Ubermensch by Debord

Iran Badu

Publicado em despise for humans por pedro em 06/22/2009

Posteriormente eu farei um post mais compreensivo sobre esse assunto, mas vale traçar.

Na última semana o povão do mundo inteiro foi pego de surpresa por uma coisa que ninguém esperava. Tá certo que pelo menos desde de McLuhan já sabemos que a mídia pode servir as vontades do povo – e não só mera dominação ideológica – e sabíamos que ela conseguia ser o powder cag pra começar coisas importantes (sem julgamento de valores). Impeachment do Collor, Million Man March (parts one and two). Esse tipo de coisa.

Mas num país que lutou, há uns 30 anos atrás, pra VIRAR UMA DITADURA RELIGIOSA não estava no topo da lista de ah, vamos botar fogo nessa bosta. França, Alemanha e Grécia andavam encabeçando a lista de países com um povo prontinho pra incendiar carros na rua.

Só que não foi bem isso que aconteceu no Irã. Primeiro os padrecos que realmente mandam no país anunciaram que o presidente de nome impronunciável tinha se reeleito. O anúncio veio algumas horas depois do fim das votações e chocou o mundo por ser a mais clara prova da irrefutabilidade da corrupção naquele país: urnas de papel levam horas, dias às vezes, para serem apuradas. “Até isso é melhor no Irã”, dizia um dos canais de TV justificando a velocidade da apuração dos votos.

Mas o que viria foi realmente inacreditável. Ninguém saiu nas ruas quebrando coisas. No espírito da moça morta Neda, jovens, adultos e até mesmo idosos foram para rua pedir, pacificamente, não que os aitolás caiam fora, mas que o sonho da república islâmica, passado pro Ocidente como uma realidade táctil, se tornasse real. “Queremos liberdade”, gritam as pessoas na rua. Mas ninguém vê. Ninguém?

Então entra sobre o que esse post é: tem muita gente (muita gente mesmo) falando sobre como as novas tecnologias da comunicação estão mudando o mundo. A prova irrefutável disso está acontecendo agora. A despeito das mentiras, besteiras, racismos e extremismos que achamos na Internet, a rede finalmente serve ao propósito de libertação do homem. Facebook e Twitter se tornaram mais do que redes sociais: são murais para a dor, para a morte.

A total liberdade da rede se tornou o tótem da total falta de liberdade.

Num país, que se pretende potência e não passa de um deserto (em tantos, tantos sentidos) com shopping centers e milionários (diferente de Dubai pela quantidade de shoppings, milionários e ideologia), onde a mídia serve, como nos tempos de Rússia comunista e Alemanha nazista, aos propósitos de velhos gordos e ricos que passam seu tempo estuprando crianças, vemos surgir o verdadeiramente mais significativo movimento ideológico, cultural, social (chame como quiser) dentro da rede.

E se faz um parâmetro analógico até mesmo com o dito download ilegal; facebook e twitter são, nesse momento, ilegais, proíbidos, no Irã. Olha lá e vê se isso impediu eles.

Por isso há quase dez anos eu falo pra amigos, colegas de academia, professores e muito por aqui: THE WEB IS UNSTOPPABLE. Feita para ser assim é óbvio que assim ela será. Militares não ligam para download ilegal; ligam para comunicação total. Para dados que podem ser conservados e protegidos e a rede, ao ser aberta a todos, desapareceu com o seu único impedimento real: o acesso. Agora que podemos acessar essa rede, que cresce como o tumor benigno mais miraculoso de todos, podemos finalmente cantar todos aqueles cantos. De ódio ou amor.

Neda não é a voz da revolução, não é a voz do Irã. É, mesmo que seja algo encenado e falso, simulado, a verdade da era em que vivemos.

VEJA COMO VEMOS A GAROTA MORRER HORRIVELMENTE E NÃO FAZEMOS…

…NADA.

Veja como os horrores do mundo vem das mãos das pessoas. Realmente, aos amigos jornalistas, não precisa de diploma. Precisa de YouTube e um celular com câmera. Precisa-se estar lá.

De certo precisamos revisar nossas idéias e teorias sobre sociedade e cultura mediada.

Enlightment or Extermination?

Publicado em despise for humans por pedro em 06/05/2009

“Estou a ponto”, diz Juliette ao papa, “de desejar como Tibério que o gênero humano só tenha uma cabeça para ter o prazer de cortá-la com um só golpe”

Essa frase foi tirada de A Dialética do Esclarecimento, de Adorno e Horkheimer, Excurso II, página93, da edição brasileira de 2006.

Como eu disse a alguns posts atrás, este é só um dos livros que ando lendo. Entretanto, de forma um pouco estranha, a maioria parece contemplar – mesmo que de perspectivas totalmente diferentes – o mesmo assunto: a condição humana, seja de perceber o universo, seja de governar a sociedade, a formação e deformação de uma forma de entender o mundo, seja de pensar a vida individual.

Nesse livro, em específico, a proposição reverbera em Lyotard e em Sfez; para construir um novo mundo é preciso primeiro ceifar este que aí está.

O problema do terrorismo: objetiva a destruição objetiva de uma realidade subjetiva através de medidas e pesos subjetivos. O medo, o terror, o pânico; finalmente, a morte.

A solução: vamos todos optar pela obliteração desse mundo. Nem me importo se eu for escolhido pra destruição. Prefiro as completudes absolutas; morte ou vida. Semi-vida, quase-morte, morto-vivo, vivo-morto…

Eusociology?

Publicado em despise for humans por pedro em 05/29/2009

Eu tava lendo sobre formigas, porque sempre vejo alguma analogia linda com formigas. Mas daí acabei descobrindo esse termo eusocial.

Fui atrás da definição.

Eusocialidade é o nível mais alto de organização social e serviu para ilustrar organismos que apresentassem as seguintes características:

  1. Divisão do trabalho através do nascimento (com ou sem castas estéreis)
  2. Sobreposição de gerações num mesmo ninho
  3. Cuidado cooperativo com a prole
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Detalhe pro rato-toupeira-pelado, um dos dois mamíferos classificados como eusociais. Detalhe, na verdade, pras mãozinhas: lembram alguma coisa?

