Ubermensch by Debord

Publicado em despise for humans por pedro em 09/09/2009

“A Internet constitui uma infraestrutura para uma mudança social, superior à dos meios de comunicação de massa do Séc.XX: Quando tem uma dúvida, a “Geração Wikipédia” tem capacidade para dar valor à credibilidade da fonte, é capaz de seguir a notícia até à sua fonte original, pesquisá-la, verificá-la e avaliá-la – sozinha ou como parte de um esforço conjunto. Os jornalistas que ignoram isto e que não querem respeitar estas capacidades não são levados a sério por estes utilizadores da Internet. E com razão. A Internet possibilita a comunicação directa com aqueles que eram conhecidos como receptores – leitores, ouvintes e espectadores – e permite tirar partido dos seus conhecimentos. Não são os jornalistas que sabem tudo que são procurados, mas sim aqueles que comunicam e investigam”

De http://manifesto-internet.org/.

Iran Badu

Publicado em despise for humans por pedro em 06/22/2009

Posteriormente eu farei um post mais compreensivo sobre esse assunto, mas vale traçar.

Na última semana o povão do mundo inteiro foi pego de surpresa por uma coisa que ninguém esperava. Tá certo que pelo menos desde de McLuhan já sabemos que a mídia pode servir as vontades do povo – e não só mera dominação ideológica – e sabíamos que ela conseguia ser o powder cag pra começar coisas importantes (sem julgamento de valores). Impeachment do Collor, Million Man March (parts one and two). Esse tipo de coisa.

Mas num país que lutou, há uns 30 anos atrás, pra VIRAR UMA DITADURA RELIGIOSA não estava no topo da lista de ah, vamos botar fogo nessa bosta. França, Alemanha e Grécia andavam encabeçando a lista de países com um povo prontinho pra incendiar carros na rua.

Só que não foi bem isso que aconteceu no Irã. Primeiro os padrecos que realmente mandam no país anunciaram que o presidente de nome impronunciável tinha se reeleito. O anúncio veio algumas horas depois do fim das votações e chocou o mundo por ser a mais clara prova da irrefutabilidade da corrupção naquele país: urnas de papel levam horas, dias às vezes, para serem apuradas. “Até isso é melhor no Irã”, dizia um dos canais de TV justificando a velocidade da apuração dos votos.

Mas o que viria foi realmente inacreditável. Ninguém saiu nas ruas quebrando coisas. No espírito da moça morta Neda, jovens, adultos e até mesmo idosos foram para rua pedir, pacificamente, não que os aitolás caiam fora, mas que o sonho da república islâmica, passado pro Ocidente como uma realidade táctil, se tornasse real. “Queremos liberdade”, gritam as pessoas na rua. Mas ninguém vê. Ninguém?

Então entra sobre o que esse post é: tem muita gente (muita gente mesmo) falando sobre como as novas tecnologias da comunicação estão mudando o mundo. A prova irrefutável disso está acontecendo agora. A despeito das mentiras, besteiras, racismos e extremismos que achamos na Internet, a rede finalmente serve ao propósito de libertação do homem. Facebook e Twitter se tornaram mais do que redes sociais: são murais para a dor, para a morte.

A total liberdade da rede se tornou o tótem da total falta de liberdade.

Num país, que se pretende potência e não passa de um deserto (em tantos, tantos sentidos) com shopping centers e milionários (diferente de Dubai pela quantidade de shoppings, milionários e ideologia), onde a mídia serve, como nos tempos de Rússia comunista e Alemanha nazista, aos propósitos de velhos gordos e ricos que passam seu tempo estuprando crianças, vemos surgir o verdadeiramente mais significativo movimento ideológico, cultural, social (chame como quiser) dentro da rede.

E se faz um parâmetro analógico até mesmo com o dito download ilegal; facebook e twitter são, nesse momento, ilegais, proíbidos, no Irã. Olha lá e vê se isso impediu eles.

