Singularidade Ética
Fala-se muito, nesses tempos de Lei Azeredo e abusos no Twitter, sobre responsabilidade éticas em relação às novas tecnologias.
O discurso/diálogo/conflito não se baseia apenas nas tecnologias da informação. Desde Dolly as ciências médicas também mergulharam na mesma discussão: os desafios éticos envolvidos na modificação da vida através da medicina e da informática.
Eu penso, vendo (acho eu) essa situação de forma compreensiva, que seja na verdade o contrário. Não são necessariamente as tecnologias que nos defrontam com desafios éticos: são nossas próprias limitações éticas e morais que limitam a tecnologia.
Não estou aqui de forma alguma dizendo que a ética nazista, por exemplo, seria mais adequada. Mesmo ela é uma limitação. A crueza do cotidiano é a verdade de que muitas maldades muito mais terríveis passam batido enquanto aborto, clonagem, células tronco, anonimato e pirataria digital estão sempre na mesa.
Nesses quase dois meses que passei numa baixa produtiva (umas férias, pra não dizer uma falta completa de inspiração) eu discuti oralmente com vários comparsas, diletantes e conflitantes sobre o Twitter. E pego-o agora como bom exemplo para fundamentar meu argumento – a despeito de que muitas, ou todas, as redes sociais poderiam servir: é algo prévio que contempla o mau uso. Vou tão longe, pela liberdade a que me dou nesse blog, de dizer que o palavrão seja um outro exemplo, menos atual e mais historicista. Quando da invenção da oralidade o palavrão, o falar de baixo calão, foi o comment anônimo, o twitter-bulling, o spam.
Os desafios éticos que a liberdade da rede e a liberdade da célula incitam tem mais a ver com uma historicidade quase esquecida. Então, de repente, a grande revolução técnico-social, a grande singularidade seja mesmo uma transformação da condição humana. E essa pode ser uma interpretação do direito ficcional da transposição corpórea; o desejo embutido de ser homem mais que homem ou not man at all.
Talvez se a própria condição humana, em termos éticos – principalmente, pudesse ser ultrapassada ou modificada poderíamos ter então uma nova forma de perceber e apreender o que essa pequena singularidade que são as revoluções no campo da informática e das ciências duras realmente significa.
Proibir a palavra não impediria os sussuros…
Get Back: To the 80’s? To the 70’s? No. To an impossible situation
As doxas pós-modernas falam de um mundo no qual passado, presente e ‘futurismo’ coexistem. Ficava fácil explicar simplesmente apontando que o Oriente Médio, em alguns momentos, parece ainda viver no séc. XVI, e o Ocidente Geral, seguidamente parece existir em algum século além do XXI.
Mas isso era em termos de evolução econômica e tecnológica, e deixava muita gente irritada. Não era realmente uma coexistência histórica: obviamente tu encontra iraquianos ou afegãos com doutorados, cientistas, escritores, cineastas.
O torque da perda de sentido pós-moderno, o ‘baudrillardismo’ radical de que o mundo não fazia mais sentido era facilmente substituído pela invasão cultural: não existe um Afeganistão do séc. XXI, mas existem afegãos do séc. XXI. E a estranheza ganhava tom de embate acadêmico, mas nessas últimas semanas alguma coisa realmente estranha começou a acontecer.
Primeiro o Irã.
O tom de revolução, o tom do governo, acusavam totalitarismo. A revolução não era contra o Xá, contra os líderes religiosos: ela É por liberdade. Quase francofônica.
Agora Honduras. Situação impossível.
As ditaduras de esquerda do séc. XX na América Latina/Central, que eram, em termos, os grandes sonhos da década de 1950, 1960, concretizados em Cuba e nos diversos movimentos sociais, se encontraram de frente com as ditaduras de direita militaristas do séc. XX. A pós-modernidade de convívio de eras se debruçou, parece, sobre o séc. XX; talvez a mácula de deixá-lo partir tão desimportantemente, como século de sangue e guerras. Não sei. O que sei é que é possível dizer: situação impossível. Impossibilidade de posicionamento pleno. De um lado, militarismo, um maldito golpe militar claramente ilegítimo. Do outro, ‘chavismo’, ‘vamos alterar a constituição pra que eu possa ficar indefinidamente no governo’, também com ares de ilegitimidade.
De certo, a morte de Michael e de Farrah parece, ironicamente, relembrar esses períodos. Mais de 20 anos depois e a disputa ainda é sobre a corrupção e totalitarismo de esquerda e a corrupção e totalitarismo de direita. E talvez, fora do escopo das doxas pós-modernas, esteja surgindo a possibilidade de finalmente entendermos que, no fundo, é quase um tanto faz. A queda dos regimes totalitários na América Latina não permitiu o levante da democracia, apenas em termos. Venezuela, Colômbia, Equador, até mesmo o Brasil – novamente, em termos, estão vivendo como que um “agora é nossa vez” da esquerda. E muito pouco parece aquela esquerda mágica que a gente ouve em comícios e movimentos sociais, aquela esquerda da qual me lembro quando criança, cheia de promessas de progresso, liberdade e fim das injustiças. Muito pouco parece aquela renovação semi-marxista: Chávez, por exemplo, estatiza, rouba, se mantém no poder. Há quanto tempo já?