Peguei-me, então, fazendo uma coisa escolar. Antes de ver que tipos de animais estão inseridos nessa categoria eu vou tentar pensar por mim mesmo, seguindo essas guidelines. A maior parte dos mamíferos vivem apenas em pequenos grupos familiares, então resolvi começar pelo outro lado. Os seres mais simples tendem a ser, quando unicelulares, todos iguais; pensei logo nos insetos. Claro, as formigas – obviamente – e também seus primos distantes os cupins. As abelhas, talvez vespas. Essa definição me pareceu, entretanto, vaga. Pensei: acho que alguns mamíferos poderiam se encaixar nessa definição.

Considerando que esses insetos geralmente são usados para definir estratégias de sociabilidade – até algumas analogias ciberculturais - saltei para a conclusão de que o homem, também, desde do surgimento de civilização, de certo se tornara eusocial.

Afinal:

The phenomenon of reproductive specialization is found in various organisms. It generally involves the production of sterile members of the species, which carry out specialized tasks, effectively caring for the reproductive members. It can manifest in the appearance of individuals within a group whose behavior (and sometimes anatomy) is modified for group defense, including self-sacrifice (“altruism”).

Se adicionarmos a expressão or not sterile temos a idéia da divisão de castas na própria sociedade. Reis, princípes, soberanos, sempre ganharam a “ajuda” (e digo entre aspas pois ela nem sempre foi servil ou voluntária) de toda a população na manutenção de sua própria reprodução.

E, talvez mais do que nos insetos dos exemplos, a divisão de classes nas sociedades primitivas era ainda menos permissivas do que vistas atualmente. No feudo, nascido senhor, morria-se senhor; nascia-se criadagem, morria-se criadagem (geralmente junto com o dono).

A concepção não é, assim, tão absurda. Não estaria eu dizendo de forma alguma que insetos tem cultura ou mesmo que humanos não a tenham realmente. Estou propondo, de fato, O EXATO OPOSTO DISSO. Nossa cultura, e vou me proteger aqui apontando apenas historicamente, sobre o passado, forneceu até mesmo o encaixe nas definições mais afuniladas:

A narrower definition specifies the requirement for irreversibly distinct behavioral groups or castes (with respect to sterility and/or other features), and such a definition excludes all social vertebrates (including mole rats), none of which have irreversible castes.

Alguém aí esteve na Índia do século, sei lá, XV, pra ver como era era? Claro, existia mobilidade entre as classes, mas ela era pra cuidado coopertativo com a prole, não é mesmo? Afinal de contas, sabemos muito bem que a mudança de classes até a muito, muito, muito pouco tempo atrás (ou talvez tempo nenhum) só era possível através do casamento que todos nós sabemos muito bem como funciona.

É talvez uma besteira gigante, but it sure puzzles.

Pensar o homem fora da natureza sempre me incomodou.

Mecanismos Naturais de Extinção

Publicado em despise for humans por pedro em 08/15/2008

om, há muitos anos mesmo, desde os tempos de colégio, há pelo menos uma década, toda vez que a discussão (inútil) é sobre meio-ambiente, preservar os recursos e riquezas naturais, eu sempre lanço a premissa de que o homem seria, assim como algo aos moldes de uma Era do Gelo, uma mudança geológica ou climática brusca ou algum desastre de proporções gigantescas entretanto plenamente natural, sim um mecanismo natural de extinção.

Depois de tanto tempo ouvindo que eu sou trouxa e não acredito no potencial humano, hoje, vendo os posts das pessoas descubro um no Mondo Estudom me levando a uma matéria da Folha de São Paulo falando, sobre cientistas britânicos e australianos, principalmente da Universidade de Exeter, que descobriram através da datação do carbono e de outras evidências que o homem pré-histórico foi sim responsável pela massiva extinção de diversos animais de grande porte (o exemplo dado pela matéria é o canguru gigante da tasmânia).

Em matéria do News.Scotman.com:

As the climate in Tasmania was not changing dramatically at this time, the researchers say this is evidence of these species being driven to extinction through over-hunting by humans. Professor Chris Turney, from the University of Exeter, a co-author of the paper, said: “It is sad to know that our ancestors played such a major role in the extinction of these species – and sadder still when we consider that this trend continues today.”

'Procoptodon goliah': uma das espécies investigadas no estudo que, a partir das conclusões, foi sim morto pela ação humana.

Não, Chris Turney, não é uma tendência (“trend“), é uma condição humana. Detesto determinismo biológico, tecnológico, na verdade, qualquer tipo de determinismo, mas tenho que dar o braço a torcer para a teoria de que o homem é, na verdade, programado (outra palavra que odeio) para destruir, levado por, talvez, um instinto natural a executar massivamente outras formas de vida (a princípio a seleção é feita tendo como privilegiado no processo as espécies maiores que forneceriam maior lucro imediato em termos de recursos – peles, ossos – e comida; entretanto as pequenas não escapariam).

Em Mongabay.com:

Earlier research by study co-authors Tim Flannery of Macquarie University and Bert Roberts of the University of Wollongong has shows that 90 percent of mainland Australia’s megafauna disappeared about 46.000 years ago, shortly after humans first settled the continent. Humans didn’t reach Tasmania until 43.000 years ago when lower sea levels due to glaciation allowed them to walk from the mainland.

“The Tasmanian results echo those of mainland Australia, putting humans squarely back in the frame as the driving force behind megafaunal extinction”, Roberts explained.

Não é a tecnocultura capitalista nascida nas entranhas do século XVII que deram para o ser-humano uma total indiferença em relação a percepção holística do mundo. É, em termos, intrínseco ao ser humano procurar formas rápidas e práticas de reduzir a necessidade de recursos de sua população, por mais infíma que ela seja. Esse estudo enseja o fato de que outras “megafaunas”, outros gigantes terrestres, tenham sido também exterminados em diversas partes do mundo pelas populações humanas que migraram para aqueles lugares. O trabalho de Turney, assim como o de Flannery e Roberts, traz à tona a realidade de que animais como mamutes e tigres-dente-de-sabre também teriam sido aniquilados não por mudanças evolutivas ou climáticas, mas sim pela ação coletora-caçadora desregrada das primeiras ‘colônias’ humanas em lugares de díficil migração como algumas regiões dos EUA e da as ilhas britânicas.

