terrorismo.
Terrorismo não é necessariamente matar as pessoas ou atacá-las – coisa que sabidamente esses grupos fazem, ameaçando médicos e profissionais da área, além de políticos e ativistas do outro lado: os casos SÃO MUITO BEM CONHECIDOS E MUITO BEM DOCUMENTADOS - mas é uma chantagem.
Eu não vou linkar o blog esse e nem o próximo porque, me desculpem, sou a favor da discussão de idéias, mas também sou adepto do bom senso e da liberdade de expressão.
Esses sites, eu venho olhando fazem dois dias, protegem-se atrás da religião – católica ou no mínimo cristã – e da liberdade de expressão pra chantagear as pessoas. “Prática homossexual: Pecado que brada aos céus por vingança”, em outro post, falando sobre comunismo e livros escolares o blog diz: Nem mesmo um livro de Educação Física escapou à sanha de “doutrinação” a favor do sistema comunista. Depois ainda, falando sobre clonagem, chama essa tecnologia de “Concepção Hedonista da vida”, e numa das tags temos “OMOSSEXUALISMO”, que suponho ser sexo com sabão em pó Omo.
As melhores na verdade são:
“Na quarta-feira, dia 6 de maio de 2009, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado Federal poderá votar e aprovar uma proposta legislativa que glorifica o homossexualismo e instaura a perseguição religiosa no país”.
E uma citação TOTALMENTE IMBECIL DO KLOSSOWSKI:
“Suprimam o casamento, a noção de fidelidade conjugal, a ordem, a decência, a castidade em seus aspectos representativos [...] então tudo se dispersa, se degrada, se aniquila, torna-se totalmente amorfo”.
Antes de mais nada: LEI NENHUMA, A NÃO SER EM CLUBE DE DRAG QUEEN E BOATE GAY, GLORIFICA O HOMOSSEXUALISMO.
Sabe, a religião pode estar certa. Pode ser pecado. Assim como matar, estuprar (inclusive criancinha), e MESMO ASSIM AS PESSOAS VÃO FAZER. Sabe por quê? Porque ninguém dá a mínima pra religião. Nem as pessoas que a praticam. Pelos olhos desse Deus de vocês TODOS VOCÊS QUEIMARAM NO INFERNO. Eu estudei em colégio católico e tenho um certo carinho pela Bíblia e pela figura de Jesus – PORQUE JESUS MESMO DE VERDADE, DESCULPE GENTE, NÃO EXISTIU. VÃO PEGAR UM LIVRO DE HISTÓRIA E VER QUE FOI CONSTANTINO, IMPERADOR HOMEM DE CARNE E OSSO DE ROMA QUE INVENTOU A CRISTANDADE BABACA DE VOCÊS – e tenho uma boa idéia da moral e bons costumes cristãos. Conheço esse Cristo do qual vocês falam…
Conheço-o e são vocês que o ofendem. É o pecado do preconceito e da intolerância de vocês que brada aos céus por vingança. Jesus disse ama ao teu próximo como a ti mesmo, dê a Nero o que é de Nero, ajude até mesmo os infiéis. Cristão de verdade tá na rua ajudando prostituta e michê a comprar remédio pra AIDS, dando camisinha.
A citação de Klossowski poderia ter ido parar num livro de Jean Baudrillard ou de Slavoj Zizek.
Os índices de divórcio já são mais de 50% e pesquisas atuais mostram que os casamentos entre pessoas de mesmo sexo tendem a durar mais, com uma maior qualidade de vida – inclusive sexual. Castidade, decência e ordem são conceitos abstratos que de nenhuma forma jamais refletiram a realidade. Sem fuck-fuck não tem bebês e sem bebês não tinha mais humanidade. Ordem é outro conceito canalha, simplista, que apesar serve para contrapor outra simplificação que a desordem.
Homens casando com homens e meninas de 16 interrompendo suas gravidezes indesejadas, com certeza, não será o fim do mundo. Eu li as Revelações de Pedro. De cabo aos rabos (a criatura, afinal, tem vários). E Obama é um cordeirinho perto de Bush, de qualquer forma que se veja. Se a AIDS é punição divina, porque é que dentro das igrejas no México ainda não tem missa? Existe um conceito que permeia a sociologia católica e cristão e este é o da liberdade: os próprios cristãos foram perseguidos pelos romanos nos áureos tempos de laicidade mítica; era legal? Não. Não era. E a despeito da religião estar cosmogonicamente correta, ela também acerta no que se refere AO LIVRE ARBÍTRIO. Esta imbecil liberdade de escolha na qual só se pode escolher a coisa certa é realmente imbecil.