Por isso há quase dez anos eu falo pra amigos, colegas de academia, professores e muito por aqui: THE WEB IS UNSTOPPABLE. Feita para ser assim é óbvio que assim ela será. Militares não ligam para download ilegal; ligam para comunicação total. Para dados que podem ser conservados e protegidos e a rede, ao ser aberta a todos, desapareceu com o seu único impedimento real: o acesso. Agora que podemos acessar essa rede, que cresce como o tumor benigno mais miraculoso de todos, podemos finalmente cantar todos aqueles cantos. De ódio ou amor.

Neda não é a voz da revolução, não é a voz do Irã. É, mesmo que seja algo encenado e falso, simulado, a verdade da era em que vivemos.

VEJA COMO VEMOS A GAROTA MORRER HORRIVELMENTE E NÃO FAZEMOS…

…NADA.

Veja como os horrores do mundo vem das mãos das pessoas. Realmente, aos amigos jornalistas, não precisa de diploma. Precisa de YouTube e um celular com câmera. Precisa-se estar lá.

De certo precisamos revisar nossas idéias e teorias sobre sociedade e cultura mediada.

No Brasil, laboratório da pós-modernidade, não tem essa de andar pelas ruas na Internet

Publicado em despise for humans por pedro em 06/09/2009

Tudo bem que o Google Earth é uma coisa do passado e só eu e meu sogro tenhamos um fascínio inescapável por ficar olhando cada cidadezinha, em seus detalhes e ruas, mas hoje choquei-me com um fato absurdo.

Geralmente lanço meus olhares para fora do Brasil, como todo mal brasileiro. Mas hoje me deu um interesse (que não vou contar qual) sobre o nosso querido e INTERNACIONALMENTE CONHECIDÍSSIMO RIO DE JANEIRO e o que eu encontrei não pode ser.

Não há sequer uma vista de rua (a coisa mais legal do Google Earth: unir uma imagem mesmo, uma foto, com sua posição num mapa, fazendo o que até hoje só o Super-Homem podia fazer; plainar a milhares de metros de altura e descer imediatamente) em nenhuma parte da cidade maravilhosa. Nem mesmo nos monumentos e principais avenidas.

Será que eu fiz alguma coisa errada? Será que isso existe em outro lugar e minha plena ignorância digital me barrou de achar?

*Nota: é óbvio que tem fotos de localidades e os também clássicos 360 graus, não sou tão bobão…

Ontem eu quase apanhei por ser mais inteligente? (com a interrogação fica menos arrogante)

Publicado em despise for humans por pedro em 06/06/2009

Eu vou, depois, com mais calma, explicar essa história mais a fundo.

Mas vale mencionar:

Estavámos no Bambu’s, bebendo, rindo, conversando sobre amenidades e até algumas coisas importantes, tipo indústria cultural e a homegeinização cultural pela qual o Ocidente, e, marcadamente, Porto Alegre, vem passando nos últimos 20 anos.

Estava, portanto, falando, sempre amigavelmente quando um bando de cabeludos que estava ao nosso lado descaradamente ouvindo a conversa resolveram se meter. A princípio foi uma intervenção bem positiva e engraçada: o assunto era como a cultura de hoje fagocita tudo e quem acha que tá fora do ’sistema de produtos mercantilizáveis’ é inocente or plain stupid.

Então que começamos a falar sobre como os grupos étnicos foram sendo excluídos e inseridos nas sociedades ocidentais e, mais recentemente, também nas orientais. Estávamos falando sobre a China. Quinta-feira sendo o vigésimo aniversário de Tiananmen, apontavámos que a senzala hoje é a China: senzala que tem seus rumos dirigidos pelos próprios escravos – uma verdadeira comuna de trabalhos quase-forçados que sustenta o Ocidente capitalista e consumista-individualista com os tão necessários produtos industrializados.

