Mea Culpa, Tua Culpa
“Uma das lições que a era hitlerista nos ensinou é a de como é estúpido ser inteligente. Quantos não foram os argumentos bem fundamentados com que os judeus negaram as chances de Hitler chegar no poder, quando sua ascensão já estava clara como o dia! Tenho na lembrança uma conversa com um economista em que ele provava, com base nos interesses dos cervejeiros bávaros, a impossibilidade da uniformização da Alemanha. Depois, os inteligentes disseram que o fascismo era impossível no Ocidente. Os inteligentes sempre facilitaram as coisas para os bárbaros, porque são tão estúpidos. São os juízos bem informados e perspicazes, os prognósticos baseados na estatística e na experiência, as declarações começando com as palavras: ‘Afinal de contas, disso eu entendo’, são os statements conclusivos e sólidos que são falsos.
Hitler era contra o espírito e anti-humano. Mas há ume espírito que é também anti-humano: sua marca é a superioridade bem informada”.
Talvez, de repente, o questionamento, o levante das dúvidas, jamais a afirmação. Isso é mais do que um método, mais do que uma opinião. Desfraldada como princípio para a verdade, a realidade aparece como imprevisível, como algo que é impossível tocar. De fato, a existência de uma realidade, de uma fenomenologia do real, como evento tácito e tangível, tornou-se de fato uma “utopia extravagante, um desvia sectarista”, geralmente ancorado, sustentado, amparado, pela ideologia pré-pronta de microondas.
“Escolha um ticket, ao contrário, significa adaptar-se a uma aparência petrificada como uma realidade e que se prolonga a perder de vista graças a essa adaptação. Por isso mesmo, quem hesita (ou simplesmente não cede a escolha fácil e pré-pronta) se vê proscrito como um desertor”.
Problemas com Trolls?
What Is A Troll?
The term derives from “trolling”, a style of fishing which involves trailing bait through a likely spot hoping for a bite. The troll posts a message, often in response to an honest question, that is intended to upset, disrupt or simply insult the group.

Quando os trolls ficam muito pessoais, a gente começa a desconfiar de pessoas conhecidas. E, ironicamente, a imagem de um 'troll' mesmo, esses monstrinhos, remete aos meus suspeitos
Usually, it will fail, as the troll rarely bothers to match the tone or style of the group, and usually its ignorance shows.
Why do trolls do it?
I believe that most trolls are sad people, living their lonely lives vicariously through those they see as strong and successful.
Disrupting a stable newsgroup (or blog) gives the illusion of power, just as for a few, stalking a strong person allows them to think they are strong, too.
For trolls, any response is ‘recognition’; they are unable to distinguish between irritation and admiration; their ego grows directly in proportion to the response, regardless of the form or content of that response.
Trolls, rather surprisingly, dispute this, claiming that it’s a game or joke; this merely confirms the diagnosis; how sad do you have to be to find such mind-numbingly trivial timewasting to be funny?
Remember that trolls are cowards; they’ll usually post just enough to get an argument going, then sit back and count the responses (Yes, that’s what they do!).
How can troll posts be recognised?
- No Imagination – Most are frighteningly obvious; sexist comments on nurses’ groups, blasphemy on religious groups .. I kid you not.
- Pedantic in the Extreme – Many trolls’ preparation is so thorough, that while they waste time, they appear so ludicrous from the start that they elicit sympathetic mail – the danger is that once the group takes sides, the damage is done.
- False Identity – Because they are cowards, trolls virtually never write over their own name, and often reveal their trolliness (and lack of imagination) in the chosen ID. As so many folk these days use false ID, this is not a strong indicator on its own!
- Crossposting – Any post that is crossposted to several groups should be viewed as suspicious, particularly if unrelated or of opposing perspective. Why would someone do that?
- Off-topic posting – Often genuine errors, but, if from an ‘outsider’ they deserve matter-of-fact response; if genuine, a brief apposite response is simply netiquette; if it’s a troll post, you have denied it its reward.
- Repetition of a question or statement is either a troll – or a pedant; either way, treatment as a troll is effective.
- Missing The Point – Trolls rarely answer a direct question – they cannot, if asked to justify their twaddle – so they develop a fine line in missing the point.
- Thick or Sad – Trolls are usually sad, lonely folk, with few social skills; they rarely make what most people would consider intelligent conversation. However, they frequently have an obsession with their IQ and feel the need to tell everyone. This is so frequent, that it is diagnostic! Somewhere on the web there must be an Intelligence Test for Trolls – rigged to always say “above 150″
Tirado de http://www.flayme.com/troll/
E pra invocar meu direito eterno da palavra, cito, então, outro:
On the road from the City of Skepticism, I had to pass through the Valley of Ambiguity.