Percebo, extrapolando, que podemos lançar mão dessa teoria para explicar muitas coisas. Entretanto, mais triste do que saber que nossos ancestrais tiveram um papel na extinção desses animais, ainda mais triste do que saber que esse tipo de atitude desmedida ainda ocorre de forma quase-institucionalizada e ainda muito mais triste ainda pensar que, se o homem foi mesmo responsável pelas extinção desses gigantes, isso com certeza forneceu recursos para os imaginários ao redor do mundo sobre MONSTROS., é pensar que, talvez, esse instinto, em termos, seja responsável por ações como as da Rússia, da Geórgia, da China, dos EUA, dos nazistas, em Kosovo, Bósnia, e tantos outros países que, de uma hora para outra, resolveram medidas drásticas para solucionar seus problemas financeiro-econômico-sociais e essas medidas, quase que sempre, envolvem o completo extermínio de uma raça, etnia, credo, de pessoas… não animais.

E nesses tempos de Olímpiadas num país rico que não paga os construtores dos estádios, de retorno da Guerra Fria e de guerras abertamente por óleo, fica a dúvida de que, talvez, e só talvez, tudo isso seja o ensejo do mecanismo natural de extinção, encrustado no coração de cada homem, mulher e criança, acionando sua parcela provavelmente mais triste: depois de extingüirmos tudo, extingüiremos a nossos mesmos.

… e enquanto isso…

Publicado em despise for humans por pedro em 08/11/2008

A migração de brasileiros para o Canadá parece começar a afetar o corpo imagético daquele país.

Nos últimos dias: domingo, dia 10, tubulações de gás probano explodiram, deslocando mais de 12 mil pessoas da região de Toronto e possivelmente envenenando o ar com partículas de amianto. Dia 31 de julho, a polícia prende homem supostamente responsável pela decapitação de um jovem de não mais do que 20 anos durante uma viagem de ônibus, nas proximidades de Winnipeg. O homem portaria uma enorme faca e não só decapitou e esquatejou a vítima, como comeu uma parte do rapaz, utilizando tesouras para cortar a carne. Hoje, dia 11, entre outros, 2 canadenses foram presos pelo governo chinês e deportados por protestarem sobre a política chinesa em relação ao Tibete.

Entretanto o ponto alto, ironicamente ou não, aconteceu no dia 10 mesmo, ontem, quando um policial atirou em Freddy Alberto Villanueva (latinuuuu) matando-o. Hoje, em vários jornais, inclusive o que passa aqui no Brasil agora de noite da BBC, a matéria do momento sobre o Canadá foram as manifestações da população, a lá França, atacando a polícia, queimando carros e saqueando lojas. Porém, o máximo que aconteceu, foi uma oficial da polícia levar tiro na perna. Situação muy brasileira essa, se me permitem; policiais matando adolescentes desarmados. Mas vemos que também é muy norte-americana; policiais matando adolescentes desarmados de minorias étnicas/imigrantes. Afinal de contas, canadense com sobrenome Villanueva não é bem canadense, né?

Mas digamos que o Canadá não é o único com problemas. Na Alemanha, até Christiane F. já recorreu as drogas e campo de treinamento de juventude nazista é encontrado pelas forças policiais.

É pra eu morder minha língua quando eu disse que absurdo era a China sediar as Olímpiadas.

Absurdo é Bush falando as coisas que está falando (vejam este link chique pro pronunciamento completo, e o vídeo para o que importa mesmo), principalmente dizer que o que a Rússia faz é inaceitável no séc. XXI.

Me desculpem, mas qual é a diferença da aparente justificativa russa para a justificativa norte-americana em invadir o Iraque, tanto lá nos anos 90 quanto agora?

O governo russo diz que a Geórgia estaria assassinando e esmagando a região da Ossétia do Sul, a Geórgia diz que o governo russo está desestabilizando o país. Os russos acusam a Geórgia de ser criminosa de guerra, e os geogianos acusam a Rússia da mesma coisa. Bush diz: “Russia must respect Georgia’s border and sovereignty“. E isso é muito risível. E no ínterim, enquanto Bush mete o pau em Putin (heheheauehauehauhe), Sarkozy bola plano fantástico e representantes russos respondem “Valeu, francesinho, mas não, obrigado, prefiro tomar o porto de Poti onde passa todo dia todo aquele óleo, mas é bem pelo bem dos osséticos do sul”.

E pela falta de atenção e de certeza do Ocidente e da Europa, os geogianos reagrupam suas forças militares para defenderem a capital, e no disse, não-disse, burocracia e diplomacia de cuecão, quem sofre são as milhares de pessoas removidas de suas casas fora os números ainda indecifráveis de mortos, feridos e daqueles que mais que isso, perderam tudo, inclusive as famílias.

Ah, claro, sem contar o xororô da mídia que não explica e nem procura entender as razões do conflito, que repete mil vezes as mesmas cenas do presidente georgiano sendo escondido por seus seguranças ou do discurso idiótico de Bush.

Ninguém tá olhando, vamos nessa…

Publicado em despise for humans por pedro em 08/11/2008

Bom, as Olímpiadas que foram inventadas pelos gregos, até onde aprendi no colégio e em uma ou duas cadeiras da faculdade, tinham o objetivo de unir as nações da Grécia gerando um halt de qualquer combate militar. Bom, hoje eu vi os rapazes do vôlei de praia brasileiro, Ricardo e Emanuel, baterem o time, que apesar de composto por jogadores brasileiros,  era da Georgia. E depois fiquei sabendo que as meninas no vôlei ‘convencional’ tinham batido o time da Rússia.

Ambas nações são participantes das Olímpiadas, entretanto, nos últimos quatro dias (ou seja, os conflitos começaram como ensejo dos jogos) já se somam dois mil mortos, segundo algumas fontes. O presidente da Georgia, apela para a comunidade internacional (“please, wake up everybody“) pois, para ele, o que está acontecendo é a aniquilação de uma nação democrática, através de uma limpeza étnica. Segundo ele também, as fronteiras da Georgia teriam sido invadidas por – aproximadamente – 1200 (MIL E DUZENTOS) tanques russos. Ele acusa a Rússia de ter planejado o ataque e que nenhuma ação de seu país poderia justificar uma invasão aparentemente premeditada e de tão grande porte. Ele inclusive usa a expressão “MUDER OF A SMALL COUNTRY“.