Então um desses cabeludos começa a falar dos judeus, e de como eles estão sofrendo há 2 mil anos. Papo imbecil de um cara imbecil que nem sequer consegue perceber o claro anti-semitismo em seu discurso. 2 mil anos? Peraí, cara. Os judeus perseguiram cristãos. Colonizar a Europa. E só bem depois, só há mil anos é que começaram a ser, de fato, perseguidos da forma como seu discurso clamava acontecer ainda hoje. Hoje, eu disse, eles tem até um país só deles, cara.

No calor, o Floco e eu começamos a tirar com a cara do cara. “A história não é uma linha retinha, meu”. E daí eu disse: “cara, quando tu terminar tua faculdadizinha volta aqui e a gente conversa”. Ele começou a gritar e espernear e o Floco deu o golpe de misericórdia: “Que faculdade tu faz?” Quando o cara respondeu, com o peito cheio de total arrogância “economia”, eu e meu querido amigo caímos na gargalhada. “Cabeludo, metaleiro e faz economia”…

Nesse momento eu só vi o peito do cara se enchendo ainda mais e um de seus punhos que, francamente, eu nem vi direito qual, porque, francamente, nem prestei muita atenção no cara, levantando. Um dos amigos segurou ele e rapidamente o grupo desbandou.

“Digamos que o que permite tornar inteligível o real é mostrar simplesmente que ele foi possível”

Já dizia nosso bom Foucault lá nos anos 70. O que ele, assim como vários outros pensadores, falhou em perceber foi a ruína do pensamento cotidiano; quando discursos e ideologias estão tão desgastados pelo uso midiático, perde-se a linha-guia do pensamento. Qual é o real? Como mostrar que o real é aquilo que de fato aconteceu quando tem gente por aí negando a factualidade de certas coisas?

Não dá pra ser assim. Não é que todos tenhamos que pensar igual, mas não dá pra entrar em discussões sobre o que tu acha do céu ser azul… o céu é azul e pronto. Gostar, não gostar, achar, não achar, é IRRELEVANTE.

Relevante é considerarmos criticamente quais discursos são falsos e verdadeiros e que tipo de ideologia, discurso, sociedade, cultura, civilização, não apenas os permite como incita. A História tá lá, é só parar de ouvir Craddle of Filth ou Pantera e pegar um livro pra ler.

Ou melhor, Google.

O pior de tudo foi o cara me dizendo: “ah, tu não tem fundamento pra falar isso”.

Quem tem fundamento é tu, babaca. Tu e a tua faculdade canalha de crunchin’ numbers. Quer discutir o Dow? Vai fundo, disso tu sabe. Agora falar de condição humana, história das religiões e filosofia analítica, existencial e hermenêutica, porra, vai ler um livro antes, cara. Qualquer um. Te dou até umas dicas.

E repito:

“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros


Sociedade Industrial da Cultura ou Indústria da Sociedade Cultural ou Cultura da Indústria Social?

Publicado em despise for humans por pedro em 06/05/2009

“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros, quando a cultura distribui tão democraticamente seu privilégio. Em face da trégua ideológica, o conformismo dos compradores, assim como descaramento da produção que eles mantêm em marcha, adquire boa consciência”

[...]

“Pois só a vitória universal do ritmo de produção e reprodução mecânica é a garantia de que nada mudará, de que nada surgirá que não se adapte”

Para que uma indústria se diversifique absolutamente é preciso uma mão-de-obra também absoluta. E que mão-de-obra poderia vir a se tornar absoluta?

Para o bem e para o mal, fazendo um mea culpa – por escrever num blog e ter perfil no Orkut e Facebook, a força de trabalho envolvida nesta fase, nem tão diferente, da indústria cultural somos todos nós.