Ontem eu quase apanhei por ser mais inteligente? (com a interrogação fica menos arrogante)
Eu vou, depois, com mais calma, explicar essa história mais a fundo.
Mas vale mencionar:
Estavámos no Bambu’s, bebendo, rindo, conversando sobre amenidades e até algumas coisas importantes, tipo indústria cultural e a homegeinização cultural pela qual o Ocidente, e, marcadamente, Porto Alegre, vem passando nos últimos 20 anos.
Estava, portanto, falando, sempre amigavelmente quando um bando de cabeludos que estava ao nosso lado descaradamente ouvindo a conversa resolveram se meter. A princípio foi uma intervenção bem positiva e engraçada: o assunto era como a cultura de hoje fagocita tudo e quem acha que tá fora do ’sistema de produtos mercantilizáveis’ é inocente or plain stupid.
Então que começamos a falar sobre como os grupos étnicos foram sendo excluídos e inseridos nas sociedades ocidentais e, mais recentemente, também nas orientais. Estávamos falando sobre a China. Quinta-feira sendo o vigésimo aniversário de Tiananmen, apontavámos que a senzala hoje é a China: senzala que tem seus rumos dirigidos pelos próprios escravos – uma verdadeira comuna de trabalhos quase-forçados que sustenta o Ocidente capitalista e consumista-individualista com os tão necessários produtos industrializados.
Então um desses cabeludos começa a falar dos judeus, e de como eles estão sofrendo há 2 mil anos. Papo imbecil de um cara imbecil que nem sequer consegue perceber o claro anti-semitismo em seu discurso. 2 mil anos? Peraí, cara. Os judeus perseguiram cristãos. Colonizar a Europa. E só bem depois, só há mil anos é que começaram a ser, de fato, perseguidos da forma como seu discurso clamava acontecer ainda hoje. Hoje, eu disse, eles tem até um país só deles, cara.
No calor, o Floco e eu começamos a tirar com a cara do cara. “A história não é uma linha retinha, meu”. E daí eu disse: “cara, quando tu terminar tua faculdadizinha volta aqui e a gente conversa”. Ele começou a gritar e espernear e o Floco deu o golpe de misericórdia: “Que faculdade tu faz?” Quando o cara respondeu, com o peito cheio de total arrogância “economia”, eu e meu querido amigo caímos na gargalhada. “Cabeludo, metaleiro e faz economia”…
Nesse momento eu só vi o peito do cara se enchendo ainda mais e um de seus punhos que, francamente, eu nem vi direito qual, porque, francamente, nem prestei muita atenção no cara, levantando. Um dos amigos segurou ele e rapidamente o grupo desbandou.
“Digamos que o que permite tornar inteligível o real é mostrar simplesmente que ele foi possível”
Já dizia nosso bom Foucault lá nos anos 70. O que ele, assim como vários outros pensadores, falhou em perceber foi a ruína do pensamento cotidiano; quando discursos e ideologias estão tão desgastados pelo uso midiático, perde-se a linha-guia do pensamento. Qual é o real? Como mostrar que o real é aquilo que de fato aconteceu quando tem gente por aí negando a factualidade de certas coisas?
Não dá pra ser assim. Não é que todos tenhamos que pensar igual, mas não dá pra entrar em discussões sobre o que tu acha do céu ser azul… o céu é azul e pronto. Gostar, não gostar, achar, não achar, é IRRELEVANTE.
Relevante é considerarmos criticamente quais discursos são falsos e verdadeiros e que tipo de ideologia, discurso, sociedade, cultura, civilização, não apenas os permite como incita. A História tá lá, é só parar de ouvir Craddle of Filth ou Pantera e pegar um livro pra ler.
Ou melhor, Google.
O pior de tudo foi o cara me dizendo: “ah, tu não tem fundamento pra falar isso”.
Quem tem fundamento é tu, babaca. Tu e a tua faculdade canalha de crunchin’ numbers. Quer discutir o Dow? Vai fundo, disso tu sabe. Agora falar de condição humana, história das religiões e filosofia analítica, existencial e hermenêutica, porra, vai ler um livro antes, cara. Qualquer um. Te dou até umas dicas.
E repito:
“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros
Sociedade Industrial da Cultura ou Indústria da Sociedade Cultural ou Cultura da Indústria Social?
