Ubermensch by Debord

Leituras para Doutorado

Publicado em despise for humans por pedro em 08/31/2009

Bom, minha preparação para o doutorado já é de longa data, mas agora a lista de leituras cresceu – e alguns saíram dela – então resolvi reoptar uma postagem.

Acabei na semana passada o Michel Maffesoli – como comentei no meu twittar.

E estou lendo:

- A condição humana e a Vida do Espírito, da Hannah Arendt: nem preciso falar nada

- Método 6: a ética, do Morin: cai na prova, minha gente, então não é por metodologia nem por gosto que me apressei para ler o sexto e último módulo do Método de Morin. Eu estou no último capítulo do Método 1, então está sendo uma experiência estranha, ler o primeiro e último volumes.

- Cibercultura, do André Lemos: também pela obrigatoriedade da prova tive que retornar nesse grande livro nacional. Eu já o tinha lido parcialmente para minha dissertação, então agora se faz acabá-lo definitivamente.

- Opinião Pública, do Walter Lippman: esse livro da década de 20-30 nunca tinha sido publicado em português. A tradução e introdução é de professores aclamados (e ex-vice-governadores) da Famecos: Jacques Weiberg e Antonio “Hou”feldt. Recém comecei, então não tenho uma opinião sobre ele ainda.

- Foucault com o final de As palavras e as coisas e meio de O Nascimento da Biopolítica: nada de obrigatório aqui, mas esses livros são ótimos e todas as pessoas do mundo deveriam lê-los.

- Volumes 1 e 2 das obras escolhidas de Walter Benjamin: para o grupo de pesquisa e porque todo mundo que pesquisa comunicação, ideologia, imaginário e cibercultura tem que ter um conhecimento bem aprofundado desse que foi um dos caras mais influentes.

- Slavoy Zizek com seu livro Lacrimae Rerun, mas especificamente o capítulo sobre o Kieslowski. Eu tenho esse livro a tempos – inclusive o disponibilizei para o grupo de pesquisa – e parti pra esse texto por orientação do Bruno, meu queridíssimo colega e gestor do nosso grupinho de pesquisa CINESOFIA.

- Sociologia do Imaginário, um apanhado de textos organizado por Patrick Tacussel.

- Giorgio Agambem com Infância e História, outra dica do Bruno.

Obras ficcionais eu estou lendo:

- Teleny, de Oscar Wilde. Um romance creditado a ele, mas que provavelmente foi escrito à muitas mãos. É um dos primeiros romances de língua inglesa a tratar sobre homossexualismo.

- O Chamado de Chtulu e outros contos, de H.P. Lovecraft. Depois de Charles Dexter Ward, me interessei pelo ‘providencial’ Lovecraft.

- Harry Potter 1.

Ufa! É muita coisa. Então vou voltar a elas.

Beijos…

Ah, antes, pra deixar o blog cada mais coerente, vou deixá-los com uma passagem de “A Obra de Arte na Era da Reprotubilidade Técnica”, do nosso querido W. Benjamin.

“Os temas dessa arte [antes da reprodutibilidade técnia] eram o homem e seu meio, copiados segundo as exigências de uma sociedade cuja técnica se fundia inteiramente com o ritual. Essa sociedade é antítesa da nossa, cuja técnica é a mais emancipada que jamais existiu. Mas essa técnica emancipada se confronta com a sociedade moderna sob a forma de uma segunda natureza, não menos elementar que a da sociedade primitiva, como provam as guerras e as crises econômicas. Diante dessa segunda natureza, que o homem inventou mas há muito não controla, somos obrigados a aprender, como outrora diante da primeira. Mais uma vez, a arte põe-se a serviço desse aprendizado. Isso se aplica, em primeira instância, ao cinema. O filme serve para exercitar o homem nas novas percepções e reações exigidas por um aparelho técnico cujo papel cresce cada vez mais em sua vida cotidiana. Fazer do gigantesco aparelho técnico do nosso tempo o objeto das invervações humanas – é essa a tarefa histórica cuja realização dá ao cinema o seu verdadeiro sentido”


