Ubermensch by Debord

Um ótimo começo, há dez anos atrás

Publicado em despise for humans por pedro em 06/27/2009

Agora nos próximos dias, mais precisamente no dia 10 de Junho de 2009, o Sigur Rós comemora os dez anos do lançamento de Agaetis Byrjun, seu segundo álbum, responsável por colocá-los no mapa e no meu coração.

sigur2Eu descobri a banda quase dois anos depois, quando eles estavam se preparando para tocar no que eu acho que foi o último Free Jazz, em 2001. Eu os conheci através do clipe da música Viorar Vel Til Loftarasa, que é simplesmente demais (como a maioria dos clipes dele, incluindo Untitled 1 (Vaka) e Glósoli). Desde então sou fã incondicional da banda, ouvindo seguidamente todos os seus discos e sempre propagandeando-os em todos os lugares e momentos que posso.

Adoro essa banda por sua sonoridade simplesmente única e pelo romantismo quase bucólico de suas canções e letras. Adoro esse som que escapa definições, a não ser som do Sigur Rós, que encontra nos seus poucos semelhantes um reflexo eletrônico; Sigur Rós não tem eletronismos. Nos seus shows pela Islândia, que culminaram no dvd Heima, a maior parte das performances teve cunho acústico.

Bom, sei que quase ninguém gosta dessa banda tanto quanto eu (minha mulher, por exemplo, não gosta muito e geralmente dorme quando eu coloco esse som), mas eu amo demais e não podia deixar de lembrar do décimo aniversário desse disco que apareceu e muito, tanto na repercussão do mundo da música quanto em trilhas sonoras das mais variadas coisas (inclusive séries de TV como CSI).

Deixo pra quem se interessar o clipe de Viorar Vel Til Loftarasa.

E pra quem se interessar ainda mais, uma apresentação do lançamento oficial desse disco, em Reykjavik, em 10 de Junho de 1999.

Como o wordpress resiste a embed videos, disponibilizei aqui em Melhor do “Peór”.

Publicado em despise for humans por pedro em 05/04/2009
Olá, eu sei que tem alguém por aí
Que pode entender
E que se sente do mesmo jeito que eu
Eu tenho 27 e tenho tudo pelo que viver
Mas sei agora que não era para ser
Porque tudo já foi perdido e ganho
E não tem mais nada para a gente salvar
Então se você descobrir que está se sentindo desse jeito
Ligue-me agora e está tudo bem
É só o fim do mundo
Você precisa de um amigo no mundo
Porque você não pode se esconder
Então eu logo te ligo de volta
Se suas intenções forem puras
Estou perseguindo um amigo para o fim do mundo
Eu tenho uma fotografia, eu vou enviá-la hoje
E você vai ver que eu sou perfeitamente são
Nem por uma vida inteira nem pra sempre e mais um dia
Porque nós sabemos hoje que simplesmente não é o caso
Não haverão nem compromissos nem confissões
E nenhum pequeno segredo a guardar
Nem crianças pequenas nem casas com rosas
Só o final do mundo e eu
Porque tudo se foi e já foi feito
Mas nós podíamos ficar junto enquanto eles explodem tudo pelos ares
E podemos dividir todos os momentos enquanto eles se despedaçam

Chris Cornel, Preaching the End of the World, 1999.

Publicado em despise for humans por pedro em 05/04/2009
Well… I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
Said I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
She gives me money when I’m in need
Yeah, she’s a kind of friend indeed
I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
She saves her lovin’, early in the mornin’
Just for me, oh yeah
She saves her lovin’, early in the mornin’
Just for me, oh yeah
She saves her lovin’, just for me
Always loves me, so tenderly
I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
She’s there to love me
Both day and night
Never grumbles or fusses
Always treats me right
Never runnin’ in the streets
Leavin’ me alone
She knows a woman’s place
Is right there, now, in the home
I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
Said I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
Well, she’s my baby, don’t you understand
Yeah, I’m her lovin’ man, now
I got a woman, way over town
She’s good to me, oh yeah
Well, don’t you know she’s all right
Well, don’t you know she’s all right
She’s all right, she’s all right

Ray Charles, I Got a Woman, 1955.