“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros, quando a cultura distribui tão democraticamente seu privilégio. Em face da trégua ideológica, o conformismo dos compradores, assim como descaramento da produção que eles mantêm em marcha, adquire boa consciência”
[...]
“Pois só a vitória universal do ritmo de produção e reprodução mecânica é a garantia de que nada mudará, de que nada surgirá que não se adapte”
Para que uma indústria se diversifique absolutamente é preciso uma mão-de-obra também absoluta. E que mão-de-obra poderia vir a se tornar absoluta?
Para o bem e para o mal, fazendo um mea culpa – por escrever num blog e ter perfil no Orkut e Facebook, a força de trabalho envolvida nesta fase, nem tão diferente, da indústria cultural somos todos nós.
Sociedade de fato marcada por uma cultura da mídia, mais do que cibercultura: esta é apenas a ferramenta, o sentido, que parece se perder (Baudrillard), é na verdade é da democratização total da mídia. Digg, Facebook, YouTube: as formas são as mesmas (músicas, vídeos, sons, imagens, palavras, linguagem), os meios, de certo, também (a despeito de sua natureza digital, que merece um post exclusivo). Entretanto escapamos dos ditos de adornianos/horkheimerianos pois não há mais o manager, não há mais a cabeça no controle de uma perspectiva economicista ou coorporativa (a não ser na orientação do meio de natureza digital. Por exemplo? O cara do Facebook ou o seu Orkut): somos nós os controladores.
Gatekeepers?, perguntariam alguns ciberculturologistas. Mas é além.
A democratização é tamanha que não se tem mais gate: tudo vale. Tudo entra. Pra que profissionais treinados em repetição se já temos aí três gerações altamente treinadas nisso? No Canal Futura esses dias o cara do CQC falava: “essa geração de hoje é mais treinada”, complementado por Washington Olivetto: “eles não aceitam qualquer coisa. É um desafio”.
O desafio, Uáxintom, é se manter relevante.
post igual em: HTTP://OMELHORDOPEOR.BLOGSPOT.COM
Incompetência: o post.
Então há DOIS MESES atrás eu andava me incomodando com a Net. Não só pelo crime abusivo que são as franquias, mas porque ao comprar uma franquia adicional – tava precisando, não é porque sou rico não, tá
? – eles levaram 3 dias para acionar. Ou seja, três dias pagando 3Mb e tendo 128kbps.
Mas a questão não é essa. A questão é que hoje, as 16:14 eu recebo um e-mai de resposta.
A inércia e a incompetência realmente reinam em qualquer lugar. NET, Claro, Vivo, toda e qualquer empresa que preste um serviço essencial nessa era tecnológica tem, como nos romances de Gibson e Orwell, o controle total sobre suas ações. Não há responsabilidade; e muito accountability – ninguém responde por essas coisas. Um punhado de pessoas consegue processá-los, lucrando alguma esmola, enquanto que dezenas de pessoas estão completamente a mercê dessas empresas.
É realmente tão assustador quanto alguns autores previram. Talvez não tão fascista ou ideológico, já que o único interesse mesmo é te enganar e tirar teu dinheiro. Na Claro há anos eu me incomodo e as respostas do Procon sempre são como a desse e-mail: vagas. Qualquer idiota sabe que vai ter que eventualmente ir ao Procon com uma certa documentação para fazer a reclamação, entretanto o e-mail nem mesmo especifica que papelada seria essa. Ou seja: tu trabalha, já não tem tanta grana assim. Só de passagem de ônibus ou gasolina esse e-mail já indica que serão pelo menos 4 VIAGENS até tu conseguir agilizar o que precisa ser feito.
Por muito tempo muita gente disse: “O Brasil é uma vergonha”. Mas basta assistir a BBC ou a CNN durante duas (ou diria, duras) horas pra ver que lá nus states e nas europa também é bem igualzinho. Valérioduto ou Mensalão, não importa, ingleses usa pra comprar biscoito e limpar um fosso.
Mas daí tu pode me dizer: “ah, mas na anglo-terra a coisa é democrática. enquanto que no brézil eram 85% dos parlamentares envolvidos, lá o índice de participação no esquema de desvio de verbas púbricas pra uso pessoal chega a espantosos 99%”.