Ninguém está aqui dizendo: substituam a Bíblia pela anatomia de Gray. Só que como bom cristão entendo que as pessoas tem a liberdade, DADA POR DEUS, de entender a criação em sua plenitude. Para mim, esta é a única verdade plena em todas as religiões: nosso objetivo em nossas curtas vidas é o máximo de esclarecimento possível. E se este esclarecimento passa, nem que lateralmente, pelo conhecimento mecânico-científico-tecnológico do mundo, então ele deve ser assumido.
Terrorismo mesmo é este eterno estado de ameaça. Este estado de esquizofrenia da realidade, onde as chuvas que mataram centenas de pessoas em Santa Catarina é retribuição divina pelos homossexuais, onde a crise financeira é culpa do aborto, onde a américa que esmaga o islã, onde homens de deus se corrompem devorando – literalmente – seus rebanhos, onde Nero e o templo se confundem, onde a sombra derradeira da tragédia e da catástrofe espreita em cada esquina e cada capela canadense que realiza casamentos entre homens e homens, mulheres e mulheres.
Sim, a Igreja pode ser terrorista. No seu sentido MAIS LITERAL. Instigando nas pessoas o terror. Não se preocupem, cristãos e cristãs, EU LI AS REVELAÇÕES DE PEDRO E LÁ DIZ QUE NEM TODOS QUEIMARAM QUANDO O MUNDO ACABAR.
ENTÃO SE PREOCUPEM MAIS EM RESOLVER OS PECADOS DE VOCÊS DO QUE OS DOS OUTROS. Enquanto vocês estão preocupados com pessoas decentes, respeitosas, que tornam suas vidas produtivas, como é o caso com A MAIORIA ESMAGADORA DOS HOMOSSEXUAIS, que são pessoas felizes, completas, produtivas, inteligentes e abertas ao mundo, a preocupação deveria ser com a pedofilia, corrupção e violência que as práticas de vocês vem instigando há 20 séculos.
NUNCA OUVI UM CASO DE “LÍDER COMUNISTA PRESO PRO ESTUPRAR CRIANÇAS”… AGORA DE PADRECO TEM A DAR COM PAU!
Notas:
1) Sou batizado, fiz primeira comunhão mas não fiz crisma porque passei a discordar dos preconceitos e pré-conceitos que a igreja imbui em seus seguidores
2) Porno, na verdade, homoerótico é aquele Jesus naquela cruz só de tanguinha. Homoerótico e S&M, que diga-se de passagem.
3) O marxismo, a despeito de suas origens atéias, tem MUITO EM COMUM com a idéia de paraíso terrestre da religião, com a divisão das responsabilidades e a responsabilidade social da caridade.
4) E mais do que tudo: “A história pode, [...], ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes de uma determinada época”… sim. E essa, te dou com certeza de uma pessoa que JÁ LEU KARL MARX, o marxismo tirou de um pequeno livrinho chamado LIÇÕES HISTÓRICAS DA IGREJA APOSTÓLICA ROMANA – Sécs. I ao XVI.
5) E, finalmente, pára de achar que o colégio do teu filho tá tentando transformar ele em comunista, seu babaca otário. O colégio do teu filho tá transformando ele em outro andróide consumista que vai da tua bosta de Igreja e do papinho do teu pastor ou padreco direto pro supermercado comprar merda industrializada que ele nem precisa. Parem todos vocês extremistas religiosos de achar que ainda estamos no século XV; a predominância ideológica e moral da religião acabou. NEM OS TALIBÃ LIGAM PRO CORÃO, meu. O problema não é homem com homem ou mulher com mulher, nem é aborto nem marxismo (pelo amor de Deus, estamos em 2009: NINGUÉM VAI VIRAR ATEU POR CAUSA DA INTERNACIONAL COMUNISTA), o problema da contemporaneidade são VOCÊS.
Health Care ou Health Careless?
A discussão norte-americana mais ferrenha e imbecil anda sendo a de que Obama quer criar um modelo de saúde pública igual ao dos lugares civilizados do mundo – inclusive o Brasil – no qual existem os serviços privados, entretanto, as necessidades básicas de saúdes são e devem, obrigatoriamente, serem supridas gratuitamente.
Aonde chegamos para encontrar pessoas educadas, inteligentes, representantes da população que afirmam a plenos pulmões que isso será pior para a população?