Pra Dé

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João Grana

Publicado em despise for humans por pedro em 01/26/2009

Não me esmero muito em dar dicas ou falar de música aqui, até porque hoje em dia o lugar-comum parece ser gostar de coisas ruins e esquecer o passado.

Eu ando ouvindo muito Johnny Cash e aconselho.

Aconselho todos a ouvirem pelo menos os discos chamado American Recordings, gravados desde de mais ou menos 1994, são os últimos da carreira do grande Cash que, no seu tempo, rivalizou até com o próprio Elvis. É com certeza um dos maiores nomes da música norte-americana e com bastante propriedade o cara que consolidou a influência das músicas mais tradicionais – como folk e country – na música popular contemporânea.

Nessas gravações, Cash regrava sucessos de diversos compositores de vários países, origens e estilos. Tem “Hurt”, do Nine Inch Nails e “One” do U2, além, é claro, da música que segue que é de composição do Neil Diamond. No American IV ainda tem In My Life, dos Beatles, I Hung my Head do Sting e Desperado do Henley Frey.

A música aí é Solitary Man e, além de ser ótima, é trilha do penúltimo episódio de Stargate Atlantis – que aliás, apesar da série ser fraca, esse vale.

“Solitary Man”
Belinda was mine ’til the time that I found her
Holdin’ Jim
And lovin’ him
Then Sue came along, loved me strong, that’s what I thought
But me and Sue,
That died, too.
Don’t know that I will but until I can find me
A girl who’ll stay and won’t play games behind me
I’ll be what I am
A solitary man
A solitary man
I’ve had it here – being where love’s a small word
A part time thing
A paper ring
I know it’s been done havin’ one girl who loves you
Right or wrong
Weak or strong

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Os Metros

Publicado em despise for humans por pedro em 08/09/2008

The Meters - Fire in the Bayou, 1975: ótimo álbum. Mistura influências clássicas do funk com pop R&B e o country-blues da Louisiana e do Mississipi.

Bom, essa semana através de um grande amigo, o Gustavo, eu conheci essa banda chamada The Meters. Como entusiasta de jazz e do funk, me apaixonei na hora. Desde sons totalmente instrumentais até pegadas quase de country music, a banda cobre uma enorme área dos meus gostos. Bons vocais e arranjos ainda melhores fazem dessa banda uma receita pra não ficar parado [agora mesmo estou ouvindo e não consigo parar de acompanhar com o pé].

Ainda não sei muita coisa sobre eles e só ouvi três discos, Fire on the Bayou, Look-Ka Py Py e o primeiro, de 1969, The Meters. Até onde fiquei sabendo, pelo site deles, a banda ainda está em atividade, tendo gravado seu último disco em 2004. Ano que vem os caras fazem aniversário de 40 anos em atividade, e pra uma banda de funk quase que só instrumental, isso é um feito que só pode ser justificado pelo excelente e conciso trabalho deles. Ótimas letras, ótimos ritmos, lembrando desde de Parliament até Funkadelic, Steve Wonder e tantos outros.

Realmente muito bom, aconselho e pra quem quiser ouvir disponibilizo aí a música título do álbum Fire in the Bayou, de 1975.

The Meters – Fire in the Bayou:

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Enriquecer depois de morto

Publicado em despise for humans por pedro em 08/06/2008

Eu odeio o Orkut. Odeio mesmo, acho péssimo. Na minha opinião, a única utilidade dessa tal rede social é fuçar na vida dos outros [o que todos fazem, sem exceção]. Never the less, eu ainda assim uso. Tenho lá meu perfil [que já foi deletado e refeito várias vezes] que se nega a ter mais de cem amigos [não tenho nem 40 amigos na vida real, é deprimente...]. Hoje, num acesso de tédio, fui lá entrar em algumas comunidades e ler algumas das merdas que se fala por lá, e não é que é bem com merda que me deparo.