E nosEUA a gente vê a inércia social completa: Cheney aparece na TV, ao mesmo tempo que o presidente, fazendo exatamente aquilo que ele dizia, 6 ou 7 anos atrás, que jamais poderia ser feito: “se questionarmos o presidente, mesmo que ele esteja errado, passamos uma imagem de fraqueza para nossos inimigos”. Agora questionar o presidente democrata e negro não tem problema, nas próprias palavras dele “é um dever e uma obrigação de todos os americanos”. O cara ADMITIU COM TODAS AS PALAVRAS nos últimos meses que Bush jamais passou de uma marionete; Cheney é que tomava as decisões e agora é ele que vocifera a oposição. O fascismo e o inimigo da liberdade, meus amigos, está bem ali. Não é mais uma coisa simplesmente econômica, não é mais interesses empresariais… É IDEOLÓGICO: “não há meio termo” e não estou citando levianamente. O Daily Show de ontem ainda fez a edição exatamente nesse ponto: ele realmente disse isso. Segundo ele, torturar até mesmo inocentes é o preço a se pagar pela proteção. Isso vindo da boca da administração de ignorou VEEMENTEMENTE TODOS OS AVISOS E ALERTAS DE QUE TERRORISTAS IAM TENTAR SEQUESTRAR AVIÕES EM SETEMBRO DE 2001.
E, assim como no Brasil do deputado cassado que se reelege, nas américa também a memória é curtinha. Aqui a preocupação cotidiana lá é o medo mesmo. Enquanto aqui os impostos, a incompetência de esquerda, direita e centro, impossibilitam a mobilidade social (quer dizer, impossibilitam a mobilidade social para cima; para baixo elas favorecem), lá é o medo mesmo. “Saúde gratúita e livre para todos” só pode ser um golpe. “Então você paga 4 dólares a mais por mês de impostos, não é de graça. Vamos ficar com nossos planos de saúde de até 2 mil dólares por mês”.
Lá nas anglo-terras também é meio assim. O escândalo aparece o tempo todo e nem os jornalistas que noticiam as novas revelações parecem se importar. “Tô mais preocupado com a minha Guinness em casa me esperando…” que nem aqui o cara tá mais preocupado com o Coritiba ou com os venezuelano.
E pra coroar esse post com a verdade acima de todas as outras:
GRIPE SUÍNA:
Aproximadamente 9 mil casos no mundo inteiro.
Aproximadamente 80 mortes.
PNEUMONIA:
Só nos EUA, no ano passado, quase 62 MIL MORTES.
Don’t let fear get the best of you…
Até que te partam, Bambu’s
Realmente, nos últimos tempos não ando saindo. Não sei nada sobre festas, saídas ou coisa que o valha. “Baladas”… Mas daí ontem (sexta-feira, 26/09) resolvi ir num dos lugares mais legais, pelo menos na minha opinião, pra se ir em Porto Alegre em todos os tempos. Tido por muitos como um ícone: o Bambu’s. Pois, lá chegamos, sempre aquele clima Bambu’s, Brahma de três e cinqüenta, todas aquelas dezenas de “figurinhas carimbadas”. Estavámos lá, nada realmente incomum em relação ao ambiente. Entretanto, quando chegamos percebemos que havia uma viatura da SMIC acompanhada de alguns policiais militares.

Foto 1: Ali tá o Sid, frustrado, poucos minutos antes de retornar pra dentro do bar e informar os clientes de que o estabelecimento seria fechado. Atrás deles podemos ver os policias militares de capacete, e (desculpem pela péssima qualidade da foto) olharem na direita superior da foto podem ver algumas das pessoas com as mãos na parede e os policias que as estão revistando.
Entramos normalmente, nos sentamos, já encontramos alguns conhecidos, alguns amigos, ficamos bebendo e conversando. O mesmo de sempre. O Bambu’s pode até ter uma aparência duvidosa, mas ali é sempre a mesma coisa. Isso é certo. De repente, começamos a ouvir que algo está acontecendo na rua. Levanto-me e vou até a porta, perto daquela geladeira, e vejo, através dos vidros e das cabeças, MAIS DE VINTE POLICIAIS MILITARES, TRÊS DELES EM CAVALOS, VÁRIAS VIATURAS E, LITERALMENTE, TODAS AS PESSOAS QUE ESTAVAM SENTADAS DO OUTRO LADO DA RUA, EMBAIXO DAQUELE PRÉDIO GRANDE CHEIO DE LOJAS, DE PÉ, COM AS MÃOS NA PAREDE SENDO REVISTADOS PELOS POLICIAIS.