Como que uma pessoa que ganha 8 dólares por hora vai se fuder mais se seu câncer ou furúnculo for tratado gratuitamente? Como que uma família que acabou de perder um dos pais para uma longa doença degenerativa pode ficar pior do que com as contas de hospital que será obrigada a começar a pagar depois de sepultar seu ente querido? Como que uma pessoa que tem câncer no cérebro vai ficar pior do que à mercê de empresas de seguro de saúde – os famoso HMOs – que nega seu pedido para uma cirurgia que tem 90% de chance de dar certo por causa de uma tecnicalidade no contrato?
Nos EUA, há anos, existe sistema público de educação.
Por favor, algúem, qualquer um, até anonimamente, pode me explicar isso? Pode, por favor, me explicar como é que a educação de uma pessoa pode estar a cargo do governo, a educação, uma coisa altamente ideológica, que envolve a formação categórica de um ser humano, e a saúde, o momento de maior fragilidade de uma pessoa, quando ela realmente precisa de ajudar não para se desenvolver, MAS PARA CONTINUAR A EXISTIR, não.
Alguns republicanos, inclusive Mitt Romney e Jeb Bush foram retratados no Daily Show de ontem falando sobre a revitalização do partido republicano. De todos os absurdos que saem e saíram das bocas e canetas desse partido nos últimos 30 anos, me desculpem, nenhuma supera a paranóia anti-comunista, já no seu quinto decênio, sobre uma medicina socializada que será o fim dos Estados Unidos. Bush, se não em engano, nos passos de seu irmão e pai, afirma que o governo deve subsidiar a formação de profissionais para o benefício do estado.
“A gente subsidia tua faculdade de engenharia naval, mas se tu tiver falência renal e precisar de um transplante, bom, daí boa sorte…”
Eu simplesmente não consigo entender. É como se estivéssemos tendo a prova definitiva de quase 50% dos representantes norte-americanos são, de fato, vicious people.
Negar auxílio na área da saúde é homicídio por negligência.
Eles não são simplesmente burros e incompetentes, corruptos e ligeiramente criminosos, Bushs, Cheneys, Romneys, esses caras são piores que criminosos de guerra. O que eles realmente pensam em relação às diferenças de classe, aos problemas sociais, é, de fato, que ricos vivam e pobres morram. A ignorância é tamanha que eles parecem, de verdade, acreditar nas propagandas mentirosas feitas durante quase meio século contra as formas socializadas de saúde, educação, economia, em suma, de estado, retratando-as sempre como perda de liberdades.
“Sim, com os republicanos no poder você tem o direito e a liberdade de MORRER”
Naquele desenho animado Family Guy, a família da mulher de Peter, a família Pewterschmidt, de repente não parece como um exagero cartunesco da típica mentalidade direitista, convervadora e republicana nos EUA.
Bilhões em mísseis que JAMAIS SERÃO USADOS… mas teu seguro-saúde quem paga é tu mesmo.
É uma estranha distorção da proposta de Sfez de que uma das grandes utopias, humanas e tecnológicas, vividas na contemporaneidade seria a da Grande Saúde, da Saúde Perfeita. Percebe-se, em retrospecto, que não se trata de uma utopia total, absoluta, não se trata de projeto de transformação total da vida humana; um marxismo de classe, uma ideologia dos escolhidos permeia totalmente esse engendro da fantasia.
Living forever sure isn’t for anyone…
Teabaggin’
Nas últimas semanas finalmente se concretizaram minhas profecias. Republicanos, na sua totalidade brancos de classe média e alta, saíram às ruas dos EUA para protestarem pelos impostos.
1) Obviamente esses protestos tem um toque de hipocrisia: não é tanto pelo dinheiro e pelos impostos, ou a “socialização dos Estados Unidos”, é sobre raça. Nas fotos nos sites podemos ver cartazes tão óbvios que fica chato: “Rei Obama”, “Obama, devolva o lugar de Deus”, e coisas do gênero.
2) Era previsto.
O que não era previsto é que esses protestos e manifestações teriam como tema um retorno a independência norte-americana ao mesmo tempo em que fazendo uma piada sobre escrotos. Afinal de contas, todos sabemos o que teabaggin realmente é…
Numa nota mais pessoal, faço algumas perguntas: Obama, independemente de ser negro ou democrata ou mesmo homem, está há apenas 100 dias no governo. G.W. Bush, republicano, homem e branco, ficou no governo por aproximadamente 2900 dias. É bastante aceitável que muito do que está acontecendo agora é resultado direto das decisões e políticas vividas no passado. Afinal de contas, o presente se fez através dos atos do passado; não dá pra comer um bolo que ainda não foi feito, não é mesmo?