Vou ser sincero e dizer que eu nem imaginava a vida na Georgia até uns dias atrás. E se alguém me dissesse “ah, a Georgia…” eu ia ficar pensando um pouco até me lembrar que era uma das tantas nações da União Soviética. E pelo que entendi até agora, esse pequeno país do cáucaso, não é tão pequeno e muito menos é desimportante.

Citando e devidamente linkando o site do Globo, mencionando uma matéria da Reuters:

Os portos de petróleo de Supsa e Batumi, na Geórgia, usados para escoar o petróleo do Azerbaijão, estão operando parcialmente, enquanto o porto de Poti não está funcionando, disse um agente da marinha mercante na segunda-feira.

A redução das atividades se deve ao conflito entre a Geórgia e a Rússia e também a uma explosão que aconteceu na semana passada no oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan, na Turquia. A explosão não teve nenhuma relação com o conflito. O oleoduto leva petróleo bruto vindo do Azerbeijão.

Mais 200 mil barris de óleo são escoados do Azerbaijão pela Georgia… POR DIA. No outro porto, o de Poti, chegam a 100 mil/dia. E a tal explosão mencionada pode não ter nada a ver com a guerra, mas a capital da Ossétia do Sul fica há somente 100 quilômetros do óleoduto.

Não vamos esquecer que a outra Ossétia, a do NORTE, foi palco do massacre de 186 crianças (331 pessoas ao total) na escola de Beslan, em 3 de Setembro de 2004.

Convenhamos, yet another war for oil. E não pensem que é sem relações. Georgia participou da aliança de países rídiculos que se uniram aos EUA pra invadir Iraque, juntamente com os geniais Coréia do Sul, Austrália, Polônia, Romênia, El Salvador, Bulgaria, Albania, Mongolia, República Tcheca, o bom e velho Azerbaijão, Tonga, Dinamarca, Armenia, Ucrânia, Macedônia, Bóznia Herzegovina, Estônia, Latvia e Singapura. Todos, com a exceção dos EUA, contribuiram com bem menos de 1000 soldados. A Georgia inclusive repatriou alguns soldados iraquianos. Então, chegamos, pelo menos parcialmente, à conclusão de que a Georgia pode matar iraquianos pra ajudar os EUA com óleo mas a Rússia não pode matar georgianos, muitos deles com dupla nacionalidade geórgia-rússia, por óleo? Matar suas próprias crianças não é fato inédito nas Ossétias (pelo menos na do norte).

No meio do conflito, esmaga-se a informação de que a região da Ossétia do Sul quer – ou aparentemente quer – se desligar da Geórgia, se tornando independente ou anexada à Rússia. E na confusão, de contar as coisas com pressa porque tem que cobrir a importantíssima prova de natação que Michael Phelps vai vencer com certeza, perde-se o horizonte de que os dados sobre mortos e feridos são, no mínimo, questionáveis, a mobilização de ajuda humanitária é um band-aid pra tratar amputação e que são os próprios russos (em território russo) que estão prestando ajuda com hospitais móveis aos refugiados do conflito. Bush faz cara de “vejam só o que os russos estão fazendo agora”, com sua inépcia de sempre e Vladimir Putin acusa-o de interferência.

E fica no ar aquele clima autoritário do qual falava em posts anteriores,  aquele que envolve genocídio, violência desmedida, assassinato de civis, destruição de hospitais, escolas, etc., tão bem caracterizado pela palavra monstro. Segundo o site da BBC Brasil, Geórgia tira tropas da Ossétia do Sul – matéria de ontem – e Rússia abre nova frente de combate – matéria de hoje. Melhor que isso só estado binacional em Israel…

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Tive que voltar aqui, quase uma hora depois de postar pra editar o post e colocar isso:
Bush diz em entrevista a MSNBC que as ações da Rússia na Geórgia são inaceitáveis.
E no vídeo a nota de voz dada por Bush sobre o conflito dias atrás:
E ainda mais legal é o embaixador russo na ONU…

Notem que o embaixador norte-americano diz o seguinte: “A era de derrubar governos, NA EUROPA, através de conflito armado acabou faz muito tempo…”, só faltou completar: no Oriente Médio? Ah, daí tudo bem…

Monstros

Publicado em despise for humans por pedro em 08/09/2008

A discussão é sempre a mesma: sobre todos os monstros. Quem são, onde vivem, como se comportam. Pois, os maiores monstros de hoje em dia – diferente de mais de meio século atrás – são muito bem destacados pela mídia (mesmo a malvadona, capitalista e vendida).