Momentos depois (foto 1) o Sid grita avisando que o bar será fechado. Não havia, então, nenhuma presença da SMIC, entidade, até onde eu sabia, responsável por esse tipo de ação. Mas a legalidade ou não da ação da polícia não é o que realmente está em questão. É a agressividade. Sério. Mais de 40 policiais envolvidos. E isso por cima, pelo que eu pude contar. Ao sairmos do Bambu’s fomos praquela sinuca que fica do lado do Cabaret do Beco subindo a Independência. O bar já estava com as portas fechadas e a polícia rapidamente seguiu a multidão em suas viaturas e eqüinos (foto 3), com a mesma atitude de dispersão do gado.

Foto 2: o bambu's fechado e o Sid conversando com os oficiais. A esquerda e a direita (infelizmente não dá pra ver na foto) só que o que há, em ambos os lados da rua são policiais; alguns a cavalo, outros em motos, viaturas e a pé.
Voltamos para a frente do Bambu’s (foto 2) e encontramos as portas fechadas e o Sid conversando com os policiais. Claro que não fui me meter e muito menos fiquei interessado em que razão supimpa os leais oficiais da lei bovina tiveram para (segundo informações) fechar pela segunda vez no mês o bar. Há sempre aquelas desculpas esfarrapadas como o tráfico de drogas (meia dúzia de moleque e de bandidinho vendendo pedrinha de fumo e buchinha de cocaína misturada com talquinho pra bebê, que nem 85% dos flanelinha do centro) ou a violência (as briguinhas ultra-gay que rolam entre punkizinhos, hard-rockers-uhu, mendigos, taxistas e afins, geralmente ignoradas totalmente pela polícia que demora mais de 60 minutos para aparecer, quando aparece e não é só pra PEGAR UM XIS). Porém, na minha região da cidade, que é basicamente residencial, com vários prédios e casas, no últimos mês foram 6 ASSALTOS A MÃO ARMADA, e isso só de roubo de carro, ALÉM DAS 4 MORTES (apesar de tudo, só uma no trânsito; um motoboy) VIOLENTAS. Mas aqui tu não encontra viatura. Só três ou quatro carros, parando o trânsito, dobrando esquinas movimentadas na contramão para perseguir três assaltantes que renderam um vizinho de um prédio próximo quando esse entrava em sua garagem às 21hs da noite. Na frente do prédio bonito, bem conservado e gradeado, na noite em questão, só se conseguia ver as luzes dos carros da polícia (os que estavam com qualquer luz acesa) e os bonézinhos brancos dos policiais (farol pra bandido sair correndo) correndo de um lado para o outro. Os bandidos levaram carteira, controle do portão da garagem, chaves do prédio e do apartamento. Não foram pegos.

Foto 3: os cavalinhos da polícia. Dá pra ver claramente a quantidade de viaturas. Sério, parecia coisa de filme.
Isso é só um caso. Podíamos apontar todas as boca de droga em Porto Alegre que não são mantidas por uns cagadinhos que quando veêm a polícia chegando, coerentemente, se cagam. Onde tu passa, a qualquer hora do dia e vê o tráfico industrializado e muito bem protegido por olheiros, walkie-talkies e o bom e velho “grito” debaixo da camiseta importada. Porque o carinha que vende no Bambu’s tem um chefe ou, pelo menos, um fornecedor. E tu acha que a polícia não sabe onde fica? Mas é tempo de eleições e a nossa querida Brigada Militar precisa se mostrar ativa, precisa que o povo sinta que ela, apesar de formada por incompetentes, patetas, bandidos e assassinos, ainda tem poder, ainda é relevante. Sabe quando se é confrontado por um “brigão” no colégio? Aquele momento em que tu fala ou faz alguma coisa e é só a desculpa que ele esperava para demonstrar todo o seu esmagador poder fisicamente ofensivo? Pois é…
O Contínuo Espetáculo Norte-Americano da Tragédia
Em 2005, quando me formei na Famecos, eu escrevi uma monografia sobre o Michael Moore. Na época – menos óbvio do que agora – ele já aparecia como um tanto aproveitador da miséria alheia pra se auto-promover e promover sua agenda. Meu trabalho foi, portanto, sobre como Moore, em Tiros em Columbine, espetaculariza a tragédia através da sua crítica. Este é um aspecto relevante do trabalho de Moore, ele adora criticar a mídia por espetacularizar a tragédia alheia, pobre dele que parece não perceber que ele faz a exata mesma coisa. Mas isso é além do ponto…
O ponto aqui é que, por causa desse trabalho, li e assisti praticamente tudo que esse gordinho de Michigan fez e assino suas newsletter. Nada de muito útil ou interessante tinha aparecido antes a não ser convites pra palestras e lançamentos de seus outros “polêmicos” (risos) filmes, como Sicko e Farenheit 9/11. Entretanto, hoje recebi um e-mail dele sobre uma carta que ele teria enviado quando do desastre do Katrina sobre New Orleans. Ao final desse post (no leia mais/more) eu vou disponibilizar o e-mails pra vocês rirem um pouco.