Penso com meus botões que há agora, mais do que nunca, verdadeiramente uma perda total do sentido político, ideológico e antropossocial no mundo. Pra começar, uma maioria simplesmente esmagadora não sabe o que é fascismo; não entende seu subtexto ideológico, não compreende a dimensão que almeja e muito menos pode ver ou se quer saber como é na pele a violência extrema, de fato, esmagadora que o é o cerne do fascismo: é uma violência além da carne e da psique. Ela invade e permeia o imaginário, essa violência, sendo ainda mais violência total, pois vence mesmo derrotada no vulto da fantasmagoria que lhe perdura.
Obama é comparado aos fascistas nesses protestos e eu pergunto: você conhece algum fascista que deixou de fazer guerras? Que parou e disse: “Hmmm… a América precisa é de saúde”? Sei alguma coisa de história pra poder afirmar que todos os fascistas que eu conheço, como Hitler, Mussollini, Franco, mataram e torturaram pessoas inocentes. E, até onde eu sei, na semana passada o governo Obama não apenas tornou públicos os abusos contra inocentes do governo Bush como se comprometeu em erradicar essas práticas.
Uma das minhas questões, portanto, seria a seguinte: não é lógico que se presuma que uma pessoa que é ferrenha opositora de práticas totalitárias, conhecidas como fascismo, se porte de tal forma, opositora, quando na presença ou vivendo, tanto política como ideológica e antropossociologicamente, em um mundo fascista? Quando Bush destruia a vida de centenas de garotos brancos, negros e latinos, porém de classes mais baixas ou simplesmente iraquianos, era a Guerra contra o Terror; uma batalha de proporções míticas contra verdadeiros inimigos, como nos panfletos e programas de TV dos anos 1950, do American Way of Life, ou da “pureza de nossos fluídos corporais”, como diria o enlouquecido General de Dr. Lovestrange or: How I Learn to Stop Worrying and Love the Bomb, de 1964, do nosso querido Kubrick, onde não há medida para o esforço na busca incessante da justeza e correção da democracia. Só que, enquanto isso tava rolando, e é sabido, Bush Jr. e seu cartel, com tentáculos que sabidamente se extendem até a própria família Bin Laden, pilharam o país, deixando não apenas a saúde econômica, como mesmo a saúde moral do organismo financeiro, altamente debilitada. Não dá pra curar um câncer que já se espalhou.
Mas perdoe-me pelo pensamento analógico. A questão é verdadeiramente social. Em Twiligth Zone, ainda em 1959, na sua primeira temporada, um episódio em específico, que eu assisti há pouco tempo, chama muito a atenção. The Monsters ar Due in Mapple Street, que é o vigésimo segundo episódio, mostra a reação de alguns vizinhos numa idílica rua norte-americana, onde sorveteiros entretem crianças enquanto os adultos tomam seus chá gelados e lavam seus Fords e GMs, quando subitamente telefones, eletricidade e até mesmo rádios portáteis param de funcionar. Nem mesmo os veículos funcionam, até que um dos vizinhos, que estava dentro de casa quando começaram os incidentes, saí para a rua e ao tentar ligar seu carro, e falhar, levanta-se e se dirige aos outros só para constatar que seu carro se ligara sozinho, sem chave ou motorista. Logo os vizinhos desconfiam dele, e após alguns outros acidentes similares, na qual a cumplicidade ou mesmo autoria seria altamente questionável, todos se voltam contra todos, imaginando que cada um possa ser os invasores alienígenas, duplicadas de outra galáxia ou dimensão, das revistas e histórias que um garoto exaltado lê.
Alguém mais percebe a sútil semelhança, porém em muito maior escala, dessas duas narrativas?
Eu entendo como esse americano médio, branco, de classe média e alta, de criação religiosa e conservadora, deve estar se sentindo perdido: a guerra não deu em nada, terroristas e terroristas (esses aqueles com proposições mítico-religiosas impossíveis) continuam perpetrando suas animações bombásticas e suas simulações de cosmic clash, e o problema de verdade é dentro de casa. Os vilões atacando o core da vida americana (leia-se: dinheiro, estabilidade) são, na verdade, a inépcia, incompetência, arrogância e corrupção do próprio sistema dessistematizado de governo e de controle da gestão financeira.