Na comunidade dedicada a homenagear nosso querido Herbie M. McLuhan [aqui e aqui], encontro um tópico assinado pelo dono da comunidade, dizendo o seguinte:

Galera

Todos sabem q os e-books não rendem ao autor os direitos sobre a obra q ele tem direito.
Por isso, excluirei todas as postagens relativas a isso.
Compreendam por favor, q existem comunidades especializadas nesse tipo de ação criminosa.
Atenciosamente

J Z Sollberg

Então fiquei pensando. Herbie morreu em 1980. “Não rendem ao autor os direitos sobre a obra que ele tem direito”, até onde eu saiba, os mortos não sacam cheques, nem os de royalties.

Então fico pensando. Não será mais justo, com a humanidade e com muitos desses autores [do tipo do McLuhan], que tinham em seus corações melhorar o entendimento da humanidade, que tais obras sejam tornadas patrimônio do mundo e gratuítas? Tudo bem, se meu pai inventou a fábrica de Coca-Cola, quando ele morrer, continuarei com seu império capitalista e continuarei produtivo. Entretanto, que direito tem os filhos de McLuhan em enriquecer com os despojos intelectuais de seu pai? Ainda se fosse alguma obra póstuma, deixada para trás em alguma gaveta, mas se trata de uma obra que MATERIALMENTE já concedeu ao seu autor e sua família, quando este ainda em vida, riqueza, poder, influência e notoriedade.

Vejam as obras dos clássicos, Platão, Aristóteles, claro que é bem possível que existam descentdentes diretos e indiretos desses autores, entretanto suas obras são comercializadas por diversas editoras e sites, a preços irrisórios ou inexistentes, pois ninguém está ganhando direitos sobre essas obras.

Não é chegada a hora de percebermos que conceitos como open source, free, right to knowledge, redux e remix inferem [se não escancaram] que a lógica mercantilista não pode mais ser levada em consideração quando falamos de conhecimento? Claro, durante muitos séculos conhecimento realmente foi poder, e isto ainda vale hoje, em termos de inteligência militar, engenharia de produção, entretanto, em diversas outras áreas, se percebe cada dia mais que a cooperatividade, o acesso irrestrito, a inteligência coletiva, geram muito mais resultados do que aquele cientista ou investigador sentado em seu escritório escrevendo suas fórmulas matemáticas e descobertas em códigos ininteligíveis. Vivemos um mundo da coletividade e almejamos um mundo de coletividade. O conhecimento – seja do código de um software, seja de obras intelectuais – deve ser livre. Veja a medicina, obviamente se ganha dinheiro com grandes descobertas, entretanto, elas seriam inúteis se não fossem largamente disponibilizadas.

O mesmo vale para diversas outras áreas. Vejam o Jazz, por exemplo. Muitos de seus ‘autores’ estão mortos. Charlie Parker, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, nosso querido Chet Baker – do post anterior, entre tantos outros e, quando de suas mortes, deixaram direitos de suas obras para seus descendentes que superam as riquezas de muitos que trabalharam a vida inteira em setores altamente rentáveis. Enquanto isso, gerações inteiras – como meu irmão de 17 anos e vários coelgas e amigos da minha idade – desconhecem totalmente esses trabalhos e pouco se importam.

Fala-se de música ilegal, mas ilegal é manter o conhecimento, a arte, a beleza, a estética, trancafiada em lojas de músicas que te cobram 40 reais por uma mídia CD, enquanto que no super-mercados (onde é caro) custam pouco mais de um real. Como cobrar por algo que, a partir da tecnologia vigente, não pode ser mais preso?