O e-mail trata, essencialmente, de como os republicanos, mais precisamente a gestão Bush, só contrata pessoas desqualificadas e que, nos últimos 25 anos, os oficiais eleitos só teriam tido agenda de desfalcar o governo financeiramente.
Michael, vem pro Brasil ver como é aqui. Vem pro bovinão ver como é ter 40 anos de governo com a agenda única de roubar, desfalcar, desviar recursos e pessoal para interesses privados.
A birra de Moore é com o líder da FEMA – instituição federal de apoio contra desastres naturais e ataques – que teria tido somente experiência cavalgando em shows eqüestres. Imagina se o coitado do Mike fosse brasileiro? Lá ele pelo menos pode por a culpa nos seus “republican brothers and sisters”; aqui? DEMO, PT, PDT, PMDB, PSDB, PSOL, PC do B, PPS (devo continuar?): qual deles está limpo? Qual deles nos últimos 700 dias NÃO foi alvo, estrela ou escória de um escândalo envolvendo precisamente a incompetência, a roubalheira, a inépcia?
Mas Moore não fica aí. Seu e-mail é obviamente de apoio a Obama, e para tanto, ele reforça bem claramente o aspecto “racismo” envolvido no desastre. New Orleans é conhecida há muitas décadas por ter uma imensa população negra, em sua maior parte desprovida. Pois realmente: vendo as matérias e filmes sobre o desastre só se vêem vítimas negras. Negros, aliás, que são uma das maiores forças demográficas do país em termos eleitorais. De certa forma são eles sim que decidem as eleições. E nesse tópico ele chega finalmente aonde ele queria chegar: usar a mesma tática dos republicanos: O MEDO.
Our vulnerability is not just about dealing with terrorists or natural disasters. We are vulnerable and unsafe because we allow one in eight Americans to live in horrible poverty. We accept an education system where one in six children never graduate and most of those who do can’t string a coherent sentence together. The middle class can’t pay the mortgage or the hospital bills and 45 million have no health coverage whatsoever.
Are we safe? Do you really feel safe? You can only move so far out and build so many gated communities before the fruit of what you’ve sown will be crashing through your walls and demanding retribution. Do you really want to wait until that happens? Or is it your hope that if they are left alone long enough to soil themselves and shoot themselves and drown in the filth that fills the street that maybe the problem will somehow go away?
O mesmo medo dos repubicanos. Estamos abertos à ataques. Não teremos como nos defender. No encalço de McCain – amigo de Bush – que clama pra quem quiser ouvir que Barrack Obama não tem experiência com política externa e com exército, Moore crava a estaca do medo no coração dos americanos com seu descaso pela espetacularização. Transforma – como tudo que faz um bom ganhador do Oscar© – tudo em um show: o show da igual incompetência de Bush. “Já que é pra ter um incompetente, então que seja um novo…”.
Mais um capítulo do show de horrores (que ontem chegou ao seu ápice com a confirmação da candidatura de Obama, que aceitou com um discurso sem precedentes, aos moldes da aceitação de (risos) um Oscar) que se tornou a campanha para a Casa Branca. Deixo o e-mail aí pra quem quiser ler e rir um pouco.
… e enquanto isso…
A migração de brasileiros para o Canadá parece começar a afetar o corpo imagético daquele país.
Nos últimos dias: domingo, dia 10, tubulações de gás probano explodiram, deslocando mais de 12 mil pessoas da região de Toronto e possivelmente envenenando o ar com partículas de amianto. Dia 31 de julho, a polícia prende homem supostamente responsável pela decapitação de um jovem de não mais do que 20 anos durante uma viagem de ônibus, nas proximidades de Winnipeg. O homem portaria uma enorme faca e não só decapitou e esquatejou a vítima, como comeu uma parte do rapaz, utilizando tesouras para cortar a carne. Hoje, dia 11, entre outros, 2 canadenses foram presos pelo governo chinês e deportados por protestarem sobre a política chinesa em relação ao Tibete.