Há muito tempo eu ouvi uma ótima metadefinição de democracia: é a alternação de ideais políticos, para que todos tenham espaço na esfera pública e dignidade na privada.
Como eu dizia aí, em posts passados, isso são meras considerações. Não sei as respostas e procuro evitar um posicionamento, exatamente pela impossibilidade da situação. Mas preciso, como todos deveriam precisar, evidenciar que em certos termos esse pós-modernismo muito alardeado parece ser a única coisa que explica uma convulsão histórica e social tão grande. Essas reações são, colocando-me no lugar de um analista político de cunho marxista durante as décadas de 70 e 80, realmente muito estranhas: os EUA elegem um presidente democrata, negro, retiram suas tropas do Iraque, posicionam para defender a população afegã – questionável, tudo bem – e América e Oriente Médio reagem em estranhas convulsões.
Talvez Obama precise substituir Michael.
Problemas com Trolls?
What Is A Troll?
The term derives from “trolling”, a style of fishing which involves trailing bait through a likely spot hoping for a bite. The troll posts a message, often in response to an honest question, that is intended to upset, disrupt or simply insult the group.

Quando os trolls ficam muito pessoais, a gente começa a desconfiar de pessoas conhecidas. E, ironicamente, a imagem de um 'troll' mesmo, esses monstrinhos, remete aos meus suspeitos
Usually, it will fail, as the troll rarely bothers to match the tone or style of the group, and usually its ignorance shows.
Why do trolls do it?
I believe that most trolls are sad people, living their lonely lives vicariously through those they see as strong and successful.
Disrupting a stable newsgroup (or blog) gives the illusion of power, just as for a few, stalking a strong person allows them to think they are strong, too.
For trolls, any response is ‘recognition’; they are unable to distinguish between irritation and admiration; their ego grows directly in proportion to the response, regardless of the form or content of that response.
Trolls, rather surprisingly, dispute this, claiming that it’s a game or joke; this merely confirms the diagnosis; how sad do you have to be to find such mind-numbingly trivial timewasting to be funny?
Remember that trolls are cowards; they’ll usually post just enough to get an argument going, then sit back and count the responses (Yes, that’s what they do!).
How can troll posts be recognised?
- No Imagination – Most are frighteningly obvious; sexist comments on nurses’ groups, blasphemy on religious groups .. I kid you not.
- Pedantic in the Extreme – Many trolls’ preparation is so thorough, that while they waste time, they appear so ludicrous from the start that they elicit sympathetic mail – the danger is that once the group takes sides, the damage is done.
- False Identity – Because they are cowards, trolls virtually never write over their own name, and often reveal their trolliness (and lack of imagination) in the chosen ID. As so many folk these days use false ID, this is not a strong indicator on its own!
- Crossposting – Any post that is crossposted to several groups should be viewed as suspicious, particularly if unrelated or of opposing perspective. Why would someone do that?
- Off-topic posting – Often genuine errors, but, if from an ‘outsider’ they deserve matter-of-fact response; if genuine, a brief apposite response is simply netiquette; if it’s a troll post, you have denied it its reward.
- Repetition of a question or statement is either a troll – or a pedant; either way, treatment as a troll is effective.
- Missing The Point – Trolls rarely answer a direct question – they cannot, if asked to justify their twaddle – so they develop a fine line in missing the point.
- Thick or Sad – Trolls are usually sad, lonely folk, with few social skills; they rarely make what most people would consider intelligent conversation. However, they frequently have an obsession with their IQ and feel the need to tell everyone. This is so frequent, that it is diagnostic! Somewhere on the web there must be an Intelligence Test for Trolls – rigged to always say “above 150″
Tirado de http://www.flayme.com/troll/
E pra invocar meu direito eterno da palavra, cito, então, outro:
On the road from the City of Skepticism, I had to pass through the Valley of Ambiguity.
Iran Badu
Posteriormente eu farei um post mais compreensivo sobre esse assunto, mas vale traçar.
Na última semana o povão do mundo inteiro foi pego de surpresa por uma coisa que ninguém esperava. Tá certo que pelo menos desde de McLuhan já sabemos que a mídia pode servir as vontades do povo – e não só mera dominação ideológica – e sabíamos que ela conseguia ser o powder cag pra começar coisas importantes (sem julgamento de valores). Impeachment do Collor, Million Man March (parts one and two). Esse tipo de coisa.
Mas num país que lutou, há uns 30 anos atrás, pra VIRAR UMA DITADURA RELIGIOSA não estava no topo da lista de ah, vamos botar fogo nessa bosta. França, Alemanha e Grécia andavam encabeçando a lista de países com um povo prontinho pra incendiar carros na rua.