Ouvindo Elizabeth Warren, a cabeça da comissão que tá resolvendo essa coisa de dar bilhões de dólares para as instituições financeiras, dizer que os EUA emprestaram 100 dólares por 66 dólares assim, logo de cara, me fez barbarizar-me com a profundidade e enraizamento do verdadeiro mal da contemporaneidade em termos de como vivemos nossas vidas e de como o mundo, como sociedade, evolui: a corrupção.
De fato parece, como afirmavam os terroristas ainda em 2002, que uma parte bastante significativa e muito poderosa – ideologica e economicamente – da população norte-americana não apenas concorda como faz questão de executar a Doutrina Bush, de antagonização internacional, resolução militar e descaso social acrescido de seu mote: desvio de verbas, projetos e parcerias públicas para o benefício pessoal de grupos de pessoas.
There’s a mighty judgement coming… não parece tão absurdo assim, né?
o favorito da globo?
Uma semana antes do final dessa péssima novela das oito que finalmente se encerrou, o Fantástico já mostrava uma matéria sobre ex-homossexuais.
Então que no fim da favorita, o ultra gay Orlandinho, pelo que ouvi, se “regenera” e fica com Maria do Céu.
Certas considerações:
1) ser homossexual não impede o homem, por exemplo, de ficar de pau duro e fazer sexo com mulheres. ser gay não é um impedimento físico;
2) decisão, opção ou natural, o ser humano pode ter diversas orientações sexuais durante a vida. vejam a vida carcerária tão evidenciada pelos filmes e programas de tv norte-americanos, onde, durante a sentença, o cara tem namorados dentro da cadeia.
3) a despeito de uma única passagem na Bíblia sobre isso, o homossexualismo é comprovadamente algo constante na história da humanidade, tanto ocidental quanto oriental. em certas tribos – até no Brasil – ele não só era aceito como parte fundamental da vida. tudo bem que sempre houveram aquelas culturas que os massacraram, mas também existiu quem massacre crianças de colo pra aplacar os deuses… então não é justificativa.
tá? então tá. A matéria do Fantástico, como a novela, propuseram pela primeira vez em pratos limpos – pelo menos no Brasil – que o homossexualismo é um distúrbio ou doença e que fé e persistência podem curá-lo.
Dos absurdos ideológicos perpetrados pelo nosso querido “show da vida”, esse foi, de fato, um dos mais terríveis.
Com fé e persistência, aposto que o Papa consegue comer o cu de um bezerro.
Pra quem tem uma certa preocupação com o mote ideológico que anda rolando solto no Brasil depois dos adventos das internets, parem de ver as novelas – onde é tudo tão óbvio e mal escrito – e passem a reparar nas matérias do Fantástico.
Percebi, e estou aqui pra divulgar isso, que o advento da internet, da liberdade de comunicação e criação e toda essa baboseira “cibercultural” que sempre circula por aí a respeito da rede, ensejou que as redes de TV reforçassem – aqui no Brasil – seus esforços ideológicos.
O fantástico, nas últimas 4 ou 5 semanas, tem verdadeiramente se esforçado:
- “o cérebro é uma máquina”, quadro Neurológica com aquele mulher rídicula explicando que o ser humano é do jeito que é;
- “curando os gays”, quadro sobre o romance entre Maria José e Orlandinho. Sim, porque um gay jamais se envolveu romântica ou sexualmente com nenhuma mulher nunca na história…;
- “dinheiro é felicidade”, quadro sobre a guriazinha de 15 anos que agora administra a contabilidade da casa.
- “albaneses atacam igrejas consideradas patrimônio”, no quadro daquele rídiculo que eu NUNCA VOU ESCREVER O NOME, falando sobre os conflitos nos Balcãs entre cristãos e muçulmanos, entre Sérvia, Kosovo e Albânia. Peguemos minha máquina do tempo e vamos ver o que os cristãos ortodoxoso faziam com as minorias muçulmanas na região há apenas 100 anos atrás. Além, é claro, de que durante toda a matéria só faltou a clareza de texto: cristãos bons, albaneses maus.
Se alguém tiver alguma por aí e quiser colaborar, vamos nessa. Vamos parar por um instante de pensar em blogs e redes e liberdade de comunicação e nos lembrarmos da quantidade de lares nesses país com mais do que dois aparelhos de TV e vamos lembrar que a despeito dos grandes progressos feitos pela Record e pelo SBT, a Globo continua sendo líder de audiência: não é porque a internet permite que todos nós tenhamos voz que a ideologia da cultura da mídia diminui sequer um pouco.