Fala-se muito dos programas livres de computador, entretanto parece esquecido [e soterrado nos milhões de dólares das empresas fonográficas e cinematográfica] que vivemos uma época de libertação das amarras. Uma época na qual pagar um provedor de Internet e ter uma máquina com algum espaço [ou um gravador de mídia qualquer] permite acesso ilimitado ao conhecimento. E percebe-se a estreiteza da mente humana nesse início de milênio: enquanto que qualquer besteirada hollywoodiana, no dia de seu lançamento, já está disponível online para baixar em programas P2P, como torrents, obras literárias e poéticas (mesmo clássicos imortais como Shakespeare, Byron e Poe) dificilmente são encontradas em sites ou para download. O ser humano, ocidental, pelo menos, não vive só de comida, água, sociedade… vivemos de cultura. E quanto mais somos expostos à cultura mais conseguimos desenvolver cultura. E o que falta é a cultura da liberdade de cultura: livros, HQs, jornais, música, filmes, programas de TV, são partes intrínsecas de nossa cultura mais querida e deveríamos ter direito ao acesso ilimitado à elas.

Filmes ganham dinheiro com bilheterias, e mesmo quem baixa filmes em casa nunca deixa de ir ao cinemas. Música e os músicos jamais ganharam dinheiro com vendas de álbuns (vejam que o Roberto Carlos é um dos artistas no mundo que mais ganha com vendagem de discos e ele não ganha nem um dólar por disco vendido), sempre se ganhou dinheiro com aparições em programas de TV, merchandising e shows, principalmente shows. Artistas plásticos ganham dinheiro com a vendagem de seus originais e jamais perderão dinheiro com a disponibilização de suas obras na Internet. Programas de TV ganham dinheiro com propaganda, então porque não disponibilizá-los na rede gratuitamente como milhões de blogs e sites que ganham dinheiro exclusivamente da mesma maneira? E a TV ainda ganha com product placement. Jornais, revistas, HQs, além de consumirem preciosos recursos naturais (papel, tintas à base de petróleo e outros produtos químicos), também ganham dinheiro da mesma forma que blogs e sites, com anúncios. Já as obras literárias, que ganham dinheiro com as próprias vendagens dos livros é que se encontram no dilema: obviamente ninguém quer escrever um best-seller e não ganhar nada com isso. Fala-se em vender e-books, mas eles logo seriam transformados em versões piratas, indiferentemente das formas de proteção eletrônica.

A solução? É de uma maturidade tamanha que, penso agora escrevendo, talvez seja até tolice propor tal avanço moral e ético da humanidade. Claro, Paulo Coelho pode continuar vertiginosamente ganhando dinheiro com seus romances boca-de-bueiro, entretanto, quando de sua eventual e certa (e muito antecepada por este que vos escreve) morte, seus livros deveriam se tornar patrimônio do mundo. Afinal de contas, o mundo pagou por isto. Vejam em matérias de revistas e da Globo onde o “Mago” (nojo total) tem diversos apartamenteos, diversos carros, diversos barcos, diversas roupas. Seus espólios, claro, serão deixados para sua família, e isto deveria bastar. Não se deveria sustentar sua família durante anos devido aos seus feitos em vida. Entretenimento? Não, cultura. E cultura deveria ser de todos, disponível para todos, em qualquer momento e em qualquer lugar.

É um sonho legal, apesar de soar tolo e inocente. Sabemos que a humanidade não está pronta para esse nível de maturidade existencial, porém, não custa nada sonhar…

Enquanto isso Marshall vai descontando seus cheques no Heaven’s ATM.

E pra provocar, só porque é legal (provocar e disponibilizar coisas), uma músicas de duas “gentes” morta pro pessoal ouvir de graça. Eu só pago pra pessoas tocarem, não pra máquinas reproduzirem. Culpe o Edison. Aliás, Ella morreu em 1966 e Louis em 1973. 42 e 35 anos respectivamente. E a coletânea na qual está esse disco é de 1977.