Só que não foi bem isso que aconteceu no Irã. Primeiro os padrecos que realmente mandam no país anunciaram que o presidente de nome impronunciável tinha se reeleito. O anúncio veio algumas horas depois do fim das votações e chocou o mundo por ser a mais clara prova da irrefutabilidade da corrupção naquele país: urnas de papel levam horas, dias às vezes, para serem apuradas. “Até isso é melhor no Irã”, dizia um dos canais de TV justificando a velocidade da apuração dos votos.
Mas o que viria foi realmente inacreditável. Ninguém saiu nas ruas quebrando coisas. No espírito da moça morta Neda, jovens, adultos e até mesmo idosos foram para rua pedir, pacificamente, não que os aitolás caiam fora, mas que o sonho da república islâmica, passado pro Ocidente como uma realidade táctil, se tornasse real. “Queremos liberdade”, gritam as pessoas na rua. Mas ninguém vê. Ninguém?
Então entra sobre o que esse post é: tem muita gente (muita gente mesmo) falando sobre como as novas tecnologias da comunicação estão mudando o mundo. A prova irrefutável disso está acontecendo agora. A despeito das mentiras, besteiras, racismos e extremismos que achamos na Internet, a rede finalmente serve ao propósito de libertação do homem. Facebook e Twitter se tornaram mais do que redes sociais: são murais para a dor, para a morte.
A total liberdade da rede se tornou o tótem da total falta de liberdade.
Num país, que se pretende potência e não passa de um deserto (em tantos, tantos sentidos) com shopping centers e milionários (diferente de Dubai pela quantidade de shoppings, milionários e ideologia), onde a mídia serve, como nos tempos de Rússia comunista e Alemanha nazista, aos propósitos de velhos gordos e ricos que passam seu tempo estuprando crianças, vemos surgir o verdadeiramente mais significativo movimento ideológico, cultural, social (chame como quiser) dentro da rede.
E se faz um parâmetro analógico até mesmo com o dito download ilegal; facebook e twitter são, nesse momento, ilegais, proíbidos, no Irã. Olha lá e vê se isso impediu eles.
Por isso há quase dez anos eu falo pra amigos, colegas de academia, professores e muito por aqui: THE WEB IS UNSTOPPABLE. Feita para ser assim é óbvio que assim ela será. Militares não ligam para download ilegal; ligam para comunicação total. Para dados que podem ser conservados e protegidos e a rede, ao ser aberta a todos, desapareceu com o seu único impedimento real: o acesso. Agora que podemos acessar essa rede, que cresce como o tumor benigno mais miraculoso de todos, podemos finalmente cantar todos aqueles cantos. De ódio ou amor.
Neda não é a voz da revolução, não é a voz do Irã. É, mesmo que seja algo encenado e falso, simulado, a verdade da era em que vivemos.
VEJA COMO VEMOS A GAROTA MORRER HORRIVELMENTE E NÃO FAZEMOS…
…NADA.
Veja como os horrores do mundo vem das mãos das pessoas. Realmente, aos amigos jornalistas, não precisa de diploma. Precisa de YouTube e um celular com câmera. Precisa-se estar lá.
De certo precisamos revisar nossas idéias e teorias sobre sociedade e cultura mediada.
Guerra e Aborto
Vou traçar aqui uma analogia que se desprende do Brasil. Aqui somos um país basicamente pacífico em termos de guerras diretas com outras nações, entretanto podemos – e o farei – fazer essa aproximação através da guerrilha urbana - ou suburbana – que vem sendo trava entre as forças do poder – donos de terra, polícia, judiciário – e algumas facções criminosas ou movimentos sociais.
Mike Huckabee, um ex-governador norte-americano e apresentador da FOX News, apareceu ontem no Daily Show falando aborto e foi isso que me fez escrever esse post. Huckabbe falou, já de início, que a discussão não deve girar ao redor do aborto em si, mas do valor da vida humana; ele afirma, em seguida, que acredita que toda a vida humana tem um valor inestimável.
O que é a vida? Onde ela começa e onde começamos a ser responsáveis por ela, no sentido de provê-la dos mesmos direitos inalienáveis que todos temos? Essas foram as perguntas sugeridas pelo ex-governador.
Ele seguiu dizendo que a verdadeira lógica é que estaríamos treinando toda uma geração – the one after us, ele diz – para acreditar que é certo, que não tem problema tirar uma vida humana porque ela representa uma interferência em nossas vidas, uma irrupção, seja econômica, seja ela social. Ele segue dizendo algo assim: “religiosa e cientificamente, o momento da concepção, quando os 23 cromossomos de cada pai se unem, criando uma combinação nunca antes vista de 46 cromossomos, isso é realmente quando a vida começa”.
