10 com estrelinha
Pedro, aprovado em sua banca de qualificação, com elogios como “se tivesse que dar nota era 10 com estrelinha”, “raros trabalhos possuem tamanha qualidade e tão grande apreciação sobre os tópicos obrigatórios”, o garoto agora se dirige para o trabalho em si; confiante.
Ainda falta muito estudo, muita leitura, muita análise, mas estamos no caminho certo.
Felicitações e agradecimentos a todos que apreciam a minha pessoa, meus objetivos intelectuais, a todos que me apoiaram e acreditaram no meu potencial, especial para a Professora Doutora Ana Carolina Escosteguy e para o Professor Doutor Francisco R. Rüdiger, meus mentores intelectuais com sua confiança de que eu sempre posso mais, e para a minha querida e amada esposa, Débora, que me agüentou enlouquecendo todos os dias, discutindo todas as merdas que eu to sempre falando e nunca calo a boca a despeito de todos os problemas profissionais que ela viveu nesse 2008.
TE AMO, AMOR DA MINHA VIDA. SEM TU, JAMAIS TERIA CONSEGUIDO. TU É MINHA ESPERANÇA, MINHA FORÇA, MEU AMOR.
Uma fase já foi vencida. Agora? Como Usain Bolt, os cem metros eram só de brincadeira, agora vem os duzentos metros e fôlego total.
Qualificação: 2 dias e contando mais do que dias; contando frustrações humanísticas
Quinta agora, dia 21 desse frio agosto, às 14hs, lá na querida PUC, enfrento a primeira parte do meu desafio, com a minha banca de qualificação. Estou bem confiante e ansioso pelo feedback da banca, principalmente por dicas em relação a literatura e composição do trabalho.
Então hoje fui na minha derradeira orientação antes dessa cerimônia de passagem e conversando com minha orientadora vieram à tona muitos dos assuntos que trato aqui.
Há, deveras, uma imensa multiplicidade ideológica e cultural no mundo hoje em dia. De certo, mergulhado nas páginas de autores mortos há muito, se vê a concretização, nem que parcial, de muitas das previsões e visões que se traçaram ainda no despontar do século passado. De tanto em tanto, o homem se tornou o ciborgue que se esperava que, em meados do século XXI, ele se tornasse. Claro, os cabos, fios e parafernálias não se conectam diretamente a nossos cérebros e corpos… não? Esse preciosismo tecnológico realmente não consegue perceber que não se precisa inventar uma interface computador/cérebro; ela já existe! Se chamam MÃOS E OLHOS. Hoje, esperando pela chegada da professora, e mesmo antes, quando na biblioteca da PUC, comecei a olhar as pessoas trabalhando. Talvez por infelizmente não pertencer a essa parcela produtiva de fato da sociedade eu tenha uma certa mistura de inveja e interesse pelas pessoas que saem de suas casas, vão até seus locais de trabalho, sentam-se em mesas ao lado de seus colegas e passam o dia com as caras e mãos voltadas para monitores. Propagando o termo de Bukatman, é uma terminalização da vida: tudo passa através dos infindáveis terminais de dados hoje em dia, gerando um número ainda mais infinito de dados. E se pensa de maneira tão obtusa: um futuro onde ‘plugues’ ligarão cérebro e máquina? Isso já acontece. Hoje, vendo as pessoas da secretaria da Famecos, via pessoas absortas em seus terminais, como se suas consciências, a cada grupo mínimo de minutos, se desconectasse da realidade que os rodeia e entrasse, como Gibson tanto ensejou, num mundo paralelo porém dependente deste, onde o que importa são dados, informações, interações, trocas rápidas de ‘bolos de uns e zeros’ através de um complicado sistema de tradução destes em informações humanas.