Entretanto o ponto alto, ironicamente ou não, aconteceu no dia 10 mesmo, ontem, quando um policial atirou em Freddy Alberto Villanueva (latinuuuu) matando-o. Hoje, em vários jornais, inclusive o que passa aqui no Brasil agora de noite da BBC, a matéria do momento sobre o Canadá foram as manifestações da população, a lá França, atacando a polícia, queimando carros e saqueando lojas. Porém, o máximo que aconteceu, foi uma oficial da polícia levar tiro na perna. Situação muy brasileira essa, se me permitem; policiais matando adolescentes desarmados. Mas vemos que também é muy norte-americana; policiais matando adolescentes desarmados de minorias étnicas/imigrantes. Afinal de contas, canadense com sobrenome Villanueva não é bem canadense, né?
Mas digamos que o Canadá não é o único com problemas. Na Alemanha, até Christiane F. já recorreu as drogas e campo de treinamento de juventude nazista é encontrado pelas forças policiais.
É pra eu morder minha língua quando eu disse que absurdo era a China sediar as Olímpiadas.
Absurdo é Bush falando as coisas que está falando (vejam este link chique pro pronunciamento completo, e o vídeo para o que importa mesmo), principalmente dizer que o que a Rússia faz é inaceitável no séc. XXI.
Me desculpem, mas qual é a diferença da aparente justificativa russa para a justificativa norte-americana em invadir o Iraque, tanto lá nos anos 90 quanto agora?
O governo russo diz que a Geórgia estaria assassinando e esmagando a região da Ossétia do Sul, a Geórgia diz que o governo russo está desestabilizando o país. Os russos acusam a Geórgia de ser criminosa de guerra, e os geogianos acusam a Rússia da mesma coisa. Bush diz: “Russia must respect Georgia’s border and sovereignty“. E isso é muito risível. E no ínterim, enquanto Bush mete o pau em Putin (heheheauehauehauhe), Sarkozy bola plano fantástico e representantes russos respondem “Valeu, francesinho, mas não, obrigado, prefiro tomar o porto de Poti onde passa todo dia todo aquele óleo, mas é bem pelo bem dos osséticos do sul”.
E pela falta de atenção e de certeza do Ocidente e da Europa, os geogianos reagrupam suas forças militares para defenderem a capital, e no disse, não-disse, burocracia e diplomacia de cuecão, quem sofre são as milhares de pessoas removidas de suas casas fora os números ainda indecifráveis de mortos, feridos e daqueles que mais que isso, perderam tudo, inclusive as famílias.
Ah, claro, sem contar o xororô da mídia que não explica e nem procura entender as razões do conflito, que repete mil vezes as mesmas cenas do presidente georgiano sendo escondido por seus seguranças ou do discurso idiótico de Bush.
Doha, PORRA!
Isso saiu da Zero de hoje. E eu afirmo: NINGUÉM CONTRARIA A AMÉRICA.
Dos vinte itens que seriam acordados pela OMC, o de número de 19 conseguiu trazer toda a mesquinharia e estupidez do mundo à tona. Depois de oito anos, outra falha catastófrica lança no marasmo os ditos grandiosos acordos multilaterais globais.
A matéria da Zero Hora diz: “O medo da fome se impôs às perspectivas de ganhos para ricos e emergentes e deixou mais incerto o futuro da globalização”. Eu penso totalmente o oposto. O que há hoje em dia e é conhecido como globalização é exatamente a mesquinharia e estupidez dos ricos e poderosos em relação aos povos menos econômica e socialmente desenvolvidos. “Medo da fome” é uma coisa que a África não conhece, pois convive dia e noite com ela. Assim como a China, que privilegia as exportações em detrimento do consumo interno, e enquanto centros como Shangai e Pequim são atolados de produtos alimentícios (alguns até falsificados) o interior rural vive o desespero da pobreza e da fome, criando um imenso exôdo para esses grandes centros onde a mão-de-obra não-capacitada é absorvida pela indústria ilegal, pela máfia e pelo sub-emprego.
E obviamente nenhuma dessas pessoas é diretamente afetada por suas declarações, decisões e erros. Enquanto estes diplomatas muy bien pagos voltam para seus hotéis cinco estrelas depois de uma cansativa madrugada discutindo o destino, vida e direitos de mais de 6 bilhões de pessoas os EUA continuam inflando suas produções agro-pecuárias com incentivos e insumos, a China continua atolando o Ocidente de produtos falsificados feitos com mão-de-obra semi-escrava. A África continua afogada em remédios falsos, AIDS, fome, guerras tribais.