Sociedade de fato marcada por uma cultura da mídia, mais do que cibercultura: esta é apenas a ferramenta, o sentido, que parece se perder (Baudrillard), é na verdade é da democratização total da mídia. Digg, Facebook, YouTube: as formas são as mesmas (músicas, vídeos, sons, imagens, palavras, linguagem), os meios, de certo, também (a despeito de sua natureza digital, que merece um post exclusivo). Entretanto escapamos dos ditos de adornianos/horkheimerianos pois não há mais o manager, não há mais a cabeça no controle de uma perspectiva economicista ou coorporativa (a não ser na orientação do meio de natureza digital. Por exemplo? O cara do Facebook ou o seu Orkut): somos nós os controladores.

Gatekeepers?, perguntariam alguns ciberculturologistas. Mas é além.

A democratização é tamanha que não se tem mais gate: tudo vale. Tudo entra. Pra que profissionais treinados em repetição se já temos aí três gerações altamente treinadas nisso? No Canal Futura esses dias o cara do CQC falava: “essa geração de hoje é mais treinada”, complementado por Washington Olivetto: “eles não aceitam qualquer coisa. É um desafio”.

O desafio, Uáxintom, é se manter relevante.

post   igual   em:  HTTP://OMELHORDOPEOR.BLOGSPOT.COM
http://www.mininova.org/tor/2389067

Até os maiores de todos erram feio

Publicado em despise for humans por pedro em 05/07/2009

“Media tycoon Rupert Murdoch expects News Corporation-owned newspaper Web sites to start charging users for access within a year in a move which analysts say could radically shake-up the culture of freely available content”.

Para o maior bilionário do mundo, Rupert Murdoch está prestes a pisar feio da bola. Até maio de 2010 o megaempresário quer que seus sites comecem a cobrar por conteúdo.

The current days of the Internet will soon be over.

Segundo Murdoch, o aplicativo para IPhone do Wall Street Journal logo só dará conteúdo para usuários pagantes.

Murdoch pode ser um tycoon, como dizem os americanóides, mas a não ser que essa mudança aconteça com todos eu só tenho uma coisa a dizer: falência.

De janeiro de 2008 até agora, segundo a mesma matéria do site da CNN – que eu só li inteira porque É DE GRAÇA, porque se tivesse pagar um míserto centavo eu não lia – 120 jornais de papel fecharam nos EUA. E alguns dos grandes estão bem balaçados. O Boston Globe, por exemplo, do alto de seus 137 anos também vai fechar. 121?

Murdoch é certamente um gênio. Na verdade, financeiramente falando, talvez seja o maior vivo. Entretanto, parece ter muita dificuldade em realmente entender a Internet. Enquanto as pessoas já estão em Last.fm e FaceBook, nosso querido general da Wall Street compra o decadente MySpace – que pode até dar bastante dinheiro, mas já caiu fora da boca do povo. E é isso mesmo que as pessoas querem nesse mundo. Eu já pago, no Brasil, supomos, mais de mil reais por uma merda de IPhone (que aliás eu não tenho e só teria se ganhasse totalmente de graça em uma promoção, se ganhasse de presente acharia um jeito de trocar), eu pago a merda da Claro todo mês a bagatela de 140 reais e ainda tenho que pagar pra ler um jornaleco de merda que nem o WSJ?

As pessoas estão SEGUINDO TWITTERS, Rupert. Pagar com conteúdo de jornal é simplesmente rídiculo. Aposto que se o WSJ cobrar por seu conteúdo a Google inventa um jeito de TE PAGAR PRA ACESSAR O SITE DELES DE INDEXAÇÃO DE NOTÍCIAS, onde um carinha numa sala paga o maldito WSJ e escreve tudo resumido nas suas próprias palavras.

Quem é o gênio agora, Murdoch?

… Tudo bem, eu tô desempregado e tu tem grana suficiente pra viver mil vidas de Richard Branson – que aliás disse aí nessa semana passada que se ele pudessem entrar numa briga de punhos com qualquer personalidade histórica ele escolheria Stephen Colbert, o apresentador do Colbert Report na Comedy Central.