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Ideologia não é coisa do passado e não, nós não vivemos num mundo pós-ideológico nem muito menos numa ‘trégua ideológica’

Publicado em despise for humans por pedro em 08/29/2009

By way of a simple reflection on how the horizon of historical imagination is subjected to change, we find ourselves in medias res, compelled to accept the unrelenting pertinence of the notion of ideology. Up to a decade or two ago, the system production-nature (man’s productive-exploitative relationship with nature and its resources) was perceived as a constant, whereas everybody was busy imagining different forms of the social organization of production and commerce (Fascism or Communism as alternatives to liberal capitalism); today, as Fredric Jameson perspicaciously remarked, nobody seriously considers possible alternatives to capitalism any longer, whereas popular imagination is persecuted by the visions of the forthcoming ‘breakdown of nature’, of the stoppage of all life on earth — it seems easier to imagine the ‘end of the world’ than a far more modest change in the mode of production, as if liberal capitalism is the ‘real’ that will somehow survive even under conditions of a global ecological catastrophe . . . . One can thus categorically assert the existence of ideology qua generative matrix that regulates the relationship between visible and non-visible, between imaginable and nonimaginable, as well as the changes in this relationship.

Isso é um excerto da introdução de Mapping Ideology, um livro organizado e escrito por Slavoj Zizek. Esse livro fala sobre ideologia e conta com ‘participações’ de gigantes da area, como Frederic Jameson, Louis Althusser, Pierre Bourdieu e Theodor Adorno.

Quem quiser encontra o texto em

http://bit.ly/s2DcA

Special thanx do @fabiofernandes que retwitou essa pérola

Publicado em despise for humans por pedro em 08/28/2009

“Os livros e as putas – as notas de rodapé são, para uns, o que as notas guardadas no sutião são para as outras”

W. Benjamin

Benjamin, você não poderia estar mais correto.

Sociedade Industrial da Cultura ou Indústria da Sociedade Cultural ou Cultura da Indústria Social?

Publicado em despise for humans por pedro em 06/05/2009

“A competência e a perícia são proscritas como arrogância de quem se acha melhor que os outros, quando a cultura distribui tão democraticamente seu privilégio. Em face da trégua ideológica, o conformismo dos compradores, assim como descaramento da produção que eles mantêm em marcha, adquire boa consciência”

[...]

“Pois só a vitória universal do ritmo de produção e reprodução mecânica é a garantia de que nada mudará, de que nada surgirá que não se adapte”

Para que uma indústria se diversifique absolutamente é preciso uma mão-de-obra também absoluta. E que mão-de-obra poderia vir a se tornar absoluta?

Para o bem e para o mal, fazendo um mea culpa – por escrever num blog e ter perfil no Orkut e Facebook, a força de trabalho envolvida nesta fase, nem tão diferente, da indústria cultural somos todos nós.

Sociedade de fato marcada por uma cultura da mídia, mais do que cibercultura: esta é apenas a ferramenta, o sentido, que parece se perder (Baudrillard), é na verdade é da democratização total da mídia. Digg, Facebook, YouTube: as formas são as mesmas (músicas, vídeos, sons, imagens, palavras, linguagem), os meios, de certo, também (a despeito de sua natureza digital, que merece um post exclusivo). Entretanto escapamos dos ditos de adornianos/horkheimerianos pois não há mais o manager, não há mais a cabeça no controle de uma perspectiva economicista ou coorporativa (a não ser na orientação do meio de natureza digital. Por exemplo? O cara do Facebook ou o seu Orkut): somos nós os controladores.

Gatekeepers?, perguntariam alguns ciberculturologistas. Mas é além.

A democratização é tamanha que não se tem mais gate: tudo vale. Tudo entra. Pra que profissionais treinados em repetição se já temos aí três gerações altamente treinadas nisso? No Canal Futura esses dias o cara do CQC falava: “essa geração de hoje é mais treinada”, complementado por Washington Olivetto: “eles não aceitam qualquer coisa. É um desafio”.