Falavámos, eu e minha professora, sobre o rasteiro trajeto de muitas pesquisas feitas hoje em dia. Durante anos, cientistas sociais das mais diversas escolas pensaram, pesquisaram, buscaram compreender a condição conhecida como interação humana. Entretanto, hoje, enseja-se pensar que o que é feito pelo (e através do) computador pertence a uma outra realidade, constituída por outros seres, com outros objetivos e outras estruturas. A fragmentação do sujeito, da qual tanto se fala nos espaços do pensamento ciberculturalista, falha em se revelar através das pesquisas e estas, essencialmente, falham por deixarem de lados categorias, noções e idéias já muito bem aprofundadas por estudiosos que nunca nem sonharam que um dia as pessoas teriam MSN Messenger ou uma página no MySpace. No post anterior eu critiquei o Chris Anderson exatamente por isso. Pretende-se, nessa, e eu acho de muito bom tom chamar assim mesmo, nova Utopia que permeia de blogueiros à cientistas, de escritores a economistas, uma renovação do mundo aos moldes da unificação da China: destruam o passado, só o que importa é o que é feito de agora em diante. E, mesmo assim, o cordão umbilical do passado, que eu preferiria chamar de feeding tube, se mantém forte e conciso numa cultura que se pretende do remix e só consegue mesmo ser do redux.
Em A Condição Humana, Hannah Arendt, carinhosamente diz uma coisa de extrema importância para esse meu argumento:
Mas hoje podemos quase dizer que já demonstramos, até mesmo cientificamente, que, embora vivamos agora, e talvez tenhamos que viver sempre, sob condições terrenas, não somos meras criaturas terrenas (p.19).
Anderson, e todo seu séquito – extendido até as costas brazucas nas centenas de universidades brasileiras e seus programas de pós-graduação em cibercultura -, pretendem um mundo sem o homem, e isso fica muito claro nas entrelinhas. Porém soma-se a isso, tolamente, a idéia de um mundo sem razão, um mundo regido pela lógica mais que instrumental, por uma matemática aplicada servindo como epítome divina; ao invés de sacrifícios, palavras mágicas temos cálculos e estatística. Ele clama pelo fim da teoria e como muitos de seus seguidores, até mesmo os mais versados, parece esquecer que, apesar do diagnóstico precoce de Arendt – que entende um mundo crescentemente perdido através na diminuição do poder da palavra – as palavras tem sim mais do que poder. Mais do que os cálculos de algorítimos e engenheiros, é o que verdadeiramente constrói o mundo; a fábula de Babel é a própria condição humana:
O motivo pelo qual talvez seja prudente duvidar do julgamento político de cientistas enquanto cientistas não é, em primeiro lugar, a sua falta de ‘caráter’ – o fato de não se terem recusado a criar armas atômicas – nem a sua ingenuidade – o fato de não terem compreendido que, uma vez criadas tais armas, eles eriam os últimos a ser consultados quanto ao seu emprego -, mas precisamente o fato de que habitam um mundo no qual as palavras [parece] perderam seu poder. E tudo o que os homens fazem, sabem ou experimentam só tem sentido na medida em que pode ser discutido. Haverá talvez verdades que ficam além da linguagem e que podem ser de grande relevância para o homem no singular, isto é, para o homem que, seja o que for, não é um ser político. Mas os homens no plural, isto é, os homens que vivem e se movem e agem neste mundo, só podem experimentar o significado das coisas por poderem falar e ser inteligíveis entre si e consigo mesmos (p.12).
Apesar de seus very keen writings parece ignorar totalmente que Aristóteles – sim, aquele mesmo – quando cunhou o que hoje conhecemos como teoria (theoria) queria dizer contemplação. E, ainda hoje, em nossos dicionários se mantém o mesmo sentido a que remetia o grande pensador da antigüidade: “considerar com admiração ou com amor”. E que amor há em máquinas mastigando dados se não existem seres humanos para percebê-los? Anderson clama por um mundo afogado em dados que seriam impossíveis de serem escrutinados por homens e mulheres normais. Mas quem mais além do homem pode criar sentido? Não seria mesmo a ‘máquina-de-sentido’ um sentido criado pelo homem?