Sei lá, não costumo ser tão confiante do meu conhecimento de Economia da Rede porque é uma faceta que realmente me escapa, me fascina mais é o comportamento e o estatuto sociológico que se forma a partir da Rede. Penso, entretanto, que

Rupert Murdoch por Kerry Waghorn

Rupert Murdoch por Kerry Waghorn

este escopo é suficiente para desaprovar as prentensas ações do grande bilionário.

Há, de certo, uma predominância da perspectiva de essa nova rede, convergente e produzida de usuário para usuário é que vá, finalmente, se delinear como modus operanti da grande rede. Ninguém quer uma maldita matérias com todos os fatos. As pessoas querem centenas de blurbs, cada qual com uma perspectiva diferente. Pra que ler o Wall Street Fucking Journal se eu posso ser todos os malditos Fucking Journal, Fucking Times, Fucking Globes do planeta? Não sabe ler japonês, mas quer notícias do Japão? Leia The Japan Times! SABE ler chinês, né? Você é uma pessoa antenada no mundo, teu Mozilla tem até aquele plug-in pra chinês, né? Leia o China Times!?

O conteúdo em si mudou. Pelo menos penso eu. Tava esses dias cautelosamente seguindo twitters por aí, sem deixar rastros, e, somando-se o que vi ali com a afirmação de Murdoch, penso que ainda assim existirá o EXATO MESMO CONTEÚDO re-mediado pelos “3%” que a matéria da CNN afirma estarem dispostos a pagar.

Fica a dúvida, Murdoch é Murdoch. Ele parece tão lúcido quanto sempre e está sim ganhando uma boa grana com e por causa da crise.

Poderá estar espreitando nas vielas de 2009-2010, nesta espera véspera de década, existir uma (ou seria melhor ainda existir uma) nova transformação tão profunda da natureza desse bem ao qual nos tornamos tão acostumados? É clichê dizer isso, mas, de fato, a atividade das pessoas em redes sociais (percebida unilateralmente, através do próprio perfil que eu, assim como vocês, tem), blogs e redes p2p torna muito clara a evidência de que a participação na rede é parte integral da sociedade, seja ela vista no âmbito interpessoal, seja ela vista como dinâmica de contínuas trocas simbólicas e consumo de produtos industrializados e culturais-midiáticos.

sobre vigilantismo

Publicado em despise for humans por pedro em 03/17/2009

Então tava lendo sobre o tal julgamento do The Pirate Bay.

Tá, em primeiro lugar: se fecharem o PB, poxa, no outro dia já tem outro. Eu baixo muita coisa. Tô fudendo pra direito autoral e essas bostas autárquicas todas aí: a maior parte dos filmes, séries e músicas que eu baixo são uma bosta mesmo. Mas pode-se ver, sendo um leecher ativo, que toda a semana aparecem dezenas de sites como o Pirate Bay.

O que parece acontecer, de verdade, é o mesmo caso da moça italiana lá há mais de 10 anos em coma. Desculpa, gente. Mas ela tá morta. Que nem a indústria da cultura, em termos, também está. A questão do valor se perdeu: primeiro porque tudo é tão descaradamente por dinheiro hoje em dia que simplesmente fede e, segundo, a velha do valor por escacez não existe num mundo no qual não existe escacez.

Tá, mas a questão fundamental é esse lance de leis, copyright, download ilegal… minha opinião pessoal: criminoso é se cobrar 60 reais por um filme como Encantada, da Disney. Criminoso é custar 37 reais o disco novo do Guns’n'Roses. Crimoso é pagar às vezes mais de 20 reais pra ir no cinema. Isso sim é criminoso.