Ele liga essa idéia a velhice. Se ensinarmos nossos filhos que tirar uma vida que se tornou um inconveniente econômico ou social – ou ambos – estaremos colocando em risco nossas próprias vidas quando chegarmos à idade mais avançada e nossos filhos terão de cuidar de nós. “Pai, o tratamento da sua bexiga solta realmente é caro e eu sempre passo vergonha: eutanásia pra ti”, foi mais ou menos o que ele quis dizer.
Minha percepção desse problema, obviamente, passa pela ideologia: passa pela maneira como pensamos o mundo. A moralidade do problema, em si, é para mim, francamente irrelevante. A entrevista desbanca para a questão legal, da soberania do corpo e toda aquela demagogia de Obama: vamos trabalhar juntos.
Para mim o problema é esse: a ideologia dominante já diz, senhor ex-governador. Quando a vida de Saddam Hussein se tornou UM IMPECILHO ECONÔMICO E SOCIAL PARA A NAÇÃO SOBERANA DOS ESTADOS UNIDOS, ele simplesmente foi eliminado. Morrer é um imenso impecilho econômico e social, e não apenas individual; a morte individual – que, na verdade, acarreta muitos poucos males para a pessoa que morreu, já que ela morreu e sabe-se lá o que há (e se há) do outro – acarreta perdas sociais: todos perdemos. A guerra, principalmente a proposta pelos norte-americanos, que se trata de caçar especificamente um grupo de pessoas – que, de fato, pertencem a diversos grupos étnicos diferentes – para que elas sejam ou imediatamente mortas (em conflitos diretos, como nas ruas de Bagdá em 2002), ou mediadamente mortas (como acontece até hoje nas ruas de Bagdá e em tantos outros lugares do mundo onde o terrorismo age quase que livremente), ou, finalmente, julgadas em algum sham tribunal em Gitmo ou em qualquer lugar do mundo para serem, também finalmente, geralmente sentenciadas a vida na prisão (não-vida) ou execução (novamente morte).
Se a vida de Osama Bin Laden se tornar um empecilho econômico e social para a vida de apenas um norte-americano, ele com certeza será caçado, julgado e morto.
As idéias – salvo as suas dimensões – são exatamente iguais: o povo iraquiano, centenas de crianças e jovens, padeceram na mira das máquinas de pós-aborto americano. Quando começa a vida do iraquiano? Do afegão? Da criança que nasce no seio de uma comunidade extremista religiosa e não tem a oportunidade jamais de ouvir: É, filho. Eu não tenho todas as respostas. O que é a vida de centenas de milhares de africanos das mais diversas nacionalidades que morrem todos os anos pelo mais puro descaso? Até na inação a ideologia é a mesma: destruir o impecilho. Há umas semanas atrás – e talvez por isso John Stewart tenha convidado Huckabee – um extremismo pró-vida assassinou um médico. Obviamente o médico fazia abortos. E é aí que se mantém a minha linha de pensamento. A ideologia, a forma de entender o mundo já é essa. O valor da vida humana se limita ao seu índice de perturbação: os sem-terra podem protestar o quanto quiserem, até começarem a atrapalhar a economia ou a socialidade de uma determinada região ou classe.
As milícias no Rio de Janeiro podem continuar extorquindo os comerciantes e trabalhadores até que isso apareça nos jornais e atrapalhe o andamento da imagem política do país, estado ou cidade. Daí é chumbo neles. Daí, o filho da dona Alzira, que tem 15 anos – não 15 semanas dentro do útero – é tratado até pelos mais religiosos como meia-vida, semi-vida, anti-vida e até mesmo subvida. Chora-se por ele quando ele recebe 8 tiros de metralhadora, disparados por um policial militar em meio a um tiroteio. Na hora que o filho de dona Alzira levantou seu braço e estendeu na mão dura de quem acredita que o tráfico, que a organização criminosa (por mais desorganizada que seja), ou que mesmo os amigos é que estão ideologicamente corretos, e que a justeza e as leis do país pouco importam, ele se tornou um impecilho e será lidado como qualquer outro impecilho.
Não é necessário educar as crianças a favor do aborto: elas já são. Mesmo as que dizem que não, mesmo os padrecos, pastoris e bispótes que tanto falam em sermões, missas e até mesmo em blogs e twitters da vida, até mesmo eles são pró-aborto. A incrível colocação nunca vista antes de cromossomo, que pode ser Einstein ou Hitler (ou pior, Goebbels: carrasco de toda a humanidade), é mais importante do que um garoto que existe, que age no mundo, que anda e fala, que ama e é amado. O amontoado de célular, meu amigo, certamente é um ser humano. De fato, não é nada além disso. Assim como a unha do pé podre de meu avô que caiu uma vez também continuava sendo, mesmo desprendida de seu corpo, ele: os mesmos 46 cromossomos.
O sangue do filho de dona Alzira – que pode ser um empregada doméstica carioca ou uma fiel credora de Alá – esparramado pelo chão junto com suas vísceras, membros e pele, também continua sendo ele. E ainda por anos será, mesmo depois de sua morte.