E enquanto as nações poderosas se degladiam numa imbecilidade tecnocultural, defendendo o seu god given right de inflar taxas de importação, de destroçar mercados exteriores, de privilegiar seus caucasianos (ou etnicamente corretos) fazendeiros, todo mundo sofre as conseqüências. EUA se recusa a deixar que produtos agrícolas entrem no seu mercado interno a preços competitivos e, obviamente, China e Índia querem um pedaço desse bolo, e “se você não divide comigo eu não divido com você”. E assim vai: um cabo-de-guerra infinito de puxa e empurra pra saber quem vai lucrar mais e quem vai ter mais rancos e mais racismo. No fundo, no fundo todo mundo sabe que os EUA (citando Arctic Monkeys) não querem que outros países passem a idéia de serem rocket lauchers enquanto eles parecem shotguns.
Questiono-me quantos milhões de dólares não foram escoados para esses oito anos de diálogos que, no fundo, não levam e jamais levarão a nada. O dólar só cai. Os índices de desemprego só sobem. O Sudão continua com suas valas comuns e mais de 10 soldados americanos morrem por semana no Iraque. O Irã continua enriquecendo urânio, testando mísseis e acreditando veementemente que nenhum muçulmano jamais foi homossexual. E o Bovinão (pra não deixar de mencionar os rapazes da NovaCorja.org) está mais preocupado com vender soja e carne pro Velho Mundo a preços competitivos do que amputar o braço canceroso da corrupção abertamente óbvia que rola aqui há pelo menos 30 anos.
Nem a a banana se salvou.
Schadenfreude
Bom, ando completamente sem tempo pra postar. E na verdade, ando meio sem assunto pra tratar por horas também. Estou totalmente imerso no meu relatório de qualificação – que com sorte será apresentado antes de agosto – e nas teorias de Rüdiger, Sfez e na invasão da máquina no espaço não-máquina da vida.
Minha revolta com a situação política do país teve que tirar férias junto com as aulas pra eu não enlouquecer de vez. Me sinto pessoalmente afetado por essas histórias: passei minha vida inteira achando que em um determinado momento a lógica quasi-belicista da vida colegial sublimaria-se em uma vida adulta, com responsabilidades, justiça, ética… ledo engano. A cada novo passo adentrando a vida adulta só percebo cada mais infantilidade e falta completa de ética e competência.
E não falo só da polícia ou dos governantes. O estado das coisas chegou ao ponto de mesmo as relações profissionais das pessoas que conheço – eu sou desempregado vagabundo que posta babaquices num blog otário usando só cueca e meia – como meus pais, minha mulher, terem se tornado verdadeiras sátiras pós-modernas do esvaziamento moral, ético e intelectual das pessoas. Fala-se muito em segurança no trânsito, porém é só andar de carro pela cidade em qualquer horário para ver a ABSOLUTA FALTA DE FISCALIZAÇÃO EM TODOS OS PONTOS CENTRAIS E PERIFÉRICOS DA CIDADE somada a TOTAL E COMPLETA INABILIDADE DO HUMANO PORTO-ALEGRENSE EM DIRIGIR. Hoje na Bordini, às três da tarde, um caminhão reboque estava na TRANSVERSAL DA RUA, trancando totalmente o trânsito enquanto retirava um carro de dentro da garagem de uma casa. Sério: qual a pressa de rebocar um carro que não está no meio da rua? Fala-se também muito de competências administrativas, técnicas para aumentar a produtividade, entretanto TODAS AS PESSOAS QUE CONHEÇO reclamam constantemente das suas situações profissionais, seja por falta de interesse e empenho dos setores de chefia, seja pela inabilidade e incompetência em todos os setores. Imagina que eu conheço uma penca de gente que é funcionário público… só competência.
Como citado pela NovaCorja, o que parece rolar mesmo é Schadenfreude. Em nossa miséria intelectual – explicitada até pelos mais artísticos de nossos membros (e por “nossos” digo a humanidade inteira) – nos reservamos ao direito de pelo menos rir da desgraça alheia por um motivo que acredito ser realmente o mesmo de quando este termo foi cunhado: pelo menos ainda não é com a gente.
Sei lá se alguém acompanha essas minhas viagens – a falta quase completa de comentários parece indicar que não – mas promete certamente para o final da semana um post bem legal sobre pós-humanismo e as olímpiadas.
——-
Em outro assunto, quem entra aí agora eu coloquei vários links para várias coisas interessantes e que eu ando fazendo/lendo/re-lendo/assistindo e recomendo fortemente.