Ella Fitzgerald e Louis Armstrong cantando Let’s Call the Whole Thing Off, certamente, uma das minhas favoritas.

As nuvens nem sempre escondem…

Publicado em despise for humans por pedro em 08/05/2008

Bom, desde que eu fiz esse blog quis colocar músicas nele, mas nunca tinha tido saco de decifrar como é. Esse talvez seja um dos grandes poréns da Internet, algumas incompatibilidades e falhas de funcionamento escapam totalmente a nossa compreensão.

Então, seguindo na esteira do Doni, também homenageio o grande herói branco do Jazz, Chet Baker, com duas das minhas músicas mais favoritas de todos os tempos, Look for the Silver Lining e Daybreak.

Chet Baker – Look for the Silver Lining

Chet Baker – Daybreak

Chinese DemoCRAZY* – Ten Years

Publicado em despise for humans por pedro em 06/29/2008

Então não é que depois de 10 anos de espera informal – e seis anos de atrasos – nosso querido e já tão passado Axl Rosa lança seu tão caro Chinese Democracy.

Baixei e agora enquanto vos falo estou escutando este pecado da música.

13 milhões de dólares pra fazer um disco de hard rock. Only in America…

Como era, claro, de se esperar o disco é uma verdadeira verborragia do post-poser. As guitarras são tão distorcidas que mal se consegue ouvir os ganidos do Sr. Rosa – que aliás está no pior de sua forma. Músicas totalmente inexpressivas, emulando tristemente um mundo que morreu faz tanto, tanto, tanto tempo…

Uma música que pode até ser considerada como somente lipossolúvel. Aquela energia toda do Guns ou era oriunda de seus outros integrantes ou simplesmente se afogou nos McLanches e sorvetes que o Sr. Rosa certamente anda comendo industrialmente. Mesmo com a participação do guitarrista do Queen o disco é no mínimo desimportante. De forma alguma reflete um classicismo em termos de Rock. Tenta ser bonito, entretanto os riffs de guitarra são “tardios” e, na falta de uma melhor expressão, realmente inexpressivos. Solos sem graça (que remontam até as nossas conterrâneas e falhas bandinhas de hard rock).

O disco fica bem como lápide. Lápide de uma era MTV que se deteriorou na velocidade do consumo das essências: as coisas perdem seu sentido rapidamente hoje em dia, e coisas sem sentido, estranhamente, não ganham novos sentidos. Ironicamente há uma música chamada “There Was a Time”, com um solo de quase três minutos daqueles que não se consegue entender nem ao menos uma nota. Eco profundo da deterioração de uma geração de calças tão apertadas que torcemos para uma não-reprodução. Remontando um ‘modernismo blues’, as faixas são todas iguais. Indago-me como demorou tanto tempo pra lançar um disco que parece ser só ganidos e solos indecifráveis de guitarristas verborrágicos: duas características do Rock que prefiro deixar para Black Sabbath, Led e Queen; eles faziam (e nos Ipods ao redor do mundo) e ainda fazem.

Sr. Rosa, por favor… aposente-se. Contente-se com o fatídico esquecimento reservado a todos os medíocres que tiveram a sorte de enriquecer vertiginosamente durante a década de 90. Até o Bill Gates já pendurou as chuteiras, ou seja, acabou-se a era dos usurpadores. A era da tragédia MTV terminou com uma imensa explosão chamada INTERNET.

* Esta brincadeira é na verdade o suposto nome que o Offspring colocaria em um de seus discos recentes, gozando dos múltiplos atrasos do disco do sr. Rosa.