De um lado temos um monstro muy bien conhecido: os Estados Unidos da América do Norte. Fundados nos melhores princípios já erigidos pela humanidade (respeito às diferenças de todas as naturezas, lei acima de todos os poderes, o direito das pessoas de existir e intervir nos rumos da nação, liberdade de pensamento e de expressão, entre tantas outras coisas), a princípio, infectaram o mundo com motivos bons. Com a beleza estética e moral da democracia, como desejo de que cada nação fosse um farol luminoso e permanente para iluminar a escuridão da condição humana. Eventualmente, mais precisamente depois da Segunda Grande Guerra, deixaram-se levar pela soberba tanto econômica quanto militar levando-os a guerras rídiculas (Vietnã, Coréia, Iraque, Iraque 2: A missão, etc.) mas, mais que isso, levando-os a exercer um poderio financeiro-econômico gigantesco sobre o mundo. Criaram, de certa forma, o mundo no qual vivemos. Apoiaram dezenas de ditadores, deram armas e treinamento militar para muçulmanos de diversas partes do mundo para que estes pudessem combater os soviéticos no lugar dos EUA. O que é uma faca de dois legumes: de um lado, claro, o capitalismo proprocionou grandes avanços sociais e humanos, em áreas como medicina, engenharia e tecnologias variadas, entretanto, também forçou populações e nações mais pobres ainda mais para trás das linhas da miséria, criando um antagonismo cada vez maior em todas as camadas sociais de todos os tipos de países. Franceses, espanhóis, iranianos, sauditas, chineses, até brasileiros e latino-americanos em geral nutrem um crescente desgosto por tudo que é americano ou que se ‘americaniza’. Entretanto, os blockbusters americanóides (como o recente Batman: O Cavaleiro das Trevas ou mesmo já antigo Titanic) além de outros diversos produtos midiáticos culturais (como Lost e House) continuam crescentemente populares. O fomento financeiro oriundo deles é secundário: o que afirma preocupação (se tanto) é que esses produtos continuam tendo penetração e ação formadora social e cultural. Isto me leva a crer que no mesmo passo com que os EUA se desvalorizam frente ao mundo, eles também continuam com a mesma força moldadora da realidade da qual eles tanto se valem. E, no pior dos dias, pelo menos a vida na américa é regida por um grupo estável e conciso de leis que limitam a alçada da população ao mesmo tempo em que fornecem uma pequena chama de liberdade individual, grupal, de credo, entre tantas outras. Tudo bem, tem violência, racismo óbvio, discrepâncias econômicas entre tantos outros absurdos. Percebe-se , porém, que, de certa forma, os EUA trairam seus princípios fundadores, humilhando e deteriorando as contribuições dos Founding Fathers, mais de uma vez e de maneira praticamente sistêmica. Os Estados Unidos da América deveriam ser uma nação aberta ao mundo, como Franklin disse, a beacon of light in a world of darkness. E, falando sobre política externa, esse princípio lindo foi brutalmente traído. Os princípios de trabalho e honestidade também foram transviados pelos governantes (que negam direitos aos americanos de nascença), pelas empresas (que mandam os empregos de americanos honestos e competentes para países de terceiro mundo e para a China) e pelos próprios trabalhadores (que não tem o menor cuidado com suas saúdes e nem a menor noção das conseqüências de seus empregos).

Do outro lado, temos o monstro sede dos jogos Olímpicos nesse ano: a República Popular da China. Fundada na época da esquizofrenia socialista, preferiu esquecer e abominar seu passado de riquezas infindáveis a fim de uma governo que privilegiasse o povo e não o filho do céu, o Imperador. Derrubou-se um ditador autoritário e durante décadas se elogiou outro. Mao deu livrinhos vermelhos para a população, fechou o país e hoje, mais de meio século depois, a China é uma das maiores potências econômicas do mundo, o país que mais cresce percentualmente no mundo. Entretanto, há um preço muito caro sendo pago. É claro que Nike, Reebok, Intel e afins mandam suas fábricas para a China e emprego é o que não falta. Mas que tipo de emprego? Alguns chegam a ganhar menos de meio dólar por hora de trabalho, não há qualquer forma de fiscalização ou legislação sobre as condições de trabalho e não é difícil encontrar trabalhadores que fazem mais de 10 ou 12 horas ininterruptas de trabalho. O Brasil, Inglaterra e os próprios EUA também cresceram vertiginosamente na época da escravidão. Algodão barato é aquele que se colhe sozinho, né? A China, de certa forma como os EUA, esqueceu o que os fazia chinês por excelência. Confúcio foi um dos maiores pensadores da história do mundo inteiro, e até ele (coitado, se ainda estivesse vivo) foi pro paredão. Hoje a China, assim como os EUA, esmaga o mundo com o capital. Cantageia o Comitê Olimpíco Internacional (COI), varre pra debaixo do tapete toda a merda do Tibete e de Taiwan. Entretanto, a diferença fundamental aqui é que a opressão causada pelos EUA nos outros países, que trouxe sua infinita bonança financeira, na China é feito na própria população. É claro que vamos encontrar, ainda mais em Porto Alegre, algum chinês que tem orgulho de seu país. Mas pensem bem: é um país em abertura, que forma uma cada dia maior classe intermediária que poderia ser dita ‘classe média’ e no capitalismo bobão e malvado capital, poder econômico, é segurança, conforto, qualidade de vida.

Ninguém está aqui dizendo que esses monstros são o inferno. De forma alguma. A China é um país em crescimento que parece, em termos, estar lentamente emergindo desse limbo de autoritarismo, ‘catequização ideológica’ e blunt unhumanization. Em contrapartida, os EUA, que poderiam facilmente parecer mais claramente com um paraíso ou com um ‘lugar bom para morar’ segue a linha inversa. Como se energeticamente as potências mundiais contemporâneas tentassem, ao invés de procurar um higher ground, se encontrarem onde suas inépcias e inequidades fossem mais em comum.

São ditos monstros pelos povos não-norte-americanos e não-chineses pois sua influência, numa medida ainda maior do que é benéfica, parece ser nefasta. Ao ver tanques em vilarejos tibetanos ou U.S. Marines escoltando mães e filhos iraquianos, o mundo sente um assustador frio na espinha. Este calafrio é acompanhado da certeza cada vez mais profunda das palavras de Lyotard, do fim das narrativas, do fim da redenção do homem através da política, do entendimento social, da gestão de governança. No fim das contas, essa aproximação entre essas nações mostra de forma muito forte que conceitos antiquados como esquerda e direita e que é preciso uma visão realmente sistêmica para se começar a entender que, na verdade, o que impera é o desejo por cada vez mais poder.

Tecnologia pra Driblar Leis Absurdas

Publicado em despise for humans por pedro em 08/02/2008

bom, acho que qualquer um que leia meio blog sabe muito bem que me oponho ferrenhamente a essa nova lei Álcool Zero, que, efetivamente, considero um abuso, inconstitucional e além do mais não previne acidentes nem que motoristas dirijam embriagados.

Pois, no blog do André Lemos, ele faz menção a matéria da Globo sobre as redes de SMS que avisam as pessoas previamente onde tem blitz do Detran.