Concluo meu pensamento com outra (longa) citação da obra de Arendt, mas que penso, apesar das incongruências de seu pensamento, revelar exatamente o objetivo final de todos esses arautos da tecnologia. Ninguém está aqui clamando por um estilo Amish de vida, mas para que, nesse amanhecer do século XXI, antes que seja tarde demais, nos voltemos praquilo que realmente importa e sem o qual o mundo realmente não faria sentido: o Homem. E complementando a citação da autora, claro que esses processo descritos por ela hoje se ensejam ainda mais definitivos do que em 1958, apesar de muitas das ditas tecnologias terem se voltado para as comunicações. O satélite que remete a Arendt a seu argumento, hoje é um satélite de comunicações, orbitando o planeta com a finalidade de mandar uns e zeros para todos os locais porém, mesmo assim, anexando a estes um quê próprio de humanidade e de sua necessidade (tão alardeada pela autora) desesperada de superar todas as restrições de sua condição, mesmo que isso signifique superar a si mesmo.
O problema tem a ver com o fato de que as ‘verdades’ da moderna visão científica do mundo, embora possam ser demonstradas em fórmulas matemáticas e comprovadas pela tecnologia, já não se prestam à expressão normal da fala e do raciocínio. Quem quer que procure falar conceitual e coerentemente dessas ‘verdades’, emitirá frases que serão ‘talvez não tão desprovidas de significado como um ‘círculo tringular’, mas muito mais absurdas que ‘um leão alado” (Erwin Schrödinger). Ainda não sabemos se esta situação é definitiva; mas pode vir a suceder que nós, criaturas humanas que nos pusemos a agir como habitantes do universo, jamais cheguemos a compreender, isto é, a pensar e a falar sobre aquilo que, no entanto, somos capazes de fazer. Neste caso, seria como se o nosso cérebro, condição material e física do pensamento, não pudesse acompanhar o que fazemos, de modo que, de agora em diante, necessitaríamos realmente de máquinas que pensassem e falassem por nós. Se realmente for comprovado esse divórcio definitivo entre o conhecimento (no sentido moderno de Know-How) e o pensamento, então passaremos, sem dúvida à condição de escravos indefesos, não tanto de nossas máquinas quanto do nosso Know-How, criaturas desprovidas de raciocínio, à mercê de qualquer engenhoca tecnicamente possível, por mais mortífera que seja (p.11).
X-Files 3
Como bom buff e pesquisador de Arquivo X, é meu direito e dever informar algumas notícias relevantes.
Primeiro tá rolando um movimento entre os fãs, já que apesar das péssimas críticas (não minhas) o segundo filme já lucrou mais ou menos o dobro do que foi gasto para fazê-lo, para exigir uma terceira continuação da franquia de Chris Carter.
Quem se interessar, o link é esse:
http://www.thepetitionsite.com/3/for-those-in-favor-of-an-x-files-3-movie
E também no MyXFics tem uma entrevista bem legal com o Duchovny falando sobre como foi se reencontrar com Gillian Anderson e Chris Carter e sobre a possibilidade (mesmo que ele deixe um ar vago) de um terceiro filme.
E recomendo, óbvio, pra quem se interessar, o blog I WANT TO BELIEVE IN XF3, também na esteira de uma possível terceira continuação, com entrevistas dos atores e criadores, além de informações sobre a série e os dois filmes.
Disponibilizo aí uma entrevista do Duchovny falando sobre o filme, se não me engano, na divulgação dele na Irlanda.
O mais interessante é ele falando sobre como sempre teve a visão de que Arquivo X não deveria ser uma série de TV, e sim uma possível série de filmes. Tudo bem, todo mundo sabe que Duchovny saiu da série porque não queria ficar estigmatizado (não adiantou) e pra fazer filmes (o que não deu muito certo também). Entretanto acho que muitos fãs vão concordar que o que foi feito com Jornada nas Estrelas seria uma grande alegria (falo dos filmes e não das dezenas de spin offs) se acontecesse também com esta série. Eu, pelo menos, ficaria encantado. Adoro Arquivo X e além de fazer parte da minha infância e juventude com muita força, também é de certo forma uma baliza, e vejo isso agora com clareza no meu objeto de estudo, para entender não só uma ficção fantástica distante da realidade mas para uma nova ficção que talvez tenha despontado com eles mesmos que mostra mais um mundo possível do que um mundo imaginado.
provérbios 25:2
A glória de Deus é ocultar as coisas, e a glória dos reis é pesquisá-las. A altura do céu, a profundidade da terra e a mente dos reis são coisas insondáveis.