O mundo atual, e talvez as diversas socializações comunicacionais – desde a imprensa até a rede – tenham facilitado ou incitado isso, parece estar sempre perseguindo a inutilidade, os momentos fúteis, ao invés de travar as batalhas reais.
Todas as pessoas mortas em guerra também são abortos eletivos.
A completa parcialidade ideológica da maior parte das culturas demagógicas, estritamente religiosas e conservadoras é a verdadeira clínica de aborto.
E então, o homem esclarecido é forçado a se perguntar: esta ferrenha discussão sobre o aborto, que move tantas mentes e corações, não seria apenas uma cortina de fumaça? Como tantas outras, não é mesmo?
O que hoje em dia não é?
Pra fechar, no final da entrevista Huckabee menciona uma menina que conhecera que fora, um dia, um embrião congelado. A mãe da menina disse para ele: “Olhe para minha vida e me diga que aqueles embriões não tem vida”.
Olhe para os caixões no Iraque e me diga que ali não tem vida.
“Do i have the right to say that I own another person’s life to the point that I may dispose of it and consider it to be expendable?”
Sim, senhor ex-governador. Aparentemente, em diversos lugares do mundo, inclusive nos grandes Estados Unidos da América do Norte, esse é um direito.
No Brasil, laboratório da pós-modernidade, não tem essa de andar pelas ruas na Internet
Tudo bem que o Google Earth é uma coisa do passado e só eu e meu sogro tenhamos um fascínio inescapável por ficar olhando cada cidadezinha, em seus detalhes e ruas, mas hoje choquei-me com um fato absurdo.
Geralmente lanço meus olhares para fora do Brasil, como todo mal brasileiro. Mas hoje me deu um interesse (que não vou contar qual) sobre o nosso querido e INTERNACIONALMENTE CONHECIDÍSSIMO RIO DE JANEIRO e o que eu encontrei não pode ser.
Não há sequer uma vista de rua (a coisa mais legal do Google Earth: unir uma imagem mesmo, uma foto, com sua posição num mapa, fazendo o que até hoje só o Super-Homem podia fazer; plainar a milhares de metros de altura e descer imediatamente) em nenhuma parte da cidade maravilhosa. Nem mesmo nos monumentos e principais avenidas.
Será que eu fiz alguma coisa errada? Será que isso existe em outro lugar e minha plena ignorância digital me barrou de achar?
*Nota: é óbvio que tem fotos de localidades e os também clássicos 360 graus, não sou tão bobão…
Se o CD custasse 0,99 centavos por faixa lá em 1996, será que a história seria diferente?
Bom, alguns mais retrógrados vão com certeza usar a frase:
Acabou a festa!
Essa frase é usada com bastante frequência pra caracterizar o pulo do gato das mil formas de se baixar músicas e filmes da internet. Primeiro os próprios sites, depois o Napster e seguiu-se uma enxurrada de tentativas de “meter a pasta de volta pra dentro do tubo”, como diria o Billy Brag na matéria da Folha.
Um pouco da história de uma forma de compressão de arquivos que apareceu na hora exata em que a largura de banda a proporcionaria tráfego.
A working group consisting of Leon van de Kerkhof (The Netherlands), Gerhard Stoll (Germany), Leonardo Chiariglione (Italy), Yves-François Dehery (France), Karlheinz Brandenburg (Germany) and James D. Johnston (USA) took ideas from ASPEC, integrated the filter bank from Layer 2, added some of their own ideas and created MP3, which was designed to achieve the same quality at 128 kbit/s as MP2 at 192 kbit/s.
Vamos aos países mais influentes do mundo: Holanda, Alemanha, France, Alemanha e EUA.
E vamos, também, ao link.
As comunidades no orkut dedicadas a divulgação de links de download como rapidshare para diversas coisas; músicas, filmes, jogos – estão sendo agora perseguidas pela APCM. Na Inglaterra a discussão chegou ao ponto de quererem criminalizar o download de músicas.

Discografias: se o cara tem saco, ele encontra de tudo na rede. Mas convenhamos, é bem melhor quando tu acha um esforço legal desses de condensação de links e de acesso. Quero ver UMA GRAVADORA que tenha um catálogo que nem o do discografias e UMA LOJA que possa me oferecer esses discos e discografias de uma forma tão fácil e rápida... Por quê será que o troço pago é mais complicado que o de graça?
Todas as atitudes referentes a isso serão, infelizmente, inúteis. Como eu dizia, a pasta não volta pra dentro do tudo. A compressão da faixa de áudio do MP3, unida a facilidade de se transferir arquivos indiscriminadamente, mudou fundamentalmente a maneira como as pessoas consomem músicas.