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RadioReggae

Publicado em despise for humans por pedro em 06/27/2008

Há alguns anos alguém chegou pra mim e disse: “Cara, procura o disco OK Computer do Radiohead em versão Reggae”. Eu pensei: “Quê?” – com ares do mais profundo espanto. Era real. Pensava que aquilo seria totalmente improvável. Este disco, OK Computer, de 1997, foi considerado por muitos como o melhor trabalho de rock dos anos 90, eclipsando bandas como Nirvana, REM, entre tantas outras e eu pessoalmente o considero um dos grandes discos de todos os tempos. Tá, fui e lá e baixei o tal Radiodread. A pessoa que me indicara o disco tinha escutado apenas algumas faixas (se não me engano só uma ou duas músicas) e não teve muito a me dizer a não ser “era diferente”. Prontifiquei-me a ouví-lo por inteiro, gravei até num CD pra por no carro.

Para meu ainda maior espanto deparei-me com pura qualidade.

Em momentos, nem se percebe que é o disco do Radiohead e algumas músicas – uma delas sendo com certeza Let Down, a faixa 5 – são simplesmente geniais, talvez até melhor que a do Radiohead (marco aqui que a composição dessa obra prima é dos rapazes do Radiohead). Na verdade, parece até que a versão reggae é a versão original. Tudo muito bem arranjado. Fica realmente genial.

O nome deste agrupamento criativo é Easy Star All-Stars. Sua versão do disco do Radiohead é faixa a faixa e como o editor do seu perfil na Wikipedia aponta, denota uma coisa bem diferente que talvez identifique melhor a existência, pelo menos conceitual de uma nova lógica – que alguns chamam, na minha opinião erroneamente, de pós-moderna. Uma mentalidade de multiplicidade. E não só aquela ‘humanista’, mas artística; a transmutação da obra do Radiohead é fantástica. Conheço gente que não gosta de reggae e gosta desse trabalho e gente que não gosta de Radiohead e gosta desse trabalho.É fascinante. Princípio, segundo uns e outros, do que seria a utilização da Internet hoje em dia. As músicas são em versão reggae, dub e ska, e seus artistas e formações se alteram (em horas com naipes de metal fazendo os solos que pertenciam à guitarras cheias de efeitos), o que deixa cada música com uma cara toda especial. Não parece que é o mesmo artista de reggae, ska ou dub tocando todas as músicas. Parecem que são cinco ou seis artistas fazendo versões de músicas determinadas.

É muito bom. Eles, anteriormente, tinha feito uma versão reggae, dub, ska como essa do Radiohead com o Dark Side of The Moon do Pink Floyd. Apesar de legal, não chega nem perto dessa versão com o Ok Computer. É assustador.

E muito bom. Recomendo.

Faixas:

RadioDread
1. Airbag (featuring Horace Andy)

2. Paranoid Android (featuring Kirsty Rock)

3. Subterranean Homesick Alien (featuring Junior Jazz)

4. Exit Music (For A Film) (featuring Sugar Minott)

5. Let Down (featuring Toots & The Maytals)

6. Karma Police (featuring Citizen Cope)

7. Fitter Happier (featuring Menny More)

8. Electioneering (featuring Morgan Heritage)

9. Climbing Up The Walls (featuring Tamar-kali)

10. No Surprises (featuring The Meditations)

11. Lucky (featuring Frankie Paul)

12. The Tourist (featuring Israel Vibration – Skelly Vibe)

13. Exit Music (For A Dub)

14. An Airbag Saved My Dub

Daft Internet

Publicado em despise for humans por pedro em 06/22/2008

Retomando um pouco o que o falávamos referente ao Andrew Keen e o tal “Culto do Amador”.