Novamente spoilers.
Bom, assisti hoje no início da noite ao segundo filme do Arquivo X, X-Files: I Want to Believe. Espantei-me ao perceber, logo nos primeiros minutos, que este filme não seria sobre abduções, conspirações alienígenas/governamentais nem espíritos do além ou avanços tecnológicos ameançando a sobrevivência da humanidade. Bem pelo contrário. O filme aborda uma temática muito, mas muito comum mesmo nas formas de ficção fantástica hoje evidenciadas à extensões assutadoras na televisão e entre certas camadas da humanidade: mediunidade. A habilidade de perceber o passado jamais vivido, de entender o futuro indizível. Séries como Medium, protagonizada por Patricia Arquette (e que este que vos fala assistiria ininterruptamente, em parte pela própria Patricia, que eu adoro e sempre adorarei – gótica, em Stigmata, perfeita em Lost Highway, melhor filme do Lynch, e mãe de família genial, querida, afetuosa e fogosa na série), vê-se esse tipo de coisa o tempo todo. Há outras séries e até programas no Discovery e History Channel. Pessoas com uma afinidade especial com o universo. Eles não são mutantes nem híbridos com alienígenas e muito menos são robôs ou inteligências artificiais. Como o próprio personagem Padre Joe (assustadoramente: Father Joseph Crissman), interpretado pelo genial Billy Connoly, que é um pedófilo condenado que estuprou 37 coroinhas (entre eles, o próprio vilão do filme), são pessoas com defeitos, pecados, pouca inteligência (Ghost Whisperer); pessoas falhas. Enfâse em pessoas.
Como alguns sabem, meu objeto de pesquisa é a série de TV Arquivo X, principalmente a maneira como a série articula e revela certos aspectos de uma nova e premente ideologia que parece afetar todas as camadas da sociedade e muitas, mas muitas das culturas do mundo, sendo percebida, até, como uma Nova Utopia. Na verdade, meu objeto de pesquisa é, em si, a maneira como todos nós lidamos com as novas tecnologias. Os avanços da humanidade, sejam eles quais forem, acabam por (in)advertidamente transformarem fundamentalmente a maneira como vemos o mundo. E, penso eu, muito da maneira como vemos, compreendemos e apreendemos o mundo se revela através dos construtos midiáticos e dos produtos culturais (mesmo aqueles que, para alguns, nefastamente, vem da malvadona indústria cultural). Entretanto, certos avanços já em curso no mundo – a ubiqüidade da Internet, um exemplo simplesmente muito simples – figuravam até algumas décadas como sonhos, figuras de uma imaginação fantástica, zénitis de um pensamento utópico que sonhava soluções fantasmáticas para as questões humanas. Mas, como posto, certos avanços se tornam fundamentalmente reais. A cura de doenças, verdadeiros manuais para a longevidade e maiores potencialidades de vida, de produtividade e de progresso (?), além, é claro, da esmagadora presença total da idéia de saúde perfeita.
Minha premissa pessoal sempre foi a mesma. E me vejo respaldado em certos autores e pensadores (mesmo alguns tão distantes quanto Platão): EXISTE UMA COISA CHAMADA CONDIÇÃO HUMANA. Somos seres humanos. SOMOS humanos. E isto nos define. Os avanços e suas repercussões são CONDIÇÕES DE HUMANIDADE.
Digo isso, pois, o filme, em questão, mostra exatamente isso. As visões do Father Joe são altamente morais. O mundo humano é moral. Ele procurava sua própria redenção, inclusive admitindo ter se castrado aos vinte e tantos anos, por entender, em sua alma (se me leitor permitir), que aqueles “desejos sujos” – como ele mesmo coloca – eram errados e deveriam ser ceifados. Suas previsões eram sobre pessoas (a ligação dele com elas era que o ‘chefe’ foi uma de suas vítimas) usando experiências com células troncos e desenvolvimento celular para conseguir fazerem operações de transplante de corpos inteiros (tira-se a cabeça de um corpo e inserem ela em outro); the catch: os corpos usados eram de pessoas inocentes seqüestradas. It’s not Frankenstein, it’s human bodychop.