Ipods e o escambau são o reflexo disso. A indústria cultural – mais especificamente a fonográfica – vem vulgarizando a música há pelos menos 60 anos. E ainda se espantam que, depois do grunge, a música tenha realmente caído no esquecimento e apagamento. Há uma estranha preocupação por parte desses órgãos que se afirmam como de defesa dos direitos dos músicos com músicas antigas. Comunidades como as do orkut se dedicam principalmente a disponibilizar discografias, álbuns e filmes indisponíveis; coisas antigas.
Não precisa se preocupar que as crianças ainda vão comprar o DVD do High School Musical 3 com extras e entrevistas.
Agora o Johnny Cash, a Ella Fitzgerald, o Duke Ellington, o John Lennon… esses caras ESTÃO MORTOS. Alguns há mais de 30 anos. Ou seja: os filhos dos filhos deles já estão velhos. Mas a ordem (e organização) cegante de uma indústria que, assim como os fanáticos religiosos, quer viver num século que não o XXI, onde a ubiquidade da rede não é pra cultura; é só pra ganhar dinheiro.
Já me manifestei aqui várias vezes sobre isso. Sobre as leis, os absurdos, sobre legendagem de séries, músicas e filmes.
Há uns dias eu conversava com o Bernardo sobre The Hunt for Gollum, um fan-made movie baseado nos apêndices do Senhor dos Anéis. É melhor que a bilionária adaptação de Peter Jackson e, se não me engano, custo tipo 3 milhões de dólares. E, há mais tempo ainda, eu citava que os caras do Legendas.tv, quando foram temporariamente fechados pela APCM, diziam que a indústria cultural falhou profundamente em suprir seus consumidores com os produtos (e, mais principlamente, com a qualidade) esperada. Aquela magia da música, da TV e do cinema, não sei se infelizmente, morreu há pelo menos 35 anos. Ninguém mais acha nada de mais em efeitos especiais, ninguém mais liga pra próxima sensação musical (a não ser que tu tenha 16 anos) e, com certeza, a televisão e suas lógicas já naturalizaram além da conta.
Ontem vendo Star Trek – The Original Series, os dois primeiros episódios, percebi a inevitabilidade da conclusão: É TUDO A MESMA COISA. Voyager, DS9, Enterprise, Next Generation… e a fórmula ainda funciona. A tragédia da cultura, ao contrário de certos comentarista da modernidade, na minha opinião, terminou com a rede. Começou é a tragédia da perspectiva de mundo.
Como é que pode, em 2009, 13 anos de download de músicas, os caras quererem voltar o relógio? Mesmo que Soulseeks, Emules, rapidshares e megauploads da vida sumissem, na outra semana se acharia outra forma de transferir os arquivos, nem que fosse, como era no início, realmente de pessoa pra pessoa.
E também quem liga? Quem é que estúpido o bastante pra comprar Rainbows do Radiohead por 35 reais? Uma mídia falha – que estraga muito facilmente, dura – analógica, já que consiste num disco girando que pula, risca, tranca. Além do fato de que o conteúdo é lastimável. Guns’n'Roses, Chinese Democracy, na Multisom do Shopping Total: 30 reais. É risível. Na verdade ‘gargalhável’.
E onde eu vou encontrar o Songbook da Ella Fitzgerald por menos de 300 reais? Ou as temporadas completas de Além da Imaginação, Twilight Zone, por menos de 600? Essa série já tem 50 anos! Todo envolvidos em sua produção e distribuição estão mortos ou prestes a morrer. Por quê, então, custa tão caro? Vou na Cultura comprar Valkirie, com Tom Cruise por 60 reais?
Desculpa dizer isso que parece ser o que a maior parte das pessoas tem entalado na garganta e tem muito finesse pra dizer: o preço raramente equivale ao uso.
Um livro pode custar 600 reais. Sabe por quê? Porque ele dura pra sempre. Se tu derrubar ele descendo do ônibus no dia mais chuvoso da história, depois ele fica amassadinho, mas é só secar ele e deu. Agora pagar, que nem tantas vezes eu paguei, 25, 30, 40, 50, 60 reais por um CD que não dura um ano; por um DVD que estraga e não tem santo que faça rodar.
É a mesma coisa com os jogos de Playstation. Como é que se espera que se pague 200 reais por um troço que, primeiro, tu nem sabe se é bom e, segundo, que às vezes é um bagulho legal mas que tu joga duas vezes e termina inteirinho?
Pirataria é a imbecilidade com a qual somos tratados por uma Hollywood que lança mais bomba que o Hamas, por uma indústria fonográfica patética, onde as melhores coisas são desconhecidas ou antigas pra caralho, que ainda acha que vamos pagar por mídia.
E pego a citação do Ronaldo Lemos, da Creative Commons.
Lemos entende ainda que o argumento da APCM usado para retirar a comunidade poderia incriminar outros sites que contém links que levam a outras páginas para o download de músicas, como o Google. “A informação é totalmente fluida. Ela está no Orkut hoje, mas amanhã pode estar em local totalmente diferente. Esse é o ponto principal. Existe responsabilidade por links? se a resposta for sim, então o Google é ilegal também”, acrescenta.