O Daft Punk – que no bom português pode ser “desimportância sem sentido”, mas é claro se trata de uma boa gargalhada em cima do termo daft (que seria, formalmente, ’sem sentido’) e o estilo musical dos anos 70 -, talvez por serem um dos mais interessantes e criativos grupos de música eletrônica (na verdade dupla) desde o Kraftwerk (já ouvi muita gente chamando o Daft Punk de novo Kraftwerk ou herdeiros do Kraftwerk – concordo mais com a segunda) – se encontrou muito bem com os novos meios digitais. Seja por disponibilizarem suas músicas (e até um dos seus álbuns inteiros) na rede gratuitamente (muito antes do Arctic Monkeys e do Radiohead), seja por causarem uma certa revolução imagética, principalmente no YouTube.

Falo sobre isso porque (vi no blog da Gisele) o Weezer está lançando o seu primeiro clipe do “Álbum Vermelho” – seu mais novo disco, lançado há poucas semanas – e o clipe é uma coleção de menções à vídeos famosos no YouTube (para ver os 24 vídeos citados no clipe vá aqui em valleywag.com). Entretanto, desses 24 vídeos, dois são na verdade inteligentes brincadeiras com os jogos de palavras que o Daft Punk costumeiramente faz em suas músicas (como em Technologic, Harder, Better, Faster, Stronger e Around the World). Um desses clipes, feito por duas meninas usando “capacetes” de papel alúminio (uma barata imitação das roupas usadas no clipe de Around the World) tenta recriar através do movimento de seus corpos as brincadeiras com as palavras de Harder, Better, Faster, Stronger.

Então percebe-se algo que Keen parece realmente não perceber: o mainstream, os meios antigos, não só contribuem para esses novos meios como de certa forma – ênfase nesse ‘certa forma’ – até trabalham realmente como gatekeepers, dando espécie de matéria-prima para o trabalho do amador. O vídeo esse das meninas (que segue embed no fim deste post) é simplesmente demais. Além do fato delas serem bonitinhas de corpo (seus rostos não aparecem), elas fazem a sincronia com as palavras ditas na música e seus corpos (que tem em suas coxas, ombros, braços e torso escrito as palavras da música) de forma bem engraçada e divertida.

Por outro lado (como mencionado no post anterior) o Sigur Rós lançou seu clipe de Gobbledibook e ao disponibizá-lo no YouTube encontrou a restrição de idade.

Enquanto os amadores fazem o que querem na Internet (nota especial para as centenas de sites de pornografia amadora que se acha na internet facilmente questionando o Google com palavra como “amateur” e “free porn”) os MainStream tão queridos de Keen são cada vez mais barrados. É fácil fazer um clipe com pessoas correndo nuas quando ninguém nunca ouviu falar do teu site, da tua produtora, da tua banda, etc.

O ponto central para Keen parece ser além: se temos esses meios, deveríamos ter algo à dizer; e não temos. O clipe das meninas é uma pura replicação, enquanto que liberdade de conteúdo da Internet, usada ao extremo pelos rapazes islandeses do Sigur Rós não encontra o eco dessa liberdade digital. O que se vê – pelo menos em maior grau – são realmente replicações. Talvez Ridley Scott estivesse certo e o futuro é de espaço-naves solitárias e replicantes. Replicar uma idéia em videozinhos engraçados até o infinito parece ser o motto de uma geração engasgada com sexualidade pugente e que abraça um moralismo manco.

O clipe do Sigur Rós (que linkei novamente neste post) é lindo; como todos os do Sigur Rós. E, ao contrário de mulheres insidiosas e homens ’sarados’ (abomino esse termo), mostra pessoas de verdade vivendo numa comunidade quase “Sociedade Alternativa”, todos nus, em volta de fogueiras, brincando, como se fosse a infância da humanidade novamente. Parece um pouco brega, mas na verdade, pelo menos pra mim, é um insight para essas questões digitais: estamos mais próximos do que nunca mas na verdade vemos cada vez menos do outro. O que era os ‘bons costumes’ agora são representações eletrônicas enviadas à velocidade da luz para qualquer canto do mundo.

E pergunto novamente: é uma vida mediada ou por procuração?

A simplicidade podia ser o motto. Talvez se nos entregassemos mais…