O desafio, Uáxintom, é se manter relevante.

post   igual   em:  HTTP://OMELHORDOPEOR.BLOGSPOT.COM
http://www.mininova.org/tor/2389067

Leituras

Publicado em despise for humans por pedro em 05/09/2009

Alguém me perguntou ontem o que eu ando lendo. Lamentavelmente no momento não estou lendo quase nada de Ficção – estou esperando o Gustavo me emprestar o Crônicas Marcianas, do Bradbury, que eu dei pra ele de aniversário -, mas estou lendo 6 livros teóricos ao mesmo tempo.

O único ficcional que estou lendo é:

  • O Caso de Charles Dexter Ward

Esse é um dos mais conhecidos romances de H.P. Lovecraft. Quando reconstruí a história da ficção científica e fantástica para minha dissertação eu acabei vendo que o único autor ali que eu jamais tinha entrado em contato com era o Lovecraft. Daí encontrei esse em versão pocket e tem sido meu companheiro atual de literatura.

Mas no momento estou lendo:

  • Bem-Vindo ao Deserto do Real: cinco ensaios sobre 11 de setembro e datas relacionadas

Esse livro do Slavoj Zizek é de 2002. Zizek é um filósofo esloveno e essa coleção de ensaios é realmente muito boa. Ele fala muito sobre ficção científica e a relação mítica da ansiedade do catástrofe com a natureza própria da catástrofe 11 de setembro.

  • Lacrimae Rerun

Esse livro também é do Zizek, de 2008. Nele ele fala sobre as cineastas Kieslowski, Hitchcock, Lynch e Tarkowski. O livro é ótimo; parece também uma coleção de ensaios. E recomendo muito o sobre o Hitchcock.

  • Nascimento da biopolítica

As aulas de Michel Foucault no Collége de France de janeiro a abril de 1976. Recém comecei a ler: é longo e denso, mas é muito bom porque é em forma de aula, então ele gasta bastante tempo explicando bem a fundo e dando ótimos exemplos. É uma obra obrigatória sobre poder, estado, política, relações internacionais e sobre a própria condição humana, no que se refere ao estatuto da organização das sociedades.

  • As palavras e as coisas

Empréstimo do meu querido amigão Jayme Camargo, colega de grupo de pesquisa e mestrando ali na Famecos, esse livro é outro obrigatório. Queria ter lido ele há muito tempo, mas as leituras necessárias sempre ficavam na frente. É ótimo. Foucault fala de arte e da percepção humana.

  • Dialética do Esclarecimento

Essa obra clássica, fundadora, inclusive, de Adorno e Horkheimer é uma das leituras obrigatórias para quem tem interesse pela mídia e pelas transformações ideológicas da era pré, moderna e pós. Comprei ontem e já estou devorando. Era mais um daqueles livros que fazia muito tempo queria ler e nunca tinha tempo.

  • O Método 1: A natureza da natureza

Há algum tempo eu comprei numa promoção na Cultura todos os Métodos do Edgar Morin, mas, por sua densidade e pela falta de tempo, só tinha lido partes do Método 3 e 4 para fazer um trabalho para uma das disciplinas do mestrado. Morin em sua complexidade me fascinou desde o primeiro momento e ficou como aqueles livros pra ler depois da defesa. E foi o que eu fiz. É o livro no qual estou mais concentrado no momento.

  • A água e os sonhos: ensaio sobre a imaginação da matéria

Esse livro é de 1989, de Gaston Bachelard. Como eu tinha lido para minha dissertação todos os estudantes do Bachelard, resolvi que deveria lê-lo. Eu também comprei O ar e os sonhos e A poética do devaneio, mas ainda não comecei a ler.

Se alguém tiver alguma dica de ficção eu to aceitando. Nothing too classic or too novelty, please…