A imbecilidade é demais nesse país. Tem gente que fala, meio da boca pra fora, que tem que juntar esses incompetentes tudo e metralhar e, tristemente, isso parece ser a única opção. A lobagem da indústria fonográfica e cinematográfica controla esse país, onde liberdade e séc. XXI ainda não entrou no vocabulário dos representantes. E em outra matéria da Folha o texto dita isso claramente:
De um lado, estão as gravadores e as associações que defendem os direitos autorais.
Alguém aí também acha muito estranho que não exista nenhum artista que vem a mente rapidamente que esteja engajado na luta pelos direitos autorais de seu trabalho? A obviedade de quem tem medo das trocas online é gritante…
… as gravadoras, as empresas.
Os piratas de verdade, que saqueiam os produtores culturais, são essas organizações. Esse ano ainda, outra carrasca safada, a BMG, tirou do ar um canal que passava abertura de novelas no YouTube. ALGUÉM ME DIZ COMO QUE UMA PESSOA PODE LUCRAR COM ISSO? COMO QUE ISSO PODE SER CONSIDERADO PIRATARIA DIGITAL? Ainda outra matéria da Folha.
Uma requisição da gravadora já havia vitimado o canal MofoTV, que, assim como o “Abertura de Novelas”, também tinha como foco a memória da TV brasileira –a página migrou para o MySpace.
Parece muito claro que estamos vivendo numa época, em certos termos, ainda pior do que a Ditadura ou o fascismo. Vivemos numa era marcada pelo fim da hipocrisia; as empresas da indústria cultural não querem e nem vão mais esconder que seus objetivos são, friamente, o lucro e a posse/controle da cultura. Não existe nenhum canal da memória da TV brasileira. Nem os sites da Globo e de outras emissores disponibilizam de maneira acessível as suas próprias histórias; assim como cinema nacional. Sites como filmesbrasileirosdownload.blogspot.com são a única alternativa para certos filmes que são IMPOSSÍVEIS de achar até mesmo em videotecas especializadas. E outra matéria da Folha, dita certinho a verdade clara:
APCM (Associação Antipirataria de Cinema e Música), entidade que defende os interesses dos grandes estúdios e gravadoras.
Ninguém está defendendo a cultura, o acesso à ela. Numa país empobrecido e tristemente injusto, não existe uma associação que defenda os novos artistas, que crie lugares para shows, que grave artistas de comunidades carentes gratuitamente. Pelo menos nada do porte da APCM, que é, como diz a matéria, claramente financiada por quem ganha dinheiro sem ser artista. Por quê que até 1996 ainda precisava de gravadora? Porque a única forma de divulgar e tornar a música acessível era através de grandes lojas, distribuídores. Mas hoje, qualquer um grava um disco em casa e o coloca na rede. Antes dos anos 2000, o custo para se gravar um disco era relativamente grande; se tratava de um processo dispendioso no qual um estúdio profissional tinha uma vantagem vertiginosa sobre um estúdio caseiro. Com a barateamento da tecnologia, isso mudou.
A questão não é o fim da pirataria. É a certeza de que a era das gravadoras acabou. Elas não são apenas desnecessárias, são um tropeço no caminho da evolução cultural e econômica do mundo contemporâneo.
Produtor musical, músico contratado, dono de estúdio… ah, esses tu pode ter certeza de que não vão perder o emprego. Agora executivo de gravadora, sentado em escritório empurrando *Nsync e Britney Spears, ah, isso sim CHEGA.
Diga não a pirataria das gravadoras, que, como os piratas dos séculos passados, se adonam do que não é seu e mercantilizam os “tesouros da nação”, transformando nossos artistas, nossa memória cultural em mera mercadoria que deve ser vendida ao maior preço possível.