O uso que fazemos daquilo que nos é dado o
u que inventamos é humano. Sofro ao ver certas pessoas chamando coisas como tortura e irresponsabilidade como ‘desumanas’. Vlad, o Impalador, que ganhou o mundo com a lenda do Drácula, era humano. Nasceu, como diriam os antigos, das entranhas de uma mulher. E sabemos hoje que nada nasce das ‘entranhas’ de uma mulher e não é humano. Sabemos que serpentes não são homens. Penso no caso daquele garoto que os ladrões, ao roubarem o carro de sua mãe, falharam ou simplesmente ignoraram o fato de que ele ficara pendurado pelo cinto de segurança e fora arrastado por algumas quadras. Isso é humano. Claro que bondade, solidariedade e sacrifício também são inerentes ao SER do humano, porém certos aspectos menos contemporaneamente aceitáveis também são. Tortura, assassinato, chacinas, estupro, ganância, preconceito, vingança, inveja, ciúme. O homem é mais do que o próprio homem pode conseguir explicar. Entristeço-me ao ver programas como Fantástico e extensas séries de documentários do Discovery e de outros tantos canais como BBC descrevendo homens, mulheres, crianças que ainda nem sabem escrever como fatos calculáveis e predizíveis. Toda a vida é imprevisível. Talvez este seja o porém de ter ganho tal nome: Vida. O humano é algo complexo, definido por jogos constantes de poder, de inteligência e, por mais que certos neguem, de emoção. Gostamos das coisas. Das pessoas. Dos dias. Das noites. De doce. De salgado. E mais do que isso, gostamos de gostar. Gostamos tanto de gostar e desejamos tanto desejar que nos definimos por isso. Muitos negam, mas o humano é interesse. Não aquele interesse bobo que colocam na palavra interesseiro. Todos somos interesseiros. “Meu interesse é continuar vivendo, por isso como”. Um dos nossos maiores interesses, este mesmo, continuar vivo, está intrinsecamente disposto no próprio mecanismo de nossos cérebros. Entretanto, mesmo que este seja mesmo um mecanismo, o transpomos. Na verdade, o transpassamos. Ultrapassamos o – como dizem esses tão prolixos tecnófilos – nosso software e o nosso hardware. Somos mais. Assim como lobos, somos capazes de amputarmos nossas pernas e braços para sobreviver, assim como somos capazes de devorar nossos iguais a fim de que possamos procriar mais uma geração, mesmo que ainda existam outros seis bilhões de espécimes humanos. Entretanto, a natureza, antes, talvez, do próprio Deus, nos deu a capacidade de abstrair. E abstraindo…
Daí decapitar uma mulher que jamais conhecemos para que possamos reanimar um ente querido se torna fácil. Exterminar sistematicamente uma outra raça, credo, classe social se torna realmente muito fácil. “Os judeus é que são o problema”, era muito dito há 70 anos atrás e ainda é dito hoje em dia (once a nazi, always a nazi).
Talvez eu tenha essa percepção de maneira ainda apressada. Talvez a pesquisa realmente valide outras idéias. Entretanto, no momento, penso o seguinte, calcado em minhas conclusões prévias:
Abstraindo o homem chegou até onde está.
Entretanto, de tanto abstrair, acabou abstraindo a si próprio e descobrindo que o mundo pode continuar existindo com inteligência, cultura, tecnologia e progresso sem que sua existência seja um requisito.
Eu não sou o mais carola. Nem me considero ateu. Mas penso que a existência ontológica de Deus, de certa forma, nos coloca em nossos lugares. Pecadores inadvertidos que parecem almejar a próprio destruição. Vejo que muitos imaginam nossa existência como algo supra-natural. Como se o que fizéssemos transpassasse ou superasse a natureza. Nós, homens, somos a natureza. Aquecimento global, destruição do meio ambiente, tantas outras tormentas naturais fizeram isso, eliminaram milhares de espécies. Não sei, penso como no provérbio. Deus, ou o próprio universo, tem a qualidade essencial de ser o mistério…
Nós é que devíamos ter mais a qualidade essencial de desvendá-los, ao invés de simplesmente utilizá-los…