Fala-se muito de mashup, remix, e de como a “velha” indústria cultural não permitia isso. Pra todos vocês que apesar de inteligentes e versados no estudo da cultura da mídia eu digo apenas uma coisa: ACORDEM! O remix, o mashup é essencialmente a própria mídia. Programas de humor como SNL há mais de 20 anos fazem isso. A própria lógica, durante os anos 1990 e início de 2000, das comédias românticas e filmes adolescentes, pelo amor de Deus, levou isso as últimas conseqüências. Todos os filmes eram basicamente iguais, com remixes e mashups dos outros. Um velho inteligente disse certa vez: “There’s nothing new here” e é verdade; não há nada de novo sobre o sol escaldante da Internet. A tal read-write culture… legal… no papel. Porque na prática não passa de “colar na prova”, não passa de videozinho no YouTube. Se bem que Chaplin uma vez disse que uma das coisas mais importantes da vida era rir, e se tem uma coisa – talvez a única – que essa nova fase engendra é, de fato, o humor.

Vídeos do Youtube servem mesmo é pra rir. “Mas o Batman é meu, tu não pode usar”.

Direito autoral, me desculpem, é uma coisa realmente do passado: esse mundo não está ficando necessário melhor, mas com certeza está se tornando mais cruel; seja a cruel frieza da verdade ou a crueza fria de que qualquer coisa que tu invente vai virar uma piada que nem Two and a Half Watchmen…

Toda uma onda em cima de blogs e redes sociais e twitter. Me desculpem dizer isso, mas preciso vocalizar a coragem que parece que ninguém exibe: BLOGS, REDES SOCIAIS E TWITTER são coisas muito chatas! Sim, eu sei o quão idiota é falar mal de blogs num blog – como era falar mal da TV na TV, mas é que existe uma realidade latente que ninguém parece contemplar. Essas ferramentas tecnológicas servem aos mesmos propósitos que a indústria cultural servia. Não houve mudança nem mesmo de eixo. Fala-se de como a TV é recalcada e rídicula por se pautar a partir dos blogs, mas ninguém fala uma coisa bastante importante sobre produção jornalística: “o que é bom aparece, aparece o que é bom”. Autarquia dessa vez da notícia, que é notícia no formato TV até nos blogs.

“Blá-blá-blá, Yeda é um monstro” e nada muda. “Ah, com a internet temos uma fonte de notícias mais flexível”: pelo amor de Deus! Se tu leu um blog leu todos. E repetir a notícia que dava na TV já acontecia antes.

E isso não é ruim. O que é ruim é a falha em se perceber como o mundo está mudando e não essencialmente que ele esteja mudando.

NÃO DÁ PRA EFETIVAR UTOPIA DE ACESSO E CULTURA SEM ACESSO E CULTURA.

Quando do fechamento do site Legendas.tv tava lendo um artigo no blog deles sobre como a indústria cultural não conseguia suprir as necessidades do público. Peraí. Tem alguma coisa errada nessa afirmação.

“Pirate Bay e Legendas.tv é malvadão por causa dos benditos download ilegais”…

mas…

“A indústria cultural não consegue suprir as necessidades do público por causa do bendito acesso regrado”.

Quando uma lei é massivamente desobedecida e ignorada PELO POVO, me desculpem, mas ela não é mais lei.

E talvez a verdadeira revolução seja a câmera de vídeo portátil e affordable.

10/9

Publicado em despise for humans por pedro em 09/11/2008

Ontem, dia 10 de Setembro de 2008, foi o dia do jornalista e dia mundial da liberdade de imprensa.

Setembro parece estar ficando pra História como o mês que atenta contra as liberdades pessoais e de pensamento. Deveríamos parar de nos preocupar com coisas triviais e começarmos a nos preocupar com as coisas verdadeiramente alarmantes que andam de porta em porta enquanto não estamos prestando atenção.

Para comemorar tão grande dia, que celebra o fim das autarquias, o fim da censura, a liberdade de expressão, pensamento e investigação, nossos queridos governantes sulistas fizeram uma festa.

A festa do processo contra a NovaCorja.org.