E, pra terminar, mais uma pesquisa que ninguém vai responder:
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“Na matematização galileana da natureza, a natureza ela própria é agora idealizada sob a égide da nova matemática, ou, para exprimi-lo de uma maneira moderna, ela se torna ela própria uma multiplicidade matemática. O pensar reifica-se num processo automático e autônomo, emulando a máquina que ele próprio produz para que ela possa finalmente substituí-lo. O esclarecimento pôs de lado a exigência clássica de pensar o pensamento – a filosofia de Fichte é o seu desdobramento mais radical – porque ela desviaria do imperativo de comandar a práxis, que o próprio Fichte no entanto queria obedecer. O procedimento matemático tornou-se, por assim dizer, o ritual do pensamento. Apesar da autolimitação axiomática, ele se instaura como necessário e objetivo: ele transforma o pensamento em coisa, em instrumento, como ele próprio o denomina. Mas, com essa mimese, na qual o pensamento se iguala ao mundo, o factual tornou-se agora a tal ponto a única referência, que até mesmo a negação de Deus sucumbe ao juízo sobre a metafísica. Para o positivismo que assumiu a magistratura da razão esclarecida, extravagar em mundos inteligíveis é não apenas proibido, mas é tido como um palavreado sem sentido. Ele não precisa – para sorte sua – ser ateu, porque o pensamento coisificado não pode sequer colocar a questão. De bom grado o censor positivista deixa passar o culto oficial, do mesmo modo que a arte, como um domínio particular da atividade social nada tendo a ver com o conhecimento; mas a negação que se apresenta ela própria com a pretensão de ser conhecimento, jamais. Para a mentalidade científica, o desinteresse do pensamento pela tarefa de preparar o factual, a transgressão da esfera da realidade é desvario e autodestruição, do mesmo modo que, para o feiticeiro do mundo primitivo, a transgressão do círculo mágico traçado para a invocação, e nos dois casos tomam-se providências para que a infração do tabu acabe realmente em desgraça para o sacrílego. A dominação da natureza traça o círculo dentro do qual A Crítica da razão pura baniu o pensamento. Kant combinou a doutrina da incessante e laboriosa progressão do pensamento ao infinito com a insistência em sua insuficiência e eterna limitação. Sua lição é um oráculo. Não há nenhum ser no mundo que a ciência não possa penetrar, mas o que pode ser penetrado pela ciência não é o ser. É o novo, segundo Kant, que o juízo filosófico visa e, no entanto, ele não conhece nada de novo, porque repete tão-somente o que a razão já colocou no objeto.”
A dialética do esclarecimento, Adorno e Horkheimer, 1944 [1969], (p.33-34).
Saison finale
Pois que agora entre essa semana e semana que vem temos os episódios finais das nossas queridas séries.
O final de House, que foi ao ar ontem, foi interessantemente corajoso; na verdade, boa parte dessa última temporada foi mesmo corajosa. The natural outcome of things… moralismo à parte – vicodin trip – realmente parece que as coisas estão saindo da lenga-lenga de sempre todas as coisas horríveis acontecem, mas eventualmente a ordem se restaura.
Mas House é… bom… reservo-me ao direito de deixar essa de lado (façamos uma análise posteriormente, quando a série puder ser analisada como um todo).
Meu papo mesmo é Fringe. A série do Abrams terminou com participação mais que especial de Leonard Nimoy; não foi tanto uma apresentação quanto uma entrevista de emprego. Ok, Spock. You got the job.
O susto mesmo vem no momento final do episódio: oito anos depois, democratas no lugar de republicanos, e o carinha do Lost me tem a cara de pau – ou coragem, ainda não decidi – de duas referências a uma realidade alternativa MUITO PODEROSAS.
Primeiro, uma agente Duhnam confrontada com um New York Post escadolasamente mostrando a manchete Obama’s Set to Move Into NEW WHITE HOUSE. Depois, ela mesma confrontada com o fato de estar dentro do World Trade Center.
Primeiro que Abrams parece estar mesmo fascinado pela matéria da modificação da realidade. Lost, Star Trek, agora Fringe. Pensando bem, a provável associação dele com Dark Tower também seja nessa exatamente por causa disso.
Mas é do cunho do cara da ficção científica de se dedicar a certas temáticas.
E até agora não tenho muito o que reclamar e, aparentemente, nem os fãs de Lost (categoria na qual definitivamente não me encaixo). Adorei o final, adorei a coragem que só depois que Arquivo X perdurou por 9 anos no ar mesmo pra ter: pegou e fez. Existe outra dimensão. Dá pra ir pra lá. Segurem suas calças: segunda temporada com Spock e viagens interdimensionais para todo mundo.

Montagem, imagem de arquivo? Não sei dizer... but it sure is creepy as hell, man. Vai dizer que não dá pra ver o aviãozinho chegando?
Mas é nerdismo o cara se apaixonar por essas séries. Eu, já tão desencantado com esse mundo desencantado, pego-me sempre esperando pelo pior. Mas vai saber, de repente Dawson’s Creek tenha sua segunda chance de imortalização, de repente Anna gatésima Torv, com seu estilo mulher durona do leste europeu – hard ass model like bitch - também se imortalize.
Acho essa série particularmente legal porque tem aquele toque de New Wave of Science Fiction, com o reencanto da ciência quase mítica ao mesmo tempo em que há um retorno àquelas temáticas da Golden Era e da Era Gernsback. Por quê não outras dimensões? É tão risível cotidianamente falando quanto viagens interplanetárias através de wormholes ou velocidade de dobra. Na verdade, pensando bem, até mesmo essas séries trataram disso.
Os únicos grandes dessa temática, em TV, se não me engano são o Dr. Who e o Sliders.
O que me garante o benefício de dizer que tudo bem, jj, pode fazer…
E agora os coitado que assistem as séries tem que ficar com os repeteco com 12 a 18 minutos de propagandas na TV a cabo, porque temporada nova só em setembro. Tudo bem, tem algumas que ainda vão mais um pouco, mas as grandonas, xi, essas já uera.
Por isso agora estou baixando Star Trek – The Original Series