A engenhosidade humana supera em muito sua capacidade de incitar o controle. E as múltiplas posições da tecnologia nos permitem, de fato, burlar o fascismo legislativo desse país. O mesmo vale para a tal lei Azeredo contra crimes na Internet. Nem mencionarei o uso justo e lícito da rede, me foco no uso ilícito. Alguém por aí acha realmente que pedófilos, golpistas e hackers cessarão suas atividades devido a aprovação dessa lei? Claro, muitos podem ser presos. Mas um número praticamente infinito de criminosos simplesmente evoluirá, se adaptando a lei e suas restrições, criando formas ainda mais engenhosas (e mais dificilmente percebíveis) de continuar com suas atitivades nefastas.

O mesmo vale pro trânsito. Essa lei absurda, fascista, que existe apenas em um grupo de países (os que ainda se prendem à teocracia islâmica, como Irâ, Arábia Saudita, etc.), e que se prova, a cada dia, mais ineficiente e mais um buraco de corrupção. Indústria de multas como a EPTC porto-alegrense. Garotos esmagados contra postes e velhacos cortando pessoas as quatro da tarde nas principais avenidas da cidade, dois meses depois da promulgação da lei, ainda são uma realidade triste e violenta. O próprio fato do Detran e das entidades fiscalizadoras continuarem autuando condutores em todo o país, com blitz engenhosamente calculadas para “pegar as pessoas no pulo”, através de um sistema inconstitucional que força o condutor a gerar provas que o incrimem demonstram isso muito bem. A lei não impede ninguém de beber e dirigir. E a impunidade e falta total de fiscalização – como acontece na cidade mais trouxa do país, Porto Alegre – incitam esse tipo de comportamente ainda mais. Claro que beber e dirigir pode ser perigoso, entretanto a lei simplifica a situação demais.

Eu tenho 26 anos, 1,88 m e 93 quilos. Eu posso tomar uma garrafa inteira de vinho tinto e não fico nem um pouco bebâdo. As associações médicas internacionais apontam diversos fatores para a diminuição dos reflexos, e muitas (CENTENAS DELAS) não são contempladas na lei. Veja as estatísticas de motoristas de ônibus envolvidos em acidentes nas principais estradas do país e se amedronte com quantos deles são causados por sono. Tem sono na lei? Sem sonômetro na blitz? Então dirigir com 0,03 de álcool é multa e apreensão do veículo e da carteira, mas dirigir desmaiando de sono não dá nada. Segundo fontes, sono, comer demais, diversos remédios (como o Claritin D que eu acabei de tomar), até mesmo beber água em demasia, podem diminuir os reflexos mais do que alguns copos de cerveja no estomâgo de um homem de porte médio. Essa lei não só ofende nossos direitos consitucionais e nossa liberdade de TER RESPONSABILIDADE, DE SERMOS ADULTOS CONSCIENTES DE NOSSOS ATOS E A MATURIDADE DE SABER BEBER como ofende a própria ciência e o entendimento moderno da condição biológica do homem. Minha mãe se beber um chopp não pode dirigir, entretanto, muito antes de suas medições alcoóicas marcarem zero ela já não está mais embrigada e estaria apta a dirigir. Eu aprendi com as pessoas que me ensinaram a beber que beber é coisa de maturidade e consciência: eu não sou alcoólatra, bebo bastante e tenho noção dos meus limites e mais do que isso, depois de anos bebendo, tenho muita resistência.

Então considero que o importante nessa lei seja a aptidão para dirigir. Eu dirijo muito. Sempre estou de carro na rua e percebo que a INAPTIDÃO para dirigir é que realmente deve ser confrontada. A maior parte esmagadora da população (inclusive alguns vizinhos meus que desconhecem a lei que diz QUE A PREFERÊNCIA NA ENTRADA-SAÍDA DE UMA GARAGEM COMUNAL É SEMPRE DE QUEM ESTÃO ENTRANDO) de todas as faixas etárias, principalmente das faixas mais velhas, desconhecem as leis de trânsito profundamente. Pessoas com carros mais caros julgam que as ruas os pertencem e que os outros devem esperar eles passarem. O motorista de caminhão há umas semanas atrás que perseguiu o motoqueiro e eventualmente o matou em São Paulo não estava alcoolizado. O rapaz que tomou dois tiros ano passado na avenida Ipiranga porque disse para o outro condutor que ele estava infringido as leis de trânsito não estava bebâdo e seu algoz também não estava. Como essa lei vai consertar isso?

Eu amo dirigir. É um dos meus maiores prazeres e orgulhos poder dirigir corretamente e me locomover de canto a canto da cidade pelos meios próprios meios. Sei que isso é anti-ecológico, mas é meu direito. Meu direito de posse e meu direito de ir e vir, saudados na constituição. Carteira de motorista, IPVA, fiscalização, são formas do governo organizar o trânsito, e não controlá-lo. Não dá pra ter oficial do Detran e da EPTC dentro de cada carro numa cidade do tamanho de Porto Alegre. A consciência e o ‘dirigir bem’ vem das pessoas, vem da educação que tu ganha em casa. E é isso que tá em falta.

Motorista bebâdo sempre vai existir. Com lei ou sem lei. Tragédia no trânsito vai sempre existir.

Mas será que nosso medo disso é que nem o medo dos americanos dos (ironicamente) árabes para deixarmos nossa responsabilidade, consciência e respeito pelo outro a cargo do nosso tão péssimo governo? Será que um governo corrupto, demagógico, incompetente, desinteressado tem mesmo o direito e a capacidade de legislar sobre coisas que deveriam ser de nossa alçada?

Nos EUA o índice é 0,08. Na Alemanha, um dos maiores consumidores de bebidas alcóolicas do mundo, também. E aqui é zero. Alguém também acha isso muito estranho? Alguém acha muito suspeito que essa lei tenha sido promulgada às pressas, sem cobertura dos principais canais midiáticos do país e na véspera de um dos maiores acordos bilionários da indústria de bebidas nacional?