Em termos, a mais pura censura. Nenhum dos rapazes foi responsável pela retirada das tais informações sigilosas de dentro de uma agência do Banrisul. Outro foi o responsável. E como tantos meios de comunicação, não pensou duas vezes em publicar as informações, não com o objetivo de ferrar Banrisul ou Laranja ou Yeda, mas com o objetivo solene e esquecido pela mídia contemporânea de informar as pessoas, de buscar a verdade e expor os corruptos que depenam cada dia mais esse país.

Fala-se da fragilidade dos blogs mas o discurso é o mesmo; “por favor façam leis sobre isso”. Chega de leis. Chega de não conseguir entender que as coisas são a mesma coisa. Chega das pessoas não entenderem a Internet.

Blogs, sites, redes sociais, são formas de apropriação por parte do corpo em si da população do que o Träsel muito bem chamou de “Estatuto da Indústria Cultural”. As formas de produção, distribuição, regulamentação do que, dentro da internet, pode ser chamado de novas mídias não estão e nem jamais poderão estar na mão das autoridades ou legisladores. Pra quem não sabe, a Internet foi construída com uma idéia na cabeça: total acesso. Ou seja, mesmo em países como Irã e China – que censuram descaradamente a rede – pode-se facilmente acessar qualquer coisa. Nos EUA, onde se fala tanto sobre baixar músicas ilegalmente, é ainda mais fácil.

O processo forçou os caras da Nova Corja a retirarem do ar uma informação bancária do Laranja, o cara que vendeu a casa pra Yeda. Entretanto, vejam bem, qualquer um poderia ter copiado o .jpg que estava no site. Se fosse uma outra informação, digamos, mais espetacular, interessante, ela provavelmente ainda estaria na Internet em algum lugar, como o vídeo da Cicarelli também está. Ou  no mínimo estaria em algumas dezenas de pastas em centenas de computadores pessoais.

Quem produz e regula somos nós mesmos. Não há mais controle nem pode haver, é fácil perceber quando se compreende a Internet.

Numa palestra do Lessig – disponível aqui no site da Giseleh – ele fala sobre como o mundo em que vivemos é estranho porque uma grande parcela da população vive as margens da lei, sabe disso, e simplesmente não se importa. É claro que vamos viver fora da lei. Depois do Napster, não tem mais comprar música. E por mais que tu ache meia dúzia de gatos pingados que ainda compram discos (a maior parte que eu conheço compra mesmos LPs, pelo vintage) é só ver como as lojas de CDs estão caindo mais do que periquito em vazamento de gás. Eu quero ouvir e conhecer Stevie Wonder. Eu não vou numa loja pagar 40 reais por um disco, eu baixo a discografia inteira dele a 140kb/s.

E por mais que façam leis, a fiscalização dessas leis teria que necessariamente passar por nossos direitos, na verdade pisoteá-los. Além de, mesmo assim, ser praticamente impossível fiscalizar a todos. Geraria aquilo que alguns gostam de chamar de sociedade de monitoração, 50% da sociedade é bandido, 50% é policial.

Mas me desviei um pouco. A Internet é a expressão máxima da liberdade de expressão porque, a priori, possibilita e facilita inclusive coisas moralmente, socialmente e eticamente controversas. Criar uma lei contra pedofilia na rede não impede a pedofilia. Assim como processar a Nova Corja e forçá-los a retirar as informações não retrocede o fato de que eu li aquela informação. Que eu já sei o que estava escrito ali, assim como centenas de outras pessoas.

E mesmo que a ordem judicial não tenha aceito o pedido do requerente de remover os comentários do post em questão (o que seria ainda mais obviamente censura), ainda sim ficou muito claro o aspecto de desrespeito ao trabalho jornalístico, ao desdém dos poderes em relação ao poder e a penetração que os blogs tem.

Caiu na rede, já era…

Na seqüência: 11 de Setembro, 7 anos.