Vamos abrir os olhos e começar a ver que Lei Azeredo, Lei Álcool Zero são construtos de corrupção com o ÚNICO OBJETIVO DE PROTEGER OS INTERESSES E BOLSOS DE FALSÁRIOS E DESVIADORES DE RECURSOS e que de forma algum tem como objetivo proteger os cidadões e suas vidas. São formas de nos roubar ainda mais dinheiro, com multas e ações abusivas, e de cercear ainda mais nossas liberdades. Beber conscientemente e dirigir deveria ser um direito. Beber abusivamente e dirigir é que deveria ser um crime. Não podemos permitir que o monstro do ato patriota, que justifica tudo com o “bem da população”, chegue ao Brasil de forma alguma. Chega de impunidade e chega de leis absurdas que não melhoram em nada a vida da gente. Agora o cara fica com medo de usar Listerine e sair de carro… Trabalho, trabalho, pagar impostos, ipva aumentando ano que vem, Dantas em liberdade e o cara não pode nem sair depois do trabalho pra tomar UM COPO DE CERVEJA COM OS AMIGOS.

Entristece-me ver um Brasil cada dia mais falhido e mais imerso em demagogia, porque essa lei Álcool Zero não é nada mais do que a mais pura demagogia lá dos tempos da ditadura e do Sarney.

O que falta no Brasil não é punir as pessoas por tomarem 200ml de cerveja e dirigir, é ensinar as pessoas a dirigir direito, é prender AS MILHARES DE PESSOAS QUE DIRIGEM SEM CARTEIRA OU COM CARTEIRA COMPRADA. É ensinar (como dizia um cara no motel do Lasier) que se tu bebeu, tem que dirigir com ainda mais cuidado para que a única cagada que tu faça seja bater num para-choque ou subir num cordão da calçada. É ter CFC que ensina a dirigir, que consegue distingüir quem tem condições biológicas e mentais de dirigir e quem não tem. É famílias que ensinem seus filhos de 18 anos que recém pegaram o carro o que que é respeito pelos outros e respeito por si mesmo. Que ensinem que dirigir a 120km/h na avenida Goethe só pode dar em uma coisa: MORTE E TRAGÉDIA.

A GENTE PRECISA É DE EDUCAÇÃO, NÃO DE CADEIA. O problema não é a pessoa dirigir alcoolizada, o problema é a pessoa alcoolizada dirigir à 140km/h na avenida Beira-Rio. Nunca vi uma pessoa bebâda dirigindo dentro do limite de velocidade urbano matar cinco, mas já vi muita gente sóbria dirigindo à mais de 100km/h matar muito mais. Talvez seja de se pensar que o problema não é a bebida mas a completa inabilidade das instituições fiscalizadoras em reforçar os limites de velocidade. Bater a 20km/h não mata ninguém… Na matéria do link do André Lemos, mostra a polícia multando, apreendendo carro e carteira, de uma moça alcoolizada. Essa lei te pune por algo que tu ainda não fez. NADA impede o cara de dirigir corretamente mesmo que esteja completamente bebâdo. Crime, pra mim, é dano, é morte, tragédia, machucar as pessoas. Quem essa menina machucou com 0,07 de álcool? Isso me remete aquele filme imbecil do Spielberg com o Tom ‘Cruza’, Minority Report: prender as pessoas porque existem indícios de que ela vá cometer um crime. Inconstitucional, absurdo e infantil.

Chega de infância, Brasil.

Deixa a gente crescer…

Qualifico-me

Publicado em despise for humans por pedro em 08/01/2008

Bom, imitando o Márcio, também me anuncio.

Hoje fui lá e apesar da minha gripe ferrenha (que eu sabia previamente que contrairia assim que terminasse meu relatório), gastei a grana pretíssima que foi imprimir, imprimir as imagens coloridas e encadernar meu relatório de qualificação e ele já está devidamente entregue.

Dia 21 de agosto é o meu dia D. Banca de qualificação. Francisco Rüdiger e Bernardo Lewgoy.

Grandes expectativas. No interesse da transparência, se alguém se interessar em dar uma olhada (não aceito críticas :P ) eu disponibilizo aqui (são 98 páginas…).

Foi uma caminhada interessante até aqui, tendo a vantagem de já ter começado a análise e a pesquisa em si (tanto bibliográfica quanto da série) muito tempo antes. Estou orgulhoso de mim mesmo e espero ótimos resultados dessa empreitada.

provérbios 25:2

Publicado em despise for humans por pedro em 07/26/2008

A glória de Deus é ocultar as coisas, e a glória dos reis é pesquisá-las. A altura do céu, a profundidade da terra e a mente dos reis são coisas insondáveis.

Novamente spoilers.

Bom, assisti hoje no início da noite ao segundo filme do Arquivo X, X-Files: I Want to Believe. Espantei-me ao perceber, logo nos primeiros minutos, que este filme não seria sobre abduções, conspirações alienígenas/governamentais nem espíritos do além ou avanços tecnológicos ameançando a sobrevivência da humanidade. Bem pelo contrário. O filme aborda uma temática muito, mas muito comum mesmo nas formas de ficção fantástica hoje evidenciadas à extensões assutadoras na televisão e entre certas camadas da humanidade: mediunidade. A habilidade de perceber o passado jamais vivido, de entender o futuro indizível. Séries como Medium, protagonizada por Patricia Arquette (e que este que vos fala assistiria ininterruptamente, em parte pela própria Patricia, que eu adoro e sempre adorarei – gótica, em Stigmata, perfeita em Lost Highway, melhor filme do Lynch, e mãe de família genial, querida, afetuosa e fogosa na série), vê-se esse tipo de coisa o tempo todo. Há outras séries e até programas no Discovery e History Channel. Pessoas com uma afinidade especial com o universo. Eles não são mutantes nem híbridos com alienígenas e muito menos são robôs ou inteligências artificiais. Como o próprio personagem Padre Joe (assustadoramente: Father Joseph Crissman), interpretado pelo genial Billy Connoly, que é um pedófilo condenado que estuprou 37 coroinhas (entre eles, o próprio vilão do filme), são pessoas  com defeitos, pecados, pouca inteligência (Ghost Whisperer); pessoas falhas. Enfâse em pessoas.

Como alguns sabem, meu objeto de pesquisa é a série de TV Arquivo X, principalmente a maneira como a série articula e revela certos aspectos de uma nova e premente ideologia que parece afetar todas as camadas da sociedade e muitas, mas muitas das culturas do mundo, sendo percebida, até, como uma Nova Utopia. Na verdade, meu objeto de pesquisa é, em si, a maneira como todos nós lidamos com as novas tecnologias. Os avanços da humanidade, sejam eles quais forem, acabam por (in)advertidamente transformarem fundamentalmente a maneira como vemos o mundo.  E, penso eu, muito da maneira como vemos, compreendemos e apreendemos o mundo se revela através dos construtos midiáticos e dos produtos culturais (mesmo aqueles que, para alguns, nefastamente, vem da malvadona indústria cultural). Entretanto, certos avanços já em curso no mundo – a ubiqüidade da Internet, um exemplo simplesmente muito simples – figuravam até algumas décadas como sonhos, figuras de uma imaginação fantástica, zénitis de um pensamento utópico que sonhava soluções fantasmáticas para as questões humanas. Mas, como posto, certos avanços se tornam fundamentalmente reais. A cura de doenças, verdadeiros manuais para a longevidade e maiores potencialidades de vida, de produtividade e de progresso (?), além, é claro, da esmagadora presença total da idéia de saúde perfeita.

Minha premissa pessoal sempre foi a mesma. E me vejo respaldado em certos autores e pensadores (mesmo alguns tão distantes quanto Platão): EXISTE UMA COISA CHAMADA CONDIÇÃO HUMANA. Somos seres humanos. SOMOS humanos. E isto nos define. Os avanços e suas repercussões são CONDIÇÕES DE HUMANIDADE.

Digo isso, pois, o filme, em questão, mostra exatamente isso. As visões do Father Joe são altamente morais. O mundo humano é moral. Ele procurava sua própria redenção, inclusive admitindo ter se castrado aos vinte e tantos anos, por entender, em sua alma (se me leitor permitir), que aqueles “desejos sujos” – como ele mesmo coloca – eram errados e deveriam ser ceifados. Suas previsões eram sobre pessoas (a ligação dele com elas era que o ‘chefe’ foi uma de suas vítimas) usando experiências com células troncos e desenvolvimento celular para conseguir fazerem operações de transplante de corpos inteiros (tira-se a cabeça de um corpo e inserem ela em outro); the catch: os corpos usados eram de pessoas inocentes seqüestradas. It’s not Frankenstein, it’s human bodychop.

O uso que fazemos daquilo que nos é dado o

u que inventamos é humano. Sofro ao ver certas pessoas chamando coisas como tortura e irresponsabilidade como ‘desumanas’. Vlad, o Impalador, que ganhou o mundo com a lenda do Drácula, era humano. Nasceu, como diriam os antigos, das entranhas de uma mulher. E sabemos hoje que nada nasce das ‘entranhas’ de uma mulher e não é humano. Sabemos que serpentes não são homens. Penso no caso daquele garoto que os ladrões, ao roubarem o carro de sua mãe, falharam ou simplesmente ignoraram o fato de que ele ficara pendurado pelo cinto de segurança e fora arrastado por algumas quadras. Isso é humano. Claro que bondade, solidariedade e sacrifício também são inerentes ao SER do humano, porém certos aspectos menos contemporaneamente aceitáveis também são. Tortura, assassinato, chacinas, estupro, ganância, preconceito, vingança, inveja, ciúme. O homem é mais do que o próprio homem pode conseguir explicar. Entristeço-me ao ver programas como Fantástico e extensas séries de documentários do Discovery e de outros tantos canais como BBC descrevendo homens, mulheres, crianças que ainda nem sabem escrever como fatos calculáveis e predizíveis. Toda a vida é imprevisível. Talvez este seja o porém de ter ganho tal nome: Vida. O humano é algo complexo, definido por jogos constantes de poder, de inteligência e, por mais que certos neguem, de emoção. Gostamos das coisas. Das pessoas. Dos dias. Das noites. De doce. De salgado. E mais do que isso, gostamos de gostar. Gostamos tanto de gostar e desejamos tanto desejar que nos definimos por isso. Muitos negam, mas o humano é interesse. Não aquele interesse bobo que colocam na palavra interesseiro. Todos somos interesseiros. “Meu interesse é continuar vivendo, por isso como”. Um dos nossos maiores interesses, este mesmo, continuar vivo, está intrinsecamente disposto no próprio mecanismo de nossos cérebros. Entretanto, mesmo que este seja mesmo um mecanismo, o transpomos. Na verdade, o transpassamos. Ultrapassamos o – como dizem esses tão prolixos tecnófilos – nosso software e o nosso hardware. Somos mais. Assim como lobos, somos capazes de amputarmos nossas pernas e braços para sobreviver, assim como somos capazes de devorar nossos iguais a fim de que possamos procriar mais uma geração, mesmo que ainda existam outros seis bilhões de espécimes humanos. Entretanto, a natureza, antes, talvez, do próprio Deus, nos deu a capacidade de abstrair. E abstraindo…

Daí decapitar uma mulher que jamais conhecemos para que possamos reanimar um ente querido se torna fácil. Exterminar sistematicamente uma outra raça, credo, classe social se torna realmente muito fácil. “Os judeus é que são o problema”, era muito dito há 70 anos atrás e ainda é dito hoje em dia (once a nazi, always a nazi).

Talvez eu tenha essa percepção de maneira ainda apressada. Talvez a pesquisa realmente valide outras idéias. Entretanto, no momento, penso o seguinte, calcado em minhas conclusões prévias:

Abstraindo o homem chegou até onde está.

Entretanto, de tanto abstrair, acabou abstraindo a si próprio e descobrindo que o mundo pode continuar existindo com inteligência, cultura, tecnologia e progresso sem que sua existência seja um requisito.

Eu não sou o mais carola. Nem me considero ateu. Mas penso que a existência ontológica de Deus, de certa forma, nos coloca em nossos lugares. Pecadores inadvertidos que parecem almejar a próprio destruição. Vejo que muitos imaginam nossa existência como algo supra-natural. Como se o que fizéssemos transpassasse ou superasse a natureza. Nós, homens, somos a natureza. Aquecimento global, destruição do meio ambiente, tantas outras tormentas naturais fizeram isso, eliminaram milhares de espécies. Não sei, penso como no provérbio. Deus, ou o próprio universo, tem a qualidade essencial de ser o mistério…

Nós é que devíamos ter mais a qualidade essencial de desvendá-los, ao invés de simplesmente utilizá-los…